Giselda Maria Fernandes Novaes Hironaka e Gustavo Ferraz de Campos Monaco Introdução



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Síndrome de alienação parental

10/03/2010 | Autor: Giselda Maria Fernandes Novaes Hironaka e Gustavo Ferraz de Campos Monaco

 

1. Introdução           

Em A filosofia da infância, o Professor de Filosofia da Universidade de Massachusetts, Gareth B. Matthews, afirma não haver motivos suficientes para se acreditar "que apenas em virtude de se crescer de uma determinada maneira normalizada, os adolescentes ou adultos atinjam o nível apropriado de maturidade para lidar com questões filosóficas"[1]. Da mesma maneira, não parece ser lícito e coerente concluir que apenas pelo fato de os pais terem aparentemente atingido a idade adulta de forma sadia, sejam os mesmos dotados de um nível apropriado de maturidade para lidar com questões afetivas.

Não é à toa que o pai de Kristin demonstrou surpresa com a alegação da filha no sentido de estar satisfeita por termos as letras e com a explicação que se seguiu a tal constatação. A menina, que começara a se familiarizar com as sílabas e a identificar nelas os sons que eram capazes de produzir, não se mostrou nem um pouco aflita quando o pai quis saber o porquê de tamanha satisfação e respondeu: "Pois se não existissem letras, não haveria sons... se não houvesse sons, não haveria palavras... se não houvesse palavras, não poderíamos pensar... e se não pudéssemos pensar, não haveria mundo" [2].

O raciocínio faz lembrar Parmênides de Eléia quando afirmava que "para a mesma coisa há tanto pensar e ser". Talvez o grande problema dos adultos, hoje, seja justamente o terem se esquecido de que há, em todas as suas ações, tanto o pensar quanto o ser, mas que ambos os fenômenos devem estar situados em planos distintos, convivendo, mas não se confundindo. Pensar o mundo é ser parte dele e se pensar sobre tal objeto exige o recurso a convenções lingüísticas, então as palavras, os sons e as letras são partes componentes do mundo e permitem pensar sobre ele.

Da mesma forma, pensar o afeto é vivenciá-lo. Pensar o desenvolvimento afetivo dos seres em estágio formativo é ser para com eles afetuoso. No entanto, não é suficiente nem é saudável apenas o ser afetivo pensando fazer o bem, pensando preservar o ser objeto do afeto (afeto este que, de resto, pode apresentar-se com conotação positiva ou negativa), sem que esteja presente nesse ser-pensar a maturidade para lidar com as questões afetivas.

É a partir destas constatações iniciais, lançadas à guisa de advertência introdutória, que pensamos situar-se o tema da síndrome de alienação parental. É que, se sem letras não existiria o mundo, como constatou a pequena Kristin, sem afeto não existem relações familiares. E se é preciso bem ordenar as letras para compreender o mundo, também é preciso bem ordenar os afetos para lidar com as relações familiares. A explicação desordenada do mundo demonstra a ausência de maturidade para lidar com as questões filosóficas. Da mesma forma, o enfrentamento desordenado das novas realidades relacionais em âmbito familiar demonstra a ausência de maturidade para lidar com as questões afetivas.

Assim, saber o que é, como se manifesta, quais suas conseqüências fáticas e quais as possíveis conseqüências de uma intervenção do ordenamento jurídico relativamente a um fenômeno que tem se mostrado cada vez mais presente na realidade das famílias é a intenção primordial do presente estudo. Assim, a investigação a ser feita deverá esbarrar com situações antecedentes à configuração da síndrome de alienação parental, razão porque será fácil constatar que o percurso a ser seguido daqui em diante irá se assemelhar àquele percurso argumentativo que, partindo da satisfação pela constatação da existência das letras, concluiu que sem elas não haveria mundo, como se não fosse o fato de o mundo existir que fosse condição essencial para o surgimento do ser humano, de sua capacidade reflexiva, da convenção das palavras por meio da combinação de sons e de sua redução a símbolos gráficos. Ou seja, será possível constatar que só haverá síndrome de alienação parental por ter havido a configuração de uma situação patológica no ambiente familiar em que estivesse inserida a criança, normalmente em decorrência de seu desfazimento e da má resolução de sentimentos de índoles diversas.


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