Giannetti, Eduardo. VÍCios privados, benefícios públicos?



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Guilherme Rios Leite – turma A

GIANNETTI, Eduardo. VÍCIOS PRIVADOS, BENEFÍCIOS PÚBLICOS?

Capítulo 5: A ética como fator de produção



Introdução

Como uma continuação do capítulo anterior, o capítulo cinco introduz indagando se as qualidades dos indivíduos que compõem a economia interferem na eficiência e prosperidade do processo produtivo. Que tipo de atributos morais e éticos deve seguir o individuo para que ocorra “o melhor resultado em termos econômicos”.

[A]

Escola de Chicago( Stigler e Friedman) Utiliza da teoria econômica de Adam Smith para avançar o pensamento mandevilliano( Fabula da abelhas). O egoísmo ético (o auto-interesse guiado pelo interesse monetário) por parte dos “jogadores” da economia é o melhor caminho para maximizar a eficiência .



Adam Smith É contrário ao egoísmo ético. Diferencia o desejado do desejável. Para ele é desejado maximizar o ganho privado , porém isso não é o desejável para o coletivo. A ética funciona como um filtro do auto-interesse.
[B]

As três correntes ( Smith, Mandeville e Chicago) de pensamento sobre como deve ser o papel do indivíduo na economia para que haja ganhos coletivos tem um fator em comum. Todas afirmam que o auto-interesse coordenado pelo sistema de mercado é “capaz de conduzir a sociedade do mais baixo barbarismo até o mais elevado grau de opulência”.

É sobre a qualidade dos indivíduos que formam o todo que o autor pretende buscar mais respostas. Ele compara a idéia a uma obra de Machado de Assis nas mãos de um analfabeto. Do que adianta se as regras do jogo econômico são eximidas de falhas se os jogadores não possuem “os atributos cognitivos e morais necessários para tirar delas bom proveito”.

Problema central: Como aproximar a ética(qualidade dos jogadores) e a teoria econômica(regras do jogo) para que se maximize os ganhos?

Tese do capítulo: “A noção de que a presença de valores morais e a adesão a normas de conduta são requisitos indispensáveis para que o mercado se firme como regra de convivência civilizada e se torne, alimentado pelo desejo de cada indivíduo de viver melhor, um interação construtiva na criação da riqueza”, ou seja, a ética deve ter uma sinergia com o auto-interesse de cada pessoa para que se busque o máximo de benefícios.

Desenvolvimento

Nas nossas simples decisões cotidianas levamos a ética em conta, mesmo que seja inconscientemente. Queremos ter, por exemplo, confiança nos contratos para que possamos ter uma convivência harmoniosa em sociedade. A presença de valores e normas é um postulado básico para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Giannetti vai desenvolver sua tese para concluir que a ética deve ser considerada como fator de produção a partir de dois ramos: uma visão empírica na qual observadores relataram experiências em lugares onde a ética foi fundamental para o crescimento da nação e uma visão filosófica, que pretende levar o desenvolvimento do autor a um plano mais normativo por meio de argumentos de estudiosos que embasam sua tese lançada na introdução.

[A] Visão empírica

1. William Perry Século XVII. Questionou a idéia de que quanto maior um país e respectivamente sua população, maior a sua riqueza. Utilizou-se do caso da Holanda, país pequeno e não tão povoado que deu certo economicamente. Perry afirmava que a ética religiosa na Holanda fez com que o país crescesse. Os refugiados religiosos que ali viviam enxergavam no trabalho a salvação divina e assim dedicavam todos seus esforços no labor. Giannetti portanto conclui sobre essa observação que: “o ponto é que a forma pela qual esse desejo era perseguido dependia não de uma intensificação do egoísmo e do oportunismo, mas de um sujeição do auto-interesse crasso a valores morais”.

1.2. Weber É só uma pequena citação para complementar o argumento de Perry, porém de alta relevância. Weber diz que os países cujo desenvolvimento capitalista não deu certo foram aqueles onde os interesses privados sobrepõem os interesses públicos, os indivíduos tem “interesses egoístas pela via da obtenção de dinheiro”.

2. Edward Banfield Década de 50. Banfield analisou uma cidade no sul da Itália para ver como as relações éticas eram tradadas. Chamou de “familismo moral”- “um princípio de comportamento” no qual os moradores daquela cidade tentavam a qualquer custo tirar proveito material em benéfico para sua própria família. Tais características da população eram catastróficas para a economia, educação, da mortalidade, ou seja, para todos os problemas públicos dessa cidade.

3. Toqueville Viu que os norte-americanos, mesmo apegados aos bens matérias, sacrificavam seus interesses privados em prol dos interesses coletivos. O autor ( Giannetti) já vai mostrando que “ na corrida da grande multidão smithiana por riquezas, o egoísmo sem freios não vai longe”, ou seja, o papel da ética deixa de ser secundário no processo produtivo para ser um fator determinante.

4. Alexander Von Humboldt Inicio do século XIX. Relatou suas viagens pela América espanhola mostrando como a natureza rica influenciava no comportamento dos nativos. O atraso econômico nessa área, para Humboldt, não era “o egoísmo sem freios discutido por Weber, Bandield e Tocqueville” e sim “a completa falta de motivação dos habitantes para fins econômicos”. Tal observação ,com fortes influências positivistas, falava que a falta de escassez na natureza era a fator determinante para a “vagabundagem” dos indivíduos desse lugar.

O autor faz uma pequena digressão sobre a forte carga de preconceitos nos argumentos de Humboldt, Kant e Marx sobre como o capitalismo só da certo em países pertencentes à zona temperada e que os homens nascidos nessa área tendem a ser mais inteligentes. Ele cita um contra-argumento de Nietzche e fecha dizendo que tais exemplos mostram como o debate sobre quais fatores que determinam o máximo econômico é diverso.

5. Samuel Laing Século XIX. Observou as mudanças de atitude na vida profissional. Viu que os valores morais aplicados no ambiente de trabalho influenciavam, por exemplo, um inglês estrangeiro trabalhando na França. É citado novamente Weber para complementar Laing. Weber em sua análise da ética protestante mostra a determinação do trabalhador em fazer do seu trabalho uma vocação, quase que abandonando tudo para se dedicar inteiramente ao trabalho. Porém Giannetti alerta que “(...)algum sacrifício para subir na vida são condições necessárias para que uma economia prospere. Mas daí supor que elas sejam também suficientes, há uma enorme distância”.

É citado também o ex-presidente da Sony, Akio Morita, que fala que sua empresa deu certo por conta da confiança que existia no ambiente de trabalho. Ele percebeu que trabalhar em busca somente pelo dinheiro não era saudável à corporação. Esse depoimento vai na contramão das teorias feitas pela escola de Chicago(Stigler e Friedman).

O autor diz que não se deve trocar as ordens das coisas,ou seja, buscar algo para desfrutar de alguma coisa. A empresa, por exemplo, não deve ser um intermediário para dar lucros como teoriza Friedman e sim uma empresa com valores sólidos que assim trará lucros.



Os relatos feitos por observadores adicionam e muito o conhecimento, porém não podem ser elevados a status de “autoridade inatacável”. É necessário portanto uma visão argumentativa que leve a tese proposta pelo autor a um patamar mais científico e universal.

[B] Visão Filosófica

1. Malthus Século XIX. Foi uns dos primeiros economistas a pensar na psicologia moral dos indivíduos no processo produtivo. Alertou também sobre a generalização e simplificação feita pelos economistas clássicos sobre o bem-estar social. Contra-argumentou dizendo os jogadores do jogo econômico têm como motivação o carpem diem e a busca pelo caminho mais hedonista. O ser humano tem uma fraca motivação para sacrificar os interesses individuais que levam à riqueza das nações. Portanto para fazer com que a sociedade busque a prosperidade e a eficiência na economia, Malthus diz que não são princípios de conduta dados que levaram a tal feito. É um processo lento no qual necessita de “educação, adversidade e escassez”. Termina dizendo que o sucesso da Europa nesse quesito não é a regra mundial e sim uma exceção e logo não deve impor seus padrões ao resto do mundo.

2. John Stuart Mill Grande contribuidor da teoria moral utilitarista, Mill foi uns dos maiores defensores do papel da ética como fator de produção. Ele não contesta a tese de que o livre mercado é melhor sistema para alocar os recursos e maximizar os benefícios, porém foca na “qualidade dos jogadores enquanto variável explicativa das causas da riqueza das nações” o que não era considerado nas teorias de Adam Smith e Mandeville. Para um exemplo prático de como a qualidade influencia, ele cita a confiança que deve haver entre os indivíduos. Para que não ocorra uma anarquia, os jogadores devem confiar uns nos outros para que a riqueza das nações possa ser alcançada. E ainda refutando os teóricos que afirmam que o clima influenciaria a economia de certos países, Mill defende a idéia do “estado estacionário” como o ideal de sociedade – “o resgate de valores morais, estéticos e espirituais como caminho para a perfeição humana e a diminuição do hiato entre o que é e o que deve ser”.

Giannetti ainda cita John Macdonell para complementar Mill: se os homens não tivessem confiança uns nos outros provavelmente a Inglaterra não seria a maior potencia mundial do século XIX.



3. Marshall e Sidgwick Os dois estudiosos desenvolveram o que hoje é chamado de teoria do capital humano. Mostraram como os recursos humanos é tão importante para o desenvolvimento quanto os outros recursos. Sem o investimento em capital humano ou no desenvolvimento das relações humanas, o progresso do jogo econômico também fica comprometido e não passa da teoria da escola de Chicago. Afirmaram que a interferência do governo na economia causa um grande estrago, porém deve haver um mínimo legal necessário para que haja coordenação entre as partes envolvidas. Marshall conclui que o retorno dos benefícios do capital humano é lento porém não descartável. “Meras alterações nas regras do jogo econômico podem ajudar mas não dão conta por si mesmas do desafio do desenvolvimento”.

Conclusão

A ética portanto deve ser uma qualidade intrínseca dos jogadores para se alcançar o auge do desenvolvimento e da riqueza das nações. A economia deve ter normas morais e valores que a conduzam para que haja confiança plena entre seus participantes. Como Giannetti conclui: negligenciar a ética é “perder de vista um dos fatores decisivos na explicação das causas da riqueza e pobreza das nações”,ou seja, a qualidade dos jogadores depende totalmente de um bom jogo econômico.

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