Gay espancado na rua em são paulo


CANTOR FELIPE DYLON É ACUSADO DE AGREDIR GAYS EM IPANEMA



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6. CANTOR FELIPE DYLON É ACUSADO DE AGREDIR GAYS EM IPANEMA


O cantor Felipe Dylon, de 16 anos, é acusado de agredir, com amigos, dois gays na Praia de Ipanema, no fim de 2002. Segundo nota publicada neste domingo na coluna de Ancelmo Góis, do jornal "O Globo", o adolescente prestará depoimento sobre a suposta agressão na 2ª Vara de Infância e Juventude no dia 26 de abril. O juiz Guaraci Vianna confirmou a acusação. [Fonte: O Globo, http://oglobo.globo.com/online/plantao/141274553.asp, 21/3/2004]

7. NOVA ONDA DE ATAQUES DE PITBOYS MUDA ROTINA DE CASAS NOTURNAS NO RIO


A violência que ronda a noite carioca está transformando o simples prazer de ir a um bar ou a uma boate em pesadelo. Tudo por conta de pitboys, brigões que surgiram no fim dos anos 90 e voltaram a intimidar e agredir freqüentadores de casas noturnas. Preocupados com o número crescente de ataques na porta de seus estabelecimentos e escolados com o visual dos agressores — geralmente praticantes de lutas marciais que usam cabeça raspada e camisetas que deixam músculos e tatuagens à mostra — os empresários estão criando mecanismos para afastar tais gangues de sua clientela. Preços altos, carteirinhas VIP e listas de convidados para justificar a triagem são algumas das medidas. O problema envolve preconceito — grande parte dos ataques acontece na vizinhança de clubes GLS. — Esta semana vou procurar a Vara de Infância e Juventude para entregar reportagens e registros de ocorrência de ataques sofridos pelos nossos clientes. Os agressores são menores e andam em bandos. Eles têm de ser identificados — defende Chico Cozeto, gerente do clube Dama de Ferro, em Ipanema. Na saída do Dama de Ferro, 12 agressões em seis meses Cozeto tem motivos de sobra para se preocupar. Nos últimos seis meses aconteceram 12 agressões a gays nas proximidades da Rua Vinicius de Moraes, onde funciona a casa noturna — a última delas foi na madrugada do último domingo, quando um cliente teve o maxilar fraturado ao ser espancado por três garotos. Cozeto diz que algumas providências foram tomadas: além do segurança na porta, a casa contratou mais dois homens para circularem pela área a pé. E o gerente fez contato com a viatura da Polícia Militar que faz ronda no bairro para poder acioná-la rapidamente se necessário. A situação é gravíssima. Estamos na iminência de testemunhar uma morte — preocupa-se Cozeto. Os ataques dos pitboys acontecem geralmente de madrugada, quando os clientes estão deixando as casas noturnas. Foi assim com R.V., estudante de fisioterapia que comia cachorro-quente na porta do bar Guapo Loco, no Leblon, quando foi insultado por um rapaz que passava de carro com quatro amigos. Até hoje ele se arrepende de ter respondido ao xingamento: em minutos, ele viu-se no chão, com o sujeito mordendo sua orelha esquerda. O cara era enorme, tinha pinta de lutador e não largava a minha orelha. Levei dez pontos no hospital Miguel Couto, fiquei um mês sem sair de casa e fui obrigado a mudar os meus hábitos. Não freqüento mais boate — resume R.V. “Se usar camiseta sem manga, o cliente fica de fora”. Um dos sócios dos bares Guapo Loco e Cozumel, o empresário João Roberto Davies também está fazendo de tudo para manter pitboys longe de suas casas. Os recepcionistas do Guapo Loco agora são orientados a informar na porta que homem desacompanhado de mulher não entra de jeito algum, principalmente se estiver em grupo. Além disso, o bar conta com o apoio de uma patrulha da PM, que no fim da noite costuma ficar estacionada nas proximidades. Os seguranças já sabem como esses sujeitos se vestem. Se usar camiseta sem manga, um clássico dos pitboys, o cliente fica de fora — diz Davies, que considera pouco provável acabar discriminando um inocente: Esses caras têm uma abordagem grosseira, é fácil identificá-los. E se no bar alguém se atrever a puxar o cabelo de uma cliente, é logo chamado a atenção e até expulso. A boate Nuth, na Barra, foi além. O dono Guilherme Oliveira criou um cartão de sócio para clientes preferenciais e seus convidados. Desconhecidos não entram. Já o empresário Rick Amaral, do Baronneti, elevou o preço da entrada de homens para R$ 70. Passamos a fazer uma pré-seleção na porta para filtrar as pessoas. Os seguranças sabem quem dá problema e alegam, se necessário, que há uma lista para barrá-los naquela noite. É uma desculpa famosa, às vezes verdadeira. Cara brigão é tudo o que eu não quero na minha casa — avisa Amaral. O assédio dos pitboys chegou também aos ensaios do Monobloco, na Fundição Progresso. O músico Pedro Luís diz que evitar brigas foi a principal preocupação da produção das edições do evento, que terminou no fim de fevereiro. Para isso, ele contou com uma média de cem seguranças por noite. Os pitboys ficavam na porta dos banheiros, puxando o cabelo das meninas. A orientação era botar para fora e dizer que eles estavam na festa errada. Essa violência incomoda mais pela discrepância social, pois eles vêm de classes bem informadas. É um fenômeno lamentável na noite do Rio — afirma Pedro Luís. A socióloga Bárbara Soares, pesquisadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Candido Mendes, considera a nova onda de violência praticada por pitboys uma conseqüência trágica do fato de a sociedade alimentar ou tolerar o preconceito e a discriminação:

É interessante entender o motivo pelo qual esses grupos atuam contra outros grupos, como os homossexuais. Parece um artifício para exorcizar os fantasmas da homossexualidade e reforçar coletivamente uma auto-imagem definida por um certo modelo de masculinidade. A delegada Monique Vidal, titular da 12 DP, em Copacabana — que cobre também a área de Ipanema, durante a madrugada — diz que as vítimas precisam fazer valer os seus direitos. Para isso, insiste que elas registrem ocorrência e não desistam das denúncias, indo ao Instituto Médico Legal para fazer exame de corpo de delito: A lei pode ser branda, mas há fatos que podem tornar a pena mais dura. Dependendo da agressão, o ataque pode ser enquadrado como lesão corporal grave e até tentativa de homicídio. Caso sejam mais de quatro agressores, vira formação de quadrilha. Eu garanto que na minha delegacia os casos serão investigados e os agressores, identificados, o que não é difícil. O medo de represália, porém, muitas vezes é maior do que a vontade de punir os responsáveis pelas agressões. E as dificuldades na hora de dar queixa também desestimulam as vítimas. O comerciário Augusto Vieira bem que tentou registrar ocorrência na 15 DP, na Gávea, mas foi informado de que teria que esperar quase duas horas pelo delegado de plantão. Resultado: foi embora. Era madrugada de quarta-feira de cinzas e ele tinha acabado de levar uma surra de sete rapazes na porta do restaurante Manoel & Juaquim, em Ipanema. Fui empurrado, bati com a cabeça no meio-fio e levei pontos na testa e nos lábios, sem falar da hemorragia no olho e dos hematomas no rosto. Tive que faltar ao trabalho três dias. Nunca vi um ato de covardia maior — resume Vieira. [Fonte: Adriana Castelo Branco - Jornal O Globo e LISTAGLS - Direitos Humanos, para todas as pessoas, http://br.groups.yahoo.com/group/listagls/, 14/3/2004]






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