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Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo FESP-SP

Pós-graduação em Pesquisa de Marketing, Opinião Publica e Mídia

Disciplina: Psicologia dos indivíduos e grupos

Professora: João Lindolfo

Aluno: Josival Lopes Santos

Trabalho: Morador de rua



Maria das Graças Jacques cita um verso da musica metamorfose ambulante do cantor Raul Seixas para falar de identidade.

Sobre o que é o amor

Sobre o que eu nem sei quem sou

Se hoje eu sou estrela, amanhã já se apagou

Se hoje eu te odeio, amanhã te tenho amor

Lhe tenho amor

Lhe tenho horror

Lhe faço amor

Eu sou um ator

Prefiro ser esta metamorfose ambulante. Raul Seixas


Para Antônio Ciampa, identidade é metamorfose, pois na identidade as pessoas têm múltiplos personagens, que ora se conservam, ora se sucedem, ora coexistem, ora se alternam.

O emprego do vocábulo apropriação ao invés de adaptação ou introjeção tem o objetivo de destacar o caráter ativo e transformador do indivíduo na sua relação com o contexto sócio histórico resultante da ação humana enquanto externalização do seu psiquismo que volta a se interiorizar transformando, num processo contínuo de articulação entre o indivíduo e o social.

É do contexto histórico e social em que o homem vive que decorrem as possibilidades e impossibilidades, os modos e alternativas de sua identidade. No entanto, como determinada, a identidade se configura, ao mesmo tempo, como determinante, pois o indivíduo tem um papel ativo quer na construção deste contexto a partir da sua inserção, quer na sua apropriação. Sob esta perspectiva é possível compreender a identidade pessoal como e ao mesmo tempo identidade social, superando a falsa dicotomia entre essas duas instâncias. Dito de outra forma: o indivíduo se configura ao mesmo tempo como personagem e autor-personagem de uma história que ele mesmo constrói e que, por sua vez, o vai constituindo como autor.


O morador de rua provavelmente já tenha tido um lar, um emprego e circunstâncias da vida que não sabemos qual o levaram a viver na rua, as possibilidades negativas são muitas, desde o desemprego, os vícios por drogas, bebidas alcoólicas, jogos de azar ou desequilíbrio mental. A grande conquista de um morador de rua é sobreviver, pois a luta a cada dia é grande, muitos deles não dormem de noite por medo da violência e de outros perigos iminentes. Muitos moradores de rua se juntam em grupos pelo fato de se sentirem assim mais protegidos, enquanto outros ficam sozinho e isolados, pois têm medo de serem roubados ou violentados pelos próprios parceiros do grupo ou por gangues de rua que molestam essas pessoas por não as reconhecerem como iguais, pois se julgam superiores por causa da etnia, raça, origem, ascendência ou crença.
Identidade é o reconhecimento de que um indivíduo é o próprio de que se trata, como também é unir, confundir a outros iguais. O nome próprio é um exemplo característico desta contradição. Enquanto prenome, é um diferenciador de outros iguais, mas também é um nivelador com outros iguais, similarmente nomeados. Enquanto sobrenome, distingue a individualidade, mas também remete a outros iguais do mesmo grupo familiar. A pluralidade humana tem o duplo aspecto da igualdade e da diferença. Pluralidade que, paradoxalmente, implica também a unicidade, pois o indivíduo vai se igualando por totalidades conforme os vários grupos em que se insere (brasileiros ou estrangeiros, homem ou mulher). Ao mesmo tempo em que o indivíduo se representa semelhante ao outro que pertença a grupos ou categorias, percebe sua unicidade a partir de sua diferença, que é essencial para a tomada de consciência de si e é inerente à própria vida social, pois a diferença só aparece tomando como referência a outro.
Para muitos moradores de rua sua sobrevivência na difícil vida nas ruas implica em se unir a algum grupo que pode ser por afinidade com o grupo; grupos de drogados, gays, criminosos, familiares, crianças. Esta união ou a inserção pode ser só por não conseguir se manter sozinho, já que o grupo representa proteção, mas para outros se unir a algum grupo representa a sua existência com um grupo e sua socialização independente da afinidade ou segmentação deste grupo.



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