Frankl e a Vontade de Sentido



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Frankl e a Vontade de Sentido


por Ivo Studart Pereira

transcrito por Adalberto Tripicchio

RESUMO
Neste artigo, procurou-se investigar um ponto central na obra do psiquiatra austríaco, criador da Logoterapia, Viktor Frankl (1905-1997) o conceito de “vontade de sentido”. Em nosso entendimento, o tema concerne fundamentalmente à visão de homem que alicerça a referida escola psicológica, constituindo uma categoria chave para uma compreensão mais adequada do pensamento do autor. O traçado lógico do artigo busca relacionar essa categoria à explicitação do caráter auto-transcendente da existência humana. Por fim, o texto foi articulado conclusivamente para defender um descentramento do indivíduo em favor do sentido.
Palavras-chave: Frankl, Viktor Emil; logoterapia; psicoterapia existencial; fenomenologia; sentido de vida.

Não é verdade que o homem, propriamente


e originalmente, aspira a ser feliz? Não foi o
próprio Kant quem reconheceu tal fato, apenas
acrescentando que o homem deve desejar ser
digno da felicidade? Diria eu que o homem
realmente quer, em derradeira instância, não
é a felicidade em si mesma, mas, antes, um
motivo para ser feliz (Frankl, 1990, p. 11).

1. Introdução
O psiquiatra austríaco Viktor Emil Frankl (1905-1997) é o fundador da Logoterapia, escola psicológica de caráter fenomenológico, existencial e humanista, conhecida também como a Psicoterapia do Sentido da Vida ou, ainda, a Terceira Escola Vienense em Psicoterapia. No final dos anos 1920, Oswald Schwarz escreveu, em seu prefácio a um livro de Frankl, que as idéias centrais daquilo que viria a tornar-se a Logoterapia significavam para a “história da psicoterapia o mesmo que a Crítica da Razão Pura para a filosofia” (Frankl, 1981, p. 118).
Aparentemente performática essa assertiva, no entanto, constitui uma observação sumária mais do que pertinente sobre a obra de Viktor Frankl. Mas, afinal, qual é o sentido de tal afirmação? Kant ilustrou o projeto epistemológico de sua Crítica como uma inversão copernicana: assim como Copérnico ousou retirar a Terra do centro das órbitas planetárias e Kant ousou retirar o objeto do conhecimento do centro mesmo da epistemologia, pode-se afirmar que Frankl livrou a psicoterapia do introspectivismo, desconstruindo a noção de uma auto-realização solipsista do centro das motivações primárias do ser humano.
Tal é a tese que pretendemos esboçar neste artigo, ao retomar, pela própria letra de Frankl, suas formulações básicas a respeito da chamada “vontade de sentido”, a qual, segundo nosso entendimento, constitui a categoria chave para uma compreensão apropriada da visão de homem da Logoterapia.



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