Ferramentas cognitivas e tecnológicas para inclusão social de pessoas com deficiência visual



Baixar 160.47 Kb.
Página1/15
Encontro21.03.2018
Tamanho160.47 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   15

Ferramentas cognitivas e tecnológicas para inclusão social de pessoas com deficiência visual
Eliana Sampaio1
1. Introdução

Tanto o conhecimento intuitivo quanto os estudos científicos e as estatísticas apontam para o fato de que as pessoas com deficiência sofrem frequentemente discriminação social, podendo chegar ao extremo da rejeição e consequente isolamento da pessoa (KIDD; SLOANE; FERKO, 2000; REN; PAETZOLD; COLELLA, 2008). As consequências humanas, psicológicas e socioeconômicas são gravíssimas. Para tentar superá-las, a maioria dos governos promulga leis e estabelece benefícios e/ou incentivos para tentar favorecer a integração social dessa população. Em 2006, foi adotada a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (entrando em vigor em 3 de maio de 2008). Essa Convenção é o primeiro instrumento internacional impositivo: descrevendo as obrigações dos Estados em relação à promoção e à proteção dos direitos das pessoas com deficiência no mundo todo, ela foi cuidadosamente analisada sob vários aspectos por cientistas sociais, que a consideraram um dos melhores instrumentos nesse âmbito (MANNAN; MACLACHLAN; MCVEIGH, 2012).

Apesar desses esforços mundiais, as pessoas com deficiência continuam sofrendo com a falta de medidas e materiais adaptados à situação específica que vivem e com a consequente marginalização, cuja pior consequência é provavelmente a introjeção, pelo próprio indivíduo, dos valores negativos relativos à deficiência que são projetados sobre ele por outrem. Em outros termos, Ali, Hassiotis, Strydom, e King (2012) mostraram que tanto a discriminação pela sociedade quanto a internalização do estigma são processos que interagem mutuamente, não devendo, assim, ser considerados isoladamente. Para prevenir as consequências comportamentais desajustadas que esses dois processos podem fomentar, Meltzer, Brugha, Dennis, Hassiotis, Jenkins, McManus, Rai e Bebbington (2012) preconizam estratégias de prevenção que envolvam as ações paliativas e vicariantes tanto para o aspecto físico e objetivo da deficiência quanto para o aspecto cognitivo.

Esses breves dados introdutórios permitem, por um lado, situar melhor o grau de risco que representa a deficiência na vida de um indivíduo e, por outro, perceber que a deficiência, de qualquer natureza (sensorial, motora, psíquica, mental), é um fenômeno complexo, requerendo a abordagem de aspectos psicológicos, históricos, jurídicos, políticos, sociológicos, educacionais, antropológicos e biológicos.

Tradicionalmente, a questão da deficiência recebeu um enfoque negativo, pautado pela ideia de falta, imperfeição, defeito. Publicando em 1749 “Lettres sur les aveugles à l’usage de ceux qui voient” (Cartas sobre os cegos para uso por aqueles que veem), o filósofo francês Diderot inaugurou uma linha de abordagem positiva para a compreensão do funcionamento cognitivo das pessoas cegas, baseando-se na audição, no tato, no paladar, no olfato e na cinestesia, bem como na interação entre essas modalidades sensoriais (entre elas próprias e entre elas e o entorno). As descrições aguçadas que ele fez continuam sendo pertinentes praticamente três séculos mais tarde. Todavia, essa perspectiva positiva somente começou a ser adotada muito mais recentemente, sobretudo pelo novo paradigma proposto pelos “disability studies” nos anos 1980 (STIKER; RAVAUD; ALBRECHT, 2001). Tradicionalmente, também, as pessoas com deficiência eram consideradas meros objetos de pesquisa. Na linha aberta por Diderot e, mais recentemente, implementada pelos “disability studies”, elas começaram a adquirir o estatuto de sujeitos, cuja explicitação da experiência peculiar que vivem deve ser valorizada e incorporada tanto nas práticas educacionais ou terapêuticas quanto no desenrolar dos trabalhos de pesquisa.



Baixar 160.47 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   15




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino fundamental
Processo seletivo
ensino médio
Conselho nacional
minas gerais
terapia intensiva
oficial prefeitura
Curriculum vitae
Boletim oficial
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
Poder judiciário
educaçÃo física
saúde conselho
santa maria
assistência social
Excelentíssimo senhor
Atividade estruturada
Conselho regional
ensino aprendizagem
ciências humanas
secretaria municipal
outras providências
políticas públicas
catarina prefeitura
recursos humanos
Conselho municipal
Dispõe sobre
ResoluçÃo consepe
Colégio estadual
psicologia programa
consentimento livre
ministério público
público federal
extensão universitária
língua portuguesa