Familia-escola: o contexto de parceria significativa



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FAMILIA-ESCOLA: O CONTEXTO DE PARCERIA SIGNIFICATIVA

INTRODUÇÃO

O presente artigo tem como objetivo mostrar como o meio social da criança pode influenciar na aprendizagem e no seu processo educacional. Durante o período em que realizei o estágio supervisionado em Escola de Educação Infantil do município de Montes Claros, pude perceber que alguns alunos mais carentes apresentaram maior dificuldade para aprenderem. Em conversa com a professora, responsável pela turma, foi possível identificar alguns desses vários problemas sociais, entre os quais se destacam: alguns moram apenas com a mãe ou avós; outros são filhos de pais que são dependentes químicos; existem ainda aqueles que são oriundos de famílias pobres e que não dispõem de materiais escolares adequados ao estudo; entre outros problemas. A educadora nos relatou ainda que existe uma evasão escolar muito significativa que seria consequência de uma insatisfatória participação dos pais junto a vida escolar dos filhos. Muitos deles, por exemplo, não são motivados a comparecerem as aulas. Outros sequer realizam as atividades propostas para casa. Segundo Marturano (1998), “a influência do ambiente familiar no aprendizado escolar é amplamente reconhecida. Porém, não se deve atribuir a ela toda a carga”.

Outra característica que foi identificada é que muitos dos alunos são indisciplinados, não obedecem aos comandos da professora, além de demonstrarem agitação e até mesmo violência na forma de agressão física e verbal contra colegas, professores e casualmente a servidores. É realizado um constante trabalho de conscientização sobre a forma correta de se portar no ambiente escolar, contudo o efeito na mudança de comportamento não perdura por muito tempo.

Tanto a professora quanto a direção da escola têm se esforçado para que os alunos demonstrem maior comprometimento. Contudo, essa dedicação tem sido em vão, já que muitos pais não têm interesse em acompanharem a vida escolar dos filhos. Uma prova disso são as reuniões de pais. Numa delas, por exemplo, percebemos que vários deles faltaram sem qualquer justificativa deixando até mesmo o portfólio dos filhos para trás. Outros deles chegaram depois de encerrada a reunião para buscarem a pasta com os trabalhos dos filhos.

Desenvolvimento:

Diante de toda esta situação verificamos que a cultura familiar é parte relevante no processo educacional, pois é onde se constrói valores imprescindíveis como: disciplina, linguagem, conhecimentos prévios que auxiliarão positivamente ou não no desempenho escolar dos alunos observados. Muitos dos que não têm esse amparo da família encontram dificuldades em obedecer às ordens, em identificarem o caráter hierárquico dos professores e ainda não conseguem se manter quietos durante a exposição dos conteúdos ministrados. Como forma de resolver este problema, cabe aos pais uma postura mais participativa na vida escolar dos filhos. Eles têm que motivá-los a comparecerem às aulas reforçando que não se trata de algo supérfluo, mas importante para a formação humana e pessoal de cada um. Desse modo, entenderão que a escola pressupõe a obediência as regras do bom convívio social e que quando infringem essas normas estão colocando o seu futuro em risco. A escola deve ser uma extensão da família com a predominância de valores como respeito, organização, disciplina e interesse no que é ensinado.

Piaget (1974) esclarece que os desequilíbrios na vida social podem ser controlados se houver uma geração bem-educada, guiada pelo conhecimento para que assim enfrente os problemas sociais. Desse modo, Piaget desconsidera as relações de poder existentes na sociedade capitalista e atribui ao indivíduo à capacidade do seu sucesso ou fracasso, isto é, o indivíduo é o único responsável pelas suas conquistas e ascensão social.

Quanto ao segundo caminho, Piaget (1973, p. 11) considera que o grande problema das ciências humanas é a pobreza das relações interdisciplinares, pois ele valoriza a troca entre as ciências para que o sociólogo alcance o caminho da verdade:

Ora, existem fatos comuns encontrados em todos os domínios das ciências humanas. E as regras, valores, símbolos que consideramos nesta obra como o essencial dos fatos sociais supõem precisamente tais mecanismos, operatórios, regulatórios e semióticos, ao tratar dumas ou de outras destas categorias, ou de suas reuniões e interseções; e parece-nos impossível tratar-nos sociologicamente de tais questões sem uma informação suficiente em psicologia e em neurologia, em linguística e em economia, etc., mas igualmente em lógica ou em seus ramos anexos contemporâneos, tais como a lógica do direito (Perelmann e sua equipe), e principalmente sem conhecer as interferências tão essenciais entre a lógica, como teoria pura das regras, e a cibernética, como teoria das regulações (PIAGET, 1973, p. 12).

Neste sentido, para uma melhor atuação da escola, pais e comunidade é necessária uma reflexão mesmo que esta seja, de certa forma, ousada, visto que hoje enfrentamos inúmeras dificuldades no sistema educacional brasileiro. Assim, a proposta é refletir a partir do desenvolvimento histórico em que apoiado a autores diversos, apresentamos algumas considerações sobre a educação, a função do pedagogo e ainda o papel social na formação humana desempenhado pela escola na atualidade.

Muitos alunos destas instituições vêm de famílias carentes onde os pais muitas vezes são dependentes químicos. A escola, então, precisa redimensionar o seu pensar, reformulando suas ações pela compreensão do que a comunidade escolar, entendida aqui através dos alunos, pais, professores, equipe pedagógica, direção e funcionários, espera dela enquanto função social. Hoje é comum nos depararmos frequentemente com inúmeras instituições tentando descrever e delinear as mazelas da escola, os problemas de aprendizado e indisciplina como uma válvula de escape. No entanto, nós educadores nos reservamos muitas vezes a apenas ouvi-los sem definir publicamente nossos anseios, interesses e preocupações. Tem-se permitido, ao longo dos anos, que diferentes profissionais interfiram no processo de direção da escola, ao que entendemos ser necessário aos profissionais da educação assumir esse espaço de afirmação e responsabilidade.

Deve-se trazer a público, o que de fato é a escola e a que ela se propõe já que precisa reformular sua ação definindo prioridades frente as diferentes exigências do contexto social em que se encontra inserida. Portanto, uma maior união entre pais e escola vem de encontro a amenizar os problemas de aprendizado dos alunos e de indisciplina. Alguns pais não percebem a importância que têm o seu envolvimento no aprendizado do aluno, deixando tudo por conta da escola e nas mãos dos professores.



A relação família – escola é a mais conflitante, porque apesar de ambas terem como objetivo central a educação de uma criança, os papeis de cada uma devem ser diferenciadas durante esse processo. A família, de maneira generalizada, delega algumas obrigações da educação ao filho à escola e ao professor, eximindo-se do seu papel fundamental de parceira da instituição de ensino na educação da criança. Os professores, frente a essa nova obrigação, se vêm forçados a responder pelo comportamento positivo ou negativo do aluno, além de se preocupar com o programa curricular, provas, exercícios e etc. (CECON et al. 2001, s/p apud JARDIM, 2006, p.44)

É claro que a escola não deve deixar de ensinar os valores morais e afetivos para os alunos; mas que não se perca a sua real função, que é, uma formação acadêmica de conhecimentos necessários para uma vida plena de possibilidades. A família por sua vez, necessita estar presente participando cotidianamente na vida da criança, pois é quando ela sente falta deste apoio; e buscará de todas as formas alcançar esta atenção.

Existe sempre um conflito, quando o pai, mãe ou um responsável legal é chamado na escola por um problema de indisciplina do filho, além de culparem a escola, não acreditam que ele é capaz de ser desobediente e indisciplinado. Portanto, essa atitude afeta a educação do filho, além de trazer grande agitação na criança.

[...] o filho ultimamente está ‘meio estranho’, muitos pais consideram isso como normal, ‘coisa de adolescente’, vai passar, é só uma fase. Há que se observar estes sinais. Podem dizer muito de problemas que precisam ser solucionados, como inadequação, dificuldades nas disciplinas, com os colegas, com os professores, e outras causas. (SILVA, 2008, s/p)

A indisciplina na escola está cada vez mais rotineira. Muitos alunos apresentam um comportamento em que são dispersos, gritam ao invés de conversarem com normalidade, respondem com grosseria, fazem caretas e praticam atos em que faltam com a educação gerando baderna e tumultuando o espaço da sala de aula. Tal problema tem sido comum em todas as escolas. Muitos filhos apresentam comportamentos diferenciados que os pais e a escola devem entrar em sintonia através do diálogo para amenizar o problema dessa criança.

Muitas vezes, quando a família não se faz presente, os filhos não se sentem conduzidos e isso os afeta na questão do ensino aprendizagem conforme aponta MALHO (2006): “[...] a intolerância, a agressividade, o desinteresse a superproteção, marcam a personalidade da criança conduzindo-a a comportamentos anormais que muitas vezes refletem nas atitudes face à escola”. Neste sentindo, é notável que tanto a escola quanto a família precisa adequar o filho ao mundo de responsabilidades com normas e regras, direitos e deveres para que assim ele possa crescer e se desenvolver da melhor maneira possível.

Tanto a família quanto a escola desejam a mesma coisa: preparar a criança para o mundo; no entanto, a família tem a suas particularidades que a diferenciam da escola, e suas necessidades que aproximam dessa mesma instituição. A escola tem a sua metodologia e filosofia para educar a criança, no entanto, ela necessita da família para concretizar o seu projeto educativo. (PAROLIN, 2003, p. 99 apud JARDIM, 2006, p. 45)

A grande questão é como nós educadores nos organizaremos para buscar soluções possíveis para equilibrar a relação família escola. Alcançando assim uma educação transformadora.




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