Faculdades de ensino superior da paraíba fesp


DESIGUALDADE SOCIAL NO BRASIL



Baixar 67.27 Kb.
Página5/11
Encontro23.05.2018
Tamanho67.27 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11
3 DESIGUALDADE SOCIAL NO BRASIL
Desde que os Portugueses adentraram em nosso território que somos explorados economicamente, a necessidade de expandir comércio da Europa levou os portugueses a procurarem outras terras, no início para eles não era tão interessante o nosso pau-brasil como as especiarias das índias, porém na chegada dos portugueses o pau-brasil foi bastante explorado pelos mesmos e em seguida a produção de cana de açúcar foi realizada e consequentemente a construção de engenhos no nosso país, legado deixado para nós pelos portugueses.

A colonização toma espaço no nosso território com aspecto de empresa, destinada a explorar os recursos naturais aqui existentes, para suprir as necessidades comerciária da Europa, conforme diz Prado Júnior (1984, p.23):


A colonização dos trópicos toma o aspecto de uma vasta empresa comercial, mais complexa do que a antiga feitoria, mas sempre com o mesmo caráter que ela, destinado a explorar os recursos naturais de um território virgem em proveito do comércio europeu. É este o verdadeiro sentido da colonização tropical, de que o Brasil é uma das resultantes, ele explicará os elementos fundamentais, tanto no social como no econômico, da formação e evolução histórica dos trópicos americanos.
O Brasil desde sua formação é explorado na sua essência, a colonização que nós passamos foi a de exploração, para atender os desejos e as necessidades do mercado europeu, de modo que acelerasse esse comércio com a intenção de desenvolver economicamente a Europa, sem se preocupar quais seriam as consequências trazidas por essa exploração ao nosso país.

As colônias eram exploradas para atenderem as demandas das metrópoles, essa exploração no Brasil serviu para alavancar o crescimento econômico da produção mercantil na Europa, segundo o pensamento de Oliveira (1985, p.97):


A conformação do antigo sistema colonial aparece como momento essencial para o avanço do capitalismo na Europa. A valorização do capital comercial é dinamizada pela nova malha de circuitos entre colônias e metrópoles, ao mesmo tempo que a entrada de produtos coloniais estimulava o comércio entre as próprias nações européias. O mercado colonial servia de alavanca para o desenvolvimento da produção mercantil das metrópoles, particularmente da produção manufatureira. Finalmente, a entrada maciça de metais preciosos da América vinha permitir a superação da "depressão monetária" que dificultava a circulação mercantil na Europa na fase de crise do feudalismo.
O Brasil também passou pelo processo de revolução industrial como aconteceu na Inglaterra em 1750, o Brasil passava por momentos de crise, a produção agrícola foi perdendo espaço para as indústrias fruto de uma nova política interna gerada pelo Presidente da época Getúlio Vargas, a mão de obra utilizada vinha da zona rural como também do povo nordestino que viaja em busca de uma vida melhor na cidade grande movimento este conhecido como êxodo rural. O Brasil reagiu dessa forma os efeitos da crise de 1930 justamente com a revolução industrial no país, Romanelli (2002, p.48) relata esse momento na sociedade brasileira,
A Economia brasileira reagia de forma dinâmica aos efeitos da crise: o crescimento do mercado interno e a queda das exportações implicaram a transferência da renda de um para outro setor. Essa transferência se fez do setor tradicional para o moderno, ou seja, da área agrícola para a industrial. Tudo isso trouxe consequências benéficas para o setor industrial, que, graças à crise, passou a contar com a disponibilidade do mercado interno, então não mais dominado pelo capital estrangeiro, e com a possibilidade de um aproveitamento mais intenso de sua capacidade já instalada e que, até então, vinha operando em regime de subaproveitamento, por causa da concorrência das importações.
Nesse momento começamos a viver em nosso país mudanças de costumes tanto na sociedade como na economia, começamos a passar por uma transição de produção agrícola para industrial gerando uma mudança nas relações socioeconômicas do Brasil, da mesma forma como aconteceu na Inglaterra no século XVIII, esse movimento industrial acelerou e impulsionou a urbanização como também o crescimento demográfico das cidades a onde estavam em vapor as indústrias. Santos (1993, p. 27) afirma que:
O termo industrialização não pode ser tomado aqui, em seu sentido estrito, isto é, como criação de atividades industriais nos lugares, mas em sua ampla significação, como processo social complexo, que tanto inclui a formação de um mercado nacional, quanto os esforços de equipamento do território para torná-lo integrado, como a expansão do consumo em formas diversas, o que impulsiona a vida de relações (leia-se terciarização) e ativa o próprio processo de urbanização. Essa nova base econômica ultrapassa o nível regional, para situar-se na escala do País; por isso a partir daí uma urbanização cada vez mais envolvente e mais presente no território dá-se com o crescimento demográfico sustentado das cidades médias e maiores, incluídas; naturalmente, as capitais de Estados.
É nesse cenário que surgem todas as mazelas sociais geradas pelo capitalismo e pela ausência de Estado, no que diz respeito ao acompanhamento de crescimento urbano e demográfico, foi então que começou a surgir construção de favelas, aumentou a dificuldade de suprir as necessidades nas áreas de saúde, educação, moradia, lazer, segurança. O Estado começa a não acompanhar este crescimento, pois nesse momento a sociedade ela passa a crescer e não se desenvolver, para o capitalismo só quem se desenvolve economicamente são aqueles que detêm o poder aquisitivo e a maioria sofre com as consequências desse sistema.

É nesse sistema que as classes dos proletariados e dos burgueses se confrontam, naturalmente os conflitos aparecem e não demora o aparecimento das mazelas sociais, nesse conflito em meio de toda uma revolução os burgueses se tornam a classe governante e dominante, enquanto os proletariados se tornam os governados e dominados pelos burgueses e também pelo sistema capitalista que induz comandando ambas as partes. Os pensadores Marx e Engels (1998. p.74) ensinam:


Apesar do fato de que o proletariado é compelido pela força das circunstância a organizar-se como classe durante sua luta contra a burguesia; apesar do fato que, por meio de uma revolução, ele se torna a classe governante, como tal, varre pela força, as velhas condições de produção; apesar desse fatos, ele varrerá, juntamente com essas condições, também as condições de existência de qualquer antagonismo de classe e de quaisquer classes.
As classes elas são natural desde que o homem entendeu que era necessário o sedentarismo para sua subsistência, surgindo dentro das classes sociais aqueles que tinham as terras e aqueles que passaram a servir os proprietários de terras. O fato é que nunca haveria uma única classe na sociedade porque mesmo que os proletariados ganhasse a luta contra os burgueses naturalmente dentro dos proletariados nascia outra classe, é o que nos ensina Popper,
Do fato de que, de duas classes só uma permaneça, não se segue que haverá uma sociedade sem classes. As classes não são como os indivíduos (...). Não há razão terrena para que os indivíduos que formam o proletariado mantenham sua unidade de classe uma vez cessada a pressão da luta contra a classe inimiga comum. Qualquer conflito latente de interesses é agora capaz de dividir o proletariado, antes unido, em novas classes desenvolvendo uma nova luta de classes”. (POPPER, 1987, p.144).
O Brasil passou por todo esse processo de colonização e industrialização, este processo que explicita dois fatos sociais capazes de nos explicar porque o nosso país colhe tantas mazelas sociais ainda hoje. Atualmente o Brasil ocupa 6º posição na economia mundial, no entanto quando se trata de IDH (Índice de desenvolvimento humano) caímos drasticamente para 84º posição no ranking mundial demonstrando um crescimento econômico, mas não um desenvolvimento social. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento nos prova esses dados:
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil avançou de 0,715 em 2010 para 0,718 em 2011, e fez o país subir uma posição no ranking global do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH)deste ano. Com isso, o Brasil saiu da 85ª para a 84ª posição, permanecendo no grupo dos países de alto desenvolvimento humano. (PNUD, 2011)
Mesmo o Brasil subindo uma posição no ranking como nos mostra o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a desigualdade social ainda é gritante no nosso país, uma grande parte da população vive com dificuldades e uma minoria vive usufruindo uma grande parte da economia do país, ou seja, o fato de nós sermos a 6ª economia do mundo não tem mudado a vida da maioria dos brasileiros que vivem sofrendo com os reflexos da desigualdade social.

A desigualdade social é fruto do sistema capitalista que vivemos, fruto de uma exploração por parte de uma minoria sobre a maioria, a má distribuição de renda no nosso país é um dos pontos preponderantes para a desigualdade social, não podemos deixar também de destacar a falta de investimentos na área da educação, saúde, moradia, lazer, enfim, em todas as áreas sociais em que o Estado necessita investir para oferecer aos cidadãos uma vida digna de se viver.


Segundo Camargo ( 2012):
Todavia, a desigualdade social no Brasil tem sido percebida nas últimas décadas, não como herança pré-moderna, mas sim como decorrência do efetivo processo de modernização que tomou o país a partir do início do século XIX. Junto com o próprio desenvolvimento econômico, cresceu também a miséria, as disparidades sociais – educação, renda, saúde, etc. – a flagrante concentração de renda, o desemprego, a fome que atinge milhões de brasileiros, a desnutrição, a mortalidade infantil, a baixa escolaridade, a violência. Essas são expressões do grau a que chegaram as desigualdades sociais no Brasil.
O fruto dessa desigualdade social é a miséria, a violência, a formação de um Estado paralelo, a corrupção de agente públicos, ou seja, é uma gama de consequência relacionada às questões econômicas e porque não dizer a distribuição de renda.

No Brasil tudo o que queremos ter de bom temos que comprar, porque o Estado não fornece, como por exemplo: saúde, educação, moradia, e segurança. O fornecimento desses serviços que o Estado deveria ter não é realizado com a devida eficiência e qualidade que merecíamos.

Não é difícil ver no Brasil agente da área de segurança pública envolvidos com a corrupção, ou melhor, com crime propriamente dito por que muitas das vezes os salários pagos a esses agentes não são dignos ao trabalho arriscado que os mesmos executam no nosso país, não trato isso como uma “explicação” para favorecer o crime, mas para mostrar como a questão econômica e social está bastante relacionada com o mesmo.

O Estado paralelo tem mostrado pra que veio e que são organizados, o crime favorece as pessoas um poder aquisitivo que a economia do Estado não pode favorecer, numa sociedade como a nossa que tem uma desigualdade social gritante é de se esperar que as pessoas encontrem no crime uma “solução” para seus problemas socioeconômicos como do tipo uma boa moradia, uma boa roupa para se vestir, um bom tênis para se calçar, um status social que não se tem. Os mesmo antes de se tornarem “marginais” eles já são marginalizados pela sociedade e pelo o Estado na sua explícita ausência.

O crime tem atraído e verdadeiramente atraí quem nunca teve nada na vida, e quem nem tampouco tem perspectiva de vida que muitas das vezes nascem em lares totalmente destruídos socialmente como também emocionalmente, então perguntamos o que fazer diante de uma situação como esta? É aí que o Estado paralelo entra em cena para decidir o futuro de muitos, é neste momento em que a sociedade e o Estado têm perdido as crianças e os adolescentes para o crime e em muitos dos casos para a morte.

O Estado na sua explícita ausência e a sociedade na sua omissão, são responsáveis por esta catástrofe social e nada fazem para mudar esta situação, é difícil ver um político lutando pelas questões sociais no nosso país como também ver a sociedade cobrando de nossas autoridades uma providência, a sociedade também erra por escolher pessoas não qualificadas para assumirem cargos que não condiz com a capacidade dos mesmos.

O jurista Beccaria relata que as vantagens da sociedade devem ser distribuídas a todos os membros equitativamente, porém o jurista viveu justamente no período da revolução industrial no momento em que a burguesia vivia sua fase de ostentação, enquanto ela tinha os meios de produção a classe proletária tinha somente a força e o trabalho para fornecer ao capitalismo, algo não muito diferente nos dias atuais a onde os homens como no tempo de Beccaria só se reúnem para discutir a concentração de privilégios a uma pequena parte da população, restando a grande maioria a miséria e a debilidade.

Veja o que nos diz no século XVIII o filósofo e jurista Beccaria (2003, p.13):


As vantagens da sociedade devem ser distribuídas equitativamente entre todos os seus membros. Entretanto, numa reunião de homens, percebe-se a tendência contínua para concentrar no menor número os privilégios, o poder e a ventura, e restando à maioria miséria e debilidade.
No contexto social um dos pais da sociologia chamado Émile Durkheim não errou em dizer que “a comparação e a explicação de um fato social só podem ser feita por outro fato social”, é visível essa realidade em nosso país mesmo depois de séculos em que esses homens notaram essa realidade sociológica que as sociedades viviam.

A verdadeira situação vivida no nosso país é retratada por Marcola numa entrevista a Rede Globo, ele mostra o medo da sociedade, explica que os criminosos são uma nova linhagem de pessoa, ou seja, outra espécie que surge no nosso meio, uma espécie de pós-miséria, vejamos:


[...] Você não têm medo de morrer?"   - Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar... mas eu posso mandar matar vocês lá fora.... Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala... Vocês, intelectuais, não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja herói"? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante... mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria...]   (Grifo Nosso)
Entrevista atribuída à Marcola, do PCC (Publicada em 23 de maio de 2006, no Jornal O GLOBO - Segundo Caderno - Edição 1 - Página 8 - Coluna do Arnaldo Jabor) em 23/05/2006.
O Estado e a sociedade em suas ausências no lugar de formarem as crianças e os adolescentes para sociedade, tem formado os mesmos para o crime através do processo de marginalização pratico pela própria sociedade. No lugar de formarem médicos, advogados, professores, psicólogos, outras profissões, estão formando traficantes, ladrões, psicopatas, estelionatários, o que tem gerado essa realidade tão triste no nosso país que não dar mais esconder as nossas fragilidades e as nossas dificuldades como sociedade “organizada” que somos.

Chegamos então a perguntar a onde está dignidade da pessoa humana?! Algo previsto na Constituição Federal como um dos princípios fundamentais no art. 1º inciso III como também na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Este princípio está relacionado à liberdade, ao respeito, a igualdade entre os seres humanos, sendo homem responsável pelos seus atos, pela sua vida e pelas suas escolhas. Moraes (2006) a conceitua da seguinte maneira:


A dignidade da pessoa humana é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida e que traz consigo a pretensão ao respeito por parte das demais pessoas, constituindo-se em um mínimo invulnerável que todo estatuto jurídico deve assegurar, de modo que apenas excepcionalmente possam ser feitas limitações ao exercício dos direitos fundamentais, mas sempre sem menosprezar a necessária estima que merecem todas as pessoas enquanto seres humanos.

Segundo Augusto Zimmermann (2004, p. 234-235):


A dignidade da pessoa humana valoriza o homem como ser único, sujeito autônomo de decisão moral. Ele proporciona que o bem comum possa se realizar através da livre opção dos membros da coletividade, da sua única e exclusiva decisão responsável em face do bem e do mal.
A dignidade no nosso país não existe para nossas crianças e nossos adolescentes, eles não tem tido a escolha entre o crime e uma vida digna, tem se encontrado muitas das vezes num beco sem saída e sem oportunidade alguma de poder ter o direito de escolher entre o bem e o mal, é esta oportunidade que a sociedade e o Estado não têm ofertado para os mesmos.


Baixar 67.27 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino fundamental
Processo seletivo
ensino médio
Conselho nacional
minas gerais
terapia intensiva
oficial prefeitura
Curriculum vitae
Boletim oficial
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
Poder judiciário
educaçÃo física
saúde conselho
santa maria
assistência social
Excelentíssimo senhor
Atividade estruturada
Conselho regional
ensino aprendizagem
ciências humanas
secretaria municipal
outras providências
políticas públicas
catarina prefeitura
recursos humanos
Conselho municipal
Dispõe sobre
ResoluçÃo consepe
Colégio estadual
psicologia programa
consentimento livre
ministério público
público federal
extensão universitária
língua portuguesa