Expectativa do professor: implicações psicológicas e sociais Vera Maria Vedovelo de BrittoI; José Fernando Bitencourt Lomonaco



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Procedimento:

No início do ano escolar, foi feita a aplicação coletiva do TOGA a todos os alunos de 6 classes da 1.ª série, cada uma com trinta alunos em média, pela autora e duas auxiliares. A aplicação do teste teve a duração de aproximadamente 60 minutos.

Antes da aplicação do teste as professoras foram informadas de que se tratava de um estudo da Universidade de São Paulo, que tinha por objetivo adaptar para a realidade brasileira um teste americano considerado como bom preditor de sucesso acadêmico.

Para três das professoras foi dito que o teste avaliava inteligência e, para as outras três, que avaliava criatividade.

Procurou-se, ainda que de maneira sucinta, definir inteligência e criatividade para as professoras.

Em cada uma das seis classes, cerca de 20% das crianças foram escolhidas randomicamente, com a utilização da tabela de número aleatórios, para constituir o grupo experimental. As crianças que constituiram o grupo de controle foram também selecionadas através desse mesmo procedimento realizado, porém, por ocasião do pós-teste e de modo que o número de sujeitos nos dois grupos, experimental e controle, fosse o mesmo.

Três dias após a aplicação do teste, a autora voltou à escola com uma relação dos alunos de cada classe, na qual os nomes dos seis alunos do grupo experimental estavam grifados em vermelho. Num clima bastante informal a autora manteve com cada uma das professoras um encontro no qual foi dito aproximadamente o seguinte:

"Viemos agradecer a colaboração que você nos deu. Sua classe, de modo geral, saiu-se muito bem no teste. Porém, esses seis alunos grifados em vermelho, foram os que obtiveram os melhores resultados. Assim, de acordo com o teste, esses são os alunos que nós acreditamos ter as melhores possibilidades de sairem-se bem no trabalho escolar". A lista foi deixada com a professora.

Teve-se bastante cuidado em evitar que a professora estabelecesse expectativas negativas com relação as outras crianças. Quando a professora perguntava sobre os resultados das outras crianças, esclarecia-se novamente que a classe tinha se saido bem.

Para reforçar a indução da expectativa mais dois contatos foram feitos com as professoras. Em maio a autora voltou à escola e, em contatos informais com cada uma das seis professoras, indagou sobre o rendimento escolar das crianças cujo teste tinha predito sucesso acadêmico.

Em agosto, enviou-se pelo correio uma carta juntamente com uma ficha de avaliação do rendimento escolar para que as professoras avaliassem seus alunos do grupo experimental. O objetivo dessa ficha não foi de coleta de dados, mas apenas o de reforçar a indução da expectativa.

No final do ano letivo, em novembro, quase dez meses após o início do estudo, reaplicou-se o TOGA às crianças dos grupos experimental e controle. O procedimento utilizado foi o mesmo da primeira aplicação, anteriormente explicitado.

Nessa ocasião, foi dito mais uma vez às professoras que a finalidade do teste era o de indicar as crianças com grandes possibilidades de sucesso acadêmico para o próximo ano.

Enquanto o teste era aplicado, a professora avaliou cada um dos seus alunos dos grupos experimental e controle nas seguintes variáveis relativas a comportamentos não-acadêmicos: possibilidade de sucesso futuro, interesse em aprender, ajustamento emocional, atitude cooperativa, relacionamento com adultos e relacionamento com outras crianças.

Ao final do ano letivo, mais particularmente no mês de dezembro, com o objetivo de verificar se a expectativa tinha sido realmente modificada pela manipulação experimental, cada professora respondeu o questionário sobre seus alunos do grupo experimental.

Como pelas respostas das professoras ficou difícil quantificar com segurança a indução da expectativa, adotou-se o seguinte procedimento: esses questionários foram submetidos a dois juízes, ambos de pós-graduação de Psicologia da USP, um da área de Psicologia Escolar e outro da área de Psicologia Experimental. A partir de um critério de 100% de concordância entre os dois juízes, foram selecionadas crianças em relação as quais as professoras já teriam, ou uma expectativa natural positiva (10 crianças) ou uma expectativa natural negativa (sete crianças).

Finalmente, foram realizadas entrevistas com as seis professoras. O objetivo foi não só de colher dados que permitissem caracterizar a condição social do professor mas, também, levantar os indicadores de seus estereótipos com relação a crianças pobres. As entrevistas transcorreram dentro da sala de aula enquanto os alunos realizavam tarefas propostas pelas professoras. Embora a autora tenha seguido um roteiro cuidadosamente elaborado para garantir a objetividade, procurou criar um clima informal de modo a permitir que as professoras expressassem livremente suas opiniões, o que resultou em material bastante rico e elucidativo de algumas questões levantadas no presente estudo.

 



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