Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia capítulo IV: o amor no matrimónio


ORAÇão DE INVOCAÇÃO, CONFIANÇA E AÇÃO DE GRAÇAS



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ORAÇão DE INVOCAÇÃO, CONFIANÇA E AÇÃO DE GRAÇAS
Ajudai-nos, Senhor, no meio das tribulações, a continuar a acreditar na vitória do bem, da justiça e do amor.
Não permitais que caiamos na dúvida, no protesto, na descrença.
Concedei que nas nossas famílias haja um ambiente de confiança sólida e carinhosa.
3.ª semana da Páscoa: o amor tudo desculpa
111. O elenco é completado com quatro expressões que falam duma totalidade: «tudo». Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Assim se destaca vigorosamente o dinamismo contracorrente do amor, capaz de enfrentar qualquer coisa que o possa ameaçar.
112. Em primeiro lugar, diz-se que «tudo desculpa – panta stegei». É diferente de «não ter em conta o mal», porque este termo tem a ver com o uso da língua; pode significar «guardar silêncio» a propósito do mal que possa haver noutra pessoa. Implica limitar o juízo, conter a inclinação para se emitir uma condenação dura e implacável: «Não condeneis e não sereis condenados» (Lc 6, 37). Embora isto vá contra o uso que habitualmente fazemos da língua, a Palavra de Deus pede-nos: «Não faleis mal uns dos outros, irmãos» (Tg 4, 11). Deter-se a danificar a imagem do outro é uma maneira de reforçar a própria, de descarregar ressentimentos e invejas, sem se importar com o dano causado. Muitas vezes esquece-se que a difamação pode ser um grande pecado, uma grave ofensa a Deus, quando afeta seriamente a boa fama dos outros, causando-lhes danos muito difíceis de reparar. Por isso a Palavra de Deus se mostra tão dura com a língua, dizendo que «é um mundo de iniquidade [que] contamina todo o corpo» (Tg 3, 6), «um mal incontrolável, carregado de veneno mortal» (Tg 3, 8). Se «com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus» (Tg 3, 9), o amor faz o contrário, defendendo a imagem dos outros e com uma delicadeza tal que leva mesmo a preservar a boa fama dos inimigos. Ao defender a lei divina, é preciso nunca esquecer esta exigência do amor.
113. Os esposos, que se amam e se pertencem, falam bem um do outro, procuram mostrar mais o lado bom do cônjuge do que as suas fraquezas e erros. Em todo o caso, guardam silêncio para não danificar a sua imagem. Mas não é apenas um gesto externo, brota duma atitude interior. Também não é a ingenuidade de quem pretende não ver as dificuldades e os pontos fracos do outro, mas a perspetiva ampla de quem coloca estas fraquezas e erros no seu contexto; lembra-se de que estes defeitos constituem apenas uma parte, não são a totalidade do ser do outro: um facto desagradável no relacionamento não é a totalidade desse relacionamento. Assim é possível aceitar, com simplicidade, que todos somos uma complexa combinação de luzes e sombras. O outro não é apenas aquilo que me incomoda; é muito mais do que isso. E, pela mesma razão, não lhe exijo que seja perfeito o seu amor para o apreciar: ama-me como é e como pode, com os seus limites, mas o facto de o seu amor ser imperfeito não significa que seja falso ou que não seja real. É real, mas limitado e terreno. Por isso, se eu lhe exigir demais, de alguma maneira mo fará saber, pois não poderá nem aceitará desempenhar o papel dum ser divino nem estar ao serviço de todas as minhas necessidades. O amor convive com a imperfeição, desculpa-a e sabe guardar silêncio perante os limites do ser amado.



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