Este é o segundo número da Revista "Presença Ética" que tem como tema: Ética, Política e Emancipação Humana



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"(...) pelo que temos visto e sabido, a ética não é hoje uma palavra que faz parte do vocabulário no seu verdadeiro sentido. Vejo ser muito usada com certa banalidade para encobrir erros e justificar a falta de atitude diante dos fatos".

A partir da compreensão acerca da ética no exercício das profissões, de acordo com as considerações feitas sobre a conjuntura atual, a maior parte das entrevistadas indicou que a ética se constitui como um paradigma e é também imprescindível para o exercício profissional:



"A ética é fundamental no exercício profissional, pois ela dá uma orientação, uma regulamentação à profissão (...)" (Assistente social da área de Empresas)

Quando Reis coloca que "o projeto ético-político profissional (...) tem uma determinada direção social que envolve valores, compromissos sociais e princípios que estão em permanente discussão exatamente porque é participante do movimento vivo e contraditório das classes na sociedade (...)” (2001: 393), vemos que, como bem nos situa um depoimento de um profissional da área de Organizações Não-Governamentais:



"A questão da ética no exercício da profissão não pode ser vista como projeto individual, mas um projeto societário, levando em consideração o nosso código que é voltado para a sociedade".

Todo profissional tem seu Código de Ética com princípios, valores e normas que norteiam a prática profissional. Na pesquisa do "Ética em Movimento", um dos depoimentos da área de Saúde destaca:

"(...) é através dela (ética) que o profissional norteia suas ações e relações com os usuários, com os colegas de profissão, com as instituições em que trabalha (...)".

Além dos princípios e normas profissionais, também os valores pessoais de cada indivíduo contribuem para o exercício das profissões; pois cada pessoa tem seus próprios valores morais; tem seus valores éticos. É o que nos ressalta um depoimento feito por um(a) profissional da área de Assistência e Previdência Social:



"A questão da ética no exercício profissional está diretamente ligada com formas de refletir e agir dos indivíduos".

A ética está presente nas relações sociais de uma maneira geral, isso é colocado numa entrevista da área de Saúde, na qual o (a) profissional diz que é preciso conhecer a ética "na organização da vida em sociedade, nas relações sociais, nos indivíduos consigo mesmos e nas relações entre si".

Identificou-se, também, que na realidade social existe uma postura anti-ética devido às condições de trabalho dos profissionais. É o que nos lembra um (a) assistente social da área de Organizações Não-Governamentais que afirma: "todas as profissões estão vulneráveis a essa crise de valores. Se o poder, a competição, o 'levar vantagem' estão permeando muitas condutas, as pessoas podem deixar em segundo plano os valores norteadores, quando estes oferecem obstáculos a seus interesses. (...)", ou ainda um (a) Assistente Social da área de Assistência e Previdência Social, que afirma: "nem sempre a ética é respeitada no exercício das profissões. Na conjuntura atual, algumas estratégias de ação são conflituosas, principalmente em instituições. Por vezes, a burocracia atrapalha os serviços, a política social é limitada restringindo o público (...)".

Como sabemos, a profissão está inserida na divisão social do trabalho, em que nós, Assistentes Sociais, somos solicitados (as) a buscar formas de enfrentamento da questão social dentro do atual sistema em que vivemos.

Frente à atual conjuntura, o Serviço Social tem que assumir uma postura crítica da realidade, incorporando uma dimensão ético-política que se efetive em sua prática profissional; visto que o (a) profissional tem valores e princípios éticos que norteiam sua prática e sua condição enquanto indivíduo.

Os objetivos propostos pela maioria das instituições se encontram mediados por uma política que tem como principal conseqüência/ resposta a não garantia da efetivação dos princípios do Código de Ética do Serviço Social. Tal fato se concretiza devido ao projeto societário vigente, que se traduz em uma ameaça aos princípios éticos como: Liberdade, Democracia, Cidadania, Direitos Humanos entre outros. Desta forma, os objetivos institucionais se encontram distantes de uma compatibilidade com os princípios do Código de Ética Profissional.

“(...) a prática na área hospitalar na visão institucional requer uma disciplina imposta aos usuários que muitas vezes fere direitos e liberdades individuais. Além disso, as autoridades, chefe da instituição, muitas vezes, têm valores incompatíveis com os princípios éticos do Serviço Social"(Assistente Social da área de Saúde).

Entretanto, mesmo diante desta realidade, existem profissionais do Serviço Social que acreditam nesta compatibilidade, sem fazer a devida leitura crítica das condições contraditórias e discriminatórias vivenciadas pelos usuários:






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