Este é o segundo número da Revista "Presença Ética" que tem como tema: Ética, Política e Emancipação Humana



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Portanto, foi no século XIX que se assistiu ao surgimento de um dos mais significativos movimentos sociais que se configurou plenamente na segunda metade do século XX, o Movimento Feminista. Após longos séculos de exclusão e de dominação, as mulheres conheceram a possibilidade histórica de pensarem a sua condição, não mais como um destino natural-biológico, conseqüente da condição imposta pelo direito universalizante do mais forte, ao contrária, como sujeitos de uma situação social nova (Varikas, 1989) (Bandeira, 2000: 16).

É necessário compreender, portanto, a caracterização do ethos profissional do Serviço Social na área da violência de gênero a partir das diversas necessidades sócio-culturais postas como demandas à profissão, como já abordamos: a expectativa das mulheres em restabelecer a relação conjugal, muitas vezes baseadas na continuidade da hierarquia de gênero, mas livre da violência; e das demandas postas pela instituição policial para realizar um trabalho educativo, portanto extrapolicial, para resolução dos conflitos familiares.

Compreendendo que o ethos profissional se refere à consciência moral dos sujeitos da atividade, e que esta se orienta por determinados valores e perspectivas, expressando o comportamento profissional, cabe ao (a) profissional pensar como aquelas perspectivas estão presentes na sua atividade, identificando as conseqüências ético-políticas de sua ação nesta área da violência contra a mulher. A profissão tem contribuído para a democratização das relações de gênero e garantia dos Direitos Humanos das mulheres? Por realizar uma atividade predominantemente extrapolicial, de cunho educativo, tem potencializado, também, os encaminhamentos necessários à punição do agressor?

Portanto, nos parece que a dimensão ético-política do Serviço Social adquire uma centralidade na atenção à problemática da violência de gênero, uma vez que requer uma reflexão crítica sobre os valores de gênero hegemônicos na sociedade, e que perpassam tanto o campo institucional, quanto às crenças dos indivíduos sociais.

É fundamental potencializar o debate que já se iniciou, acerca do papel da ética profissional enquanto reflexão crítico-filosófica sobre as respostas profissionais diante dos desafios e contradições da realidade social, destacando a relação entre projeto profissional e projeto societário.

Na área da violência contra a mulher o que está em jogo é a Defesa intransigente dos direitos humanos das mulheres; a opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação-exploração de classe, etnia e gênero; e o empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à




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