Entrelaçados! Fade in: interior- pousada- quarto- noite



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ENTRELAÇADOS
por
RICELLI DIAS

ENTRELAÇADOS!

FADE IN:


1. INTERIOR- POUSADA- QUARTO- NOITE
Imagem escura que se abre lentamente, revelando em cima da cômoda TV ligada, está passando uma reportagem sobre assassinatos. A câmera roda o quarto grande da pousada, mostrando a lareira acesa até revelar,
PAULO, homem branco, 29 anos apenas de cueca deitado em cima da cama ao lado de LÚCIA, mulher branca de 29 anos de calcinha e sutiã. Os dois estão se beijando intensamente.
Paulo:

Sabe o que eu queria?


Lúcia:

( beijando-o)

O quê?
Paulo:

Me casar com você.


Surpresa, Lúcia começa a tossir engasgada. Sentam-se em cima da cama.
Paulo: [CONT'D]

Lúcia, Lúcia!

Fala comigo, Lúcia.
Lúcia continuara tossindo.
Paulo: [CONT'D]

Lúcia! Lúcia! Lúcia!

Paulo dá um soco, bem forte, nas costas dela. Lúcia para de tossir na hora.
Paulo: [CONT'D]

Só faltava essa de você

morrer agora, hein!

Lúcia:


Claro que ia morrer.

Com esse soco que você me

deu, eu não resistiria. (mais)

( irritada)

Precisava bater bem forte?
Lúcia dá um tapa no braço de Paulo.
Paulo:

Ai! É assim que você

me agradece depois de

ter salvado sua vida?


Lúcia:

salvado a minha vida?

Com esse socão que você

me deu era para eu ter morrido.


Paulo:

E o nosso assunto?


CORTA PARA:


2. INTERIOR- QUARTO DA POUSADA- NOITE

Paulo está em pé atrás da cama, irritado, Lúcia está em pé em frente da cama, de trás para porta.

Lúcia:

Eu não quero me casar agora.


Paulo:

Por que você não quer se

casar comigo?
Lúcia:

Não é o momento certo.


Paulo:

Como não é o momento certo?

Nós estamos juntos há mais de

dez anos, desde quando tínhamos

dezesseis anos de idade.

Eu fui seu primeiro homem.

Lúcia:

Fala sério!


Paulo:

Foi eu quem te deflorou.


Lúcia: (mais)

Quem te disse?

Tem certeza?
Paulo:

Não brinca comigo, Lúcia?

Você me disse que era

virgem quando transamos

pela primeira vez.
Lúcia:

E se eu tiver mentido?


Paulo:

(rir)


Mentirosa!
Lúcia:

Eu menti para você.


Paulo:

Vaca! Vaca! Vaca!


Lúcia:

Não me chame de vaca se

Não eu mujo.
Paulo:

Devia mujir mesmo por que

você não passa de uma vaca.

Quem comeu sua couve-flor

primeiro?
Lúcia:

Couve-flor? Você pensa que

eu tenho uma horta entre

minhas pernas.


Paulo:

Não fuja do assunto!

Quem comeu sua couve-flor

primeiro?


Lúcia:

Isso é importante pra você?


Paulo:

Lógico. Quem?


Lúcia:

Eu não vou falar.


Paulo:

Fala logo, caramba!


Lúcia:

Não!
Paulo:

Eu vou te pegar!
Lúcia sai correndo. Paulo vai correr atrás dela, senta a canela na beirada cama, cai no chão de dor.
3. EXTERIOR- RUA DO CENTRO- DIA
O sinal do transito fecha. Os carros param, Paulo está dentro do carro, dirigindo, para o carro. Paulo está com cara fechada. Lúcia está sentada ao seu lado, olhando para o lado de fora não querendo olhá-lo.
Lúcia:

Até quando ficaremos nesta?


Paulo:

Não falo com gente falsa.


Lúcia:

Deixe de ser mimado. Tá parecendo

menino mimado da mamãe.

Claro, é filho único!

Eu não vou dizer com quem eu

perdi minha virgindade.


Paulo:

Você mentiu para mim.

Isso eu não aceito.
Lúcia:

Foi uma mentira inocente.


Paulo:

Pra você, vaca!


Lúcia balança a cabeça negativamente. O sinal abre e Paulo nem percebe.
Paulo: [CONT'D]

Pra você é uma mentirinha de

nada, não foi você quem foi

enganada há mais de dez anos.


O carro de traz buzina.
Homem:

Anda moleza!

Paulo:

(põe a cabeça do lado de fora)



Passa por cima, cara!
Paulo começa a dirigir.
Paulo: [CONT'D]

Tá vendo o que você faz!

Lúcia:

Eu não fiz nada. Nem tudo



que te acontece é culpa

minha. Eu não menti, só omiti.

Mal nos conhecíamos e você

queria que eu te desse o relatório

da minha vida toda?
Paulo:

Pelo menos eu saberia que

você era uma...

Lúcia:


Piranha? Piranha é a avó.
Paulo:

Minha avó? Você nem a

conhecia para dizer que

ela era piranha.


Lúcia:

Ela é mãe da sua mãe,

só aí da pra saber

quem a sua mãe puxou.



4. INTERIOR- QUARTO DE LÚCIA- DIA 4
Quarto grande, rosa. Dois quadros, com fotos dela, na parede. Uma cama enorme no centro do quarto, a cama está bagunçada. À frente um closet. Uma escrivaninha com computador de fundo.
Lúcia está sentada em cima da cama, chorando. MINORA, 55 anos, está à beira da cama sentada.
Minora: (mais)

Até quando você vai ficar

chorando por aquele homem?

Lúcia:


Até o Paulo voltar para mim.

Eu o amo, mamãe!


Minerva, chorando, apóia a cabeça no ombro de Minora.
Minora:

Não chore, Lúcia Maria,

seja mulher de verdade!

Vocês voltarão. Há anos

que vocês estão nesse ata

e desata. Logo, logo vocês

voltarão, para minha infelicidade.
Lúcia:

(chorando)

Este final de semana

foi tão bom. Dei bastante!


Minora:

( surpresa)

O quê?
Lúcia:

Dei bastante risada,

eu e ele. Foi bom demais!

Agora ( chorando ) estamos

separados.

5. EXTERIOR- EM FRENTE AO PRÉDIO- NOITE 5
Frio, escuro. A frente do prédio está vazio, uma calmaria. De frente para o prédio está Lúcia. Paulo, andando, sai do prédio, sem percebê-la.
Lúcia:

Ei, gato!


Paulo olha para ela. Paulo para. Lúcia aproxima-se dele.
Lúcia: [CONT'D]

Pensei que me ignoraria.


Paulo:

Esta era minha ideia.


Lúcia: (mais)
Credo! Eu só quero conversar

com você, Paulo. Não é possível

que tudo se acabará assim.
Paulo:

Foi você que escolheu assim.


Lúcia:

Eu não quero que tudo acabe

desta maneira. Não passa por

sua cabeça que estou aqui

por que eu gosto muito de você?
Paulo:

E não passou por sua cabeça que

eu estou agindo assim por que

quero casar-me com você, não

porque sou imaturo.
6. INTERIOR- BOATE- NOITE 6
Boate lotada. Várias pessoas dançando. Música eletrônica bem alta, de estrondar o casarão.
Sentados ao balcão estão Paulo e JOÃO, gordo, 27 anos.
João:

Acabou mesmo?


Paulo:

Acabou.
João:

Bola para frente, né!

Não é possível que você irá

ficar nessa fossa por causa da

Lúcia. Mulher é que nem biscoito,

você come uma e mais oito!
Paulo:

Amo-a. São treze anos.


João:

Por isso mesmo! Já passou da

hora de terminar. Você tem

que conhecer mais mulheres.

Você só namorou-a a sua vida

toda, isso com idas e vindas.

Paulo não fala nada.
João: [CONT'D]

Você é que tem sorte!

Eu adoraria ter uma mulher

assim. Nenhuma mulher me dá mole!

Sou praticamente virgem.

Só transei duas vezes, que tristeza!

Uma na adolescência e outra

recentemente, isso porque eu

embebedei a mulher.
João, animado, levanta-se.
João: [CONT'D]

Vamos lá, cara!

Vamos fazer um caça-gatas!
Paulo:

Não tô a fim.


João:

Sem essa, Paulo! Vamos lá!

Vamos ao caça-gatas!

Tá na hora de tirarmos

a teia de aranha dos nossos

pênis.
Paulo:

Você tá falando de você, né?
João:

Estou. Bom, eu vou ao meu

caça-gatas.
João sai andando, aproxima-se de uma mulher que está encostada no balcão.
João: [CONT'D]

Oi! Tá sozinha?

Eu posso te fazer companhia.
Mulher:

Dá um tempo, bolo fofo!


A MULHER SAI.
7. INTERIOR- DENTRO DO BANCO- TARDE 7
Banco está cheio, há uma fila enorme para ser atendido. Paulo está sentando do outro lado do guichê, atendendo.

Há uma faxineira passando o pano úmido no chão, bem próximo ao guichê de Paulo.


Lúcia adentra o banco e caminha em direção ao guichê de Paulo. Lúcia, ao passar para ir ao guichê, escorrega e cai no chão.
Lúcia:

Oh, meu Deus!


Lúcia levanta-se envergonhada e volta a caminhar indo ao guichê de Paulo. A pessoa que estara sendo atendida sai do guichê de Paulo, Lúcia entra na frente da outra pessoa a ser atendida.

Pessoa:


Sai daí, folgada!

É a minha vez!

Lúcia:

Agora conte uma novidade,



filho!
Lúcia aproxima-se de Paulo.
Paulo:

Lúcia, o que faz aqui?


Lúcia:

Eu aceito, Paulo.

Aceito me casar contigo.

8. INTERIOR- QUARTO DE MOTEL- TARDE 8
Quarto grande, mas pouco luxuoso. Paulo e Lúcia estão deitados na cama, um de frente para o outro, conversando.
Lúcia:

Tudo bem, tenho que confessar.

Eu estava com medo.
Paulo:

De mim?
Lúcia:

Claro que não. Sei lá,

casamento é algo sério.

Fiquei com medo.
Paulo:

Tudo bem, agora é hora de (mais)


comemorarmos. Vamos nos

casar! Eu não sei por quê

tô eufórico com a possibilidade

de me casar. Para outros homens

casamentos significa ir à forca.
Paulo começa a beijá-la. Lúcia, rapidamente levanta o braço para segurar o pescoço dele, mas seu cotovelo acerta seu nariz.
Paulo: [CONT'D]

Ai, meu nariz!


Lúcia começa a rir.
Paulo:

Do que tá rindo?

Rindo da minha cara?
Lúcia:

Não, claro que não.


Lúcia continua rindo.
Lúcia: [CONT'D]

Eu só lembrei daquela piada

que você inventou. Lembra?

Paulo:


Não.
Lúcia:

Tinha várias meninas no ginásio

jogando basquete, elas estavam

empolgadas, uma se confundiu

pensando que a cabeça da outra

fosse a bola. Esta garota pegou

a cabeça da outra e jogou na

cesta de basquete, sabe o que

esta garota disse?
Paulo:

Ai, meu nariz!


Lúcia rir mais ainda.
Lúcia:

Ai, meu nariz!

Ai, meu nariz!
Rindo Lúcia levanta-se, na cama, fica pulando repetindo a frase. Lúcia pisa no pênis de Paulo.
Lúcia: [CONT'D]

Perdão, amor!



9. INTERIOR- QUARTO DE Lúcia- NOITE 9
Há um livro sobre casamentos em cima da cama. Lúcia está deitada em cima da cama, pensando. Minora abre a porta, adentra o quarto.
Minora:

Filha, precisamos conversar.


Lúcia:


Sobre o que, mamãe?

Como se coloca um bebê

dentro da barriga da mulher?

Sinto muito, mas já passei

dessa fase de criança boboca.

Agora cai fora, que eu tô

com sono.
Minora:

Fez as pazes com o Paulo?


Lúcia:

Nos entendemos.




10. INTERIOR- APARTAMENTO DE PAULO/ SALA- NOITE 10
Apartamento pequeno, simples, sem muitos móveis. Um sofá pequeno bem de frente à TV. TV está ligada, filme pornô passando na tela. João está deitado em cima do sofá, com as mãos dentro da calça, vendo. A porta se abre, Paulo adentra, rapidamente João desliga a TV.
Paulo:

O que é isso?


João:

Nada, mano!


Paulo:

Não acredito! Você tá parecendo

aqueles adolescentes que fica,

em casa, vendo filme pornô e (mais)

batendo uma bronha. Tem vergonha

na cara, não?


João:

Só estou aliviando a tensão.

Como foi seu dia?
Paulo:

Ótimo. Lúcia e eu nos casaremos.


João:

Não sei se te dou os parabéns

ou os pêsames.

11. INTERIOR- SALA DO PISOCÓLOGO- DIA 11
Sala pequena, uma mesa no fundo debaixo da janela. Na frente desta mesa, uma cadeira. Lúcia está sentada a esta cadeira dialogando com o Psicólogo, um senhor de idade.
Lúcia:

Não sei por que eu aceitei me

casar. Ele é ótimo, é com ele

que eu quero passar o resto da

minha vida. Mas quando se fala em

casamento, eu piro o cabeção!

A ideia do casamento me passa

Responsabilidade e isso me

deixa louca. Louquinha!
Psicólogo:

E se casará por quê?


Lúcia:

Porque ele quer.


Psicólogo:

Você não tem que se casar com ele

porque ele quer, mas porque você

quer, muito, que isso aconteça em

sua vida, morou?
Lúcia:

Não.
Psicóloga:

Então deixa!
Lúcia:

Eu não quero decepcioná-lo.


Psicóloga:

Mas irá decepcioná-lo depois,

aí será pior.
12. INTERIOR- QUARTO DE LÚCIA- DIA 12
A porta se abre, Lúcia adentra o quarto. Lúcia caminha em direção à cama. Lúcia deita-se na cama, cansada, dá um suspiro de alívio.




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