Emergência Espiritual



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STANISLAV GROF E CHRISTINA GROF
EMERGÊNCIA ESPIRITUAL

CRISE E TRANSFORMAÇÃO ESPIRITUAL


SINOPSE:


A principal idéia desenvolvida neste livro é de que algumas das experiências dramáticas e dos estados mentais incomuns que a psiquiatria tradicional diagnostica e trata como distúrbios mentais são, na verdade, crise de transformação pessoal ou emergências espirituais. Episódios dessa espécie têm sido descritos na literatura sagrada de todas as épocas como resultados de práticas de meditação e como marcos do caminho místico, em suma, experiências dotadas de um conteúdo ou sentido espiritual bem claro.

Título Original: SPIRITUAL EMERGENCY



When Personal Transformation Becomes a Crisis




http://br.groups.yahoo.com/group/digital_source/



Dedicamos este livro, com admiração, aos nossos mestres,

que nos guiaram em nossas próprias jornadas; aos

muitos companheiros de viagem que, ao longo dos anos,

nos fizeram relatos de suas histórias pessoais; e aos visionários

de todas as épocas, que abriram os caminhos e forneceram os mapas.

Sumário

INTRODUÇÃO

PARTE UM: A LOUCURA DIVINA:

PSICOLOGIA, ESPIRITUALIDADE E PSICOSE

EMERGÊNCIA ESPIRITUAL:

PARA COMPREENDER A CRISE DE EVOLUÇÃO

Stanislav Grof e Christina Grof

AUTO-REALIZAÇÃO E DISTÚRBIOS PSICOLÓGICOS

Roberto Assagioli

A RELAÇÃO ENTRE A EXPERIÊNCIA

TRANSCENDENTAL, A RELIGIÃO E A PSICOSE

R.D.Laing


PARTE DOIS: VARIEDADES DA EMERGÊNCIA ESPIRITUAL

EMERGÊNCIA ESPIRITUAL E RENOVAÇÃO

John Weir Perry

QUANDO A INSANIDADE É UMA BÊNÇÃO: A MENSAGEM DO XAMANISMO

Holger Kalweit

KUNDALINI: CLÁSSICA E CLÍNICA

Lee Sannella

OS DESAFIOS DA ABERTURA PSÍQUICA: UMA HISTÓRIA PESSOAL

Anne Armstrong

A EXPERIÊNCIA DE CONTATO COM OVNIs

COMO CRISE DE TRANSFORMAÇÃO

Keith Thompson

PARTE TRÊS: A TEMPESTUOSA BUSCA DO EU: PROBLEMAS

DO TRABALHO ESPIRITUAL

OBSTÁCULOS E VICISSITUDES DA PRÁTICA ESPIRITUAL

Jack Kornfield

PROMESSAS E DIFICULDADES DO CAMINHO ESPIRITUAL

Ram Dass

PARTE QUATRO: A AJUDA ÀS PESSOAS QUE PASSAM POR

EMERGÊNCIAS ESPIRITUAIS

ASSISTÊNCIA NA EMERGÊNCIA ESPIRITUAL

Stanislav Grof e Christina Grof

O ACONSELHAMENTO NA EXPERIÊNCIA DE

PROXIMIDADE DA MORTE

Bruce Greyson e Barbara Harris

A JORNADA DO HERÓI: A RITUALIZAÇÃO DO MISTÉRIO

Paul Rebillot

A REDE DE EMERGÊNCIA ESPIRITUAL (SEN)

Jeneane Prevatt e Russ Park


EPÍLOGO: A EMERGÊNCIA ESPIRITUAL E A CRISE GLOBAL

Stanislav Grof e Christina Grof

APÊNDICE: LEITURAS ADICIONAIS

NOTAS E REFERÊNCIAS

BIBLIOGRAFIA

SOBRE OS ORGANIZADORES



Introdução
Trago aos teus olhos cansados a visão

de um mundo diferente;

tão novo, luminoso e fresco,

que tu te esquecerás da dor e do sofrimento

que viste antes.

No entanto, essa é uma visão

que deves compartilhar

com todos os que vires,

pois do contrário não a contemplarás.

Dar essa dádiva vai fazê-la tua.
A Course in Miracles

O tema central explorado neste livro, de muitas maneiras diferentes por vários autores, é a idéia de que algumas das experiências dramáticas e dos estados mentais incomuns que a psiquiatria tradicional diagnostica e trata como distúrbios mentais são na verdade crises de transformação pessoal ou "emergências espirituais". Episódios dessa espécie têm sido descritos na literatura sagrada de todas as épocas como resultado de práticas de meditação e como marcos do caminho místico.

Quando entendidas adequadamente e tratadas de maneira compreensiva, em vez de suprimidas pelas rotinas psiquiátricas padronizadas, essas experiências podem ter um efeito de cura e produzir efeitos benéficos nas pessoas que passam por elas. Esse potencial positivo é expresso pelo termo emergência espiritual, que é um jogo de palavras, sugerindo tanto uma crise [emergência no sentido de "urgência"], como uma oportunidade de ascensão a um novo nível de consciência [emergência como "elevação"]. Este livro destina-se a servir de gíria às pessoas que passam por essas crises, aos seus parêntese amigos, aos sacerdotes a quem possam consultar e aos terapeutas que tratam delas. Esperamos que ele ajude a transformar essas crises em oportunidades de crescimento pessoal.

O conceito de emergência espiritual integra descobertas de muitas disciplinas, incluindo-se entre elas a psiquiatria clínica e experimental, a moderna pesquisa da consciência, as psicoterapias experienciais, os estudos antropológicos, a parapsicologia, a tanatologia, a religião comparada e a mitologia. As observações em todos esses campos sugere de modo consistente que as emergências espirituais têm um potencial positivo, não devendo ser confundidas com enfermidades de causa biológica que precisam de tratamento médico. Como veremos no livro, essa abordagem tem total congruência tanto com a sabedoria antiga como com a ciência moderna.

O foco deste livro são, sobretudo, mas não exclusivamente, experiências dotadas de um conteúdo ou sentido espiritual explícito. Ao longo das épocas, os estados visionários têm tido um papel de extrema importância. Dos transes extáticos dos xamãs, ou de curandeiros e curandeiras, as revelações dos fundadores das grandes religiões, profetas, santos e mestres espirituais, essas experiências têm sido fonte de entusiasmo religioso, curas notáveis e inspiração artística. Todas as culturas antigas e pré-industriais tinham em alta conta os estados extraordinários de consciência, considerados importantes meios de aprendizagem dos aspectos ocultos do mundo e de estabelecimento de contato com as dimensões espirituais da existência.

O advento da Revolução Industrial e Científica mudou de maneira dramática essa situação. A racionalidade tornou-se a medida última de todas as coisas, substituindo com rapidez a espiritualidade e as crenças religiosas. No curso da Revolução Científica ocidental, todas as coisas que tivessem a mínima relação com o misticismo eram desqualificadas como resquício da Idade das Trevas. Os estados visionários perderam o seu caráter de valioso complemento dos estados de consciência comuns, sendo tomados por distorções patológicas da atividade mental. Essa avaliação reflete-se no fato de a psiquiatria moderna tentar suprimir essas condições, em vez de lhes dar apoio e permitir que sigam o seu curso natural.

Quando foram aplicadas estratégias médicas à psiquiatria, os pesquisadores conseguiram encontrar explicações biológicas para algumas desordens que exibiam manifestações psicológicas. Descobriu-se que muitas condições tinham bases orgânicas, como infecções, tumores, avitaminoses e problemas vasculares ou degenerativos do cérebro. Além disso, a psiquiatria de orientação médica descobriu meios de controlar os sintomas das condições para as quais não foram encontradas causas biológicas.

Esses resultados bastaram para estabelecer a psiquiatria como uma especialidade da medicina, embora ainda não tenha sido descoberta uma base orgânica para a maioria dos problemas tratados pelos psiquiatras. Devido a esse desenvolvimento histórico, pessoas com várias desordens emocionais e psicossomáticas são consideradas automaticamente pacientes e as dificuldades que têm são consideradas enfermidades de origem desconhecida, mesmo sem nenhum apoio de descobertas clínicas e laboratoriais para esses rótulos.

Além disso, a psiquiatria tradicional não faz distinção entre neurose e misticismo e tende a tratar todos os estados de consciência incomuns com medicação supressiva. Isso criou um cisma peculiar na cultura ocidental. Oficialmente, a tradição religiosa judaico-cristã é apresentada como a base e o fundamento da civilização ocidental. Todo quarto de motel tem um exemplar da Bíblia na gaveta do criado-mudo e em seus discursos políticos de alto nível se referem a Deus. Contudo, se um membro de uma comunidade religiosa tivesse uma intensa experiência espiritual semelhante à de muitas figuras importantes da história do cristianismo, o sacerdote comum o mandaria consultar um psiquiatra.

Nas últimas décadas, essa situação começou a sofrer uma rápida mudança. Os anos 60 trouxeram consigo uma onda de interesse pela espiritualidade e pela exploração da consciência que se manifestou de muitas formas distintas, variando de uma retomada das práticas espirituais antigas e do Oriente a psicoterapias experienciais e à auto-experimentação com drogas psicodélicas. Na época, muitas pessoas se envolveram intensamente com a meditação ou com outros tipos de prática espiritual, sob a orientação de um mestre ou por si mesmas.

Como essas técnicas se destinam de modo específico a facilitar a abertura espiritual, a espiritualidade tornou-se para muitos antes uma questão de experiência pessoal do que algo de que ouviram falar ou sobre a qual leram. A partir dos anos 60, o número de pessoas que viveram estados místicos ou paranormais cresceu de maneira consistente. Como o indicam pesquisas anônimas feitas pelo sacerdote e escritor Andrew Greeley e por George Gallup, uma significativa parcela da população admite hoje que teve essas experiências. Embora não haja dados estatísticos confiáveis à disposição, parece que o número de dificuldades associadas com experiências espirituais também aumenta a cada ano.

Em vez de concluir, a partir do aumento de experiências místicas e visionárias, que estamos em meio a uma epidemia global de doença mental, devemos reexaminar o relacionamento entre psiquiatria, espiritualidade e psicose. Para nossa surpresa, percebemos hoje que, no processo de relegar as experiências dessa espécie à patologia, podemos ter jogado fora o bebê com a água do banho. Pouco a pouco, a espiritualidade está retornando à psiquiatria moderna e à ciência em geral.

A popularidade do psiquiatra suíço C. G. Jung, cuja obra pioneira representa um marco da nova avaliação da espiritualidade, cresce com rapidez entre os profissionais de saúde mental, nos campi universitários e nos círculos leigos. O mesmo se aplica à psicologia transpessoal, uma nova disciplina que vincula a ciência com as tradições espirituais. A convergência entre os avanços revolucionários na ciência moderna e a visão de mundo das escolas místicas tem sido tratada por muitos livros populares e profissionais que encontraram um grande público. O saudável núcleo místico que inspirou e nutriu todos os grandes sistemas espirituais começa a ser redescoberto e reformulado em termos científicos modernos.

Um número crescente de pessoas parece estar percebendo que a verdadeira espiritualidade se baseia na experiência pessoal e é uma dimensão extremamente relevante e essencial da vida. Podemos estar pagando um preço muito alto por termos rejeitado e desprezado uma força que nutre, fortalece e dá sentido à vida humana. No nível individual, o resultado parece ser um modo de vida empobrecido, infeliz e incapaz de promover a realização das pessoas, bem como um número crescente de problemas emocionais e psicossomáticos. Na escala coletiva, a perda da espiritualidade pode ser um fator significativo da perigosa crise global de hoje, que ameaça a sobrevivência da humanidade e de toda a vida no planeta. Diante dessa situação, consideramos importante ajudar as pessoas que padecem de crises de abertura espiritual e criar condições em que o potencial positivo desses estados possa ser plenamente realizado.

Contudo, também parece necessário fazer uma advertência. Episódios de estados incomuns de consciência abrangem um espectro muito amplo, que vão de estados espirituais puros, sem nenhum vestígio de patologia, a condições de natureza claramente biológica, que exigem tratamento médico. É vital uma abordagem equilibrada e a capacidade de diferenciar emergências espirituais de neuroses genuínas. Enquanto as abordagens tradicionais tendem a patologizar os estados místicos, há o perigo oposto de se espiritualizar estados psicóticos e glorificar a patologia ou, o que é pior, de não se considerar o problema orgânico.

O aconselhamento transpessoal não se aplica a condições de cunho claramente psicótico, caracterizadas por perda de percepção, desilusões e alucinações paranóicas e formas extravagantes de comportamento. Pessoas com condições crônicas e longos históricos de tratamento institucional, que envolvem grandes doses de tranqüilizantes, não são, como é demasiado evidente, candidatos às novas abordagens. Entretanto, temos a forte impressão de que, apesar das possíveis aplicações errôneas da categoria de emergência espiritual, os benefícios para os que de fato passam por uma crise de transformação são tão significativos que compensam em muito a continuidade dos nossos esforços. A questão da discriminação entre condições patológicas e crises transpessoais será examinada mais detalhadamente no nosso artigo de abertura, "Emergência Espiritual: Para Compreender a Crise de Evolução".

Nosso interesse nessa área é bem pessoal e tem estreitos vínculos com a nossa história pessoal. Stanislav começou a carreira profissional como psiquiatra tradicional e analista freudiano. Uma profunda experiência numa sessão psicodélica, realizada para fins de treinamento, atraiu sua atenção para os estados de consciência incomuns. Mais de três décadas de pesquisas e observações das experiências extraordinárias, suas e dos

outros, induzidas por uma variedade de meios, o convenceram de que a atual compreensão da psique humana é superficial e inadequada para explicar os fenômenos que ele observou. Ele também se deu conta de que muitos estados considerados pela psiquiatria manifestações de doenças mentais de origem desconhecida são, na verdade, expressões de um processo de auto cura da psique e do corpo. Seu principal interesse passou a ser a exploração do potencial terapêutico desses estados e os desafios teóricos com eles associados.

O interesse de Christina pela área da crise espiritual também decorre da motivação pessoal. Ela passou por um despertar espiritual espontâneo e completamente inesperado no parto, seguido por anos de experiências dramáticas que variaram do infernal ao extático. Depois de anos de pesquisa, ela descobriu que suas dificuldades se assemelham por inteiro às descrições do “despertar da Kundalini", um processo de abertura espiritual descrito nas sagradas escrituras indianas. (Lee Sannella faz um detalhado exame desse fenômeno em “Kundalini: Clássica e Clínica", incluído na Parte Dois deste livro.)

Em 1980, tentando facilitar a situação de outras pessoas que passassem pela mesma situação, Christina fundou a Rede de Emergência Espiritual (SEN - Spiritual Emergence Network), uma organização mundial que apóia pessoas em crise espiritual, fornecendo-lhes informações que lhes dão uma nova compreensão dos processos por que passam e as aconselha sobre alternativas disponíveis ao tratamento tradicional. O trabalho da SEN é descrito plenamente no artigo de Jeneane Prevatt e de Russ Park, "A Rede de Emergência Espiritual (SEN)”, na seção final do livro.

Este volume é parte integrante dos nossos esforços. Apresentamos aqui uma coletânea de artigos de vários autores, fornecendo uma nova compreensão de experiências e estados de consciência incomuns e explorando o seu potencial positivo e formas construtivas de trabalhar com eles. As contribuições se enquadram em quatro categorias amplas, que formam as principais seções do livro.

A Parte Um, "A Loucura Divina", examina a relação entre espiritualidade e psicose. Começa com o nosso artigo introdutório, “Emergência Espiritual: Para Compreender a Crise de Evolução”, que esboça o tópico do livro. Define o conceito de emergência espiritual, descreve as diferentes formas que ela assume e discute uma nova topografia da psique, com base na moderna pesquisa da consciência, capaz de oferecer uma orientação útil às pessoas que passam por crises espirituais.

Roberto Assagioli, psiquiatra italiano fundador de um original sistema psicoterapêutico denominado psicossíntese, foi um verdadeiro pioneiro do campo da psicologia transpessoal. Tal como Jung, ele acentuou o papel da espiritualidade na vida humana e formulou muitas idéias de grande relevância para o conceito de emergência espiritual. Seu ensaio, "Auto-Realização e Distúrbios Psicológicos”, que descreve os problemas emocionais que precedem, acompanham e seguem uma abertura espiritual, é um documento de grande valor histórico, assim como de importância teórica e prática.

R. D. Laing é, há muitos anos, uma das personalidades mais estimulantes e controversas da psiquiatria contemporânea. Desafiando tanto a psiquiatria tradicional como a sociedade ocidental, ele afirma que a sanidade da nossa cultura é, na melhor das hipóteses, uma "pseudo-sanidade" e que a chamada doença mental não é a verdadeira loucura. Sua contribuição para essa antologia, “A Relação entre a Experiência Transcendental, a Religião e a Psicose”, tem especial interesse por exprimir a atitude lainguiana diante das experiências místicas e da espiritualidade.

A Parte Dois, "Variedades da Emergência Espiritual", concentra-se mais especificamente nas diferentes formas de crises evolutivas pessoais. O artigo de John Weir Perry, "Emergência Espiritual e Renovação", discute um importante tipo de crise transformacional que alcança o próprio núcleo da estrutura da personalidade, como ele observou durante anos de psicoterapia intensiva com os seus clientes. Perry também resume suas experiências com uma instituição experimental de tratamento de São Francisco, onde pacientes que passavam por episódios tradicionalmente considerados

psicóticos foram tratados sem medicação supressiva.

O artigo do psicólogo e antropólogo Holger Kalweit, "Quando a Insanidade é uma Bênção", explora a sabedoria da mais antiga religião e arte curativa, o xamanismo. Kalweit mostra que certas formas de sofrimento e de enfermidade têm um potencial de auto cura e de transformação pessoal. Fato corriqueiro entre culturas tribais de todas as épocas, esse conhecimento se perdeu na moderna sociedade ocidental.

A idéia do despertar da Kundalini, uma dramática e rica modalidade de abertura espiritual, tornou-se muito popular no Ocidente graças aos prolíficos escritos de Gopi Krishna, um pândita de Caxemira que passou por uma dramática e desafiadora transformação espiritual dessa espécie. No nosso livro, esse tema está presente no artigo "Kundalini: Clássica e Clínica", do psiquiatra e oftalmologista Lee Sannella, que tem o mérito de ter introduzido a síndrome da Kundalini junto ao público profissional ocidental. Aqui, ele complementa o ponto de vista tradicional com uma perspectiva médica e científica sobre o assunto.

Em "Os Desafios da Abertura Psíquica", a médium e conselheira transpessoal Anne Armstrong descreve a perturbação emocional e as dificuldades psicossomáticas que acompanharam a abertura do seu notável dom mediúnico e resultaram numa dramática autocura.

Os problemas das pessoas que tiveram "encontros com OVNIs" e passaram por outras formas de contatos extraterrestres são tão semelhantes com os relativos às crises transformacionais que é possível considerar essas experiências como emergências espirituais. Esse tópico é discutido no artigo de Keith Thompson, "A Experiência de Contato com OVNIs como Crise de Transformação".

A terceira parte, "A Tempestuosa Busca do Eu", discute os problemas que as pessoas que fazem buscas no domínio espiritual podem encontrar na prática sistemática. A literatura mística de todas as épocas e culturas oferece muitos exemplos dos problemas e complicações passíveis de ser encontrados nas jornadas espirituais. Esse tema é discutido por dois conhecidos mestres espirituais muito competentes. O ensaio de Jack Kornfield, "Obstáculos e Vicissitudes da Prática Espiritual", baseia-se na tradição budista, com ocasionais referências a outros sistemas de crença. Richard Alpert, mais conhecido pelo seu nome espiritual, Ram Dass, descreve alguns frutos de sua rica e fascinante busca pessoal, que se estende pelos últimos vinte e cinco anos, em "Promessas e Dificuldades do Caminho Espiritual".

A Parte Quatro, "A Ajuda às Pessoas que Passam por Emergências Espirituais", trata dos problemas práticos da assistência de indivíduos em crise psico-espiritual. No nosso ensaio, "Assistência na Emergência Espiritual", enfocamos as diferentes formas de ajuda que pode ser oferecida pela família, pelos amigos, pelos mestres espirituais e pela comunidade, bem como por terapeutas profissionais.

Mais de um terço das pessoas que têm um súbito confronto com a morte passa por uma radical e profunda abertura espiritual. As abordagens de assistência a esse tipo de crise são apresentadas em "O Aconselhamento na Experiência de Proximidade da Morte” de Bruce Greyson e Barbara Harris, proeminentes pesquisadores do campo da tanatologia. Embora o artigo se concentre na ajuda profissional, os princípios gerais que os autores esboçam são úteis para todos os que tenham contato íntimo com pessoas que estejam sob o efeito de toda espécie de emergência espiritual.

A contribuição de Paul Rebillot, "A Jornada do Herói: A Ritualização do Mistério", apresenta a perspectiva mitológica e mostra sua relevância para o problema da emergência espiritual. Inspirando-se em sua própria crise transformacional e na obra clássica de Joseph Campbell, O Herói de Mil Faces [Ed. Cultrix/Pensamento, 1988], Rebillot desenvolveu um ritual moderno, em que uma crise simbólica de cura é evocada através do uso da imaginação orientada, do psicodrama, da música e do jogo em grupo.

O artigo final, "A Rede de Emergência Espiritual (SEN)", escrito por Jeneane Prevatt, atual diretora da organização, e Russ Park, doutorando profundamente envolvido com a SEN, esboça a história e a função dessa rede internacional fundada por Christina, em 1980, para dar apoio a pessoas que passam por crises de abertura espiritual.

No Epílogo, tentamos situar o problema da emergência espiritual no contexto da crise ora enfrentada pela humanidade. Temos a firme crença de que a emergência espiritual - a transformação em larga escala da consciência da humanidade - é uma das poucas tendências promissoras do mundo atual.

O Apêndice dá sugestões de leitura para quem deseja obter mais informações sobre os vários tópicos aqui abordados. Há ainda uma ampla bibliografia acerca da emergência espiritual e de temas relacionados.

Esperamos que essa seleção de ensaios forneça informações valiosas às pessoas que padecem de crises psicoespirituais e que buscam uma compreensão e um tratamento que sustente o potencial positivo desses estados.






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