Elaine de Azevedo



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AZEVEDO, Elaine de. Trofoterapia e nutracêutica: Dietas e orientações nutricionais com base nas Medicinas Tradicional e Complementar. Nova Letra. 2007
Página 2
Elaine de Azevedo
TROFOTERAPIA E NUTRACÊUTICA
Dietas e orientações nutricionais com base nas Medicinas Tradicional e Complementar
NOVA LETRA
GRÁFICA & EDITORA
Fevereiro/2007
Página 3
Contato com a autora:

elaineaz@unisul.br elainepeled@gmail.com


Copyright © 2007
Elaine de Azevedo
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, armazenamento ou transmissão de partes deste livro, através de quaisquer meios, sem prévia autorização do autor por escrito.
Capa
Yiftah Peled
Revisão
Ana Lúcia Correia Müller
Diagramação e impressão
Nova Letra Gráfica e Editora
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Municipal Dr. Fritz Müller
613.2
A994t
Azevedo, Elaine
Trofoterapia e nutracêutica: dietas e orientações nutricionais com base nas medicinas tradicional e complementar / Elaine de Azevedo. — Blumenau:

Nova Letra, 2007.


25Op.
ISBN 978-85-7682-1 76-2
1. Dietoterapia 2. Nutrição 3. Doenças 4. Saúde - Cuidados 5. Dietas nutricionais 6. Monodietas 7. Trofoterapia 8. Terapia alimentar 9. Nutracêutica 1.
Título.
Impresso no Brasil
Página 4
Para Yiftah, que aceitou vir comigo.
Para Rayana e Shay, que diariamente me ensinam a ser mãe.
Página 5
AGRADECIMENTOS
Nenhum saber se constrói sem a contribuição de muitos. Meu agradecimento a todos os autores pesquisados, co-responsáveis por esta obra. Agradeço também algumas pessoas que estiveram comigo no ano de 2006 e que eu gostaria de citar especificamente:
- a naturóloga e amiga Paula Cristina Ischkanian, por sua generosidade e alegria e por me ensinar a importância da compaixão e da esperança em qualquer tratamento;
- o futuro brilhante naturólogo Daniel Maurício de Oliveira Rodrigues, por sua disposição em compilar e corrigir os conteúdos de Fitoterapia e ajudar na revisão geral do livro;
- a nutricionista Débora Maciel Valadão, dedicada colega que vem acompanhando e apoiando meu trabalho como nutricionista;
- a querida Ana Lúcia Correia Müller, amiga paciente e disponível, pela revisão dos originais e pela busca da clareza (e de poesia) nos meus termos técnicos;
- os meus alunos do curso de Naturologia Aplicada da Unisul, por sua atenção, respeito e carinho nas aulas, sua vontade contagiante de mudar o mundo e sua coragem em assumir desafio desta nova profissão;

- os meus pacientes, que anseiam pela cura e confiam a mim suas dores e esperanças.


Muito obrigada!
Página 6 - Página em branco
Página 7
SUMÁRIO
1.A ABORDAGEM QUALITATIVA E SISTÊMICA DA DIETOTERAPIA – 17
2. DESEQUILÍBRIO DO PESO CORPÓREO – 33
2.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM SOBREPESO, OBESIDADE, PESO DEFICIENTE, ANOREXIA E BULIMIA NERVOSA – 34
2.1.1. Peso deficiente, anorexia e bulimia nervosa – 34
2.1.2. Sobrepeso e Obesidade – 38
2.2 DIETAS DE DESINTOXICAÇÃO E DISSOCIATIVAS – 50
2.2.1. Dieta de Desintoxicação – 51
2.2.2. Dietas Dissociativas – 72
3. DOENÇAS DO METABOLISMO E GLÂNDULAS ENDÓCRINAS – 81
3.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM HIPERGLICEMIA E HIPOGLICEMIA – 82
3.1.1. Hiperglicemia - 82

3.1.2. Hipoglicemia – 85


3.1.3. Hipotireoidismo – 86
3.1.4. Hipertireoidismo – 88
3.1.5. Hiperuricemia – 90
4. DOENÇAS DO SISTEMA GASTRINTESTINAL – 93
4.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM DOENÇAS DO ESÔFAGO E DO ESTÔMAGO: ESOFAGITE GASTRITE E ÚLCERA - 95

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4.1.1. Esofagite – 95
4.1.2. Gastrite e úlcera – 96
4.1.3. Hipocloridria – 100
4.2. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM DOENÇAS INTESTINAIS – 101
4.2.1. Hemorroidas e constipação – 101
4.2.2. Diarreia – 105
4.2.3. Flatulência – 107
4.2.4. Doenças Inflamatórias Intestinais – 109
4.3. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM DOENÇAS DO SISTEMA HEPATOBILIAR E PÂNCREAS – 113
4.3.1. Doenças do sistema hepatobiliar – 113
4.3.2. Pancreatite – 118
5. DOENÇAS DO SISTEMA CIRCULATÓRIO E SANGUE – 119
5.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM DOENÇAS CARDIOVASCULARES E HIPERLIPIDEMIAS – 120
5.1.1. Doenças cardiovasculares e hipertensão – 121
5.1.2. Hiperlipidemias e o fator homocisteína – 122
5.2. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM ANEMIAS – 135
5.2.1. Anemia – 136
6. DOENÇAS RENAIS E DAS VIAS URINÁRIAS – 143
6.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM NEFROLITÍASE E INFECÇÕES URINÁRIAS – 146
6.1.1. Nefrolitiase (litíases ou cálculos renais) – 146
6.1.2. Infecções urinárias – 149
7. ALERGIAS E DOENÇAS DA PELE – 151
7.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM ALERGIAS ALIMENTARES - 15
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7.1.1. Intolerância à lactose e rinite alérgica – 158
7.1.2. Alergia à proteína – 163
7.1.3. Intolerância aos cereais – 164
7.2. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM DOENÇAS DE PELE -168
7.2.1. Psoríase – 169
7.2.2. Acne – 170
8. CÂNCER – 173
8.1.. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DO CÂNCER - 174
9. DOENÇAS PULMONARES – 183
9.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM DOENÇAS PULMONARES – 184
9.1.1. Tuberculose – 185
9.1.2. Asma – 186
10. ARTRITE, OSTEOARTROSE, OSTEOPOROSE, FEBRE, PROCESSOS INFLAMATÓRIOS AGUDOS E ENXAQUECA – 189
10.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM ARTRITES, OSTEOARTROSE E OSTEOPOROSE – 190

10.1.1. Artrites e osteoartrose – 190


10.1.2. Osteoporose – 192
10.2. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM FEBRE E PROCESSOS INFLAMATÓRIOS AGUDOS – 194
10.3. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM ENXAQUECA – 198
10.4. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM DEPRESSÃO – 201

Página 10


11. MONODIETAS – 203
12. ALIMENTAÇÃO NAS FASES DA VIDA – 207
12.1. GRAVIDEZ E LACTAÇÃO – 208
12.2. PRIMEIRA INFÂNCIA – 212
12.3. VELHICE – 222
ANEXOS – 229
ANEXO 1 - 230
ANEXO 2 – 237
ANEXO 3 - 239
ANEXO 4 - 240
ANEXO 5 – 241
ANEXO 6 - 242
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA - 243
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PREFÁCIO
Aquele que compreende bem a Nutrição compreende o início da cura.
Rudolf Steiner
A dietoterapia científica, uma especialidade dos nutricionistas, é explorada por muitos autores e tem como base uma visão calórico-quantitativa da Nutrição. Inspirada na Medicina moderna científica, esta especialidade m seu foco nas restrições ou acréscimo de nutrientes e cálculos energéticos individuais.
Este livro tem como objetivo central compilar dietas e recomendações alimentares para algumas das doenças mais freqüentes, usando outra abordagem, de base qualitativa, com foco nas recentes pesquisas sobre alimentos funcionais e na Nutracêutica e Trofoterapia, disciplinas que estudam o poder terapêutico dos alimentos.
A Nutracêutica pode ser considerada como uma nova disciplina científica, mas não há consenso do seu uso pela comunidade científica em geral. Ela resulta na combinação dos termos “nutrição” e “farmacêutica” e estuda os compostos bioativos distribuídos nos alimentos em geral e seus benefícios à promoção da saúde e o tratamento de doenças. O termo foi cunhado por Stephsn DeFelice (1996) em 1989.
A Trofoterapia entende a Nutrição como uma possibilidade de prevenção e tratamento de doenças e vem: da junção das palavras “trophe” (do original grego nutrição) e “terapia”.
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Muitas das outras recomendações aqui apresentas surgiram no contexto das terapias nutricionais vinculadas às Medicinas Complementar e Tradicional.
A Organização Mundial da Saúde fala pela primeira vez sobre Medicina Complementar e Tradicional em 1962, utilizando o termo Medicina Alternativa. Em 1978, a OMS recomenda aos seus estados-membros o uso integrado destas práticas pelos Sistemas Nacionais de Saúde, em conjunto com as técnicas da medicina ocidental moderna. O discurso da OMS avançou muito de 1962 a 2002, quando foi lançada a Estratégia sobre Medicina Tradicional para 2002-2005. O termo Medicina Complementar Alternativa (MCA) é utilizado nesse documento e foi definido como “um conjunto de práticas sanitárias que não fazem parte da tradição do país, ou não estão integradas em seu sistema sanitário prevalecente”. A MCA difere do conceito de Medicina Tradicional (MT), que foi definido pela OMS (2002) como sendo “práticas, enfoques, conhecimentos ou crenças sanitárias diversas que incorporam fitoterapia, técnicas manuais, técnicas espirituais e exercícios, de forma individual ou em combinação, para manter o bem-estar, além de tratar, diagnosticar e prevenir as enfermidades”. Segundo dados da OMS (2002), cerca de 80% dos países do Hemisfério Sul se utilizam de alguma forma de Medicina Tradicional e Complementar como parte dos cuidados básicos de saúde. No Brasil, a discussão sobre medicina natural e terapias complementares cresceu a partir de 1986, quando a oitava Conferência Nacional de Saúde referiu a sua importância para alcançar um sistema de saúde mais universal e preventivo. Destaca-se, também, a décima Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1992, que apontou no seu relatório final o estímulo à pesquisa nas áreas da MCA e MT e a incorporação destas no
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atendimento público como forma de garantir a universalidade de acesso e a atenção integral, princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS). Nos últimos anos, é cada vez maior o número de serviços públicos de saúde que utilizam os recursos de outras formas da medicina e de terapias complementares - entre elas a Acupuntura, a Homeopatia, as Medicinas Antroposófica e Ayurvédica, a Fitoterapia, os exercícios terapêuticos e as técnicas de massagens - como forma de ampliação do espectro terapêutico e das ações de promoção da saúde (Silva; Coury, 2004).
Alguns dos alimentos especialmente indicados neste livro são atualmente objeto de estudo da Nutrição científica - os alimentos funcionais. O Comitê de Alimentos e Nutrição do Institute of Medicine (IOM/FNB, 1994) definiu alimentos funcionais como qualquer alimento ou ingrediente que possa proporcionar um beneficio à saúde, além dos nutrientes tradicionais (proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais) que ele contém.
Outras indicações têm base nos estudos da Fitoterapia, cujo interesse central é o uso das plantas, usadas em formas de chás, ervas condimentares e aromáticas e fitofármacos. Entretanto, dentre os estudos da Fitoterapia algumas pesquisas científicas com plantas comestíveis já foram encontradas em bibliografia especializada. Um terceiro grupo de indicações não têm base científica, elas foram compiladas em publicações que exploram os temas da “cura através da alimentação”, “o poder terapêutico dos alimentos” ou “a medicina doméstica” (1).
Início da Nota de rodapé
(1) Entre alguns autores que abordam tal tema ressalto Balbach (1980), Rottman (1998), Randal (1993), Vesdanto et al (1998), Panizza (1998) Salgado (2001), Sturmer (2002), Ferro (2006) e Schneider (2006).
Final da nota de rodapé
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A maioria desses livros foi ignorada pela Nutrição moderna e seu conteúdo foi disseminado por médicos ou “terapeutas naturistas” em seus consultórios particulares. Mais recentemente sua eficácia tem sido comprovada em hospitais e clínicas ao redor de todo o mundo e, em algumas delas, eu tive a oportunidade de estagiar (2). Li atentamente essas publicações, fiz leituras comparativas entre as recomendações e tenho indicado os alimentos a meus pacientes ao longo da minha atuação como nutricionista clínica, com resultados surpreendentes. Várias referências de qualidade alimentar aqui presentes remetem a meu livro anterior, sobre alimentos orgânicos.
Apesar da minha formação como nutricionista especializada em Medicina Antroposófica, ressalto que não é objetivo do livro explorar com profundidade o sistema médico desenvolvido a partir dos preceitos da Antroposofia de Rudolf Steiner (1861-1925). Entretanto, seu conhecimento embasa muitas das prescrições alimentares apresentadas e por isso optei por expor alguns conceitos na parte teórica.
As prescrições de uso de chás medicinais, estimulado nas orientações dietéticas do livro, não substituem a abordagem mais aprofundada e individualizada de um especialista em Fitoterapia. Ressalto que estes chás são medicamentos e não devem ser utilizados em altas dosagens, por tempo indiscriminado ou misturados aleatoriamente.
Início da Nota de rodapé
(2) Clínica de Medicina Antroposófica Lukas Klinik, na Suíça, Paracelsus Krankehaus e Filder Klinik na Alemanha e as clinicas que utilizam as terapias complementares, como o Sanatorium Dr. Felbermayer, na Austria e Bircher-Benner Klinic na Suíça. No Brasil também existem algumas clínicas de internação e SPAs como a Lapinha Clínica e SPA Naturista e o Hospital Oásis Paranaense, no Paraná, a Associação Retiro de Recuperação da Saúde, o SPA Naturalis e a Clínica Artemisia, em São Paulo e as clínicas-dia de orientação antroposófica como a Tobias em São Paulo e a Vialis em Santa Catarina.
Final da nota de rodapé
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Nas recomendações serão mencionados alimentos para enfermidades específicas, mas muitos deles têm ação sobre mais de um órgão ou sistema. Apesar de parecer uma abordagem que enfatiza a relação causa e efeito, não desconsidero que o corpo humano é feito de sistemas solidários e complementares.
O livro não tem a pretensão de explorar todas as doenças e disfunções, mas busquei inserir as patologias mais comuns, possíveis de se tratar no âmbito do consultório. Também ressalto que o diagnóstico preciso de um médico não deve ser subestimado em nenhum tratamento de saúde e que as orientações apresentadas não substituem a necessidade de um acompanhamento por parte deste profissional. Imagino que o enfoque nutricional aqui apresentado vai repercutir melhor na abordagem terapêutica da Homeopatia, da Medicina Antroposófica, da Naturologia (3) e das Medicinas Complementar e Tradicional, pois estes sistemas de cura não têm o medicamento e a doença como o foco do tratamento, e sim, utilizam as terapias complementares e tratam o doente como um ser absolutamente individual, independentemente de sua patologia.
Início da Nota de rodapé
(3) O curso de Naturologia Aplicada forma profissionais da saúde que utilizam as práticas naturais - aromaterapia, fitoterapia, arteterapia, hidroterapia massoterapia, geoterapia, cromoterapia, reflexoterapia, florais, trofoterapia entre outras - no tratamento e prevenção de doenças como base nas Medicinas Tradicional e Complementar. O Curso oferece também uma abordagem de promoção de saúde através das noções de ecologia e cuidados com o meio ambiente, do conhecimento de técnicas corporais, de noções de educação nutricional e alimentar com base nos alimentos integrais orgânicos e do desenvolvimento da auto-percepção e do controle do estresse e das emoções.
Final da nota de rodapé
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Para finalizar, gostaria de dizer que espero que algumas das recomendações dietoterápicas aqui compiladas ainda desprovidas de pesquisas de caráter cientifico não sejam ignoradas ou desqualificadas. Meu grande desejo é que tais incertezas possam instigar os pesquisadores em Nutrição a desenvolver estudos comprobatórios da eficácia do poder dos alimentos de curar e prevenir doenças e de promover a saúde humana, poder esse que todos nós desejamos ver reconhecido e divulgado.
A autora
Florianópolis 2007
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1 - A ABORDAGEM QUALITATIVA E SISTÊMICA DA DIETOTERAPIA
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1. A ABORDAGEM QUALITATIVA E SISTÊMICA DA DIETOTERAPIA
A abordagem analítica da dietoterapia moderna tem uma base calórico-quantitativa, com foco no equilíbrio e na ação restritiva ou aumentada dos nutrientes. Estes conceitos repercutem na Medicina moderna de base biológica (4), que prioriza a eliminação dos sintomas. Uma visão analítica indica, por exemplo, que a dieta para febre, disfunção que submete o corpo a um catabolismo protéico, deve ser líquida e hiperprotéica para repor a água e as perdas de aminoácidos pela urina; no caso da osteoporose a dieta deve ser rica em alimentos fontes de cálcio, como o leite (oferecido, de preferência desnatado para diminuir a oferta de ácidos graxos saturados).
Já na abordagem sistêmica, a dietoterapia tem uma ação com base qualitativa, focando a origem dos alimentos e o seu poder terapêutico. Tal abordagem faz parte do contexto da dietoterapia das formas de Medicina Tradicional e Complementar, que prevê uma ação transformadora e profunda de toda a dieta, reconhecendo a origem dos alimentos como essencial na terapêutica, além de estimular a promoção da saúde e não somente a cura da doença e a eliminação dos sintomas.
Início da Nota de rodapé
(4) A visão biológica, surgida no final do século 19, representou a fundação da chamada Medicina Científica. Ela teve como principais protagonistas Ehrlich, Koch e Pasteur, que atribuíram aos microorganismos e ao meio a causa das doenças. A teoria do germe oficializou a então crescente visão biológica da doença e os microscópios foram as primeiras armas do complexo industrial-médico desenvolvido para o diagnóstico e reconhecimento de doenças. A microbiologia de Pasteur (1822-1895) incentivou o desenvolvimento das drogas que agiam nos agentes considerados patogênicos e apoiou a visão intervencionista sobre o meio ambiente. Suas descobertas serviram de base ao atual complexo médico-microbiológico-industrial-alimentar e à visão fortemente intervencionista do meio ambiente (Rosen, 1994).
Fim da nota de rodapé
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Assim, a partir de uma visão sistêmica, a dieta indicada para febre e doenças inflamatórias é hipoproteica - pois isso facilita o processo natural de eliminação de proteínas que ocorre nessas disfunções, e também rica em alimentos que estimulam a diurese e a eliminação de toxinas. Na osteoporose, a visão sistêmica considera que a dieta moderna, hiperprotéica e rica em alimentos refinados e acidificantes do meio interno, cálcio dos ossos; portanto propõe uma dieta hipoproteica e rica em alimentos alcalinizantes do meio interno, de origem integral orgânica (5), equilibrados no conteúdo de minerais em geral e isenta de contaminantes sintéticos tóxicos que também interferem na absorção de cálcio.
Ampliando-se ainda tal abordagem sistêmica, ressalta-se que ela também leva em conta os conceitos de saúde social e ambiental (6), aspectos que estão por trás do sistema agroalimentar.
Início da Nota de rodapé
(5) O alimento integral orgânico é isento de resíduos de agrotóxicos, adubos químicos sintéticos e de sementes transgênicas; se o alimento for de origem animal, a criação não pode receber hormônios, antibióticos e drogas veterinárias e, quando industrializado, o alimento não passa por processos de refinamento (ou processos de retirada de nutrientes como no caso do leite desnatado ou da carne light), irradiação e não contém aditivos químicos sintéticos.
(6) A Organização Mundial da Saúde define saúde ambiental como “a parte da saúde pública que se ocupa das formas de vida, das substâncias e das condições em torno do homem que podem exercer alguma influência sobre a sua saúde e bem-estar” (World Health Organization, 1999). O conceito de saúde social considera as condições sociais do indivíduo como determinantes da sua saúde e indica uma outra dimensão da doença, não como natureza pura, mas influenciada pela atividade social e pelo ambiente cultural que tal atividade cria (Rosen,1994). Azevedo (2004) relacionou estes conceitos com a produção de alimentos com base na agricultura familiar orgânica.
Final da nota de rodapé
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Acentuar a dicotomia entre essas duas visões não significa desqualificar o estudo analítico dos nutrientes, pois é inegável o quanto ele foi capaz de ampliar a visão sistêmica e torná-la atual e cada vez menos contestável. As pesquisas e o interesse recente pelos alimentos funcionais desenvolvidos dentro da ciência da Nutrição começam a construir uma ponte entre estas duas abordagens quando procuram compreender quais princípios ativos estão por trás dos alimentos que têm ação terapêutica, os chamados alimentos nutracêuticos. Assim, por exemplo, hoje, a ciência pode explicar, através da análise dos princípios ativos e funcionais, a ação hipocolesterolêmica e hipoglicemiante da alcachofra, antiplaquetária e hipolipêmica do alho e anticancerígena do brócolis. Tais ações não são compreendidas dentro do enfoque calórico, pois tanto os micronutrientes quanto os fitoquímicos não produzem calorias e são essenciais para manter a saúde. A partir desses estudos, a abordagem qualitativa ganha espaço na ciência da Nutrição e a visão de que nosso corpo é uma máquina que, para funcionar, precisa de energia proveniente da combustão dos macronutrientes, começa a ser questionada.


Por outro lado, outras formas de relacionar os alimentos com a saúde são hoje consideradas e explicadas à luz da ciência. A observação da natureza e das plantas embasou muitas formas de Medicina Tradicional que relacionavam, de diversas maneiras, a planta medicinal à doença que ela cura. Assim, o sabor amargo de algumas plantas era relacionado à formação da bile - plantas amargas estimulando a função hepatobiliar; ou ainda, formas de plantas que lembram determinados órgãos - plantas em forma de coração para tratar doenças cardíacas; ou a função das plantas e processos de desequilíbrio - o salgueiro é uma
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planta com intensa relação com a água e a umidade e seu uso era relacionado à cura de processos de “água desequilibrados” no organismo, como no caso do excesso de secreções provenientes de inflamações. O eucalipto, que nasce em lugares secos, poderia também ajudar a controlar tais processos. A vinca, planta que forma tumores de crescimento ilimitado, era utilizada para tratar o câncer, arroz, que tem íntima relação com á água, estimularia a diurese, e as raízes, que proporcionam suporte à planta e têm uma forma muito definida, eram oferecidas para pacientes com problemas de deformações das articulações.
A Fitoterapia e a Nutrição modernas reconhecem os princípios ativos das plantas e a sua ação no organismo e explicam através de estudos científicos as relações que se estabeleceram na tradição. Hoje se sabe que as ervas amargas, como a carqueja (Baccharis trimera), têm ação estimulante do fígado; a planta digitalis (Digitalis purpureas) possuiu a digoxina, um princípio ativo cardiogenético; no salgueiro (Salix alba) existe a salicina que tem uma ação antiinflamatória e antipirética; o eucalipto (Eucalyptus globulus) tem o eucaliptol que atua como expectorante e anti-séptico das vias respiratórias e a vinca (Catharanthus rosea) tem vimbiastina e vincristina, alcalóides inibidores do crescimento de células tumorais (Costa, 1997; Simões et al, 2000; Chevalier, 2005). Também se descobriu que o arroz atua na eliminação dos líquidos porque é um cereal com baixo teor de sódio e rico em micronutrientes, importantes para a regulação ácido-básica dos pacientes com doenças acidificantes do meio interno, como a artrite e a gota que, a longo prazo, causam deformações nas articulações.
Hoje, o modo como se explica a ação terapêutica é outro, mas não é mais possível desconsiderar o conhecimento tradicional adquirido através da observação da natureza e do empirismo.

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Algumas orientações alimentares aqui apresentadas são opostas àquelas indicadas na dietoterapia científica porque o seu papel e o enfoque das terapias nutricionais mudam de acordo com o tipo de tratamento nos quais estão inseridos. Na Medicina de base biológica, cujo foco é a doença e o medicamento de ação alopática, a dietoterapia tem um papel secundário no tratamento - por exemplo, no tratamento da gastrite, a dieta não é priorizada, mas sim os medicamentos que inibem a produção excessiva de ácido, no estômago.
Na terapêutica baseada nas Medicinas Tradicional e Complementar, que tem um olhar atento sobre o indivíduo doente e sua saúde e foca não somente a doença, mas também todos os aspectos que a envolvem, as dietas representam um papel central e muitas vezes definidor do curso do tratamento. No caso da gastrite, uma dieta isenta de alimentos que estimulem a produção de ácido clorídrico e rica em alimentos com ação cicatrizante da mucosa gástrica pode substituir a ação do medicamento alopático. Dentro de tal concepção terapêutica que, nesse caso ilustrativo deve também levar em conta os aspectos psico emocionais que levam o paciente a produzir excesso de ácido clorídrico, a dietoterapia deixa de ser uma terapia complementar para se constituir na base do tratamento.
A ação dos alimentos no organismo humano é um processo absolutamente individual, assim como o são as tendências de cada pessoa frente a determinadas patologias. No contexto da Medicina Antroposófica, da Medicina Ayurvédica e da Homeopatia é conhecida a relação entre
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temperamentos (7) ou personalidades (incluindo caracteres físicos) e a fragilidade de determinados órgãos ou a suscetibilidade a determinadas doenças. Levando em conta essa relação, a dietoterapia torna-se ainda mais complexa porque nem sempre um alimento terá a mesma ação sobre todos os indivíduos. Assim sendo, comer chocolate não estimula o aparecimento da acne em todas as pessoas e o consumo de aveia não vai aliviar a constipação de todos os pacientes. Um indivíduo melancólico que ingere excesso de açúcar não vai inevitavelmente desenvolver a mesma doença que um sanguíneo, por exemplo. As dietas ou recomendações nutricionais para patologias específicas não o necessariamente atender com sucesso todos os pacientes que delas sofrem, Essas são considerações importantes para avaliar o êxito (ou a ineficácia) das recomendações aqui prescritas.
A mudança de hábitos alimentares é complexa, pois envolve questões simbólicas e culturais impregnadas de significados individuais. Não há dúvida de que estas mudanças estão entre as mais difíceis de serem alcançadas, especialmente se o indivíduo ainda não sentiu a repercussão dos maus hábitos alimentares sobre a sua saúde.
Início da Nota de rodapé
(7) A Medicina Antroposófica estuda quatro tipos de temperamentos – melancólico, sangüíneo, colérico e fleumático - considerados como um conjunto de características físicas e psicossociais e tendências comportamentais que inconscientemente influenciam o comportamento dos indivíduos. Tais tendências parecem afetar mais determinados órgãos ou sistemas, suscetibilizando o indivíduo para enfermidades específicas. O colérico, por exemplo, apresenta-se como um indivíduo mais suscetível a doenças do coração; o fleumático apresenta maior sensibilidade no fígado; o sangüíneo nos rins e o melancólico no pulmão (Steiner, 2000). A Medicina Ayurvédica relaciona três tipos de pessoas (os três doshas: pitta, kapha e vita), indica tratamentos individualizados para cada um deles e enfermidades mais comuns a cada dosha (Edde, 2000).
Final da nota de rodapé
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Todavia, ele se torna um pouco mais flexível para mudar quando adoece. Parece existir um impulso maior para a cura de doenças do que para a promoção da saúde.

O profissional que trabalha com educação alimentar e dietoterapia deve ser capaz de estimular seu paciente a inserir novos hábitos alimentares, quase como um “bom vendedor.” Para tanto, deve conhecer e apreciar verdadeiramente seu “produto”, pois não é possível apontar os benefícios de uma ação - comer alimentos saudáveis - quando não se tem o hábito de praticá-la. Ou seja, quem prescreve mudanças na alimentação deve primeiramente se alimentar bem, conhecer os alimentos que objetiva introduzir na rotina dos seus pacientes e, se possível, experimentar as dietas prescritas.


Durante a consulta, o terapeuta nutricional deve ser capaz de trazer à tona a falta de auto-percepção e de auto-cuidado, geralmente presentes em uma pessoa que se alimenta mal e apressadamente. Também é importante ressaltar a importância de priorizar seu tempo e orçamento na busca de comer em lugares tranqüilos, na compra de alimentos de qualidade e no preparo de refeições saborosas. O terapeuta nutricional tem o objetivo maior de fazer seu paciente perceber quão desconectado ele está de si mesmo e da sua responsabilidade em promover sua própria saúde e o quanto é importante que ele introduza mudanças no seu modo de comer, lembrando que esta é uma atividade diária e essencial para manter o ser humano saudável.
A alimentação pode promover a saúde humana quando inserida em um contexto amplo de qualidade de vida que inclui sono regular, prática de exercícios físicos, lazer, respiração adequada e uma vida espiritual e emocional equilibrada.
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A seguir apresentam-se recomendações gerais para a saúde e um cardápio construído a partir de tais orientações que poderá ser ajustado para todas as patologias e disfunções apresentadas nos próximos capítulos. Esse cardápio estimula a variedade e a combinação dos diferentes grupos de alimentos, preconiza a origem integral orgânica dos mesmos, tem relação com o ritmo dos órgãos e propõe um fracionamento equilibrado de refeições. Dessa forma, tem um caráter terapêutico e pode ajudar no tratamento de muitas disfunções e prevenir outras.
As recomendações apresentadas abaixo delineiam um cardápio não restritivo que vai ao encontro das necessidades individuais de adultos saudáveis. O enfoque restritivo, vinculado à patologias especificas, será discutido partir do capítulo 2.
RECOMENDAÇÕES GERAIS
1. Alimente-se devagar e mastigue bem os alimentos. Mantenha uma atitude de calma e veneração diante do alimento. Mantenha o ritmo e o horário das refeições, evitando beliscar entre as mesmas.
2. Não beba líquidos durante as refeições. Prefira chás de ervas digestivas 20 a 30 minutos após as mesmas. Evite líquidos muito quentes ou muito frios.
3. Restrinja os alimentos industrializados, enlatados, refinados, congelados e com excesso de aditivos químicos. Prefira sempre alimentos frescos, conservas, sopas sucos caseiros e alimentos de origem orgânica sem agrotóxicos, adubos, antibióticos, hormônios ou aditivos sintéticos. Quando comprar alimentos industrializados, leia antes os rótulos dos mesmos.
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4. Evite o consumo de refrigerantes, gordura hidrogenada, margarina, farinhas refinadas e embutidos industrializados (frios, salsichas, salames).

5. Use com moderação sal marinho, açúcar mascavo, mel e melado. Evite o sal e o açúcar refinados.


6. Utilize ervas condimentares verdes e desidratadas que auxiliam a digestão. Acrescente-as sempre ao final da preparação, junto com o sal e a gordura.
7. Use, sempre que possível, cereais (arroz, painço, trigo, milho, aveia, centeio, cevada) e farinhas integrais, como fonte de fibras. Enriqueça as farinhas brancas com cereais, sementes de linhaça, gergelim e girassol. Varie os cereais e cozinhe-os sempre com água acrescentando leite, nata ou creme de leite após o cozimento, sem ferver. Os cereais podem ser substituídos por féculas (batata-inglesa, salsa ou doce, mandioca, inhame e cará) ou massas integrais. Evitar consumir mais de um carboidrato na mesma refeição.
8. Frutas e verduras devem ser ingeridas de preferência cruas e frescas. Utilize, preferencialmente, os vegetais da época. Ao partir, cortar, espremer ou descascar um vegetal, utilize-o o mais rápido possível ou tempere-o (no caso das saladas) para evitar perdas vitamínicas. Cascas, talos e folhas de verduras são excelentes fontes de fibras.
9. Vegetais com baixo risco de contaminação por agrotóxicos: alface, almeirão, rúcula, agrião, couve, cheiro-verde (folhas em geral) abóbora, chuchu, mandioca, batata-doce, caqui, abacate, pitanga, acerola, coco, mexerica, ameixa nativa, jabuticaba.
Vegetais com médio risco de contaminação por agrotóxicos: beterraba, cenoura, alho, banana, manga, abacaxi, melancia, laranja, mamão formosa, maracujá.
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Vegetais com alto risco de contaminação por agrotóxico batata, cebola, tomate, berinjela, pepino, pimentão abobrinha, morango, goiaba, uva, maçã, pêssego, mamão papaia, melão, nectarina, pêra.



10. Consuma duas a três porções de frutas por dia na forma de sucos, saladas de frutas, no iogurte, vitaminas e in natura. Procure não misturar frutas ácidas com doces. Evite frutas como sobremesas utilizando-as em refeições leves (como o desjejum) ou em lanches.
11.Consuma duas a três porções de verduras por dia na forma de saladas, sucos, recheios, sopas e refogados.
12. Coma as saladas, de preferência de verduras cruas, antes das refeições principais. Várias cores, os cortes e as três partes das hortaliças (raízes, folhas e flores ou frutos). Utilize sempre molhos com shoyo, azeite de oliva, de girassol, de gergelim, vinagres balsâmicos, mel, maionese, limão, iogurte e condimentos e enriqueça as saladas com queijos, nozes, sementes e frutas secas.
13. Não jogue fora a água de cocção dos vegetais. Utilize-a em sopas, molhos e outras preparações. Prefira a cocção com pouca água, sendo a vapor o ideal.
14. Evite os leites longa vida, esterilizados ou em pó bem como os queijos gordurosos e condimentados. Se não houver restrição dietética, prefira leite fresco integral, queijos brancos ou frescal e utilize os acidificados (iogurte, ricota, coalhada), sempre que possível.
15. Não substitua a manteiga pela margarina. Use manteiga (8) com moderação no pão de trigo integral, de centeio ou de milho dentro de uma dieta rica em frutas, verduras e cereais integrais.
16. Nunca frite a manteiga. Utilize-a derretida, no final da preparação. Para o cozimento, prefira gordura de coco, palma e óleos vegetais (milho, arroz e canola). Para as saladas, utilize o azeite de oliva, girassol e gergelim prensados a frio. Evite gordura hidrogenada e excesso de óleos vegetais produzidos sob altas temperaturas.
17. O uso das carnes frescas em geral (frango, peixe, vaca, porco), de ovos caipiras e de leguminosas (feijões, soja, lentilha, ervilha, grão-de-bico) não deve exceder três vezes na semana - cada grupo. Não os combine na mesma refeição. Evite carnes e peixes congelados, frangos e ovos de granja.
18. Evite o consumo de soja não-fermentada (9) (leite, proteína texturizada e grão). Prefira sempre os produtos fermentados da soja (missô, shoyo, tempeh, nattô) e também o tofu.
Início da Nota de rodapé
(8) Ver discussão sobre a qualidade das gorduras e seu papel no organismo humano e a relação comumente estabelecida entre consumo de gorduras e doenças cardiovasculares (Azevedo, 2005).
(9) Tal recomendação remete às considerações de Azevedo (2005) e de estudos que apontam que a ingestão da soja não-fermentada é desaconselhável devido à presença de fitatos e oxalatos, fatores antinutricionais desativadores de enzimas e inibidores de crescimento, naturalmente encontrados no grão. A ingestão de soja não-fermentada (proteína texturizada, bebidas e grãos) está relacionada à formação de pedras nos rins devido ao seu alto teor de oxalato. A autora também alerta que são necessários mais estudos que garantam que a ação bloqueadora de minerais dos fitatos presentes na soja não interfira na biodisponibilidade de minerais no organismo e que sua ação estrogênica natural não afete os neonatais, particularmente vulneráveis a ação de fitoestrógenos. As repercussões sociais e ambientais do plantio da soja também são abordadas na bibliografia mencionada.
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19. Evite panelas e utensílios de alumínio, preferindo os de barro, ferro, ágata, pedra-sabão, vidro. Opte por utensílios, facas, raladores e peneiras de aço inox. Use colheres de pau ou bambu de boa qualidade
20. Os alimentos crus e as refeições mais ricas em gorduras e de difícil digestão devem ser ingeridos de preferência antes das 15 horas. Após esse horário, dê preferência para alimentos cozidos, frutas secas, doces caseiros, sopas, lanches e refeições leves.
21. Os chás indicados devem ser preparados por infusão ou decocção (10), com água de mina ou mineral, sem adoçar e a partir de plantas de origem orgânica. Eles devem ser ingeridos entre as refeições ou após as mesmas.
Início da Nota de rodapé
(10) A infusão é usada para extrair os princípios ativos das partes mais delicadas e aéreas das plantas medicinais, como flores, folhas e algumas sementes A infusão pode ser ingerida quente ou fria. Preparo: picar em partes bem pequenas a planta medicinal, colocar uma colher de sopa da planta seca ou três colheres da planta verde na xícara. Ferver água mineral ou de mina numa vasilha de vidro ou esmalte, despejar na xícara, tampar e coar após vinte minutos. A decocção é o método utilizado para extrair os princípios ativos das Partes mais rígidas das plantas medicinais, como cascas, raízes e caules. Colocar duas colheres da planta seca triturada ou cinco colheres da Planta verde numa vasilha de vidro ou esmalte. Adicionar 500 ml de água mineral Ferver em fogo baixo e com a vasilha tampada por 10 minutos. Apagar o fogo, e após 10 minutos coar e tomar.
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CARDÁPIO PARA ADULTOS SAUDÁVEIS
Os diferentes grupos de alimentos - fontes de carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais - aparecem abaixo precedidos de marcadores. É importante que em cada refeição um tipo de alimento de cada grupo esteja presente e seja combinado livremente com alimentos de outro grupo. Observe exemplo após o desjejum:

AO ACORDAR:

1 copo de água morna ou em temperatura ambiente
DESJEJUM (11):
Pão integral com queijo branco ou ricota OU 2 colh. sopa flocos de cereais, granola ou musli.

Leite integral tipo A ou B com café OU Iogurte, integral

Fruta ou suco de fruta ou salada de fruta

Exemplo: no desjejum pode-se escolher pão OU flocos de aveia e combiná-los com leite OU iogurte e uma fruta. Assim uma tigela de flocos de aveia, banana e iogurte é uma primeira opção de desjejum, assim como pão integral com manteiga e vitamina de leite batida com mamão pode ser outra alternativa.


Início da Nota de rodapé
(11) Como opção para desintoxicar e para indivíduos com pouco apetite ao acordar considera-se a possibilidade de ingestão exclusiva de líquidos pela manhã. Essa prática pode ocorrer uma vez por semana, ou uma semana por mês, com inúmeros benefícios para a saúde. Ao acordar: um copo de água e uma colher de sobremesa de azeite de oliva. Indica-se ingerir água durante todo o período matutino, em pequenos goles. 9 h: Suco de folhas verde escuras com gotas de limão 11h: Suco de raízes (cenoura, beterraba, aipo)
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LANCHE:
Fruta (ácida de preferência) OU Suco de fruta e/ou verdura; tipo laranja/ cenoura
ANTES DO ALMOÇO:
Salada de verduras cruas (raízes, folhas e flores ou frutos). Variar sempre os molhos para salada
Cereal integral (arroz, fubá, triguilho) OU Massas (lasanha, macarrão de trigo ou arroz, nhoque, empadão) OU Féculas (batatas, aipim, cará)
Carnes ou peixes em geral OU Leguminosos (feijão, ervilha,lentilha) OU Leite, queijos e/ou ovos (na forma de suflês, molhos brancos) OU Soja preferencialmente na forma fermentada (shoyo, missô, tofu)
Verduras refogadas ou cozidas no vapor 20-30 minutos depois: 1 xícara de chá por infusão de folhas de carqueja (Baccharis trimera), boldo-do-Chile (Pneumus boldus) menta ou hortelã (Mentha Piperita) ou dente-de-leão (Taraxacum officinale).
LANCHE:
Frutas e/ou suco de frutas OU Granola ou flocos de cereais (arroz, milho, aveia) com frutas doces OU Torradas ou bolachas ou empanadas integrais ou pão de queijo ou de batata ou broa de milho ou pipoca Com chás de frutas OU Frutas secas com chás OU Gelatina de frutas OU Café com leite e tortas integrais
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JANTAR:
Sopas de verduras e/ou cereais com pão integral, torradas ou bolachas integrais com ricota, queijo branco, mel, tahine OU Salada de cereais e verduras (tipo tabule ou salada de arroz, batata) OU Sanduíches de pão integral com peito de frango, peru, queijo ou patês (de berinjela, humus, de cenoura e ricota, de tomate seco, de azeitonas). Variar pães: árabe, milho, centeio, aveia, integral OU Tortas integrais de verduras e ricota OU Pizzas de massa integral OU Tapioca recheada de queijo e verduras
Sobremesas: compotas de frutas sem açúcar, gelatina de frutas, frutas secas, bolos e tortas integrais, bolachas doces caseiras, canjica, arroz doce
20-30 minutos depois: 1 xícara de chá por infusão de folhas de carqueja (Baccharis trimera), boldo-do Chile (Pnetmus boldus), menta ou hortelã (Mentha piperita) ou dente-de-leão (Taraxacum officinale)
ANTES DE DORMIR:
Uma xícara de chá por infusão de flores de camomila (Matricaria recutita), de sementes erva-doce ou anis (Pimpineua anisum), folhas de funcho (Foeniculum vulgare), flores de macela (Achyrocline satureoides) ou folhas de melissa (Melissa officinalis)
Encontram-se, no anexo 1, alguns exemplos de cardápio elaborados a partir dessa perspectiva apresentada.
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2 - DESEQUILÍBRIO DO PESO CORPÓREO
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2. DESEQUILÍBRIO DO PESO CORPÓREO
2.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA
PACIENTES COM SOBREPESO, OBESIDADE, PESO DEFICIENTE, ANOREXIA E BULIMIA NERVOSA
A manutenção do peso corpóreo acontece quando há um equilíbrio entre a ingestão de energia (alimentação) e o gasto de energia (atividade). A regulação entre esses processos é resultado da integração de influências neurais, químicas e hormonais.

A fome é o estimulo associado à sensações variadas (ruídos intestinais, salivação, dor de cabeça, vertigem) que nos leva a buscar o alimento. A fome aumenta gradativamente. A saciedade, por sua vez, ocorre rapidamente e acompanha a satisfação do desejo de alimentar-se. Essas sensações são controladas no hipotálamo em uma área conhecida como centro ou sistema da fome da saciedade e estimulados através de influências sensoriais (olfato, sabor, tensão), metabólicas (ação da glicose, dos neurotransmissores) e hormonais (ação de variados hormônios) (Krause; Mahan, 2005).


2.1.1. Peso deficiente, anorexia e bulimia nervosa
O esforço para ganhar peso é hoje obscurecido pela atenção voltada ao controle da obesidade. Entretanto, o paciente com déficit de peso tem as mesmas dificuldades de equilibrar seu peso corporal e se queixa freqüentemente de cansaço excessivo, de sensação de frio e fraqueza e de baixa imunidade.
O termo “peso deficiente” é aplicável às pessoas que estão de 15 a 20% abaixo do padrão aceito como normal ou desejado.
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A deficiência de peso pode ser causada por ingestão insuficiente de alimentos (em qualidade ou quantidade), má absorção dos nutrientes (como sintoma de doenças como o câncer, a tuberculose e o hipertireoidismo, que aumentam a taxa metabólica), tensão nervosa, situações de estresse físico e emocional, influência do tipo de temperamento (as tendências melancólica e sangüínea tendem a apresentar déficit de peso) ou por anormalidade psicológica, como a anorexia ou bulimia nervosa.
Entre os transtornos alimentares (12) mais conhecidos hoje estão a anorexia e a bulimia nervosa. As características essenciais da anorexia nervosa são a recusa do paciente a manter um peso corporal na faixa normal mínima e um temor intenso de ganhar peso. Na realidade, trata-se de uma perturbação significativa na percepção do esquema corporal, ou seja, da auto-percepção da forma e/ou do tamanho do corpo. O termo anorexia pode não ser de todo correto, tendo em vista que não há uma verdadeira perda do apetite, mas sim, uma recusa em se alimentar. A anorexia nervosa é então, um transtorno alimentar caracterizado por limitação da ingestão de alimentos, devido à obsessão de magreza e o medo mórbido de ganhar peso.
As características essenciais da bulimia nervosa são compulsões periódicas e métodos compensatórios inadequados - como a indução do vômito, o uso de laxantes e diuréticos, a prática excessiva de exercícios físicos e o jejum - para evitar ganho de peso. Além disso, a autoavaliação dos pacientes com bulimia nervosa é excessivamente influenciada pela forma e peso do corpo, tal como ocorre na anorexia.
Início da Nota de rodapé
(12) Informações no sitio eletrônico: Transtornos Alimentares. Disponível em http://www.psiqweb.med.br/dsm/alimen.html. Acesso em: 30 jun 2006.
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Para qualificar o transtorno, a compulsão periódica e os comportamentos compensatórios inadequados devem ocorrer, em média, pelo menos duas vezes por semana, por três meses. Uma compulsão periódica é definida pela ingestão, num período limitado de tempo, de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria dos pacientes consumiria em circunstâncias similares.
De forma geral, os pacientes com bulimia nervosa se envergonham de seus problemas alimentares e procuram ocultar os sintomas. As compulsões periódicas geralmente são mantidas em segredo ou dissimuladas tanto quanto possível.
A anorexia e a bulimia nervosa têm por trás um modelo de disfunção no qual múltiplas causas devem interagir para o seu surgimento, incluindo aspectos socioculturais, psicológicos, individuais e familiares, neuroquímicos e genéticos.

A influência cultural tem sido apontada, atualmente, como um forte desencadeante; o corpo magro é encarado como símbolo de beleza, poder, autocontrole e modernidade e tal apelo é particularmente atraente para mulheres jovens e adolescentes. Distúrbios da interação familiar, eventos estressantes relacionados à sexualidade e formação da identidade são também apontados como fatores desencadeantes ou mantenedores da bulimia.


No caso de pacientes que se recusam a comer, a alimentação deverá ocorrer por sonda ou nutrição intravenosa, O envolvimento familiar com a terapia e com os cuidados nutricionais do paciente com anorexia ou bulimia nervosa é um aspecto importante para o sucesso do tratamento.
Para o tratamento da anorexia e da bulimia nervosas, antes de qualquer interferência no âmbito da nutrição, é preciso ganhar a confiança dos pacientes.
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Uma interferência precoce na dieta pode gerar medo (de ganhar peso) e afastá-los do consultório. Nestes casos, é mais conveniente iniciar o tratamento com medicamentos homeopáticos ou antroposóficos, com a abordagem psicológica e naturológica e as terapias complementares (principalmente as terapias artísticas e corporais). O resgate da auto-estima, a prática de exercícios físicos relaxantes e de atividades de lazer que propiciem a auto-observação devem ser sempre estimulados no tratamento dos transtornos alimentares.
Em muitos casos de peso deficiente, em menor proporção, a problemática também gira em torno dos aspectos emocionais e mentais, mas o paciente está mais aberto a inserir na alimentação algumas mudanças que podem contribuir para equilibrar o peso.
Cuidados nutricionais nos casos de peso deficiente, anorexia e bulimia nervosa:
1. Alimentar-se regularmente, com calma, em ambiente relaxado e mastigando lentamente.

2. Priorizar os alimentos frescos, de origem integral orgânica, para nutrir o organismo adequadamente. O cardápio normal cobre as necessidades do paciente.


3. Observar as recomendações gerais e enriquecer as refeições com fontes saudáveis de gordura como nata, manteiga, azeite de oliva, leite de coco, ovos caipira e nozes, além de frutas secas, carboidratos complexos (flocos de arroz, de milho, de aveia, cereais e pães integrais), doces integrais, mel, xarope de milho, panquecas e bolos integrais.
4. Preferir sopas cremosas ao invés de caldos ralos. Ingerir molhos de salada à base de iogurte, maionese,
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queijos cremosos, flocos de cereais enriquecidos de nata, leite de coco acompanhando frutas calóricas como banana, manga, abacate e fruta-do-conde.
5. Iniciar a refeição com meio copo de suco de chicória ou de gengibre, conhecidos por sua propriedade estimulante do apetite. Outras plantas que estimulam o apetite: pó de guaraná (Paullinia cupana), na forma de chá por infusão ou como condimento; chá por infusão de alecrim (Rosmarinus officinalis), folhas de capuchinha (Tropaeotum majus) e alfafa (Medicago sativa) na salada.
2.1.2. Sobrepeso e Obesidade
A obesidade é uma condição do organismo em que há um depósito excessivo de gordura. A forma mais simples para se calcular a quantidade adequada de gordura é o Índice de Massa Corporal (IMC). Tal índice é aceito hoje como padrão de medida internacional para identificar, da melhor maneira possível, o equilíbrio (ou desequilíbrio) na relação entre o peso e a altura de um indivíduo. Busca-se associar o IMC a outros métodos, como a medida da circunferência e das pregas cutâneas. Sua forma de cálculo é a divisão do peso da pessoa (em kg) pela sua altura elevada ao quadrado (em metros quadrados); (IMC= Peso/ Altura vezes altura). Ao fazer o cálculo classifica-se a obesidade em variados graus (I ou leve, II ou moderada, III ou extrema) como demonstrados na tabela:
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Índice de Massa Corporal
Não aplicado a atletas, crianças e mulheres grávidas ou lactantes.
Início da tabela


Índice de Massa Corporal –não aplicado a atletas, crianças e mulheres grávidas




Baixo peso: menor que 85

Normal: 18,5 a 24,9

Excesso de peso

Excesso de peso: 25,0 a 29,9

Obeso Grau I: 30,0 a 34,9

Obeso Grau II: 35,0 a 39,9

Obeso Grau III: acima 39,9

Fim da tabela


Tabela disponível em htp://www.roche.pt/emagrecer/calculadoras/imc.cfm Acesso em: 5 mai 2006
Segundo dados do Estudo Nacional de Despesa Familiar/ ENDEF (1974-75), Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição/ PNSN (1989) e Pesquisa sobre os Padrões de Vida realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/ IBGE (1997), o sobrepeso e a obesidade, que é um nível mais severo de excesso de peso, ainda atingem predominantemente as mulheres e a população de mais alta renda no Brasil.
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Entretanto, sua prevalência vem crescendo de forma mais significativa em todas as classes sociais. No Brasil, já são 70 milhões de obesos - 40% da população (CNSAN, 2004). Muitos deles são crianças, que dentro de quinze ou vinte anos estarão sobrecarregando o já precário sistema de saúde com o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes. Em 1996, a obesidade já causava, por ano, 80 mil mortes no país, segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, 1996). A obesidade diminui a longevidade e é freqüentemente um prenúncio de outras disfunções graves como as alterações circulatórias, que levam à doenças cardiovasculares, diabetes, artrite, gota, nefrite e disfunções ósseas.
Parte da explicação para este crescimento do sobrepeso e obesidade pode ser encontrada no perfil alimentar - consumo de alimentos ricos em gorduras e açúcares e produtos industrializados com alta densidade energética (excesso de calorias). Segundo documento do CNSAN (2004), o modelo predominante de produção de alimentos favorece a disponibilidade destes produtos e uma uniformização das práticas alimentares. Tais práticas estão profundamente relacionadas com as transformações culturais em curso, determinadas por processos como a urbanização acelerada, as longas distâncias entre a casa e o trabalho, o pouco tempo para as refeições, o excesso de trabalho pela alta competitividade dos mercados, entre outras. Este contexto, eminentemente urbano, favorece as refeições rápidas e fora de casa, e o maior consumo de alimentos processados, pré-preparados, congelados e semi-prontos. Além disso, as informações e propagandas veiculadas pelos meios de comunicação estimulam tal consumo de alimentos e têm grande impacto neste perfil.
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A indústria de alimentos oferece produtos altamente processados sem parte dos nutrientes originais e importantes para a eliminação do excesso de glicose e colesterol no organismo, como fibras, vitaminas e minerais. Dessa forma eles contribuem de forma significativa para o crescimento do sobrepeso. Além disso, esses alimentos são desvitalizados e oferecem a falsa sensação de saciedade, sem realmente nutrir o organismo na sua totalidade. Como conseqüência, busca-se compensar essa falta de vitalidade - presente nos alimentos frescos, integrais e orgânicos - com o consumo aumentado de alimentos. Outro aspecto que também tem relação com o contexto urbano é a pressa na hora de se alimentar. Quando se come rapidamente, sem mastigar de forma adequada, não se dá o tempo necessário para que o centro de saciedade seja estimulado no hipotálamo, anunciando a sensação de saciedade. Alimentar-se com pressa e com desatenção leva ao hábito de comer em excesso, sem que se perceba o momento em que se está saciado.
A obesidade também pode ser analisada do ponto de vista da alta ingestão calórica, principalmente em fases como a primeira infância, adolescência e gravidez. Nessas fases pode ocorrer o aumento do número de células adiposas no organismo e a propensão para a obesidade aumenta.
O problema começa ainda no período de lactação, com a substituição do leite materno, adequado para a espécie humana, pelo leite de vaca, que pode estimular um padrão de crescimento acima do esperado. Além disso, o hábito de ingerir excesso de açúcar e carboidratos inicia com a adição de açúcar e farinhas refinadas na mamadeira, na expectativa de ter um bebê “gordinho e saudável” - duas qualidades quase contraditórias.
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Para Krause e Mahan (2005), a obesidade, como muitas disfunções degenerativas, tem uma etiologia multifatorial e deve ser considerada sob diversos fatores que, corno a dieta desequilibrada, também constitui risco à saúde:
Os aspectos emocionais: o excesso de prazer na alimentação compensa e substitui em proporção significante os elementos afetivos desagradáveis gerados por conflitos emocionais, insatisfação e carências. A obesidade funciona como defesa contra o contato social, levando à depressão e ao isolamento. É comum observar-se alterações de peso em determinadas crises pessoais (perdas, mortes, separações, mudanças) que podem ser superadas a partir de um tratamento que considere essas questões como essenciais no controle da obesidade. A percepção da crise, o estímulo ao auto-conhecimento e à necessidade de resgatar a auto-estima do paciente são a base do tratamento da obesidade.
O sedentarismo: a falta de atividade física e de lazer no cotidiano urbano contribui significativamente para o ganho excessivo de peso. Isso é particularmente sério entre crianças e adolescentes confinados em suas casas em frente a jogos eletrônicos, televisão e computador.
Os fatores endócrinos (como disfunções da tireóide) e as tendências genéticas (hereditariedade) se estabelecem gradativamente entre a população e precisam ser considerados no tratamento prévio da obesidade.
Suporte e ações de encorajamento em grupos semanais fazem parte de muitos programas de perda de peso e representam grande parte do êxito alcançado no tratamento.
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Este é um aspecto bastante positivo e que deve ser incentivado em qualquer programa de perda de peso. O grupo de suporte, integrado muitas vezes por terapeutas e/ou ex-obesos, recebe os novos integrantes, dividindo as dificuldades e estimulando o obeso a manter a continuidade da proposta. É o que se chama de rastreamento do paciente. Receber uma ligação do seu terapeuta é muito reconfortante, faz o paciente se sentir seguro e bem cuidado e o estimula a seguir as prescrições. A mudança acontece a partir do sentimento de afetividade e confiança que deve se estabelecer entre terapeuta e paciente. Isso vale para qualquer relação pedagógica e de cura, porém é essencial no controle de doenças crônicas, de longo prazo, e que exigem mudanças em diferentes âmbitos da vida, como a obesidade.
Diante do que foi exposto, volta-se à questão da qualidade de vida. A complexa questão da obesidade como epidemia não será controlada com a proliferação de dietas milagrosas, shakes, suplementos e alimentos light ou diet que, além de oferecer produtos desequilibrados nutricionalmente, minimizam a necessidade de uma mudança profunda em vários aspectos da vida e criam falsas expectativas para o obeso. Muitas destas orientações promovem a perda de peso sem considerar o estado de saúde do paciente. É o lema do “emagrecer a qualquer custo”.
No quesito dieta, o enfoque central na nutrição é, sem dúvida, a reeducação alimentar, sem restrição de tipos de alimentos, levando-se em consideração: a qualidade dos alimentos (frescos, pouco processados, integrais e sempre que possível orgânicos); a mastigação lenta, o ambiente aconchegante e calmo e o tempo adequado para alimentar- se;
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o ritmo na alimentação, com a ingestão de alimentos adequados nas diferentes horas do dia, de acordo com a função dos órgãos digestivos; o fracionamento adequado das refeições, mantendo horários regulares entre elas e evitando refeições depois das 20 horas; as combinações adequadas de alimentos, com refeições simples e equilíbrio de nutrientes e, por fim, a restrição de alimentos ricos em carboidratos simples e gorduras.
Uma prática importante no controle da obesidade é o registro alimentar. O paciente é estimulado a anotar onde faz as refeições, o que ingere, a quantidade e os tipos de alimentos, durante pelo menos dois dias. Tal registro pode servir para iniciar o tratamento e como anamnese alimentar detalhada para o terapeuta. Muitas vezes, o obeso não se dá conta da quantidade que come, ou ainda, como sua dieta é restrita a alguns tipos de alimentos. Essa prática pode auxiliar no processo de conscientização do paciente.
Ninguém pode “viver de dieta”. As dietas são símbolos de segregação, geram grandes expectativas no paciente obeso e são difíceis de manter. Seguir uma dieta leva freqüentemente a um estado de desânimo e frustração, especialmente se o paciente tem dificuldades em perder o peso esperado e tem que seguir as prescrições sem acompanhamento. O grupo dos Vigilantes do Peso (13), os SPAs e as clínicas de internação alcançam bons resultados no controle da obesidade porque dentro de um grupo o paciente obeso é mais facilmente estimulado a seguir as restrições quantitativas. Se a família pode ajudar, ou no caso de crianças e adolescentes, os pais colaboram, a perda de peso é sempre mais fácil de alcançar.
Início da Nota de rodapé
(13) Ver sitio eletrônico: Vigilantes do Peso: WWW.vigilantesdopeso.com.br Acesso

em: 5 jan 2006


Final da nota de rodapé
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As dietas de restrição calórica, à base de 20% de proteínas, 30% de gordura e 50% de carboidratos são as mais utilizadas e apresentam bom resultado se o paciente for orientado também quanto ao aumento da atividade física e no que diz respeito ao equilíbrio emocional através de terapias complementares. Este enfoque calórico- quantitativo, com base em peso, altura, biótipo e atividade individual é normalmente prescrito e calculado por nutricionistas.
O cardápio normal para adultos saudáveis, apresentado no Capítulo 1, pode ser ajustado para atuar nos casos de obesidade de adultos com atividade leve a moderada. Esse ajuste é feito restringindo-se os alimentos fontes de carboidratos e gorduras e liberando-se os alimentos protéicos, as frutas e as verduras. Acredita-se que, com tais restrições - que perfazem uma dieta de mais ou menos 1200 -1400 calorias - é possível que um adulto consiga uma perda de peso lenta e efetiva (que deve ser associada com a prática de exercícios físicos regulares e controle da ansiedade e do estresse).
Entre as plantas que auxiliam no tratamento da obesidade estão o chá verde (Camellia sinensis), a partir da ação da catequinas, que promovem a lipólise e têm ação diurética; a garcínia (Garcinia cambogia), a partir da ação do ácido hidrocítrico, que promove a lipólise e inibe o apetite e a hoodia (Hoodia gordonii), que também inibe o apetite, agindo no centro regulador da fome, o hipotálamo. Tais chás podem ser usados entre as refeições, além dos chás indicados abaixo.

De qualquer forma, a partir do registro alimentar individual do paciente, toda restrição quantitativa de carboidratos e gordura pode proporcionar perda de peso; ou seja, se o paciente relata que come três pães no desjejum,


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uma colher de sopa de manteiga e cinco colheres de arroz no almoço, por exemplo, a restrição de consumo para apenas um pão, uma colher de chá de manteiga e três colheres de sopa de arroz deve proporcionar uma perda de peso. Dessa forma é possível sempre prescrever orientações quantitativas com foco no consumo de carboidratos e gorduras. Tais orientações não devem substituir as necessidades calóricas individuais e precisas que são calculadas por um profissional nutricionista a partir do sexo, peso, altura e tipo de atividade do paciente.
COMBINAÇÃO DE CARDÁPIO BÁSICO PARA PERDA DE PESO
Os alimentos em negrito devem ser ingeridos nas quantidades preconizadas; para os outros, a quantidade é livre. Os diferentes grupos de alimentos - fontes de carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais - aparecem precedidos de marcadores. É importante que em cada refeição um tipo de alimento de cada grupo esteja presente e seja combinado livremente com alimentos de outro grupo. Observar o exemplo após o desjejum.
AO ACORDAR:
1 copo de água morna ou na temperatura ambiente
DESJEJUM
1 fatia de pão integral com queijo branco ou ricota OU 2 colheres de sopa de flocos de cereais, granola ou musli
Leite integral tipo A ou B com café OU Iogurte integral
Fruta ou suco de fruta ou salada de fruta
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Exemplo: no desjejum pode-se escolher pão OU flocos de aveia e combiná-los com leite OU iogurte e uma fruta. Assim uma tigela de flocos de aveia, banana e iogurte é uma primeira opção de desjejum, assim como pão integral com manteiga e vitamina de leite batido com mamão pode ser outra alternativa)
LANCHE
Fruta (Salada de fruta) OU Suco de fruta e/ou verdura; (tipo laranja ou cenoura)
ALMOÇO
Salada de verduras cruas (raízes, folhas e flores ou frutos. Usar molhos.
3 colheres de sopa de cereal integral (arroz, fubá, triguilho) OU de massas (lasanha, macarrão, empadão, etc) OU 2 unidades pequenas de féculas (batatas,aipim,cará)

Carnes ou peixes em geral OU Leguminosos (feijão, ervilha, lentilha) OU Leite, queijos e ovos na forma de suflês, molhos brancos OU Soja, preferencialmente na forma fermentada (shoyo, missô, tofu).


Verduras refogadas ou cozidas no vapor
20 a 30 minutos após o almoço: 1 xícara de chá por infusão de folhas de carqueja (Baccharis trimera), boldo-do-Chile (Pneumus boldus), menta ou hortelã (Mentha piperita) ou dente-de-leão (Taraxacum officinale).
LANCHE
Frutas e/ou Suco de frutas
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JANTAR
Sopas de verduras e/ou cereais com 1 fatia de pão integral, 3 torradas ou bolachas integrais com ricota ou queijo branco OU 3 colheres de sopa de salada de cereais e verduras (tipo tabule ou salada de arroz, batata) OU sanduíches de pão integral (2 fatias finas) com peito de frango, peru, queijo,ou patês com verduras OU 1 fatia média de tortas leves de verduras e ricota OU 1 fatia média de pizzas de massa integral. Variar pães: árabe, milho, centeio, aveia, integral.

Sobremesas: Porção pequena (2 colheres de sopa de purês, gelatinas e cremes, 1 fatia fina de bolos e tortas, 3 unidades de bolachas, meia xícara de chá de frutas secas ) compotas de frutas sem açúcar, gelatina de frutas, frutas secas, bolos e tortas integrais, bolachas doces caseiras, canjica, arroz doce.


20 a 30 minutos após: 1 xícara de chá por infusão de folhas de carqueja (Baccharis trimera) ou dente-de-leão (Taraxacum officinale).
ANTES DE DORMIR:
Uma xícara de chá por infusão de flores de camomila (Matricaria recutita), de sementes erva-doce ou anis (Pimpinella anisum), folhas de funcho (Foeniculum vulgare), flores de macela (Achyrocline satureoides) ou folhas de melissa (Melissa officinalis).
O jejum é um tratamento severo para obesidade, com resultados rápidos, mas nem sempre duradouros. No início alguns pacientes podem perder de 1,8 a 3,6 kg em 24 horas, boa parte pela diurese aumentada.
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Na progressão do tratamento, aumenta a perda gradual de nitrogênio e o organismo tende a reter água e sal num mecanismo protetor.

O jejum deve ser feito em ambiente hospitalar, com acompanhamento médico, porque podem surgir complicações como artrite gotosa, anemia ou hipotensão. Pacientes com história pregressa de gota, alteração cardíaca ou renal devem ter um cuidado especial quando submetidos ao tratamento. Em jejum a pessoa entra em um estado de cetose e os altos níveis de cetonemia diminuem a sensação de fome. A observância constante do estado geral do paciente e do tempo restrito de jejum pode evitar complicações sérias. Por isso o acompanhamento é essencial. Alguns programas de jejum oferecem reposição protéica e vitamínica na forma de suplemento para repor a proteína visceral e muscular e propiciar a perda de tecido adiposo (Krause; Mahan, 2005).


A ingestão de pelo menos 2 litros de água por dia é indicada. A desvantagem de tal método é a manutenção da efetividade do resultado quando o indivíduo volta à rotina e há ainda a possibilidade de se desencadear um estado de desnutrição, especialmente se o paciente, por conta própria, decide estender o tempo de jejum. Também o jejum, por si só, não propicia a reeducação alimentar e a reintrodução de hábitos alimentares saudáveis. Após o jejum, deve-se começar a comer lenta e gradualmente para evitar o rápido ganho de peso que normalmente sucede longos períodos de abstinência alimentar e o desestímulo do paciente. O jejum apresenta melhores resultados quando o paciente utiliza medicamentos homeopáticos e é submetido concomitantemente a outras terapias complementares como a hidroterapia (em especial a técnica
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de hidrocolonterapia (14), a geoterapia, a massoterapia, os florais, a terapia artística, os exercícios de auto-percepção corporal, entre outros. A aromaterapia é especialmente indicada, pois as essências agem no Sistema Nervoso Central inibindo o apetite e reduzindo ansiedade, além de possuírem propriedades diuréticas e digestivas.
As dietas de desintoxicação e dissociativas, associadas ao controle da obesidade serão discutidas de forma mais minuciosa na seqüência.
2.2 DIETAS DE DESINTOXICAÇÃO E DISSOCIATIVAS
As dietas de desintoxicação e dissociativas para o controle do peso têm o papel de propor um estimulo inicial na perda de peso e trabalham com o poder terapêutico que alguns alimentos têm de estimular o metabolismo, a diurese e promover uma ação laxativa. São dietas de baixa caloria, porém buscam prover o mínimo de nutrientes para que o paciente não sinta as repercussões desagradáveis do jejum. Outros benefícios apresentados a seguir podem ser alcançados quando se prescreve tais dietas. Estas dietas devem ser oferecidas e monitoradas por um profissional da área da saúde, por curto período de tempo e têm a função de mobilizar as toxinas e dar um estímulo inicial ao metabolismo, com conseqüente perda de peso. Todavia, procura-se restabelecer a volta a um cardápio normal com base nas recomendações gerais para uma alimentação saudável o mais rápido possível, a partir de mudanças estruturais na qualidade de vida do paciente.
Início da Nota de rodapé
(14) Hidrocolonterapia é um método de revitalização e maximização das funções dos intestinos através de um sistema fechado de lavagem intestinal.
Final da nota de rodapé
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2.2.1. Dieta de Desintoxicação
O que se denomina aqui de desintoxicação seria, em outras palavras, um grande estimulo do metabolismo para a excreção ou para os processos de catabolismo. Como conseqüência deste estimulo ocorre a eliminação de toxinas e gordura acumuladas nos tecidos adiposos e vasos sanguíneos.
O que seriam as toxinas? Elas se acumulam no organismo na forma de ácido úrico e outras substâncias nitrogenadas, tais como: sais, que se sedimentam formando cálculos ou calcificação de partes moles como juntas e músculos, substâncias químicas como pesticidas, inseticidas e herbicidas, aditivos químicos sintéticos e metais pesados como chumbo e monóxido de carbono (que são inalados).
Através de observações clínicas e relatos de pacientes submetidos a dietas de desintoxicação percebe-se que tal procedimento leva a uma melhora de todo o funcionamento do organismo e ao estímulo da função intestinal, da diurese e da sudorese, além da promoção de uma maior disposição física e mental. Após a desintoxicação o organismo toma um novo impulso e pode ocorrer uma mobilização para a cura de algumas doenças crônicas e distúrbios metabólicos. Hipócrates (s/d) prescrevia a desintoxicação como medida terapêutica e alertava que o consumo de alimentos durante a enfermidade implicava em “alimentar a doença”. Ou seja, a frugalidade pode ser um impulso para a cura e a desintoxicação segue essa premissa.
Quando fracionam as refeições e nos alimentamos normalmente, submetemos o organismo a estímulos cerebrais constantes que influenciam na digestão e no descanso pós e inter-prandial.
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O organismo se ajusta a uma baixa ingestão calórica por tempo moderado, pois o estímulo cerebral provocado pela ingestão constante de alimentos é modificado. De forma geral, as dietas de baixa caloria trazem um bem-vindo repouso fisiológico ao aparelho digestivo e ao sistema nervoso central. Durante a desintoxicação os órgãos e tecidos mobilizam os nutrientes - glicose do fígado, gordura dos depósitos subcutâneos e proteína dos músculos e glândulas - para manter em condições normais a circulação do sangue e as funções vitais do coração e do cérebro. A desintoxicação ajuda a mobilizar a gordura acumulada nos vasos sangüíneos, a qual impede a oxigenação adequada dos tecidos. Por isso, a desintoxicação maximiza tal oxigenação e provoca uma sensação de “leveza” e acuidade mental.
Após um processo de desintoxicação observa-se nas pessoas magras uma perda inicial de peso seguida de um estado de melhor aproveitamento dos nutrientes e posterior equilíbrio do peso corporal, a partir da reintrodução do cardápio normal.

Para o obeso, com tal intervenção, a perda inicial de peso pode servir de impulso básico para a melhora da sua auto-estima e para a continuidade do tratamento - que prevê dietas de baixa ingestão calórica. Esse impulso pode ser o início de uma verdadeira reeducação alimentar. O paciente, ao se conscientizar das causas do desequilíbrio, pode finalmente começar a trabalhar sobre elas e buscar uma forma de alimentação mais equilibrada.


As dietas de desintoxicação são indicadas em casos de obesidade associada à mudança de hábitos alimentares (normalmente os obesos vegetarianos e os pacientes que relatam querer “mudar os hábitos alimentares” são mais receptivos à dieta). São também recomendadas após o tratamento prolongado com medicamentos alopáticos, no tratamento de doenças de pele, da constipação crônica e das disfunções hepáticas.
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Tais dietas não são recomendadas para crianças e jovens abaixo de 15 anos, pacientes com intensa debilidade física e mental ou em tratamento alopático de doenças crônico-degenerativas (diabetes, doenças cardiovasculares, câncer). Também não se aplicam à mulheres no período menstrual, grávidas e lactantes.
A seguir apresenta-se um resumo dos aspectos que podem responder a questão: quais os objetivos de uma dieta de desintoxicação?
Eliminar as toxinas acumuladas no organismo;
Iniciar um processo de mudança de hábitos alimentares;
Regularizar o peso corporal;
Sentir-se melhor física, mental e emocionalmente;
Otimizar o funcionamento do sistema digestório;
Reduzir a pressão arterial e os níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue;
Estimular processo de cura de doenças crônicas;
Regularizar os intestinos e estimular o metabolismo;
Melhorar a qualidade do sono;
Aguçar os sentidos e ativar processos mentais
Durante a dieta os pacientes podem manter atividade física moderada, com possibilidade de ter momentos de repouso durante o dia. Caminhadas diárias e atividades ao ar livre são especialmente recomendadas. É preciso considerar efeitos colaterais iniciais de leve intensidade. Dores de cabeça, enjôos e tonturas podem ocorrer porque as toxinas dos tecidos adiposos começam a ser mobilizadas e entram na circulação.
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A mudança do ritmo alimentar e a introdução de novos alimentos podem provocar diarréia ou constipação, mesmo que a dieta seja laxativa. Esses sintomas tendem a melhorar após o terceiro dia, sob o estado de repouso e com o aumento da ingestão de líquidos. A dieta deve ser interrompida se os sintomas persistirem ou se agravarem. Ressalta-se que o paciente deve ter a possibilidade de contatar seu terapeuta durante todo o período da dieta. Tal como no jejum, as dietas de desintoxicação apresentam melhores resultados quando o paciente segue concomitantemente outras terapias complementares, especialmente a aroma, a fito, a hidro e a geoterapia.
A dieta de desintoxicação pode ser um processo de cura e auto-percepção com grandes benefícios para o indivíduo deprimido ou que sofreu perdas anímicas. Serão apresentadas duas intervenções que objetivam a desintoxicação: a dieta de desintoxicação propriamente dita e a dieta dos sete cereais.

A dieta de desintoxicação de sete dias na realidade se estende a dez dias e começa isenta de alimentos fontes de proteína e nitrogênio, acidificantes do meio interno: leguminosas, carnes, leite integral e ovos. É constituída de alimentos com ação diurética e laxativa, que formam cinzas neutras e alcalinas: frutas, verduras e cereais integrais. Tal dieta começa liquida e passa posteriormente a uma consistência branda até chegar a uma consistência normal. Gradualmente, são introduzidos os derivados do leite que sofreram processos de acidificação (iogurte, coalhada e ricota) e a dieta termina lactovegetariana.


Os alimentos devem ser, sempre que possível, frescos e de origem integral orgânica. Vegetais com excesso de agrotóxicos e fora de época são totalmente desaconselhados. As frutas indicadas na dieta abaixo podem ser substituídas
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pelas frutas da época e os sucos devem ser frescos, de um só tipo de fruta, não peneirados e sem adição de açúcar, mel ou adoçantes. É preferível ainda utilizar frutas cujos sucos podem ser feitos sem adição de água (melancia, laranja, melão, por exemplo). O uso do sal marinho é permitido, em quantidades mínimas. As preparações e saladas devem ser temperadas com ervas condimentares frescas (15) (alecrim, manjericão, salsinha, cebolinha, tomilho, hortelã), shoyo e limão (para as saladas). Para as saladas utilizamos sempre as três partes da planta: uma raiz (cenoura, beterraba, rabanete, nabo), uma folha (acelga, agrião, espinafre, alface) e frutos, flores ou brotos (pepino, brotos de alfafa, de feijão, couve-flor, brócolis). Entre as folhas, o dente-de-leão, por ser diurético, laxante e hepático, é uma opção especialmente indicada e deve ser consumida durante os sete dias da dieta. O suco verde pode ser preparado com dente-de-leão, salsinha e folhas de couve mineira.
Para os chás, utilizam-se a bardana (Arctium Lappa) e a salsaparrilha (Smilax officinalis). A bardana é hipoglicemiante e diurética, usada para intoxicações por metais pesados. Também estimula a produção e liberação da bile, é calmante e depurativa e elimina o excesso de colesterol (LDL) e ácido úrico. A salsaparrilha é uma planta depurativa e diurética (Chevalier, 2005).

A quantidade dos alimentos é livre e só há restrição para o consumo de carboidratos. É essencial considerar a ingestão dos chás com ação digestiva, laxativa e diurética, como também a água (mínimo 1 litro por dia).


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(15) O tema do poder terapêutico das ervas condimentares pode ampliar a ação terapêutica das dietas de desintoxicação. Para conhecer tal ação, sugere-se consultar Dawson (1991).
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A dieta de desintoxicação de sete dias conta com a ação terapêutica de alimentos alcalinizantes do meio interno utilizados pela culinária tradicional japonesa e resgatados pela macrobiótica como a ameixa umeboshi, o missô (pasta fermentada de soja) e o gersal (16). Se houver dificuldade de obtenção, pode-se prescindir desses alimentos.
A ameixa umeboshi, de origem japonesa, tem sabor salgado e ácido, estimula o apetite e a digestão e ajuda a manter o pH natural do organismo. É preparada com folhas de shiso, um condimento japonês, num processo de picles, obtendo-se a cor avermelhada e sua ingestão na dieta macrobiótica é recomendada em casos de desintoxicação do organismo, gripe, cansaço físico, náusea e febre. Pode ser usada como alimento ou medicamento.
O missô é uma pasta de soja fermentada, rica em proteína, feita de feijão de soja, com a adição de cevada ou arroz. É usada em sopas e como tempero salgado e, segundo a macrobiótica, tem a função de regular a circulação sanguínea e a digestão.
O shoyo é um molho de soja fermentada, feito com grãos de trigo e de soja, água e sal marinho, num longo processo de fermentação natural que pode levar até dezoito meses, quando se deseja a obtenção de alguns tipos de molhos de alta qualidade.
O gersal é um condimento bastante comum na alimentação macrobiótica. É indicado para regularizar a digestão e o pH do organismo. É obtido a partir de sementes de gergelim integrais (normalmente as de cor preta), selecionadas e tostadas com o sal marinho (na proporção de nove partes de gergelim para uma parte de sal).
Início da Nota de rodapé
(16) Ver no item 2.2.20 conceito de alimentos acidificantes e alcalinizantes do meio interno. Para maiores informações sobre a macrobiótica consultar Varatojo (2004).
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A combinação oferece boa quantidade de óleo insaturado além de lecitina, proteínas, vitamina E e do complexo B, fibras e alguns minerais como o cálcio, o fósforo, o ferro, o magnésio, o cromo, o cobre e o iodo.
Antes e após o término da intervenção dietética, orienta-se manter uma dieta exclusiva lacto - vegetariana integral orgânica (vegetais, leite, iogurte e ricota) por três dias, totalizando assim treze dias de intervenção. Carnes, ovos, leguminosas, açúcar, café, chá preto, doces e alimentos industrializados são recomendados somente após o décimo quarto dia, introduzindo-os em porções pequenas, um a cada dia.
Os horários indicados não são rígidos, mas durante o programa de desintoxicação é importante dormir pelo menos 8 horas durante a noite e enfatiza-se a importância de um fracionamento regular das refeições. Não se deve ultrapassar o horário das 22h30 para dormir, nem fazer a última refeição depois das 20 horas.
DIETA DE DESINTOXICAÇÃO DE 7 DIAS
(receitas abaixo)
Primeiro dia: Dia de Líquidos
Ao acordar: Chá por infusão das sementes e das folhas de bardana (Arctium lappa) ou folhas de salsaparrilha (Smilax officinalis) e 1 ameixa umeboshi
8h: Suco de folhas verde-escuras com gotas de limão
10h: Suco de frutas (mamão, melancia, melão ou laranja)
12h: Sopa de verduras
20 a 30 minutos após o almoço: 1 xícara de chá por infusão de folhas de carqueja (Baccharis trimera), boldo-do-Chile (Pneumus boldus), menta ou hortelã (Mentha piperita) ou dente-de-leão (Taraxacura officinale)
15h: Suco de frutas da época (mamão, melancia, melão ou laranja)

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18h: Sopa de verduras
20h: Suco de ameixa preta
Antes de dormir: uma xícara de chá por infusão de flores de camomila (Matricaria recutita), de sementes erva-doce ou anis (Pinipinella anisum), folhas de funcho (Foeniculum vulgare), flores de macela (Achyroctine satureoides) ou folhas de melissa (Melissa officinalis)
Segundo dia

Ao acordar: Chá por infusão das sementes e das folhas de bardana (Arctium lappa) ou folhas de salsaparrilha (Smilax officinalis) e 1 ameixa umeboshi


8h: Suco de folhas verde-escuras com gotas de limão.
10h: Suco de frutas (mamão, melancia, melão ou laranja)
12h: Sopa de verduras
1 colher de sopa de arroz integral ou painço ou 1 torrada de arroz integral
20 a 30 minutos após o almoço: 1 xícara de chá por infusão de folhas de carqueja (Baccharis trimera), boldo-do-Chile (Pneumus boldus), menta ou hortelã (Mentha piperita) ou dente-de-leão (Taraxacuni officinale)
15h: Suco de frutas (mamão, melancia, melão ou laranja)
18h: Sopa de verduras
1 colher de sopa de arroz integral ou painço ou 1 torrada de arroz integral
20h: Suco de ameixa preta
Antes de dormir: Uma xícara de chá por infusão de flores de camomila (Matricaria recutita), de sementes de erva-doce ou anis (Pimpinell anisum), folhas de funcho (Foeniculum vulgare), flores de macela (Achyrocline satureoides) ou folhas de melissa (Melissa officinalis)
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Terceiro dia
Ao acordar: Chá por infusão das sementes e das folhas de bardana (Arctium lappa) ou folhas de salsaparrilha (Smilax officinalis) e 1 ameixa umeboshi

8h: Suco de folhas verde-escuras com gotas de limão


10h: Suco de frutas (mamão, melancia, melão ou laranja)
12h: Caldo de missô
1 colher de sopa de arroz integral ou painço ou 1 torrada de arroz integral
20 a 30 minutos após o almoço: 1 xícara de chá por infusão de folhas de carqueja (Baccharis trimera), boldo-do-Chile (Pneumus boldus), menta ou hortelã (Mentha piperita) ou dente-de-leão (Taraxacum officinale)
15h: Suco de frutas (mamão, melancia, melão ou laranja)
18h: Sopa de verduras ou creme de verduras
1 colher de sopa de arroz integral ou painço ou 1 torrada de arroz integral
20h: Fruta doce (maçã, mamão, manga, pêra, banana) Antes de dormir: Uma xícara de chá por infusão de flores de camomila (Matricaria recutita), de sementes de erva-doce ou anis (Pimpinella anisum), folhas de funcho (Foenicislum vulgare), flores de macela (Achyrocline satuoides) ou folhas de melissa (Melissa officinalis)
Quarto dia (dia do iogurte)
Ao acordar: Chá por infusão das sementes e das folhas de bardana (Arctium lappa) ou folhas de salsaparrilha (Smilax officinalis) e 1 ameixa umeboshi
8h: Bircher Musli
10h: Suco de frutas ou de folhas verdes
12h: Salada de verduras cruas
Arroz integral: 4 colheres de sopa com gersal
20 a 30 minutos após o almoço: 1 xícara de chá por infusão
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de folhas de carqueja (Baccharis trimera), boldo-do-Chile (Pneumus boldus), menta ou hortelã (Mentha piperita) ou dente-de-leão (Taraxacum officinale)
15h: Fruta doce ou suco de fruta
18h: Sopa de verduras ou creme de verduras ou caldo de missô
1 colher de sopa de arroz integral ou painço ou 1 torrada de arroz integral
20h: Fruta doce (maçã, mamão, manga, pêra, banana) Antes de dormir: Uma xícara de chá por infusão de flores de camomila (Matricaria recutita), de sementes de erva-doce ou anis (Pimpinella anisum), folhas de funcho (Foeniculum vulgare), flores de macela (Achyrocline satureoides) ou folhas de melissa (Melissa officinalis)
Quinto dia
Ao acordar: Chá por infusão das sementes e das folhas de bardana (Arctiurn lappa) ou folhas de salsaparrilha (Smilax officinalis) e 1 ameixa umeboshi
8h: Bircher Musli
10h: Suco de frutas ou de folhas verdes
12h: Salada de verduras cruas
Arroz integral: 4 colheres de sopa com gersal Abóbora refogada com alho

20 a 30 minutos após o almoço: 1 xícara de chá por infusão de folhas de carqueja (Baccharis trimera), boldo-do-Chile (Pneumus boldus), menta ou hortelã (Mentha piperita) ou dente-de-leão (Taraxacum officinale)


15h: Fruta doce ou suco de fruta
18h: Sopa de verduras ou creme de verduras ou caldo de missô
1 colher de sopa de arroz integral ou painço ou 1 torrada de arroz integral
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20h: Fruta doce (maçã, mamão, manga, pêra, banana) Antes de dormir: Uma xícara de chá por infusão de flores de camomila (Matricaria recutita), de sementes de erva-doce ou anis ( Pimpinella anisum), folhas de funcho (Foeniculurn vulgare), flores de macela (Achyrocline satureoides) ou folhas de melissa ( Melissa officinalis)
Sexto dia (dia da ricota)
Ao acordar: Chá por infusão das sementes e das folhas de bardana (Arctium lappa) ou folhas de salsaparrilha (Smilax officinalis) e 1 ameixa umeboshi
8h: Bircher Musli
10h: Suco de frutas ou de folhas verdes
12h: Salada de verduras cruas
Arroz integral: 4 colheres de sopa com gersal Abobrinha recheada com ricota

20 a 30 minutos após o almoço: 1 xícara de chá por infusão de folhas de carqueja (Baccharis trimera), boldo-do-Chile (Pneumus boldus), menta ou hortelã (Mentha piperita) ou dente-de-leão (Taraxacum officinale)


15h: Fruta doce ou suco de fruta

18h: Sopa de verduras ou creme de verduras ou caldo de missô


1 colher de sopa de arroz integral ou painço ou 1 torrada de arroz integral
20h: Fruta doce (maçã, mamão, manga, pêra, banana)
Antes de dormir: Uma xícara de chá por infusão de flores de camomila (Matricaria recutita), de sementes de erva-doce ou anis (Pinipinella anisum), folhas de funcho (Foeniculum vulgare), flores de macela (Achyrocline satureoides) ou folhas de melissa (Melissa officinalis)
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Sétimo dia
Ao acordar: Chá por infusão das sementes e das folhas de bardana (Arctium lappa) ou folhas de salsaparrilha (Smilax officinalis) e 1 ameixa umeboshi
8h: Bircher Musli
10h: Suco de frutas ou de folhas verde-escuras
12h: Salada de verduras cruas
Tabule de forno com ricota - 4 colheres de sopa
20 a 30 minutos após o almoço: 1 xícara de chá por infusão de folhas de carqueja (Baccharis trimera), boldo-do-Chile (Pneums boldus), menta ou hortelã (Mentha piperita) ou dente-de-leão (Taraxacum officinale)
15h: Fruta doce ou suco de fruta
18h: Sopa de verduras ou creme de verduras ou caldo de missô
1 colher de sopa de arroz integral ou painço ou 1 torrada de arroz integral
20h: Fruta doce (maçã, mamão, manga, pêra, banana) Antes de dormir: Uma xícara de chá por infusão de flores de camomila (Matricaria recutita), de sementes de erva-doce ou anis (Pimpinella anisum), folhas de funcho (Foeniculum vulgare), flores de macela (Achyrocline satureoides) ou folhas de melissa (Melissa officinalis)
Receitas
Sopa de verduras: Em uma panela grande refogar com pouco óleo as verduras (aipo, quiabo, erva-doce, cenoura, batata-salsa inhame, abóbora, beterraba, chuchu, abobrinha) e cebola. Cobrir com água. Levar ao fogo baixo por 40 minutos. Acrescentar couve-flor, repolho, brócolis, folhas em geral e ervas frescas. Deixar cozinhar por mais 10 minutos e servir, O alho deveria ser adicionado após o cozimento, pois seus principios ativos, a aliina e alicina são termolábeis.
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Sopa creme de verduras: Utilizar somente um ou dois tipos de verduras (cenoura e alho-poró, milho e batata-salsa, abóbora e cebola). Cozinhar e bater no liquidificador fazendo uma sopa creme para variar sabores do jantar.
Suco verde: bater no liquidificador folhas de couve, de espinafre, de salsinha, de cenoura ou beterraba com um copo de água. Coar e acrescentar gotas de limão. Tomar em seguida.
Caldo de missô: refogar verduras variadas (brócolis, abobrinha, cenoura, repolho, cebola) com pouco óleo e acrescentar 1 litro de água. Desligar o fogo e acrescentar uma colher de sopa de missô e uma de shoyo. Sirva a seguir.
Bircher Musli: deixar de molho, durante a noite, duas a três colheres de sopa de aveia com uma colher de sopa de linhaça (cobrir a mistura, sem excesso de água). De manhã, acrescentar um pote de iogurte natural integral, uma colher de chá de mel e uma maçã média ralada crua.

Suco de ameixa preta: deixar três a quatro ameixas de molho em um copo de água por 4-6 horas. Depois bater tudo no liquidificador, sem as sementes.


Abobrinha recheada com ricota: cortar a abobrinha no sentido longitudinal e retirar a polpa com uma colher de sobremesa. Refogar essa polpa com pouco óleo, cebola ou alho, deixar esfriar e misturar duas colheres de sopa de ricota. Rechear as abobrinhas e levar ao forno para dourar.
Tabule de forno: deixar ½ xícara de trigo para quibe de molho; retirar a água e acrescentar verduras variadas (cenoura, cebola, couve-flor, pimentão) com ervas frescas, azeite de oliva e duas colheres de sopa de ricota. Levar ao forno para gratinar.
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Outra proposta de desintoxicação é a dieta de sete cereais, baseada no consumo variado de cereais distribuídos durante uma semana (17).
Os cereais integrais - milho, trigo, arroz, cevada, centeio, painço e aveia podem ser considerados a base de uma dieta saudável, especialmente devido ao seu equilíbrio de nutrientes. São alimentos da família das gramíneas, cujo cultivo remonta à época do início da agricultura. Os cereais mais conhecidos estão distribuídos harmoniosamente nas diferentes regiões do mundo indicando uma íntima relação com a atividade humana. O cereal original da cultura americana é o milho. No Extremo Oriente - Índia, Japão e China - o cereal mais consumido é o arroz. A aveia é o cereal dos pólos e o painço da África. Da Europa Central e da região do Mediterrâneo provêm o trigo, o centeio e a cevada.
Os cereais integrais têm boa quantidade de fibras, minerais e vitaminas do complexo B, além de conter carboidratos, proteínas e gorduras, constituindo-se em alimentos equilibrados para o adulto, assim como o leite é a base da alimentação infantil.
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(17) Curiosamente, o estudo da astrologia sugere uma relação milenar do cereal com o ser humano. Nos estudos compilados por Udo Renzenbrink (1989), cada dia da semana tem a influência de um determinado astro e é representado por um cereal. Domingo, do inglês Sunday, é o dia do Sol e o cereal que o representa é o trigo, o qual não suporta a umidade. Segunda-feira, do inglês Monday, é o dia da lua, que influencia as marés e as águas, base do cultivo do arroz, cereal com intima relação com este elemento. E assim muitas relações se sucedem: terça-feira, Martes em espanhol, é dia de Marte, cujo cereal é a cevada. Quarta-feira, Miércoles, é dia do painço, cereal base do povo africano, alegre e agitado como o deus Mercúrio, simbolizado com asas nos pés. Júpiter influencia a quinta-feira, Jóvenes, o dia do centeio. Sexta-feira, em inglês Friday é dia de Vênus ou da deusa Fraia, deusa do amor, cujo cereal é a aveia. Sábado, em inglês Saturday, expressa a força de Saturno, a influência do passado e das raízes dos povos ameríndios que plantavam o milho. Nessa perspectiva, variar os cereais seria urna forma de estimular as forças planetárias em nosso organismo.
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O estudo dos cereais e sua ação no organismo ainda pede uma extensa área de pesquisa que amplie e valorize sua ação terapêutica. A seguir, serão apresentados alguns aspectos dos cereais e sua ação terapêutica, segundo estudos antroposóficos de Udo Renzenbrink (1989), com base na observação das plantas na natureza e suas característica (18).
Arroz: cereal com estreita relação com o elemento água e com a fertilidade (relação presente no costume de jogar arroz aos recém-casados). O grão destaca-se pelo elevado valor nutritivo, alto teor de vitamina B e facilidade de digestão. O arroz atua nos fluidos corporais e estimula a diurese, pois tem baixo teor de sódio. Tem ação constipante, especialmente em bebês. A ação do arroz no organismo pode ser percebida nos sistemas de excreção e de regeneração.
Cevada: cereal com alto teor de silício expresso, na estreita afinidade com a luz e calor. O processo de calor do grão se expressa na formação do açúcar (maltose). O alto conteúdo de vitamina B e silício estimula o metabolismo da glicose celular. A cevada estimula as funções do sistema nervoso e favorece a capacidade de concentração, além de fortalecer tecidos conjuntivos, tendões e discos intervertebrais. Contém beta-glucanas, fibras que estimulam a excreção do excesso de glicose e colesterol. Sua mucilagem atua no sistema digestivo e hepático e é emoliente para doenças inflamatórias respiratórias e pulmonares.
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(18) Esse tipo de observação relacional da natureza e das plantas foi explicado no capítulo 1 do livro.
Fim da nota de rodapé
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Painço: a planta precisa de clima seco e quente e fornece um grão rico em silício que estimula as funções da pele, os órgãos dos sentidos e os processos calóricos do organismo. Importante na dieta de prevenção do câncer e nas dietas de desintoxicação.
Centeio: observa-se na planta, cultivada em lugares altos e frios, um forte processo de “mineralização” percebido através da intensa formação radicular, no elevado crescimento e nas poderosas espigas. É o cereal mais pobre em vitamina B e rico em Potássio e oligoelementos com efeito favorável sobre o fígado, o metabolismo hidríco e a musculatura.
Aveia: o grão precisa de frio e cresce em climas temperados onde desenvolve um processo ígneo expresso no seu maior conteúdo de gorduras. A aveia estimula a produção de insulina pelo pâncreas. É rica em ácido linóico, magnésio, cálcio, vitamina E e fibras (betaglucanas) de ótima qualidade que atuam na excreção do excesso de colesterol e glicose. Também contém fenóis de atividade antioxidante inibidores da ação da LDL. A aveia, por sua relação com o calor, age no pólo metabólico, na formação do sangue e estimula as funções intestinais.
Milho: o crescimento dos grãos é maciço; a sua espiga é afundada no território foliar, expressando forte ligação com a terra. A planta tem relação com climas quentes, Q milho tem vitamina A e alto teor de açúcar, o que fornece força muscular e resistência, tão necessárias aos povos andinos. É o cereal de mais difícil digestão e o uso de condimentos o tornam mais digerível. Os locais de ação do milho são o sistema nervoso e os OSSOS.
Trigo: cereal cujo cultivo é amplamente disseminado no mundo. É de fácil digestão e faz parte de diversas dietas. Tem intensa relação com o calor e o sol e não tolera a umidade É rico em cálcio e vitamina B. Seus principais locais de ação são o coração e a circulação sanguínea.
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A dieta dos sete cereais tem a mesma função de desintoxicar e estimular as funções digestivas e todo o organismo, graças ao equilíbrio dos grãos e sua ação terapêutica. É indicada em processos de restabelecimento de doenças degenerativas, problemas digestivos crônicos (cujas síndromes de má absorção tenham sido descartadas) e na inapetência (depois de uma perda inicial de peso, com a intervenção o paciente passa a absorver melhor os alimentos e pode ser estimulado a equilibrar o consumo dos mesmos). A dieta serve de estimulo para iniciar uma mudança de hábitos alimentares e pode ser usada também como auxiliar no tratamento da obesidade.
A dieta é composta de cereais, frutas, verduras e iogurte natural. Pode-se usar ervas condimentares, azeite de oliva, limão e sal marinho, bem como uma pequena quantidade de mel. As frutas, verduras e chás indicados têm ação semelhante à dos cereais, mas em caso de dificuldade de obtenção ou preparação, utilizar frutas e verduras orgânicas ou da época. Beber pelo menos 1,5 litros de água por dia, entre as refeições, em pequenos goles.

Como no caso da dieta de sete dias, a reintrodução de alimentos é gradual, e durante os três dias que antecedem seu início, bem como nos três dias depois do seu término, manter uma dieta exclusiva lactovegetariana integral orgânica (vegetais, leite, iogurte e ricota); introduzir gradualmente carnes, ovos, leguminosas, açúcar, café, chá preto e doces após o décimo dia.


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DIETA DOS SETE CEREAIS
SEGUNDA-FEIRA
Dia do arroz integral
Cozinhar l50g de arroz integral, sem sal. Dividir em três porções.

Desjejum
Misturar a primeira porção de arroz com iogurte natural, mamão e uma colher sobremesa de mel.


Lanche
Suco de melancia ou melão
Almoço
Salada crua de pepino, alface e beterraba. Usar azeite de oliva, limão e pouco sal para temperar.
Temperar a segunda porção de arroz com pouco sal, óleo de oliva, alho-poró, salsinha e chuchu.
Lanche
Suco de melancia ou melão
Jantar
Sopa de verduras variadas (alho-poró, salsinha, chuchu, salsão, erva-doce, cenoura) acrescida da terceira porção de arroz.
Chá entre as refeições: cavalinha (Equisetum arvense), que tem ação sobre o sistema renal.
TERÇA-FEIRA
Dia da cevada
Cozinhar l50g de cevadinha em grão, sem sal. Dividir em três porções.
Desjejum
Misturar a primeira porção de cevadinha com iogurte natural, maçã, nozes e uma colher sobremesa de mel.
Lanche
Suco de tangerina
Almoço
Salada crua de folhas verdes e raízes (cenoura, beterraba, rabanete). Usar azeite de oliva, limão e pouco sal para temperar.

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Temperar a segunda porção de cevadinha com pouco sal, azeite de oliva, cebola, salsão e cenoura.
Lanche
Suco de tangerina
Jantar
Sopa de cenoura com alho-poró acrescida da terceira porção de cevadinha

Chá entre as refeições: erva-doce ou anis (Pimpinetta anisum), que tem ação sobre o sistema digestório.


QUARTA-FEIRA
Dia do painço
Cozinhar 150g de painço em grão, sem sal. Dividir em três porções.
Desjejum
Misturar a primeira porção de painço com iogurte natural, banana e uma colher sobremesa de mel.
Lanche
Suco de uva orgânico
Almoço
Salada crua de folhas verdes e raízes (cenoura, beterraba, rabanete). Usar azeite de oliva, limão e pouco sal para temperar.
Temperar a segunda porção de painço com pouco sal, azeite de oliva, brócolis e cebola.
Lanche
Suco de uva orgânico
Jantar
Sopa de abóbora com tomate e alho acrescida da terceira porção de painço
Chá entre as refeições: Chá de unha de gato (Uncaria tomentosa), que tem ação antineoplásica.
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QUINTA-FEIRA
Dia do centeio
Cozinhar 150g farinha de centeio em água, como um mingau. Dividir em três porcões.
Desjejum
Misturar a primeira porção do mingau com iogurte natural, banana e uma colher sobremesa de mel.
Lanche
Suco de morango orgânico
Almoço

Salada crua de folhas: rúcula, agrião e alface. Usar azeite de oliva, limão e pouco sal para temperar.


Temperar a segunda porção do mingau com pouco sal, óleo de oliva, abóbora e zimbro (condimento).
Lanche
Suco de morango orgânico
Jantar
Sopa de batata-salsa e cenoura acrescida da terceira porção do mingau.

Chá entre as refeições: chá de dente-de-leão (Taraxacum officinale), que tem ação sobre o sistema hepático.


SEXTA-FEIRA
Dia da aveia
Cozinhar 50g de aveia em grão e deixar 100g de aveia em flocos de molho, em pouca água, da noite para o dia. Dividir os flocos em duas porções.
Desjejum
Misturar a primeira porção de flocos de aveia amaciados com iogurte natural, maça ralada, passas e uma colher sobremesa de mel.
Lanche
Suco de mamão

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Almoço
Salada crua de folhas verdes e raízes (cenoura, beterraba, rabanete). Usar azeite de oliva, limão e pouco sal para temperar.
Temperar a aveia em grão com pouco sal, azeite de oliva, com verduras variadas.

Lanche
Suco de mamão


Jantar
Sopa de verduras variadas acrescida da segunda porção de aveia em flocos

Chá entre as refeições: camomila (Matricaria recutita), que tem ação sobre o intestino.


SÁBADO
Dia do milho
Cozinhar 150 g milho quebrado (quirera) ou fubá em água, sem sal e dividir em três porções.
Desjejum
Misturar a primeira porção de milho com iogurte natural, mamão e uma colher sobremesa de mel.
Lanche
Suco de laranja com cenoura
Almoço

Salada crua de folhas verdes e raízes (cenoura, beterraba, rabanete). Usar azeite de oliva, limão e pouco sal para temperar.


Temperar o milho com pouco sal e misturar com molho de tomate temperado com manjericão e azeite de oliva.
Lanche
Suco de laranja com cenoura
Jantar
Sopa de verduras variadas acrescida da segunda porção de aveia em flocos
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Chá entre as refeições: alecrim (Rosmarinus officinalis), que tem ação sobre o sistema nervoso
DOMINGO
Dia do trigo
Cozinhar 150 g de trigo em grão ou triguilho em água. Dividir em duas porções.
Desjejum
Misturar a primeira porção com iogurte natural, morango e urna colher sobremesa de mel.
Lanche
Suco de maçã Almoço

Salada crua de alface, beterraba e pepino. Usar azeite de oliva, limão e pouco sal para temperar.


Temperar a segunda porção de trigo em grão com pouco sal, azeite de oliva e verduras variadas.
Lanche
Suco de maçã Jantar
Sopa de verduras variadas acrescida da terceira porção de trigo
Chá entre as refeições: gengibre (Zingiber officinale), que teto ação sobre o sistema circulatório.
2.2.2. Dietas Dissociativas
As dietas dissociativas preconizam a ingestão de combinações alimentares específicas, As mais conhecidas são a alimentação dissociada segundo Hay e a linha higienista americana Fitonics for Life, ambas baseadas na combinação de certos nutrientes (Walb, 1985; Diamond; Scnell, 1998),
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O enfoque central de tais dietas repousa no conceito de alimentos alcalinizantes e acidificantes do meio interno e na ação dissociada dos alimentos de sabor e pH ácidos e alcalinos.
O termo “alimentos que alcalinizam ou acidificam o sangue”, utilizado em algumas formas de Medicina Tradicional, não é correto, pois o consumo do alimento em si não acidifica ou alcaliniza o pH interno do organismo. Para realizar a função de equilibrar o pH interno, existem os sistemas tampões. Eles são a combinação de um ácido fraco com um sal. Tais sistemas minimizam as alterações de pH durante a digestão e são responsáveis pelo processo de neutralização do excesso de ácidos produzido pelo metabolismo - causado basicamente por uma alimentação rica em proteínas e pobre em minerais - e mantêm o pH do sangue na faixa ideal de 7,35 - 7,4. A ausência de minerais na dieta ou uma alimentação excessivamente rica em proteína pode ocasionar uma extenuação desses sistemas, uma vez que uma dieta eminentemente acidificante exige uma atividade intensa dos mesmos para manter o sangue no seu pH ideal. Os indivíduos normais e saudáveis sempre mantêm um pH ligeiramente alcalino no sangue e em outros tecidos, apesar da dieta.
Os alimentos podem ser acidificantes, alcalinizantes e neutros. Os alimentos acidificantes são aqueles que produzem cinzas ácidas durante a digestão, como carnes, peixes, ovos, leguminosas e queijos não-fermentados. Entre os alimentos que produzem cinzas neutras estão o sal e o açúcar integral, as gorduras e os óleos em geral. Os cereais, quando equilibrados no seu teor de minerais, ou seja, integrais, e o leite integral também tendem a produzir cinzas mais neutras. Se os mesmos forem refinados ou desnatados passam a produzir cinzas levemente ácidas. Os alimentos alcalinizantes do meio interno são aqueles que produzem cinzas alcalinas como as frutas (mesmo as ácidas) e as verduras.

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Os alimentos fontes de proteína são ricos em aminoácidos e os produtos finais de seu catabolismo podem interferir na função dos rins. A filtracão renal exige um pH alcalino. Como o próprio nome já diz, o excesso de aminoácidos das proteínas, bem como seus produtos catabólitos, ricos em fósforo, ferro e enxofre, podem acarretar aumento de acidez no sistema e formar produtos como os ácidos sulfúrico e fosfórico, que aumentam também a acidez urinária. Para equilibrar, ou seja, neutralizar essa acidez, os sistemas tampões do organismo acabam por mobilizar minerais, especialmente cálcio dos ossos, para reagir com gás carbônico no sangue e formar bicarbonato de cálcio, trazendo de volta a alcalinidade necessária à filtração do excesso de proteínas e à manutenção desses sistemas. Por isso, alerta-se para o fato de que o excesso de proteína animal no organismo pode levar à sobrecarga renal e à disfunções relacionadas com a carência de minerais.

Os vegetais têm influência no equilíbrio ácido-básico da dieta por sua grande concentração de minerais e capacidade de formar bicarbonato. Pode-se, assim, associar uma ingestão adequada de verduras ao correto funcionamento dos sistemas tampões do organismo. Na ausência de fontes de vegetais na dieta, quando há excesso de alimentos refinados (como o açúcar e os cereais) e de proteína animal, o organismo tende à acidificação. O médico suíço Bircher Benner (1961) alerta que as hortaliças restauram um equilíbrio ácido-básico favorável, após a combustão dos alimentos, de uma maneira mais rápida e efetiva que qualquer outro tipo de alimento.



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A idéia da dissociação de certos nutrientes e alimentos - como carboidrato, proteína, frutas ácidas e alcalinas - baseia-se também na fisiologia da digestão. Os carboidratos iniciam sua digestão na boca, em meio alcalino, sob ação da enzima ptialina. No estômago, o meio ácido inibe a ação da ptialina e é o momento da digestão das proteínas. A partir dessa premissa, uma fruta ácida, como o abacaxi, inibiria a ação da ptialina e, por isso, é desaconselhada a ingestão concomitante de carboidratos e frutas ácidas. Segundo os adeptos da dieta dissociativa, a digestão de uma refeição à base de carboidratos e proteína tende a ser mais demorada, com maior sobrecarga para os órgãos digestivos e com maior gasto de energia.
A dieta recomenda a combinação de uma fonte de proteína (peixe, carnes, aves, ovos, queijos, leguminosas) com vegetais e saladas pobres em carboidratos, ou uma fonte de carboidratos complexos (pães, massas, batatas, cereais integrais) com saladas e verduras. Frutas doces e ácidas devem ser ingeridas separadamente para evitar fermentação, e carnes, leite e derivados têm restrições quanto ao seu consumo regular. Orienta-se um intervalo de três a quatro horas entre a ingestão de carboidratos e de proteínas para propiciar o esvaziamento correto.
É bom lembrar que muitos alimentos contêm, em sua forma natural, combinações de nutrientes. Os cereais e o leite, por exemplo, são fontes de proteínas, carboidratos, gorduras, vitamina e minerais e o nosso organismo é capaz de digeri-los. As preparações culinárias e as misturas alimentares fazem parte da vida cultural do ser humano, mas não se questiona que quanto mais simples for a refeição e as preparações, mais efetivo é o processo digestivo.
As dietas dissociativas, que supervalorizam ou restringem totalmente determinados nutrientes devem ser questionadas. A dieta do Dr. Atkins - à base de alimentos
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fonte de proteína animal e gorduras - e todas as prescrições livres de carboidratos (low carb eating plans) também podem entrar nesse contexto de dissociação de nutrientes. Correntes como estas preconizam o consumo de fontes de proteínas e gorduras, restringindo o consumo de carboidratos durante muito tempo. Sabe-se que a combinação de alimentos fonte de proteína e gordura durante muito tempo acidifica o meio interno, desequilibra o sistema tampão do organismo, exaurindo os órgãos de desintoxicação, especialmente os rins. Todos os nutrientes cumprem funções essenciais e agem de forma inter- relacionada no organismo. Algumas restrições de nutrientes podem ser utilizadas em casos de dietoterapia específica, por curto período de tempo, sob orientação nutricional.
Não se estimula utilizar as dietas dissociativas como um modelo alimentar regular, mas elas têm êxito no tratamento de casos de distúrbios digestivos prolongados (constipação, azia, acidez), desde que causas alérgicas e síndromes do aparelho digestivo tenham sido descartadas. Também podem ser utilizadas em casos de controle de peso, de forma a estimular o metabolismo do paciente pela alternância do pH dos alimentos. E finalmente, são recomendadas em caso de infecções urinárias recorrentes, pois a variação alternada do pH da urina - por causa do consumo alternado de alimentos acidificantes ou alcalinizantes do meio interno - impede a proliferação das bactérias. A duração da dieta - seis ou dez dias - depende do estado geral e da disponibilidade do paciente.
Estimula-se usar temperos (cravo, canela, alho, cebola), ervas condimentares (salsinha, cebolinha, tomilho, orégano, manjericão), sal, azeite de oliva, e limão nas preparações, além de gersal, shoyo, missô e ameixa umeboshi, alimentos da culinária tradicional japonesa “alcalinizantes do meio interno”, ricos em minerais que estimulam os sistemas tampões e equilibram o pH do organismo.

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Como no jejum, nos dias de refeições à base de proteínas a pessoa entra em um estado de cetose. A cetose é um processo de eliminação de algumas substâncias nitrogenadas pelo organismo, entre as quais as cetonas, provenientes do metabolismo das gorduras. Estas substâncias são tóxicas para a célula, e sua presença pode ocasionar problemas como náuseas, enjôos, dor de cabeça. A cetose acontece quando o organismo, sem carboidratos para usar como fonte energética, utiliza os depósitos de gordura para fazê-lo. A utilização de chás diuréticos nesses dias é essencial para amenizar os efeitos de uma dieta rica em nitrogênio sobre as funções renais. O consumo de pelo menos 1 litro de água por dia é indispensável para manter a hidratação e evitar algum mal-estar decorrente do estado de cetose que se instala no organismo.
A seguir, um tipo de dieta dissociativa de dez dias que pode se restringir a seis dias alternados. O primeiro dia, à base de líquidos, é uma introdução ao “estado de dieta” e tem a função de preparar o paciente.
DIETA DISSOCIATIVA 10 DIAS
(ver receitas na dieta de desintoxicação no item 2.2.1)
1º DIA DE LÍQUIDOS (baixa atividade física)
Ao acordar: Chá por infusão das sementes e das folhas de bardana (Arctium lappa) ou folhas de salsaparrilha (Smilax officinalis) e 1 ameixa umeboshi
8h: Suco de folhas verde-escuras com gotas de limão.
10h: Suco de frutas (mamão, melancia, melão ou laranja)

12h: Sopa de verduras

Chá por infusão das sementes e das folhas de bardana (Arctum lappa) ou folhas de salsaparrilha (Smilax officinalis)

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15h: Suco de frutas da época (mamão, melancia, melão ou laranja)
18h: Caldo de missô
Chá por infusão das sementes e das folhas de bardana (Arctium Lappa) ou folhas de salsaparrilha (Smilax officinalis)
20h: Suco de ameixa preta
2°, 40, 6° e 8° e 10° DIAS
8h: 1 ovo pochê
20-30 minutos depois: Chá de cavalinha arvense) ou folha de abacate (Persea americana)
10h: 2 fatias de queijo branco
12h: Salada de folhas verdes (livre)
1 filé grande de peixe OU frango OU carne vermelha grelhados
20-30 minutos depois: Chá de cavalinha (Equisetum arvense) ou folha de abacate (Persea americana)
15h: 2 fatias de queijo branco
20-30 minutos depois: Chá de cavalinha (Equisetum arvense) ou folha de abacate (Persea americana)
18h: Sopa de lentilhas OU feijão OU ervilhas - 2 conchas Sobremesa: 1 colher sopa de doce de frutas( tipo goiabada) Antes de dormir: 1 xícara de chá por infusão de folhas de carqueja (Baccharis trimera), boldo-do-Chile (Pneumus boldus), menta ou hortelã (Mentha piperita) ou dente-de- leão (Taraxacum officinale)
3º, 5º, 7º, 9º DIAS
Ao acordar: 1 copo de suco de folhas verde-escuras e 1 ameixa umeboshi
8h: 1 pote de iogurte natural ou 1 copo de leite integral com mamão (ou fruta da época), sem açúcar.
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20 a 30 minutos após: 1 xícara de chã por infusão de flores de camomila (Matricaria recutita), de sementes erva-doce ou anis (Punpinella anisum), tolhas de funcho (Foeniculum vulgare), flores de macela (Achyrocline satureoides) ou folhas de melissa (Metissa ofticinalis)
12h: Salada crua livre
Arroz integral (4 col de sopa) com gersal para polvilhar OU Aipim / Batatas (2 unidades médias) OU Macarrão integral (4 colh sopa)
Verduras refogadas com pouco óleo (brócolis OU couve-flor OU abobrinha OU abóbora OU cenoura) - porção média
20 a 30 minutos após o almoço: 1 xícara de chá por infusão de folhas de carqueja (Baccharis trimera), boldo-do-Chile (Pneumus boldus), menta ou hortelã (Mentha piperita) ou dente-de-leão (Taraxacum officinale)
15h: Fruta OU Suco de Frutas
18h: Sopa de verduras OU Sopas creme (2-3 conchas) OU caldo de missô
Sobremesa: Fruta assada no forno (pêra, abacaxi, maçã ou banana) com canela e sem açúcar OU meia xícara de frutas secas (banana, passas, damasco, tâmaras)
Antes de dormir: 1 xícara de chá por infusão de folhas de carqueja (Baccharis trimera), boldo-do-Chile (Pneumus boldus), menta ou hortelã (Mentha piperira) ou dente-de- leão (Taraxacum officinale)
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3 - DOENÇAS DO METABOLISMO E GLÂNDULAS ENDÓCRINAS
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3. DOENÇAS DO METABOLISMO E GLÂNDULAS ENDÓCRINAS
3.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM HIPERGLICEMIA E HIPOGLICEMIA
A hiperglicemia e a hipoglicemia são disfunções que ocorrem a partir da alteração do metabolismo do açúcar.
3.1.1. Hiperglicemia
A hiperglicemia é a dificuldade do organismo em utilizar corretamente a glicose. É um sintoma central na diabetes, que é uma síndrome clínica caracterizada pela incapacidade de metabolizar carboidratos, conseqüência da redução da secreção ou eficácia da insulina produzida pelo pâncreas, ocasionando, além da hiperglicemia, a glicosúria (excreção de glicose pela urina).

No caso do diabetes, as manifestações podem aparecer na infância, juventude ou na idade adulta. Fatores genéticos, erros alimentares (excesso de consumo de açúcar), obesidade, fator viral e situações de estresse podem estar envolvidos na etiologia da doença. Os diabéticos podem sofrer com as repercussões da doença, como o aumento da suscetibilidade a infecções e as complicações vasculares degenerativas, como a arterosclerose e a microangiopatia, que afeta os rins e a visão (Krause; Mahan, 2005).


Na visão da Medicina Antroposófica, o pâncreas é um órgão intimamente associado à individualidade humana e às suas tendências espirituais (ver mais detalhes sobre o pâncreas na perspectiva da Medicina Antroposófica no capítulo 4). A sobrecarga proveniente da dieta e de atividades intelectuais e pouco criativas sobre as funções deste órgão pode explicar o aumento dos casos de diabetes.
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O tratamento do diabetes pode ser feito com a aplicação de insulina, com o uso de hipoglicemiantes orais e com a dieta. As atividades físicas, artísticas (dança, modelagem, cerâmica, pintura, canto), trabalhos manuais e jardinagem são excelentes componentes do tratamento do diabético que tem uma forte tendência intelectual.
Não será aqui abordada a dieta de pacientes diabéticos tratados com insulina ou hipoglicemiantes orais, pois eles necessitam de uma dieta quantitativamente equilibrada e adaptada às dosagens medicamentosas individuais e calculada por nutricionistas. Isso não impede que o consumo dos alimentos indicados abaixo para hiperglicemia possa ser estimulado no diabetes.
Nas crises de hiperglicemia é essencial diminuir as quantidades dos alimentos fonte de carboidratos, mas é muito importante também cuidar da sua qualidade. É preferível ingerir os di e polissacarídeos (cereais, pães, massas integrais, féculas, frutas e verduras - especialmente raízes), em vez dos monossacarídeos (xaropes, açúcar, doces concentrados, leite condensado). Os minerais e vitaminas, especialmente cromo, vanádio, fósforo, zinco e vitaminas do complexo B, são essenciais para o metabolismo dos açúcares. Por isso é importante inserir na dieta alimentos equilibrados em micronutrientes, como os de origem integral orgânica.
Os cereais integrais, especialmente a aveia e a cevada, são ricos em beta-glucanas, fibras que ajudam na excreção da glicose e na velocidade de absorção de carboidratos, evitando episódios recorrentes de hiperglicemia.
A batata yacon contém frutanos do tipo inulina que não necessitam de insulina para serem metabolizados. Estudos citados por Ferro (2006) apontam a ação hipoglicemiante da yacon, que pode ser ingerida crua.
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Lappinina e colaboradores (1964) indicam a bardana corno urna planta hipoglicemiante com propriedades de estimular a produção de insulina pelo pâncreas.
Orasseli et al (2001) indicam os frutos da lobeira (Solanum lycocarpum) no controle de alguns tipos de diabetes.
Cuidados nutricionais para hiperglicemia:
1. Evitar doces concentrados, leite condensado, doce de leite, xaropes, açúcar branco, queijos gordurosos, pães e farinhas refinadas, milho e derivados (preferir o milho verde), industrializados, bolachas recheadas, chocolates, massas, excesso de batatas, féculas e cereais, refrigerantes, álcool.
2. Evitar a combinação de duas ou mais fontes de carboidratos na mesma refeição.
3. Manter intervalo regular entre as refeições. Alimentar- se a cada 3 horas e não “beliscar” entre as refeições.
4. Os alimentos protéicos não têm contra indicação:ricota, queijo branco, leite integral, iogurte e coalhadas, ovos e carnes magras(2-3 x/sem).

5. Os cereais, massas e pães devem ser sempre integrais e devem ser utilizados com moderação.


6. Alimentos especialmente indicados (19): aveia e cevada, frutas e verduras sempre que possível cruas, frutas ácidas (especialmente o limão), sucos de folhas verdes, suco de goiaba, batata yacon, pó do fruto da lobeira, alface, brócolis, acelga, agrião, cebola, alho, alcachofra, berinjela, condimentos em geral especialmente o manjericão), shoyo, missô, caldos de verduras, sementes de linhaça, de gergelim e girassol, abacate e raízes como bardana, beterraba, rabanete e cenoura.
Início da Nota de rodapé
(19) O termo “alimentos especialmente indicados” aparece em várias recomendações desse livro. Indica-se que, durante o tratamento da enfermidade, pelo menos um desses alimentos deve estar presente em urna das refeições.
Final da nota de rodapé
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7. Inserir regularmente na dieta alimentos ricos em cromo (levedo de cerveja, cogumelo, aspargo, ameixa e nozes) e vanádio (mariscos, salsinha, cogumelos, peixes, nozes e ovos).


8. As plantas hipoglicemiantes indicados são: chá por infusão das folhas de pata de vaca (Bauhinia forficata), das folhas de gymnena (Gymnema sylvestris) e de alcachofra (Cynara scolymus).
9. Utilizar a planta Stévia como adoçante na forma de pó industrializado (puro) ou chás.
10. Em picos de hiperglicemia orienta-se seguir, durante um a dois dias, uma dieta crudista (sucos verdes, de frutas e saladas) focando nos alimentos do item 5 que puderem ser ingeridos crus (aveia, batata yacon, frutas e verduras).
9. Em picos de hiperglicemia orienta-se seguir, durante um a dois dias, uma dieta crudista (sucos verdes, de frutas e saladas) focando os alimentos do item 5 que puderem ser ingeridos crus (aveia, batata yacon, frutas e verduras).
3.1.2. Hipoglicemia
A hipoglicemia não é uma doença em si, mas um sintoma da alteração do metabolismo do açúcar. Disfunções como diabetes, tumores no pâncreas lesão hepática e inanição podem levar aos sintomas de hipoglicemia, que
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incluem sudorese excessiva, fraqueza, fome, taquicardia, tremores. dor de cabeça, visão obscurecida, confusão mental, fala incoerente, e convulsões (Krause; Mahan, 2005). Naturalmente a causa da hipoglicemia é que deve ser tratada. O cuidado nutricional limita-se a amenizar os sintomas e, de forma geral, não há restrições alimentares (com exceção do controle do consumo de monossacarídeos).

Cuidados nutricionais para hipoglicemia:


1. Não ingerir doces e carboidratos de rápida absorção (doces de leite, leite condensado, geléias, bolos, balas, chocolates). Utilizá-los somente em caso de emergência na forma de água com mel ou sucos doces. Preferir os polissacarídeos (cereais integrais, pães, frutas e verduras) distribuídos ao longo do dia em intervalos de duas a três horas.
2. Utilizar os condimentos frescos para temperar e estimular o processo digestivo.
3. As raízes (cenoura, beterraba, rabanete, aipo, nabo), na forma de saladas e sucos, são especialmente indicadas e devem ser consumidas diariamente.
3.1.3. Hipotireoidismo
É uma condição endócrina caracterizada por atividade deficiente e secreção diminuída da tireoxina ou da triiodotironina, ambos hormônios da tireóide. Devido a uma diminuição de 15 a 30% na velocidade do metabolismo basal, ocorre aumento de peso, elevação do colesterol sanguíneo, intolerância ao frio, diminuição do peristaltismo (e conseqüente constipação), pele seca e letargia. O tratamento mais comum no hipotireoidismo é a administração de hormônio (Krause; Mahan, 2005).
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lima das causas mais comuns do hipotireoidismo atualmente é a tireoidite de Hashimoto ou Tireóide Crônica Auto-Imune, uma doença que atinge mais as mulheres, na qual o próprio organismo produz anticorpos contra a glândula tireóide, levando a uma inflamação crônica que pode causar o aumento de seu volume (bócio) e diminuição de seu funcionamento (hipotireoidismo). Um estudo epidemiológico realizado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e a Unidade de Tireóide do Hospital das Clinicas constatou um aumento do número de casos de tal enfermidade em função do consumo excessivo de iodo contido no sal de cozinha (Medeiros, 2006). Em 52% dos pacientes examinados, o nível de iodo na urina ficou acima de 300 mcg/l, reforçando a tese de que o excesso de tal mineral tem relação com o alto índice de TH na população analisada.
As recomendações nutricionais mais antigas reforçavam a relação hipotireoidismo/carência de iodo na dieta. Hoje se sabe que tal disfunção pode estar relacionada tanto com a carência quanto com o excesso de iodo. O essencial é pensar no equilíbrio desse mineral e de todos os micronutrientes. Diante do crescente número de pacientes com sintomas de hipotireoidismo fica evidente a necessidade de controlar o consumo de sal refinado e substituí-lo por sal integral. Esse último, apesar de também receber iodo sintético, tem equilíbrio de outros micronutrientes, qualidade que o sal refinado, à base de cloreto de sódio, perde durante o refinamento. O consumo de alimentos integrais provenientes de um solo equilibrado, ou seja, orgânico, também é parte fundamental do tratamento, bem como o controle da obesidade, da hipercolesterolemia e da constipação (ver cuidados nutricionais específicos para essas disfunções).
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Atividades artísticas, meditação, exercícios relaxantes, canto e estímulo à auto-percepção e auto-expressão são recomendados e considerados por Ischkanian (2006), como elementos centrais no tratamento das doenças da tireóide. Esta autora remete a Steiner (2001:91), precursor da Medicina Antroposófica, o qual aponta o estímulo da auto-expressão como um dos aspectos centrais no tratamento dessas doenças ao afirmar que “a impotência do eu se expressa em irregularidades de glândulas como a tireóide e as supra renais”.
3.1.4. Hipertireoidismo
O hipertireoidismo é uma condição na qual a glândula tireóide está hiperativa, com conseqüente aumento da atividade metabólica. Assim como o hipotíreoidismo ocorre mais comumente em mulheres e o tratamento médico é indispensável. Encontram-se alterações do metabolismo de carboidratos (com curva glicêmica anormal), metabolismo protéico aumentado, desequilíbrio de cálcio, alteração do metabolismo de creatinina e diminuição do colesterol sérico (Krause; Mahan, 2005).
O cardápio normal cobre as necessidades do paciente; a dieta é sem restrições, com foco nos alimentos frescos e minimamente processados, com o objetivo de revitalizar o paciente esgotado. A quantidade de calorias na dieta deve suprir a perda de peso e o estado de desnutrição que pode se instalar, especialmente a carência de vitaminas do complexo B e minerais. Como já ressaltado anteriormente, a prática da adição de iodo Sintético no sal pode oferecer um excesso de iodo na dieta. Como no hipotireoidismo, a origem integral orgânica dos alimentos é fundamental, assim como o descanso físico e a promoção da saúde mental e emocional do paciente.
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Apesar de serem duas disfunções aparentemente opostas, os cuidados nutricionais do hipo e do hipertireoidismo devem focar o equilíbrio de micronutrientes e o estímulo do sistema imunológico, através do consumo de alimentos ricos em vitalidade, de origem integral e orgânica.
Cuidados nutricionais para hipotireoidismo e hipertireoidismo:
1. Consumir diariamente alimentos que estimulem a vitalidade: mel, suco de uva escura, sucos de folhas verdes, aipo, beterraba, folhas amargas em geral, alcachofra, xarope de guaraná, brotos em geral, repolho (chucrute) e pepino na salmoura (consumir inclusive a água das conservas, rica em ácido lático), ricota, iogurte, coalhada e kefir, suco de morango orgânico, água-de-coco, geléia real e pólen.
2. Consumir alimentos equilibrados no teor de micronutrientes, como frutos do mar, vegetais orgânicos, cereais integrais e raízes (especialmente a beterraba). Substituir o sal refinado por sal integral e usá-lo com moderação.
3 .Alimentar-se regularmente, em ambiente relaxado, com calma, mastigando lentamente.
4. Focar os alimentos frescos, de origem integral orgânica.
5. Evitar bebidas alcoólicas.
6. O uso da alga Fucus vesiculosus na alimentação ou em forma de chá ou cápsulas estimula a tireóide e é usada no hipotireoidismo.
7. No hipertireoidismo indica-se o chá das folhas por infusão de melissa (Melissa officinalis).
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3.1.5. Hiperuricemia

A hiperuricemia ou gota é uma desordem no metabolismo das purinas, no qual um excesso de uratos de sódio e ácido úrico - produto final do metabolismo da purina formada na degradação de nucleoproteínas - é depositado em tofos nas pequenas articulações e nos tecidos adjacentes. O local mais comum da gota é no pavilhão auricular. Por razão desconhecida, os pacientes têm dificuldade em eliminar o ácido úrico que fica circulando no sangue (hiperuricemia). A doença lembra a artrite e tem base hereditária. A enfermidade manifesta-se em crises, que duram alguns dias e desaparecem por longos períodos. Com o avanço da doença, as crises são mais freqüentes e duram mais tempo (Krause; Mahan, 2005).


A dieta restritiva torna-se secundária quando o paciente toma medicamentos que aumentam a excreção renal de ácido úrico diminuindo o nível de ácido úrico no sangue.
A dieta isenta de purina é quase impossível, pois em muitos alimentos existem as nucleoproteínas, das quais a purina é derivada. Além disso, as purinas também são sintetizadas no organismo a partir de metabólitos simples, provenientes dos carboidratos. Porém, como o metabolismo da purina está alterado, indica-se a restrição de alimentos com alta ou moderada quantidade de nucleoproteínas - entre eles a anchova, a sardinha, as leguminosas, os miúdos, as carnes escuras de aves, os frutos do mar, as leguminosas, os cogumelos, os caldos de carnes.
Orienta-se também restringir o consumo de sal e também o de alimentos gordurosos, pois o excesso de lipídeos altera a excreção normal de uratos.

O álcool é proibido por causa dos produtos que


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aparecem durante o metabolismo do etanol e que têm efeito na retenção de ácido úrico no organismo.
Recomenda-se uma dieta alcalinizante, para evitar a precipitação dos cálculos protéicos de origem ácida, priorizando-se alimentos que formam cinzas básicas ou neutras como cereais, laticínios, frutas e verduras. Limão, abacate, ameixa umeboshi e morango são alimentos relacionadas por DerMarderosian e Beutler (2002) e Ferro (2006) como potentes alcalinizantes do meio interno.
O aipo tem ação antiinflamatória, estimula a diurese e é rico em potássio e outros minerais de ação alcalinizante. Ferro (2006) indica o seu uso para pacientes com hiperuricemia1 assim como Decaux (1985) aponta a ação da bardana como diurética e estimulante da excreção do ácido úrico.
Cuidados nutricionais para hiperuricemia:
1. Evitar chá preto, café, mate e guaraná, bebidas alcoólicas, anchova, leguminosas, uso de carnes diariamente, caldos de carne concentrados, miúdos, sardinha, pães frescos, carnes escuras de aves, frutos do mar, cogumelos, queijos gordurosos e condimentados, frituras, salgadinhos, carnes gordurosas.
2. Entre os alimentos especialmente indicados, com função alcalinizante do meio interno estão a ameixa umeboshi, kefir, abacate, bardana, cenoura, beterraba, abóbora, aipo, nabo, melão, melancia, suco de limão e de morango (orgânico), ruibarbo, queijo branco, ricota, leites acidificados, folhas verdes, raízes em geral, arroz integral e aveia.
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3. Tomar, duas a três vezes por dia, uma xícara de chá de tília ou sabugueiro. Tomar diariamente de 1 a 2 litros de água e chás para ajudar na eliminação do ácido úrico.
4. Na crise aguda de gota, se o paciente não usa medicamentos eliminadores de urato, seguir durante três a cinco dias uma dieta crudista exclusivamente vegetariana, sem leguminosas e pobre em gorduras, que pode iniciar com meio copo do suco de limão. Priorizar cereais integrais bem cozidos, féculas, frutas e verduras, sopas, saladas, sucos verdes e de frutas, frutas secas e papa de aveia (ver Anexo 2).

5. Na crise e fora dela, ingerir diariamente em jejum, meio copo do suco de limão ou de folhas verde-escuras e uma ameixa umeboshi.


6. Utilizar o chá por infusão das folhas de chapéu-de-couro (Echinodorus macrophyllus), chá por infusão das folhas ou decocção das raízes de salsaparrilha (Smilax officinalis). Como analgésico e antiinflamatório pode-se utilizar o chá por decocção da casca de unha-de-gato (Uncaria tornentosa) ou decocto dos tubérculos de garra-do-diabo (Harpagophytum procumbens) e decocção da raiz de sabugueiro (Sanbucus nigra).
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4 - DOENÇAS DO SISTEMA GASTRINTESTINAL
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4. DOENÇAS DO SISTEMA GASTRINTESTINAL
Para Krause e Mahan (2005), as doenças gastrintestinais podem ser classificadas em orgânicas e reflexas ou funcionais. Nas doenças orgânicas ocorre uma alteração patológica definida nos tecidos estruturais, e rias reflexas ou funcionais acontecem distúrbios sensoriais, motores, absortivos ou secretórios para os quais nenhuma lesão ou causa patológica é encontrada. Tais desordens têm um componente emocional e psicológico. A maioria das doenças gastrintestinais possui ambos os componentes orgânico e funcional. É importante reconhecer a limitação da dieta no tratamento, que só tem sucesso dentro de uma abordagem terapêutica interdisciplinar.
Na perspectiva da Medicina Antroposófica o processo glandular e digestivo, desde a salivação até secreções dos sucos gástrico e intestinal é uma particular alternância entre as forças da alma (ou das emoções) e as forças etéricas (ou de vitalidade). Segundo Schmidt (1975), quando uma glândula secreta, sempre o faz em relação a certos “movimentos conscientes ou inconscientes da alma”. No ser humano a cavidade bucal não é unicamente um órgão digestivo, mas se encontra também disponível para atividades superiores - da fala, da prece, do canto - e assim também todos os órgãos digestivos. Nessa perspectiva “toda a nutrição está ligada à vida da alma do ser humano” (Schmidt, 1975).
O pâncreas produz enzimas e hormônios que têm uma íntima relação com a individualidade do ser humano. Na quebra de proteínas externas através das enzimas produzidas pelo pâncreas, acontece a absorção dos aminoácidos que podem então ser transformados em “matéria própria”. Através da ação do pâncreas, é possível integrar a proteína estranha às leis do organismo humano individual (Steiner, 2001).
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Para os pacientes portadores de doenças do sistema gastrintestinal, indica-se a prática da meditação e atividades de lazer, bem como da terapia artística e terapias complementares. Além da dietoterapia, é desejável diminuir o ritmo de trabalho, valorizar as atividades de lazer e controle do estresse, o descanso regular, o equilíbrio do ritmo do sono-vigília e a prática da auto-observação, almejando o controle das emoções e a calma interior.
4.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM DOENÇAS DO ESÔFAGO E DO ESTÔMAGO: ESOFAGITE, GASTRITE E ÚLCERA
4.1.1. Esofagite
A esofagite é um distúrbio resultado do efeito irritante do refluxo do ácido gástrico na mucosa do esôfago. O sintoma mais comum é a queimação dolorosa epigástrica. O refluxo gastroesofágico, que causa a esofagite, ocorre porque a pressão do esfíncter esofágico é maior que a normal, de maneira que o esfíncter esofágico inferior não se fecha como deveria. A pressão do esfíncter é controlada por hormônios gastrintestinais: gastrina, que aumenta a pressão do esfíncter e secretina e colecistoquinina, que diminuem a pressão (Krause; Mahan, 2005).
Aspectos como a necessidade de diminuição do peso no paciente; o sono em uma cama com cabeceira elevada em relação aos pés para evitar o refluxo do ácido gástrico para o esôfago; a restrição de refeições noturnas e de difícil digestão e esforço físico e o deitar-se logo após as refeições devem ser considerados importantes para o paciente com esofagite, além da busca do equilíbrio emocional já apontada anteriormente.
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4.1.2. Gastrite e úlcera
A gastrite é urna inflamação da mucosa gástrica. Pode ser aguda ou crônica. A gastrite aguda pode ser causada por alguns medicamentos (aspirina, cloreto de amônia), por alimentos específicos para os quais os indivíduos tenham uma sensibilidade, pela ingestão excessiva ou muito rápida de alimentos ou por emoções fortes (Krause; Mahan, 2005).
O estado de excitação nervosa pode levar à alterações no peristaltismo gástrico, assim como a mutabilidade psíquica contribui para o correto esvaziamento do conteúdo gástrico (Schmidt, 1975). Para Steiner e Wegman (2002), a influência do astral e das emoções sobre os processos gástricos se fazem perceber pela presença do ar (substrato do astral) no estômago e pelos movimentos peristálticos e rítmicos. Quando o individuo está sadio ele não percebe tais elementos, que só se manifestam na forma de cólicas e sensação de aerofagia, quando há desequilíbrio nas funções gástricas.

A gastrite crônica e a úlcera podem ter muitas causas. As gastrites de origem bacteriana devem ser avaliadas histologicamente ou clinicamente pela endoscopia.

A úlcera é uma lesão erosiva na mucosa gástrica ou intestinal. Tem um histórico de estresse e conflitos emocionais relacionados, assim como influência da hereditariedade, fumo e maus hábitos ou excessos alimentares (café, álcool, chocolate).

Como objetivos da dieta para esofagite, gastrite e úlcera estão a prevenção da irritação da mucosa esofágica e gástrica e a diminuição da capacidade irritante do suco gástrico.


Os fatores protetores presentes nos alimentos ricos em fibras podem proteger o epitélio gastrointestinal e prevenir lesões, como um mecanismo amortecedor.
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Gorduras, chás e produtos à base de menta e hortelã têm urna ação relaxante do esfíncter esofágico e devem ser evitados para evitar o refluxo do ácido para o esôfago. Os pães e produtos de pastelaria frescos, feitos com fermentos químicos, produzem gás carbônico e álcool, e podem contribuir para a irritação gástrica. Já os pães feitos com fermentos biológicos produzem ácido lático. Tal ácido tem um efeito sobre o sistema imunológico e uma ação benéfica para a digestão, além de não agredir a mucosa gástrica. Alimentos ricos em enxofre e que produzem gases, como couves, brócolis, couve-flor, rabanete, nabo, leguminosas e batata-doce, devem ser excluídos da dieta para evitar distensão gástrica. Os alimentos protéicos que necessitam de meio ácido para serem digeridos também devem ser restritos para proteger o epitélio gástrico. A nicotina, o chocolate, o café, o chá preto e o ácido acetilsalisílico são potentes irritantes da mucosa gástrica e não devem ser utilizados durante o tratamento.
Alimentos como a batata, o mamão, a couve e o extrato de amêndoa são indicados para o controle da acidez. A couve contém inositol que age como antiinflamatório e cicatrizante da mucosa gástrica. A batata-inglesa (na forma cozida e como suco cru, peneirado e em pequenas doses) e o extrato de amêndoa são recomendados por alguns autores, entre eles Body (1991), para controlar a acidez gástrica. Não há evidências científicas dessa ação, mas práticas de consultório comprovam a eficácia de tal orientação.
O mamão contém a enzima papaína que estimula a digestão e minimiza a ação do suco gástrico sobre a mucosa e o suco de quiabo cru é emoliente (rico em mucilagem) e pode ser usado, em pequena quantidade, como substituto do suco de batata crua.
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Cuidados nutricionais para esofagite, gastrite e úlcera:
1. Evitar alimentos que pioram a acidez: sucos e alimentos ácidos como tomate, laranja, morango, kiwi, acerola, abacaxi, entre outras frutas ácidas. Melancia, melão e pepino também são desaconselhados durante o tratamento.
2.Comer porções pequenas e freqüentes (a cada 2 horas), para prevenir a distensão do estômago e a ação ácida dos sucos gástricos sobre a mucosa.
3.Evitar refeições gordurosas e frituras em geral; usar pequenas quantidades de nata, manteiga e azeite de oliva ou girassol prensado a frio.
4. Evitar estimulantes gástricos como os alimentos protéicos (leguminosas, carne, leite e ovos; preferir carnes brancas e carne bovina moída após a fase aguda), bebidas alcoólicas em geral e substâncias como nicotina e ácido acetilsalicílico.
5. Na fase aguda a dieta deve iniciar mais pastosa, vegetariana, à base de alimentos cozidos. Manter durante cinco a sete dias consecutivos a alimentação a cada duas horas e dieta à base de torradas com pouca manteiga; frutas doces (mamão, uva, maçã e pêra) na forma de sucos e purês; féculas (batatas, aipim, inhame, cará); mingau de aveia e arroz integrais bem cozidos em água, salgados ou acrescidos de nata e frutas doces; verduras (chuchu, cenoura abóbora, abobrinha) cozidas ou no vapor, temperadas com salsinha e pouca manteiga ou azeite de oliva; sopas de verduras. A partir do quinto dia, introduzir ricota, iogurte, queijo branco, ovo pochê, carne moída ou carne branca de frango ou peixe (ver exemplo de dieta no Anexo 3).
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6. Na fase crônica a dieta deve ser branda, com alimentos bem cozidos e frutas bem maduras. Evitar saladas cruas. Utilizar preferencialmente pães com fermento biológico. (20)
7. Evitar leite puro (só em pequenas quantidades nas preparações ou acidificados, na forma de iogurte), molho de tomate, berinjela, brócolis, couve-flor, repolho, massas, bolos e pães frescos e refinados, frituras e doces concentrados, chocolate, café (a cafeína aumenta a secreção gástrica), chá-preto, refrescos artificiais, chá de hortelã ou menta, refrigerantes e alimentos industrializados (sopas, salgadinhos, enlatados, sucos, conservas).
8. Alimentos especialmente indicados para amenizar a acidez estomacal: batata-inglesa de origem orgânica, bardana, quiabo, extrato de amêndoa, mamão, suco de maçã e suco de cenoura.
9. Nas crises de gastrite ou úlcera ingerir meio copo de suco de couve uma vez ao dia ou um quarto de copo de suco de batata ou de quiabo crus duas vezes ao dia.
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(20) O fermento biológico pode ser obtido a partir dos próprios ingredientes do pão: colocar em urna vasilha pequena 1 colher de sopa de qualquer cereal cozido e triturado, 2 colheres de sopa de farinha de trigo integral e água morna em quantidade suficiente para fazer um creme. Misturar bem e deixar coberto com um pano de algodão em lugar aquecido ou ao sol, por um dia. Quando dobrar seu volume o fermento pode ser utilizado na massa do pão. Ressalta se que o pão fermentado biologicamente não “cresce” na mesma velocidade do que a massa que se utiliza fermento químico. Depois de sovar bem, é preciso deixar a massa do pão entre 24 a 48 horas, em local aquecido, sovando mais uma ou duas vezes antes de assar. No ponto ideal de fermentação a massa tem cheiro ácido agradável, fica fofa e aumenta de volume.
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Todos os líquidos devem ser ingeridos somente entre as refeições.
10. Evitar líquidos durante as refeições, pimenta e condimentos tipo curry, cravo, canela, noz moscada e mostarda.
11. Comer com calma, em ambiente tranqüilo e mastigar muito bem os alimentos.
12. Não fazer refeições copiosas no jantar e evitar comer após as 20 horas.
13. Na fase aguda utilizar chá das folhas por infusão de espinheira santa (Mayten ilicifolia) entre as refeições. Outras opções: chá de macela (Achyroclinesatureoides) e chá por decocção de açafrão-da-Índia ou cúrcuma (Curcumía longa) (que pode ser usado também na forma de tempero).
4.1.3. Hipocloridria:
É a condição na qual o suco gástrico secretado pelas glândulas do estômago apresenta quantidade diminuída de ácido clorídrico. Conseqüentemente ocorre má digestão de proteínas e gorduras além de propensão ao ataque de bactérias (Krause; Mahan, 2005).
Plantas amargas como o agrião e o dente-de-leão estimulam a secreção dos sucos gástricos e devem ser ingeridas regularmente. Segundo Teske e Trentini (2001), a cinaropicrina encontrada na alcachofra também aumenta a secreção gástrica.
Cuidados nutricionais para hipocloridria:
1.Cuidar bem da higienização dos alimentos; lavar as frutas e verduras e evitar ingerir alimentos crus de origem duvidosa.
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2. Abrandar as fibras dos alimentos: preferir cereais integrais bem cozidos, verduras no vapor, em sopas e caldos ou na forma de sucos. Sucos de frutas e verduras frescas podem ser oferecidos, com exceção da melancia, melão e pepino.
3. Evitar alimentos fonte de gordura (nata, creme de leite, manteiga) e protéicos (queijos condimentados, carne, ovos, leguminosas) e batata-inglesa.
4. Evitar bebidas e alimentos gelados, como o sorvete.
5. Iniciar dieta vegetariana e passar à lactovegetariana, sem leite puro, somente os derivados acidificados (ricota, coalhada e iogurte).
6. Ingerir diariamente plantas amargas como agrião, dente-de-leão e alcachofra.
4.2. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM DOENÇAS INTESTINAIS
4.2.1. Hemorróidas e constipação
As hemorróidas são varizes ao redor do esfíncter anal. Elas pioram sob condição de constipação porque a passagem de fezes endurecidas pelo ânus causa dor e sangramento e podem ser caracterizadas como uma doença vascular, uma vez que as veias em redor do ânus ligam-se a vasos de maior dimensão que transportam o sangue através do fígado até ao coração. Esta parte do sistema de veias de maior dimensão não possui quaisquer válvulas e todo o peso do sangue incide sobre as veias inferiores do sistema, que tendem a esticar-se. Qualquer obstrução ao fluxo ascendente do sangue através destas veias leva a um aumento de pressão sobre as mesmas. Portanto, um mau funcionamento do sistema vascular e hepático pode também ter relação com o aparecimento de hemorróidas.
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Os cuidados nutricionais para o fígado podem ser utilizados para casos de hemorróidas crônicas e reincidentes.

A constipação é uma entidade clínica caracterizada por evacuações raras - o ideal é evacuar diariamente, até duas vezes por dia apesar de, clinicamente, ser considerado normal evacuar a cada dois ou três dias - e esvaziamento incompleto do reto após a defecação e eliminação de fezes, duras, compactas e de pequeno volume (Krause; Mahan, 2005).


A constipação crônica pode levar à doenças sérias como câncer de cólon, hemorróidas e alguns tipos de inflamações intestinais. Para Krause e Mahan (2005), a constipação pode ser atônica - caracterizada por um funcionamento lento do intestino por falta de estímulo adequado à sua musculatura - ou obstrutiva - causada por tumores ou aderências. Um terceiro tipo ocorre na síndrome do cólon irritável, disfunção que pode apresentar sintomas de retenção de fezes.
Diferentes causas devem ser consideradas na etiologia da constipação atônica:
Dieta pobre em fibras;
Dieta restrita em líquidos; a ingestão insuficiente de água e líquidos podem ressecar o bolo fecal dificultando o esvaziamento do intestino;
Falta de ritmo: horários irregulares das refeições (considerar a importância do ritmo dos órgãos na Medicina Chinesa e na Medicina Antroposófica e o intervalo regular das refeições), sono irregular e irregularidade no hábito de defecar;
Hipotireoidismo, tensão nervosa e temperamentos (os indivíduos mais tensos e inseguros apresentam uma tendência à constipação) e falha na resposta ao desejo de evacuação;
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O uso prolongado de medicamentos laxativos e complementos minerais à base de ferro, alumínio e cálcio;
Uso de alimentos adstringentes e estimulantes como café, chá preto, álcool e leite para alguns pacientes;
Falta de exercícios físicos (com conseqüente perda do tônus muscular do intestino) e uso do tabaco.
Orienta-se que as recomendações alimentares apresentadas a seguir façam parte de um tratamento que contemple todos os aspectos acima apontados.
Alimentos ricos em fibras (frutas, verduras e cereais integrais) e em ácido lático (nabo, repolho e pepino na salmoura, iogurte, coalhada, kefir (21)) são especialmente indicados, pois estimulam o peristaltismo intestinal e a saúde da flora bacteriana. A clássica ameixa seca tem isatina, o mamão e a manga são ricos em pectina, a aveia contém fibras beta-glucanas e o quiabo tem mucilagem - substâncias de ação laxativa (Ferro, 2006).
Nos casos de constipação a dieta com excesso de carnes, produtos industrializados e de origem convencional (por causa da ação dos xenobióticos (22)) deve ser evitada para não agravar possíveis conseqüências da constipação crônica, como o câncer de cólon e a diverticulite.
Início da Nota de rodapé
(21) Em épocas antigas, nômades do leste europeu carregavam leite das cabras em sacos de pele quando viajavam de um lugar a outro. A fermentação que ocorreu nos sacos transformou o leite em uma bebida grossa de original sabor, conhecida como o kefir. A massa de bactérias e fermentos é chamada grão do kefir e conferem ao leite seu sabor original, gosto e as propriedades terapêuticas. O kefir é um probiótico com propriedades anti-tumoral, bactericida e fungicida.
(22) Do grego Xenos = estranho; Biótico = relativo à vida. Segundo Vetorazzi (1987), os xenobióticos são contaminantes químicos alimentares: agrotóxicos, aditivos, resíduos de antibióticos e drogas veterinárias, produtos radiolíticos.
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Cuidados nutricionais para hemorróidas e constipação:
1. Manter o ritmo das refeições (três a cinco refeições por dia); tomar, no mínimo, 1 litro de água ou chá de ervas por dia e fazer exercícios físicos. Observar momentos de calma e tranqüilidade durante as refeições.
2. No início do tratamento da constipação evitar: leite integral, açúcar, doces concentrados, cereais, pães e farinhas refinadas, batata-doce, batata-inglesa, repolho, brócolis, leguminosas (especialmente o feijão-preto), flocos de aveia crus, carnes em geral, café e chá preto (ver Anexo 4).
3. Manter, durante o tratamento, a restrição de alimentos sólidos no período matutino:
Ao acordar: 1 copo de água e uma colher de sobremesa de azeite de oliva OU vitamina para constipação (23).
Indica-se ingerir água durante todo o período matutino, em pequenos goles.
9h e 11h: Suco de folhas verde-escuras com gotas de limão (pode-se usar a água da aveia para fazer os sucos) OU Suco de raízes (cenoura, beterraba)
12h Almoço
4.Alimentos especialmente indicados na constipação: frutas e verduras, cereais e pães integrais, salada de dente-de-leão, linhaça deixada de molho, gergelim, girassol, mamão, uvas, laranja com bagaço, ameixas pretas, flocos de aveia cozidos ou deixados de molho, água da aveia deixada de molho, suco de chucrute em jejum, ricota, coalhada e iogurte natural e kefir.
Início da Nota de rodapé
(23) Vitamina do jejum: deixar duas ameixas pretas e unia colher de sobremesa de sementes de linhaça de molho a noite toda, em meio copo de água. De manhã bater no liquidificador essa mistura com o suco de duas laranjas ou mamão e uma colher de chá de mel.
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5. Não cozinhar cereais, como a aveia, por exemplo, com leite; preferir o cozimento de cereais com água.
6.Utilizar temperos e condimentos estimulantes do peristaltismo: salsinha, cominho, coentro, anis, erva-doce, aneto, etc.
7. Evitar produtos industrializados, de origem convencional, na dieta. Preferir produtos orgânicos.
8. Na fase aguda das hemorróidas, com sangramento, evitar pimenta, curry, cravo e canela. Os cereais integrais devem ser bem cozidos e as frutas e verduras devem ser oferecidas, de preferência, na forma de sucos ou cozidas. Nos casos crônicos de hemorróidas, aliar a dieta rica em fibras aos cuidados nutricionais para o fígado.
9. O chá de sementes de tansagem (Plantago major) é indicado para a constipação. Os chás das folhas de dente-de-leão (Taraxacum officinale) e de carqueja (Baccharis trimera) também têm ação laxante suave.
4.2.2. Diarréia
A diarréia é um sintoma que consiste na ocorrência de evacuações líquidas freqüentes. Como a água é absorvida na porção final do intestino, em caso de diarréia o organismo se desidrata rapidamente, pois não há tempo para a absorção da água e dos minerais. Em crianças com diarréia, a desidratação e a perda mineral podem debilitar o organismo seriamente. A reposição de água e eletrólitos deve ser imediata, em pequenas doses e constante.
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Existem alguns tipos de diarréia: a esteatorréia, caracterizada por grande quantidade de gordura nas fezes, que aparece como um sintoma de má absorção e em doenças sérias como a pancreatite e algumas doenças hepáticas; a diarréia orgânica, em que ocorrem lesões na mucosa e ela pode estar associada à intoxicação endógena, infecção parasitária, doenças como tuberculose, hepatite, febre tifóide, colite ulcerativa e deficiências enzimáticas e alergias (como a doença celíaca); a diarréia funcional é causada por irritabilidade nervosa ou estresse e por fatores irritantes da mucosa intestinal como alimentos em excesso ou inadequados (putrefação, fermentação, contaminação bacteriana), distúrbio endócrino e consumo excessivo de cafeína (Krause; Mahan, 2005).
Antes de ser detectada a causa não é aconselhável interferir na diarréia medicamentosamente - fitoterápicos de ação adstringentes ou medicamentos alopáticos sintéticos devem ser evitados. A primeira medida é a reposição hídrica com água pura ou soro à base de água, açúcar e sal e dieta pobre em fibras. O uso do chá por infusão das folhas de goiaba (Psidium guajava) pode ser utilizado para controlar a freqüência das evacuações depois que a causa da diarréia for detectada.

A diarréia crônica, bem como a orgânica e a esteatorréia, necessitam de uma investigação clinica mais profunda e uma avaliação do contexto emocional do paciente. Nesses casos podem ocorrer sérias deficiências nutricionais como a falta de ferro e de vitaminas do complexo B. As diarréias causadas por colite ulcerativa, doença de Crohn, espru tropical e algumas síndromes de má absorção merecem uma abordagem clínica e dietética mais especifica que remete aos cuidados de nutricionistas.


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Cuidados nutricionais na diarréia funcional:

1. Beber líquidos a cada quinze minutos (água, soro caseiro 24, água-de-coco, chás de maçã seca, camomila ou de cenoura).


2. Ingerir por dois a três dias dieta à base de sopa de cenoura com salsinha (mínimo de óleo), arroz integral ou batatas bem cozidos na água, maçã ralada (contém pectina que ajuda a equilibrar o fluxo do intestino), verduras cozidas (chuchu, cenoura, abobrinha, abóbora), torradas e chás indicados. Reintroduzir alimentos gradativamente: carnes magras (de frango ou de boi moída), ricota e iogurte natural, sopas leves e outras frutas como caqui, pêra e banana maçã e sucos diluídos de laranja-lima e pitanga Os alimentos restritos abaixo devem ser reintroduzidos somente depois da regularização do funcionamento intestinal (ver dieta no Anexo 5).

3. Evitar os doces em geral, ovos, leite e derivados, leguminosas, saladas cruas, industrializados em geral, condimentos, chocolates, álcool, alimentos gordurosos, couves, leguminosas e alimentos que produzem gases.


4. Utilizar chá por infusão das folhas de goiaba (Psidium guajava).
4.2.3. Flatulência
O acúmulo de gases no organismo pode provocar distenção abdominal, cólicas, indisposição e desconforto.
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(24) Soro caseiro: Misturar em 1 litro de água mineral ou filtrada, 40g ou 1 colher sopa de açúcar e 3,5g ou 1 colher café rasa de sal marinho.
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Esse acúmulo de gases pode ser decorrente do fato de ao ingerir um alimento, uma pequena quantidade de ar ser engolida junto, ou o ar ser produzido pelo próprio trato gastrointestinal.

Entre as causas de formação excessiva de gases estão a fermentação de carboidratos e leguminosas não digeridos corretamente, mastigação inadequada, excesso de líquidos às refeições, pressa ao alimentar-se, excesso de doces e leite integral e algumas disfunções e síndromes gastro-intestinais. Existem dificuldades de digestão de alguns alimentos específicos que variam de indivíduo para individuo e as restrições individuais devem ser observadas.


O uso de condimentos e a fermentação biológica favorecem os indivíduos com tendência a formar gases. Para tais pacientes, orienta-se o consumo de pães integrais à base de fermentos biológicos enriquecidos de sementes de cominho, erva-doce e outros condimentos. As sementes de linhaça também têm ação carminativa.
Os vegetais de ação carminativa indicados por Balbach (1980), Ferro (2006) e Rotman (1998) encontram-se abaixo relacionados (item 2).
Cuidados nutricionais na flatulência:
1. De forma geral, evitar os seguintes alimentos: produtos à base de farinha de trigo refinada (pães, bolachas, bolos), extrato de soja, doces, leite integral, couves em geral, batata-doce, feijão-preto, soja em grão, lentilha, ervilha, grão-de-bico, frutas secas, pães integrais à base de fermento químico, mingaus e molhos à base de leite e cereais (aveia, fécula de milho, farinha de trigo), aveia crua e milho (fubá, farinhas, flocos).
2.Alimentos especialmente indicados: sementes de linhaça, iogurte, coalhada, kefir, erva-doce, mingau
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de arroz integral, missô, agrião, pimentão, cenoura, rabanete, salsinha, abacate, limão cidra, mamão, melancia e uva in natura.
3. Evitar a mistura de frutas doces e ácidas. Consumir frutas isoladamente, sem misturá-las com outros alimentos ou consumi-las como sobremesa.
4. Utilizar erva-doce, alecrim, cominho, anis estrelado, manjerona e manjericão como condimentos (especialmente para alimentos à base de farinha integral: pizzas, massas, pães e bolachas) e pães à base de fermento biológico (tipo “italiano” ou “alemão”).
5.O uso de chás como erva-doce e funcho (Foeniculum vulgare), alecrim (Rosmarinus officinalis), anis (Pimpinella anisum,) camomila (Matricaria recutita) e menta (Mentha piperita) são indicados como ação carminativa.
4.2.4. Doenças Inflamatórias Intestinais
Existe uma variedade de doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn, a retocolite ulcerativa e a doença celiaca.
Segundo Krause e Mahan (2005), a inflamação é a reação mais comum do sistema digestivo à agressões infecciosas, imunes, tóxicas e isquêmicas, entre outras. Na última metade do século 20, verificou-se um aumento progressivo e significativo de certas formas de inflamação intestinal de causa desconhecida, chamadas genericamente de Doenças Inflamatórias Intestinais (DII). Geralmente, elas evoluem de forma crônica e debilitante, resultando na destruição de tecidos e no aumento de risco de câncer de intestino. Alguns fatores que estão provavelmente implicados no desenvolvimento das DII são os genéticos e os ambientais.
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Tais doenças tornaram-se mais comuns em países com alto nível sócio-econômico e esta peculiar distribuição geográfica está ligada a fatores ambientais como dieta, tabagismo e outros elementos ainda não definidos. O aumento da higiene pessoal e a conseqüente redução da exposição do sistema imune do intestino a micróbios durante a infância, pode ser um denominador comum para estes fatores, que resultariam, posteriormente, em resposta imune prejudicada (ver discussão das alergias no capítulo 7).
De forma geral, o quadro clínico dessas doenças é caracterizado por diarréia, dor abdominal, perda de peso, presença de sangue e/ ou muco nas fezes. Outras queixas comuns relacionadas às DII são as manifestações extra-intestinais, como dor e/ou inflamação nas articulações, presença de nódulos avermelhados na pele, inflamação dos olhos, problemas no fígado, no pâncreas ou até osteoporose. O tratamento mais comum é à base de medicamentos corticosteróides.
Muitas vezes, para melhorar o estado nutricional dos pacientes com DII, a nutrição enteral ou parenteral e a utilização de complexos multivitamínicos e minerais têm sido preconizada e tais práticas fogem do contexto desse livro. Apesar de não haver cura clínica para a retocolite ulcerativa ou para a doença de Crohn, as terapias de apoio e as práticas naturais (terapia artística, aromaterapia, musicoterapia, massoterapia, geoterapia) e a abordagem da Homeopatia, Medicina Antroposófica, Medicinas Tradicional e Complementar podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Na questão alimentação há controvérsias sobre se a dieta pode influenciar o quadro de evolução das DII. Entretanto, é comum orientar-se a eliminação do leite
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integral e derivados, carboidratos e fibras insolúveis na alimentação (cascas de frutas, leguminosas e cereais integrais). As fibras solúveis, como a pectina, encontrada em polpas de frutas e legumes como maçã, pêra, maracujá e laranja, são indicadas porque retêm água e diminuem o movimento intestinal, reduzindo assim o volume de água que estaria disponível para o desencadeamento de uma diarréia. Pessoas com Doença Inflamatória Intestinal tendem a apresentar deficiência de certas vitaminas e minerais como vitamina B12, ácido fólico, vitamina C, ferro, cálcio, zinco e magnésio.
Cuidados nutricionais nas doenças inflamatórias intestinais:

1. Ingerir em pequenas quantidades fontes de carboidratos: massas, arroz, fubá, aveia, centeio, cevada, painço, trigo, pães e farinhas, cereais integrais bem cozidos, bolachas, açúcar e doces concentrados.


2. Evitar o consumo de cascas de frutas, cereais crus (flocos de aveia, trigo para kibe), excesso de leguminosas (preferir o consumo de feijão, ervilha, lentilha e grão-de-bico na forma de caldos liquidificados) e cereais integrais.
3. Evitar o consumo de leite integral e queijos. Preferir as fontes acidificadas: iogurte, coalhada ou ricota, em pequenas quantidades.
4. Utilizar extrato de cereais, amêndoas, castanhas (ver receitas no item 7.1.1) e soja, leite-de-coco e pouca nata para substituir o leite.
5. A dieta deve iniciar à base de carnes em geral, ovos caipira, frutas e verduras orgânicas, sucos verdes, frutas secas, féculas (batatas, inhame, cará, mandioca)
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e óleos vegetais pressurizados a frio. Depois de controlar a diarréia, inserir pouca quantidade de cereais bem cozidos, leites acidificados e caldos de leguminosas (um novo alimento a cada dia; manter por dois dias e observar reações).
6. O consumo diário de kefir em água e açúcar mascavo, água-de-coco e sucos verdes é indicado. Ingerir pelo menos 1 litro de água e líquidos por dia.
7. A dificuldade de digestão de certas frutas (especialmente as muito ácidas) e verduras e alguns condimentos e bebidas estimulantes deve ser observada individualmente, mas convém também observar as reações após o consumo de couve-flor, couve-de-bruxelas, repolho, pimentão, tomate, berinjela, cebola, alho, pimenta, curry, sal refinado, vinagre, mostarda, curry, catchup, molho inglês, pimenta, cravo, cominho, páprica, chá preto, café e cacau.

8. Focar a qualidade orgânica das frutas e verduras para suprir possíveis perdas de micronutrientes. Evitar ao máximo os alimentos industrializados, defumados, conservas e sopas prontas e salgadinhos.


9. Mastigar lentamente os alimentos (especialmente as saladas cruas e frutas in natura) e alimentar-se sempre em ambientes tranqüilos e sem pressa.
10. Chás indicados camomila (Matricaria recutita), melissa (Melissa officinalis) e tansagem (Plantago major), mil em rama (Achillea millefolium) e ipê-roxo (Tabebuia avellanedae).
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4.3. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM DOENÇAS DO SISTEMA HEPATOBILIAR E PÂNCREAS
4.3.1. Doenças do sistema hepatobiliar
O fígado é um dos órgãos vitais do organismo. Tem uma capacidade regeneradora considerável é vinculado a intensos processos aquosos de revitalização. Nas línguas alemã e inglesa (25) a origem da palavra fígado remete à vida. Outros aspectos evidenciam o papel o fígado no metabolismo da água: sua ação sobre diurese, sua disfunção nos derrames serosos, no edema e na ascite. Segundo Rudolf Steiner, o fígado é influenciado intensamente pela qualidade da água onde vivemos. Mas também é um órgão “quente”, com uma temperatura de 40º. C e sua função calórica no organismo aparece vinculada ao metabolismo das gorduras e carboidratos. Umidade e calor são os dois princípios que guiam as dietas e as doenças relacionadas ao fígado, considerando um “órgão-água” na Medicina Antroposófica (Bott, 1931).
Além de estimular a revitalização lo organismo durante o sono, o fígado apresenta múltipla funções, entre elas a neutralização dos produtos tóxicos produzidos na digestão e a metabolização e armazenamento de nutrientes. No fígado são armazenados ferro, cobra e vitaminas lipossolúveis e do complexo B e ele converte caroteno em vitamina A; vitamina K em protrombina a D em uma forma de vitamina ativa. Nas disfunções hepáticas, para evitar depleção vitamínica, alimentos ricos em vitaminas devem fazer parte da dieta, especialmente s do complexo B e a vitamina K (Krause; Mahan, 2005).
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(25) No alemão fígado é Leben, sinônimo de vida e em inglês tiver derivado da palavra vida, life.
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Schmidt (1975) descreve o ritmo arcadiano da função hepática, relacionado ao metabolismo e ao sono, em estudo desenvolvido por Guenther Wachsmuth, em 1952. Esse estudo embasa a orientação de consumir os doces somente após as 15 horas (durante a tarde e no jantar) e os alimentos gordurosa depois das 3 horas (idealmente no almoço). Tais restrições respeitam o ritmo da atividade assimilatória (glicogênese) e secretora (glicogenólise) do fígado, relacionado à formação de glicogênio e da bile. À noite, a função do fígado está ligada à revitalização do organismo e qualquer processo digestivo durante o sono sobrecarrega essa função resultando em sono superficial e não reparador. Por isso o paciente com doenças hepáticas não deve jantar depois das 20 horas.
A vesícula biliar tem a função de estocar a bile secretada pelo fígado. As suas disfunções, assim como as do trato biliar, estão intimamente ligadas à alterações hepáticas. A bile ajuda na digestão e absorção de gorduras e na absorção de vitaminas lipossolúveis e sua taxa de secreção está diretamente relacionada com o tipo de alimento ingerido. Alimentos gordurosos, por exemplo, excitam a atividade secretora da vesícula.
Não se desconsidera as especificidades e a diversidade das restrições frente ao grau de comprometimento (agudas ou crônicas) das diferentes doenças hepáticas, do trato biliar e da vesícula. Porém, os cuidados nutricionais apresentados não abordam as especificidades das doenças hepáticas e têm por objetivo estimular as funções da vesícula e do trato biliar e maximizar as funções hepáticas de metabolismo de nutrientes, desintoxicação e revitalização do organismo. Com certeza os pacientes com hepatite, cirrose e disfunções da vesícula biliar podem se beneficiar desses cuidados.
A dieta deve ser equilibrada na quantidade de fontes de carboidratos e gorduras de alta qualidade.
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É importante inserir alimentos de origem vegetal ricos em vitaminas do complexo B, que são armazenadas no fígado, e vitamina K - para evitar deficiência de protrombina produzida no fígado a partir dessa vitamina. O álcool e os alimentos industrializados de origem convencional, ricos em xenobióticos, devem ser evitados para não sobrecarregar a função de desintoxicação do fígado. Também diminuir o consumo de alimentos que podem dificultar a digestão, como leguminosas e couves em geral e também os condimentos fortes. O cloro tem uma ação hepatotóxica e orienta-se diminuir o consumo de água clorada, bem como o de líquidos muito frios, que podem interferir na sua função calórica.
Como já mencionado, o ácido lático tem uma ação digestiva e desintoxicante e também é estimulante da função hepática. Por isso, orienta-se o consumo de vegetais fermentados (chucrute, pepino, nabo) e leites acidificados para pacientes com disfunções hepáticas. Entre outros alimentos estudados de ação hepática estão a alcachofra, que contém cinarina e ácido caféico, de ação regeneradora das células do fígado.
O consumo de alimentos que estimulam a vitalidade pode auxiliar no processo de regeneração realizado normalmente pelo fígado. Pacientes com doenças hepáticas apresentam um estado de desânimo e prostração e tais alimentos podem auxiliar no tratamento.

O morango, que tem ácido lático, o mel, a geléia real e o pólen atuam sobre o sistema imunológico e estimulam a revitalização do organismo. O guaraná é um estimulante e tônico revigorante e pode ser usado para revitalizar o organismo debilitado imunologicamente.


A folha e a raiz do dente-de-leão são usadas para prevenir litíases biliares (Chevallier, 2005).
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As folhas contém terpenos, que em sinergismo com as lactonas são responsáveis pela ação colagoga, favorecendo a eliminação pela via biliar de numerosos catabólitos. É considerado um tônico hepático e possui ação colerética, aumentando a secreção biliar em torno de 40 % nos ratos. O alto teor de zinco o torna capaz de proteger as células hepáticas de danos indiretos (Teske; Trentini, 2001).
O açafrão ou cúrcuma (Curcuma longa) tem ação colagoga e colerética e estimula a redução dos níveis de LDL sintetizado pelo fígado É uma planta tradicionalmente usada pela Medicinas Chinesa e Ayurvédica para melhorar as funções hepáticas e também para tratar icterícia (Chevallier, 2005; Teske; Trentini, 2001). A hortelã (Mentha piperita) e a bardana também apresentam ação colerética.
Cuidados nutricionais para doenças hepáticas:
1. Restringir ao máximo os alimentos industrializados e de origem convencional. Evitar carnes gordas, frituras em geral, excesso de carnes, leite integral e ovos fritos, margarina, gordura hidrogenada, embutidos, açúcar, geléias e doces concentrados, cogumelos, cebola, pães frescos, aspargo, espinafre (26), vinagre, mostarda, curry, catchup, molho inglês, pimenta, defumados, batata-inglesa, berinjela, pimentão, leguminosas, frutas ácidas, cravo, cominho, anis, páprica, nozes, chocolates, farinhas brancas e queijos condimentados. O consumo do álcool é totalmente desaconselhável.
2. Alimentos especialmente indicados para estimular a função hepática e a vitalidade:
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(26) O espinafre é indicado por ter alto teor de feno, mas contém também ácido fitico e oxálico que interferem na absorção do mineral. Orienta-se consumir moderadamente, sem aquecimento prolongado.
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mel (na forma de Hidromel 27),açafrão, suco de uva escura, painço, arroz integral, flocos de aveia cozidos ou deixados de molho, sucos de folhas verdes, dente-de-leão, aipo, beterraba, bardana, folhas amargas em geral, alcachofra, xarope de guaraná, brotos em geral, repolho (chucrute) e pepino na salmoura (inclusive a água das conservas, rica em ácido lático), ricota, iogurte, coalhada e kefir, suco de morango orgânico, água-de-coco, geléia real e o pólen.
3. Inserir alimentos ricos em vitaminas do complexo B e vitamina K: agrião, acelga, chicória, dente-de-leão, grão de trigo, aveia, gérme de trigo, leveduras.
4. Para estimular a função da vesícula biliar recomenda-se uma colher de sobremesa de azeite de oliva prensado a frio ao acordar, em jejum, seguida de um copo de água. A manteiga e a nata podem ser usadas em pequenas quantidades.
5. As refeições mais ricas em gorduras e de difícil digestão devem ser ingeridas, de preferência, antes das 15 horas. Após esse horário dar preferência para alimentos cozidos, frutas secas, doces caseiros, sopas, lanches e refeições leves. Não fazer refeições depois das 20 horas.
6. Chás indicados para estimular a função hepática: chá de macela (Achyrocline satureoides), boldo-do-Chile (Pneumus boldus), carqueja (Baccharis trimera) e alcachofra (Cynara scolymus).
7. Evitar líquidos muito frios, sorvetes e água clorada, preferindo água mineral ou de fonte confiável.
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(27) Diluir urna colher de sobremesa de mel em 400 ml de água mineral e ingerir em pequenos goles diariamente, após as 14 horas.
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4.3.2. Pancreatite
Algumas das células do pâncreas produzem o hormônio insulina, responsável pela regulação da glicose no sangue (função endócrina), e outras secretam enzimas que auxiliam na digestão das proteínas, gorduras e carboidratos no intestino (função exócrina). O ducto vindo do pâncreas liga-se a um ducto comum, através do qual a bile e os sucos pancreáticos são drenados para o intestino. A pancreatite é uma inflamação do pâncreas, caracterizada por edema, exsudato celular e necrose gordurosa. A inflamação pode ser leve ou mais grave, resultando em necrose do tecido e comprometimento das funções exócrinas e endócrinas surgindo a esteatorréia, e até um tipo de diabetes (Krause; Mahan, 2005).
Entre as causas da pancreatite encontra-se o alcoolismo, seguido de doenças do trato biliar, drogas, trauma e hipercalcemia. Se o paciente não se encontra em estado grave, utilizando sonda nasogátrica, as prescrições para as doenças hepáticas são igualmente válidas para a pancreatite. Observar dieta líquida vegetariana, totalmente isenta de gordura, em caso de esteatorréja e a necessidade de suplementos de vitamina B12, se a inflamação for crônica.
Cuidados nutricionais para pancreatite:
1. Seguir dieta restrita sem alimentos gordurosos como nata, frituras, manteiga, margarina, gema de ovo, azeite, óleos em geral, chocolates, maioneses. O álcool é proibido.
2. Fracionar as refeições em pequenas quantidades com intervalos de 2 a 3 horas entre elas.
3. Seguir os itens 1, 2 e 5 dos cuidados nutricionais para doenças hepáticas.
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5 - DOENÇAS DO SISTEMA CIRCULATÓRIO E SANGUE
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5. DOENÇAS DO SISTEMA CIRCULATÓRIO E SANGUE
5.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM DOENÇAS CARDIOVASCULARES E HIPERLIPIDEMIAS
O coração, símbolo da vida, do amor e da coragem, é o órgão central do organismo e deve ser estudado na sua relação com o sangue, a circulação e os vasos (artérias, veias e capilares), que têm a mesma origem embriológica que ele. O coração na Medicina Antroposófica é o “órgão-fogo”, o órgão do “meio”, relacionado ao ritmo (sístole-diástole) e ao equilíbrio. Sendo assim, as doenças cardíacas são associadas à expressão de um desequilíbrio rítmico, seja no âmbito do estresse (desequilíbrio do ritmo do sono e vigília), no desequilíbrio alimentar e nas emoções, no excesso de atividades intelectuais ou na falta de oxigenação adequada, de exercício físico e de lazer.
O ritmo circulatório está relacionado ao ritmo da respiração. Sua relação é de quatro pulsações cardíacas para uma respiração e reflete uma relação cósmica entre o sol e a terra. Se tomar-se o número médio de respirações por minuto (dezoito) tem-se 25.920 respirações nas 24 horas. Este é o número de anos que o sol gasta para percorrer o zodíaco inteiro. O ser humano, construído segundo um ritmo cósmico, manifesta na respiração e circulação sua essência rítmica. Schmidt (1975) conclui esse pensamento ao afirmar que “não há fenômeno vital saudável que se desenvolva arritmicamente”.
Não é surpreendente que as doenças cardiovasculares estejam em primeiro lugar entre as causas de morte nas sociedades urbanas contemporâneas. O funcionamento adequado do aparelho cardiovascular depende do ritmo e de uma boa nutrição.
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A dieta tem um papel fundamental no controle e prevenção das cardiopatias. Porém, diante da relação com o elemento rítmico é preciso ressaltar que as prescrições alimentares só funcionam dentro de um contexto de práticas saudáveis de vida, que incluam a busca do equilíbrio emocional, a prática de exercícios físicos, as atividades de lazer, além do controle do estresse, do fumo e do álcool.
5.1.1. Doenças cardiovasculares e hipertensão
Na insuficiência cardíaca, o coração não é capaz de manter um suprimento sangüíneo adequado para os tecidos. A insuficiência pode ser aguda, quando o coração pára repentinamente o bombeamento de sangue, resultando, freqüentemente, em óbito. A ineficiência cardíaca crônica se traduz como uma baixa regularidade do fluxo sangüíneo, o que pode afetar outros órgãos como o fígado, os rins e o cérebro. A insuficiência cardíaca resultante da congestão circulatória por retenção anormal de água e sal é chamada de insuficiência cardíaca congestiva. Há congestão da circulação pulmonar ou sistêmica por aporte anormal de sangue. O débito cardíaco reduzido tem como conseqüência um fluxo sangüíneo diminuído para o rim e isso causa um aumento da reabsorção de sódio e por fim, retenção de água. As desordens vasculares podem ser classificadas em doença vascular hipertensiva, arteriosclerose, doenças da aorta e desordens vasculares das extremidades. A hipertensão e a arteriosclerose têm uma relação direta com as cardiopatias (Krause; Mahan, 2005).
A hipertensão é um sintoma que pode ocorrer durante o desenvolvimento de algumas doenças e também durante a gravidez. Para Krause e Mahan (2005), o efeito
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da tensão elevada nos vasos sangüíneos é resultado do estreitamento da luz vascular quando seu revestimento torna-se mais espesso, numa tentativa da natureza de ajudar a parede do vaso a resistir à pressão aumentada. As variações de fluxo nos vasos alteram o fluxo do sangue para o coração e rins e contribuem para o desenvolvimento de doenças coronarianas e renais, e para alguns casos de arteriosclerose.
A arteriosclerose é um engrossamento das paredes das artérias, nas quais pequenos depósitos de material gordurosos endurecem, formando placas de ateroma (à base de colesterol, fosfolipídios e cálcio). À medida que essas placas proliferam, as artérias ficam mais ásperas e estreitas, há perda de elasticidade e o fluxo de sangue através desses vasos diminui. A arteriosclerose interfere na circulação atingindo coração, rins e cérebro, órgãos que necessitam de sangue para funcionar eficientemente. Alguns tipos de ataques cardíacos e os acidentes vasculares cerebrais têm como causa a arteriosclerose (Krause; Mahan, 2005).
[A origem das cardiopatias é multifatorial; o processo natural de envelhecimento, a hereditariedade, a hiperlipidemia, o aumento do fator homocisteína, a hipertensão, o diabetes mellitus e fatores diversos ligados à qualidade de vida estão envolvidos na doença. Diante dessa perspectiva multifatorial o tratamento das cardiopatias é complexo e o sucesso da terapia do paciente cardíaco exige um enfoque sistêmico.

5.1.2. Hiperlipidemias e o fator homocisteína



No que diz respeito às hiperlipidemias - desequilíbrio do nível de colesterol e de triglicérides (hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia) - há muitas evidências de que tais disfunções estão relacionadas com a etiologia das doenças cardiovasculares.
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Mas também se sabe que dietas baixas em gordura e colesterol não conseguiram diminuir as altas taxas de doenças cardíacas no mundo inteiro. Portanto, as hiperlipidemias não representam fator central na prevenção das doenças cardíacas.
As gorduras aderem a certas proteínas para se deslocarem com o sangue; à combinação de gorduras com proteínas chama-se lipoproteínas. Entre as principais estão as lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL), as lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e as lipoproteínas de alta densidade (HDL).
A função principal das lipoproteínas plasmáticas parece ser a de transporte dos triglicerídeos e do colesterol dos locais de origem - no intestino (origem exógena) e no fígado (origem endógena) - para os locais de armazenamento e utilização.
O organismo regula as concentrações de lipoproteínas de várias maneiras. Uma delas é por meio da redução da síntese de lipoproteínas e da sua entrada no sangue. Outro modo é através do aumento da velocidade quando acontece a eliminação das lipoproteínas do sangue.
Se pelo sangue circulam valores anormais de gorduras, especialmente o colesterol, podem aparecer problemas a longo prazo. Por conseguinte, os valores de colesterol baixos são melhores que os elevados, embora os valores muito baixos de colesterol possam também ser prejudiciais. Preconiza-se um valor ideal do colesterol total em torno de 140 mg a 180 mg por decilitro de sangue (mg/dl) ou menos. O risco de um ataque cardíaco é mais do que o dobro quando o valor total do colesterol se aproxima dos 300 mg/dl (Krause; Mahan, 2005).
Nem todas as formas de colesterol aumentam o risco de uma doença cardíaca. O colesterol transportado pelas LDL (conhecido como colesterol “nocivo”) aumenta o risco de doenças cardíacas.
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Isso porque as lipoproteínas LDL levam o colesterol para os tecidos, onde as células utilizam aquilo que precisam e o restante é deixado, acumulando-se nas paredes dos vasos sanguíneos e prejudicando a circulação do sangue. Já as lipoproteínas de alta densidade, as HDL que transportam o colesterol “benéfico”, têm um papel vital no transporte do excesso de colesterol de volta para o fígado, por onde é excretado na bile (transporte reverso do colesterol). Idealmente, os valores do colesterol LDL devem ser inferiores a 130 mg/dl, enquanto os valores do colesterol HDL devem ser superiores a 40 mg/dl. O nível desejável do colesterol total deve ser inferior a 180 mg/dl e nunca superior a 240 mg/dl. O valor do colesterol total é menos importante como fator de risco das doenças cardíacas ou dos acidentes vasculares cerebrais do que a proporção colesterol total/colesterol HDL ou do que a proporção LDL/HDL (Krause; Mahan, 2005). Além disso, os níveis de homocisteína (ver abaixo) devem igualmente ser considerados.
Os triglicerídeos são um fator de risco independente para doenças cardiovasculares e há urgente necessidade de baixar os níveis de triglicerídeos no plasma para diminuir o risco de doenças cardíacas. A hipercolesterolemia é a causa direta da arteriosclerose, enquanto a hipertrigliceridemia é mais bem vista como um marcador para o aumento do risco de doenças arteriocoronarianas. Os valores de triglicerídeos superiores a 200 mg/dl no sangue são considerados anormais e suas concentrações extraordinariamente altas (superiores a 500 mg/dl) podem afetar também pâncreas (Krause; Mahan, 2005). O excesso de glicose no organismo é transformado em triglicerídeos portanto a alta incidência de doenças coronarianas tem íntima relação com o elevado consumo de açúcar e carboidratos de rápida absorção na dieta.
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Sabe-se que as gorduras e os carboidratos, quando ingeridos em excesso, estão relacionados ao acúmulo de tecido adiposo nos vasos e no organismo. Porém, as recomendações nutricionais que restringem o consumo de gordura animal - colesterol e ácidos graxos saturados - não parecem contribuir efetivamente para a redução da obesidade e das doenças cardiovasculares entre a população.
De forma geral, todas as gorduras são essenciais para a formação de calor, para a sustentação dos órgãos, para o funcionamento normal do cérebro e para a composição dos hormônios. As gorduras são fontes de ácidos graxos e agem como condutores de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K). Elas também aumentam a sensação de saciedade e melhoram o sabor dos alimentos. Quando se orienta um baixo consumo de gordura e colesterol na dieta, a necessidade de calorias é compensada com um aumento no consumo de carboidratos (cereais, massas e açúcares), o que pode levar ao aumento da taxa de triglicerídeos.
O colesterol pertence à família dos lipídios esteróis e é importante para um ótimo desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso. Junto com os ácidos graxos saturados, o colesterol forma paredes celulares sadias, além de ser um precursor da vitamina D, da bile, dos hormônios sexuais e dos corticosteróides. Sabiamente, a natureza proveu o leite materno com boas quantidades de ácidos graxos saturados e colesterol, essenciais para o crescimento e desenvolvimento cerebral dos bebês.
O hipotireoidismo, causado pela atividade deficiente e pela secreção diminuída dos hormônios da tireóide, está relacionado com a diminuição da velocidade metabólica e a conseqüente tendência à obesidade, além de afetar o nível de colesterol no sangue.
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Segundo Enig (2000), quando o funcionamento da tireóide é deficiente, o corpo aumenta a produção de colesterol como um mecanismo adaptativo de segurança, produzindo grande quantidade de substâncias necessárias para proteger os tecidos e produzir esteróides. Portanto, é importante relacionar a etiologia do aumento do colesterol sanguíneo ao hipotireoidismo.

O colesterol age também como antioxidante e essa função pode explicar porque seu nível se eleva com a idade. Ou seja, naturalmente, no idoso, o nível de colesterol tende a aumentar a partir de um processo compensatório e fisiologicamente equilibrado, que leva o organismo a produzir mais colesterol para atuar como antioxidante sobre os radicais livres liberados naturalmente durante o processo de envelhecimento.


O colesterol é importante para um bom funcionamento dos receptores de serotonina do cérebro, associados aos sentimentos de bem-estar mental. Muitos pacientes, orientados a seguir dietas pobres em ácidos graxos saturados e colesterol, à base de óleos vegetais, gordura hidrogenada e margarina, apresentam sintomas de depressão e problemas de fatiga.
O alto nível sangüíneo de uma substância chamada homocisteína tem sido relacionado com a tendência de formar coágulos e placas ateróides. Quando há excesso de homocisteína no sangue, as artérias podem se tornar menos flexíveis ou são lesadas, ocorrendo também a formação de placas. Reduzir os níveis de colesterol do sangue, através de medicamentos ou de dieta isenta de gordura animal, não impede o endurecimento das artérias, se o nível de homocisteína for alto. Níveis acima de 12 micromols por litro representam risco considerável de doenças cardíacas. O nível desejado fica entre 6 a 8 micromols por litro.
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A homocisteína é um metabólito do aminoácido metionina que tem íntima ligação com o LDL colesterol. O LDL considerado maléfico porque transporta homocisteína para as artérias. É bom pensar em baixar o LDL, mas também é importante diminuir a quantidade de homocisteína no sangue. Os minerais, a vitamina C, o ácido fólico, as vitaminas B6 e B1, e a colina são nutrientes que contribuem para baixar o nível de homocisteína. Esses nutrientes são encontrados principalmente em vegetais, cereais integrais e inclusive nos alimentos de origem animal. Também é importante ressaltar que exercícios físicos regulares reduzem significativamente os níveis de homocisteína, além de aumentar os níveis de HDL (Mc Cully, 2000).

Por fim, é essencial analisar as inter-relações de uma dieta pobre em fibras como um dos principais agentes etiológicos do aumento de colesterol no sangue. As fibras ajudam na absorção correta do colesterol durante o processo digestivo. Esses fatores estão também aliados a aspectos psicossomáticos e genéticos. Tem surgido um novo padrão genético de hipercolesterolemia entre a população que vive nos grandes centros urbanos sob condições de estresse e sedentarismo. O alto nível de colesterol é um indicativo e não meramente um sintoma. Indica a necessidade de se repensar mudanças no estilo de vida do paciente, de se avaliar possíveis tendências de hipotireoidismo e de introduzir na dieta mais alimentos fontes de fibras, vitaminas, minerais e substâncias antioxidantes, como os cereais integrais, as frutas e as verduras.


A hipótese levantada pelo pesquisador Ansel Keys (1970) de que a ingestão de gordura animal está diretamente ligada ao aumento de doenças cardiovasculares deve ser revista. Sem dúvida, o excesso de gordura animal é prejudicial ao organismo, assim como a carência ou excesso de qualquer nutriente.
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Porém, as causas dietéticas dessas doenças devem ser consideradas globalmente dentro da dieta ocidental, pobre em fibras, deficiente em minerais e vitaminas do complexo B, de ação protetora das paredes dos vasos, antioxidantes e hipocolesterolêmicas e ricas em carboidratos de rápida absorção, que interferem no metabolismo das gorduras.
A ingestão de gordura vegetal hidrogenada e margarina não garantem níveis equilibrados de colesterol, devido à presença de ácidos graxos trans 28, de ação comprovadamente hipercolesterolêmica, que estimulam a produção de colesterol, inibindo o HDL e aumentando o nível de LDL.
A análise das doenças cardiovasculares deve ir mais além do que a restrição de determinados alimentos e nutrientes, considerando a qualidade da dieta e a qualidade de vida do paciente. Alimentos light, óleos com baixo teor de triglicerídeos, leites enriquecidos com ômega-3 e margarinas funcionais com fibras e baixo teor de ácidos trans aparecem entre muitos novos produtos milagrosos veiculados por um marketing envolvente.
A prevenção das dislipidemias e das doenças cardiovasculares começa na infância, com a manutenção de um instinto alimentar sadio e a implantação de hábitos saudáveis dentro da estrutura familiar.
Os leites integrais e equilibrados em todos os nutrientes; a manteiga; os ovos caipira - equilibrados no seu teor de vitamina A e nos dois tipos de ácido linoleico
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(28) Os ácidos transgraxos foram desconhecidos durante os primeiros anos da introdução da gordura hidrogenada na nossa dieta (ao redor de 1910). Mas, a partir de 1950, estudos demonstram seus efeitos adversos relacionados a ataques cardíacos, alguns tipos de câncer, diabetes, disfunção imunológica, obesidade e baixo peso ao nascer.
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(ômega 3 e 6); os óleos de oliva e girassol pressurizados a frio; a gordura de coco; as nozes e os frutos oleaginosos são fontes naturais e saudáveis de gordura que podem fazer parte da dieta do paciente cardíaco desde que ingeridos numa dieta equilibrada.
Sumarizando, para promover a saúde cardiovascular, orienta-se consumir os alimentos em proporção adequada, evitando os produtos industrializados e priorizando, sempre que possível, alimentos frescos de origem integral e orgânica:
Consumir alimentos ricos em vitaminas e fontes equilibradas em micronutrientes, para ativar a função da tireóide (cereais integrais, peixes frescos, sal marinho, leguminosas);

Ingerir fontes de fibras, vitaminas do complexo B e minerais, para manter as artérias menos suscetíveis a rupturas e reduzir os níveis de homocisteína: amêndoas, nozes, sementes de linhaça, gergelim, girassol, cereais integrais, frutas secas e frescas e grande variedade de verduras;


Incluir fontes de ácidos graxos saturados e insaturados: carnes e ovos orgânicos, manteiga, leite integral e derivados, óleos de coco, de palma, de alho, de gergelim, de girassol e de grãos pressurizados a frio, sementes, nozes e frutas oleaginosas;
Restringir ao máximo o uso de pães, massas, cereais e açúcar refinados para controlar a taxa de triglicerídeos, bem como margarina e alimentos à base de gorduras hidrogenadas;
Utilizar, para o cozimento, o mínimo de óleos vegetais pressurizados a alta temperatura. Adicione óleos pressurizados a frio ou manteiga, ao final das preparações;
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Por fim, após todas estas orientações, ressalta-se mais uma vez que somente a dieta não determina a saúde cardiovascular. Estudo americano recente, realizado dentro do programa Women’s Health Initiative Dietary Modification Trial, que acompanhou 48.835 mulheres, entre 50 e 79 anos, de diversos backgrounds e etnias, demonstrou que uma dieta rica em vegetais, frutas e grãos não reduziu significativamente o risco de tais doenças nas mulheres estudadas (Howard et al, 2006).
Tal estudo não deve minimizar a importância da alimentação na prevenção e controle das doenças cardiovasculares, mas apóia a idéia de que, para manter o peso e a saúde cardiovascular, é necessário considerar todos os aspectos que envolvem a qualidade de vida do paciente, como os exercícios físicos regulares, o controle do fumo, do álcool e do nível de estresse e a saúde psicossocial do indivíduo.

O objetivo específico da dieta para o cardíaco e hipertenso é fornecer uma nutrição adequada (rica em fibras, minerais e vitaminas e pobre em açúcares e massas refinadas), com o menor trabalho e esforço muscular para o coração, a fim de prevenir ou eliminar o edema e equilibrar os níveis de homocisteína, colesterol e triglicerídeos.


No início do tratamento, até a regularização das práticas saudáveis de vida, a dieta deve ser preferencialmente lactovegetariana, à base de frutas (especialmente as doces), verduras (especialmente as folhas), cereais integrais, leite e derivados fermentados (ricota, iogurte, kefir, coalhada), que devem ser integrais.
Em casos graves, pode-se iniciar pelos desnatados, mas a escolha do integral se dá por causa da melhor disponibilidade de micronutrientes e pela oferta das vitaminas lipossolúveis.
Os exames clínicos regulares devem ser realizados e à medida que acontece o controle dos níveis de colesterol e triglicerídeos e da hiper-
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tensão pode-se introduzir carnes e peixes magros, ovos caipira, manteiga, leguminosas e leite integral desde que a dieta se mantenha rica em fibras, vitaminas e minerais.
As recomendações dietéticas apresentadas a seguir nos itens 1 a 6 são válidas para todos os tipos de disfunções cardiovasculares.
Os itens 7 a 9 apontam restrições e orientações específicas nos casos associados de hipertensão, hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia e aumento da homocisteína.
A cebola tem uma ação hipolipidêmica por causa dos princípios à base de enxofre que ela contém, entre eles a meti1 cisteína sulfurosa e o alipropil disulfídio.

Vários estudos citados em DerMarderosian e Beutler (2002) apontam a cebola como um importante alimento da dieta para controle da arteriosclerose e dos triglicerídeos.


A aveia contém fenóis de atividade antioxidante inibidores da ação da LDL e beta-glucanas, fibras que estimulam a excreção do excesso de colesterol.
O limão e o grapefruit contêm pectinas que auxiliam na redução das taxas de colesterol e atuam no fortalecimento dos vasos; o grapefruit especificamente tem narigina, que impede a agregação de células vermelhas.
A berinjela auxilia no equilíbrio dos altos níveis de colesterol.
O açafrão ou cúrcuma diminui os níveis de LDL sintetizado pelo fígado.
A alcachofra, usada como hortaliça ou chá, contém cinarina, que age no controle do colesterol.
A uva tem resveratrol, que impede o acúmulo do colesterol nos vasos e o mamão contém papaína, que auxilia na decomposição das gorduras.
O consumo de ruibarbo pode diminuir o nível total de colesterol sérico, pois inibe uma enzima (esqualene epoxidase) envolvida na síntese do colesterol.
Segundo estudos citados em Teske e Trentini (2001) e DerMarderosian e Beutler (2002), todos esses alimentos
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devem fazer parte da dieta do paciente com hipercolesterolemia. Pesquisa de Story (1984) aponta as saponinas presentes na alfafa como substâncias que estimulam a excreção do colesterol.
O tomate contém ácido gama-aminobutírico, fitoquímico eficaz no controle da pressão.
O alho contém alicina 29, um vaso dilatador periférico.
O chuchu, o dente-de-leão e o pepino são ricos em potássio e, por isso, apresentam ação hipotensora (DerMarderosian; Beutler, 2002; Vanaclocha; Folcará, 2003; Ferro, 2006).
O extrato de acerola tem atividades antioxidantes e seu uso associado ao suco de broto de alfafa é indicado no tratamento de doenças cardiovasculares (Hwang et al, 2001).
Outros alimentos indicados para a promoção da saúde cardiovascular são o suco de uva escura e as nozes.
Pesquisa liderada por Pace-Asciak (1996) ressalta a ação dos flavonóides presentes na uva (quercetina, catequinas, miricetina e campferol) como responsáveis pela redução do fibrinogéneo, aumento do colesterol HDL, a diminuição da capacidade de oxidação do colesterol LDL, a redução da velocidade de oxidação das partículas do LDL, a redução da concentração das moléculas de adesão de linfócitos e monócitos, a redução da adesão dos monócitos ao endotélio vascular e estímulo à vasodilatação.
As nozes, ricas em fibras, ácidos graxos essenciais e ácido linoléico auxiliam na redução do colesterol sérico e impedem a formação de coágulos de sangue (Polunin, 1997).
O uso de gengibre ralado na comida ou na salada pode ser utilizado para pacientes hipertensos (Chevallier, 2005).
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(29) A alicina é termolábil, portanto o calor interfere nas propriedades terapêuticas do alho. Por isso indica-se o seu consumo preferencialmente cru ou acrescido no final das preparações.


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Cuidados nutricionais para doenças cardiovasculares:
1.Para promover a saúde cardiovascular, orienta-se consumir os alimentos em porções pequenas, fracionar as refeições ao longo do dia, evitar alimentar-se após as 20 horas, restringir os alimentos industrializados e priorizar, sempre que possível, alimentos frescos, de origem integral e orgânica.
2. Evitar ao máximo: alimentos industrializados, pães, massas, e cereais refinados, salgadinhos, conservas, sal, carnes gordas, frituras, margarina, gordura hidrogenada (veja os rótulos dos sorvetes, chocolates, pastelarias, bolachas e biscoitos industrializados), embutidos, açúcar refinado e doces concentrados, álcool, chá preto, café (contém cafeína que é estimulante cardíaco), mate e guaraná.
3. Iniciar a dieta com alimentos ricos em vitamina B e equilibrados no teor de micronutrientes (gérmen de trigo, folhas verdes em geral, aveia, alimentos fermentados como kefir, nabo, pepino e repolho fermentados, peixes frescos, pequena quantidade de sal marinho), alimentos fontes de fibras (amêndoas, nozes, sementes de linhaça, gergelim, girassol, cereais integrais, frutas secas, verduras e frutas frescas e cruas com talos e cascas, sempre que possível, como acerola) e leite e derivados acidificados desnatados.
4. Quando a pressão sangüínea e os níveis de colesterol, triglicerídeos e homocisteína se equilibrarem, incluir gradativamente pequenas quantidades de alimentos fonte de ácidos graxos saturados e insaturados: carnes e ovos orgânicos, leguminosas, manteiga, leite e derivados acidificados integrais, queijo branco, óleo de alho, de gergelim, de girassol e de grãos

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pressurizados a frio, e frutas oleaginosas como o coco e o abacate. Também incluir pequenas porções de gersal, missô e shoyo.
5. Utilizar, para o cozimento, gordura de palma ou de coco ou o mínimo de óleos vegetais pressurizados a alta temperatura. Adicionar óleos pressurizados a frio (oliva, girassol) ou manteiga, ao final das preparações, bem como utilizar os condimentos e ervas frescas (especialmente a páprica e o açafrão) para maximizar as funções digestivas e não sobrecarregar as funções cardíacas.
6. Estimular o consumo adequado de líquidos (chás, sucos, água) entre as refeições ajuda a equilibrar a pressão. Orienta-se o consumo regular de suco de acerola com brotos de alfafa.
7. Alimentos especialmente indicados para controle da hipertensão: alho, vegetais amarelos (abóbora, cenoura) ou verde-escuros(aipo, alcachofra, espinafre, couve, brócolis, pepino com casca), tomate, nozes, limão, cebola crua, pepino, arroz integral, gengibre ralado na salada, sucos verdes de verduras (acelga, agrião, couve, aipo, alface, salsinha, dente-de-leão), alimentos crus, brotos e folhas de todas as espécies.
8. Chás indicados para a hipertensão: chá por infusão das folhas e flores de sete-sangrias (Cuphea balsamona), das folhas de dente-de-leão (Taraxacum officinale), das flores de crataegus (Crataegus oxyacantha), das folhas de embaúba (Cecropia sp), de cavalinha (Equisetuni arvense) e de cabelo de milho (Zea mays).
9. Em crises de hipertensão moderada, quando não se faz uso de medicamentos alopáticos, pode-se
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orientar uma dieta mais rígida (que deve ser monitorada) durante dois a três dias, a base de arroz integral, chuchu, cenoura, abóbora, alho (30), folhas em geral, salsinha, saladas cruas e sucos de folhas verdes, sucos de laranja lima, melancia e melão e chás indicados (ver Anexo 6). Retirar todas as fontes de açúcar e gordura (inclusive manteiga e óleos) com exceção do azeite de oliva pressurizado a frio.

Evitar o sal marinho e substituí-lo por uma pequena quantidade de missô ou gersal para temperar. Pode-se usar limão para as saladas.


10. Alimentos especialmente indicados para controle da hipercolesterolemia: suco de berinjela em jejum, suco de uva escura, romã, agrião, mostarda, rabanete, brócolis e couves, alho, cebola, sucos verdes de verduras (alfafa, acelga, agrião, couve, aipo, alface, salsinha, dente-de-leão), alimentos crus, ruibarbo, brotos, aveia, grapefruit (fruta inteira e não suco), alcachofra, uva (suco ou fruta inteira) e mamão.
11.Na hipertrigliceridemia, além das orientações acima, restringir ao máximo os açúcares, doces e massas, refinados ou integrais.
5.2. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM ANEMIAS

O sangue transporta nutrientes, oxigênio, hormônios, eletrólitos, excreções celulares de e para todas as partes do organismo.


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(30) O “chá de alho cru” tem urna ação muito eficaz no controle da hipertensão. Esmagar dois dentes de alho em meio copo de água e tomar em seguida.
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Qualquer enfermidade do sangue afeta todo o organismo.
As células brancas e vermelhas e as plaquetas são os componentes usualmente afetados nas enfermidades dos órgãos formadores do sangue.

No individuo normal e sadio o sangue representa de 5 a 6% de seu peso corporal.



A concentração de células vermelhas (eritrócitos) é de aproximadamente 4.500.000 por milímetros cúbicos em mulheres e 5.000.000 por milímetros cúbicos em homens. As células brancas (leucócitos) são menos numerosas e a proporção é de 1 para 500 (Karuse; Mahan, 2005).
5.2.1. Anemia
A anemia é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a condição na qual o conteúdo de hemoglobina no sangue está abaixo do normal, como resultado da carência de um ou mais nutrientes essenciais, seja qual for a causa desta deficiência.
A hemoglobina é o pigmento dos glóbulos vermelhos (eritrócitos) e tem a função vital de transportar o oxigênio dos pulmões aos tecidos.
Os valores normais para a concentração de hemoglobina sanguínea são de 13g/dl para homens, 12g/dl para mulheres e 11g/dl para gestantes e crianças entre 6 meses e 6 anos.
Segundo a OMS, 30% da população mundial é anêmica, sendo que sua prevalência entre as crianças menores de 2 anos chega a quase 50%.
Qualquer condição passível de comprometer a produção ou de aumentar a taxa de destruição ou de perda dos glóbulos vermelhos pode resultar em anemia.
Se a medula óssea não conseguir compensar a perda dos glóbulos vermelhos ou houver um aumento das necessidades de ferro, como ocorre em crianças e adolescentes durante períodos de crescimento acelerado ou em mulheres durante a fase reprodutiva, a gestação e a amamentação podem surgir os sintomas da anemia.
Homens - adolescentes e adultos - e pessoas idosas também podem ser afetados por eia (Krause; Mahan, 2005).
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São várias as causas de anemia, sendo a anemia por deficiência de ferro a mais comum em todo o mundo.
Outros fatores nutricionais de importância nas anemias são as deficiências de proteínas, vitaminas B12, ácido fólico, piridoxina, ácido ascórbico, zinco e cobre.
O desequilíbrio do cálcio, cobre e chumbo e o excesso de bebidas estimulantes como café, chá preto e chá-mate também contribuem para inibir a absorção de ferro.
Além disso, outros aspectos como alergias ou intolerâncias alimentares, disfunções da medula óssea, defeitos genéticos, doenças (como as auto-imunes ou a malária), deficiências hormonais, uso de medicamentos, infecções ou doenças parasitárias e hipoxigenação causada pelo estresse e pelo sedentarismo também interferem na correta utilização do ferro pelo organismo.
Serão focadas aqui as anemias ferropriva (por carência de ferro) e megaloblástica (por carência de vitamina C, B1, e ácido fólico) que necessitam de uma abordagem dietética específica.
Acredita-se que seguindo uma alimentação rica em alimentos integrais orgânicos, provenientes de um solo equilibrado em minerais, como preconizado nas orientações iniciais é possível tratar e prevenir os tipos de anemia relacionados à falta dos micronutrientes acima mencionados.
A anemia ferropriva se caracteriza por uma concentração reduzida de hemoglobina no sangue e uma diminuição do conteúdo de ferro total do organismo.
Pode ter três causas: perda crônica de sangue, ingestão ou absorção deficiente de ferro e necessidade aumentada, como ocorre na infância, puberdade, gravidez e lactação.
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Os sintomas geralmente aparecem quando o nível de hemoglobina está abaixo de 7 ou 8 g/dl.


Um sintoma inicial é a redução da imunocompetência com conseqüente aumento da propensão à infecções.
Sintomas de fadiga, fraqueza, anorexia e distúrbios da fome são relacionados à depleção tissular de enzimas contendo ferro e não à redução do nível de hemoglobina no sangue.
Quando a anemia progride podem aparecer sintomas como defeitos na estrutura e função dos tecidos da língua, unhas, boca e estômago (Krause; Mahan, 2005).
Na fase inicial da doença, para repor as reservas de ferro, orienta-se normalmente a medicação de ferro inorgânico por via oral, na forma de sulfato ferroso (100 a 200mg/dia para adultos e 1,5 g por quilo de peso para crianças).
Dentro da Medicina Antroposófica o uso de ferro substancial é questionado em alguns casos de anemia, especialmente a dos lactentes no primeiro ano de vida e das gestantes (31).
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(31) O ferro é o metal que existe em maior abundância no organismo e que caracteriza o domínio do ser humano sobre a terra (existem muitas formas de simbologia, como o uso das armas nas guerras de conquista ou a espada de ferro de heróis míticos).
A deficiência de ferro se traduz como um estado de apatia e letargia, próprio de um “processo de desconexão” com o mundo físico.
É comum encontrar um estado de prostração e desânimo diante da vida em pacientes com tendência a anemias e quando essas tendências anímicas são superadas a anemia desaparece. Povos vegetarianos, como os antigos hindus, provavelmente vivenciaram tal “estado de desconexão” como uma condição normal de desenvolvimento voltado menos para a terra e mais para o espiritual, o divino. Na visão da Medicina Antroposófica, no primeiro ano de vida e na gravidez essa “desconexão” - dentro de certos limites, é considerada um estado normal que pode beneficiar o desenvolvimento equilibrado da criança e do feto.
Pela mesma razão não se orienta o uso de carnes durante o primeiro ano de vida do bebê; para propiciar um domínio dos processos corporais de forma gradual e plena, além de evitar a ingestão precoce de proteínas que podem sobrecarregar o sistema imunológico da criança.
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É comum o aparecimento de uma anemia fisiológica no primeiro ano de vida, mas essa disfunção deve ser compreendida em um contexto maior do desenvolvimento infantil do que a simples falta de ferro na dieta (Goebel; Glücker, 1988).
Nesses estados prefere-se utilizar o “processo do ferro”, ou seja, o ferro homeopatizado na forma de medicamentos ou o ferro dos vegetais, presente nas folhas verdes e raízes.
Além disso, outros alimentos ricos em ferro, vitamina C e micronutrientes devem ser oferecidos à gestante e ao bebê para equilibrar e manter as reservas de minerais equilibradas.
O sistema agroalimentar moderno, que utiliza adubos sintéticos, agrotóxicos e metais pesados na agricultura e alguns métodos agressivos de processamento na indústria alimentar, oferece alimentos cada vez mais deficientes em minerais; a carência de ferro na população é um dos reflexos do consumo de alimentos produzidos desta forma.
Optar por alimentos integrais orgânicos é uma prática de prevenção de anemias e outras doenças carenciais.
Há uma inter-relação com o metabolismo de folatos (32), a deficiência dos mesmos interfere no desenvolvimento normal dos eritrócitos e pode levar à anemia megaloblástica. A vitamina B1, e o ácido fólico, por exemplo, são essenciais para a síntese das nucleoproteínas, necessárias para o desenvolvimento dos eritrócitos.
O ácido ascórbico funciona como um protetor dos folatos, reduzidos da destruição oxidativa do organismo, e influencia a taxa de absorção do ferro e a liberação do ferro da transferrina para os tecidos.
Hábitos alimentares carentes dessas vitaminas por muito tempo ou absorção deficiente das mesmas são as causas mais freqüentes de uma medula óssea megaloblástica e anemia (Krause; Mahan, 2005).
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(32) O termo “folatos” é utilizado para designar todos os membros da mesma família das vitaminas do complexo B, compostos nos quais o ácido pteróico se liga a uma ou mais moedas de L-glutamato.
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No estado de deficiência, a proteína das células vermelhas não pode ser sintetizada apropriadamente e há produção de células sangüíneas grandes (macrocísticas) e imaturas (megaloblásticas).
Este estado é caracterizado por um número reduzido de eritrócitos, leucócitos e plaquetas.

A anemia por deficiência de folato se caracteriza por níveis de folato sérico menor que 3mg/l e nível de folato de células vermelhas menor que l00mg/l.

Os níveis séricos de B1, também estão moderadamente reduzidos.
A anemia macrocítica do escorbuto, resultado da deficiência de vitamina C, pode ser corrigida com uma dieta rica em proteínas de alto valor biológico e alimentos ricos em vitamina C para cobrir deficiências associadas de ferro e folatos.
A anemia perniciosa também tem como causa a carência mais especifica de vitamina B1,, seja por ingestão inadequada (como nos casos dos vegetarianos restritos, uma vez que a esse nutriente só é encontrada em produtos animais) ou devido à falta de um fator intrínseco, uma glicoproteína presente no suco gástrico, essencial para a absorção de tal vitamina dos alimentos.
A anemia perniciosa não afeta somente o sangue, mas também o sistema gastrointestinal e o sistema nervoso, resultando em entorpecimento dos membros, pobre coordenação muscular, pouca memória e alucinações que podem evoluir para um estado irreversível de demência (Krause; Mahan, 2005).
No caso dos vegetarianos restritos recomenda-se a complementação sintética de B12, bem como alimentos de origem integral orgânica.
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De modo geral, para todos os tipos de anemia, aconselha-se aumentar a ingestão protéica, de ferro, de fontes de vitaminas B12, folatos e vitamina C e estimular o consumo de alimentos frescos, integrais e orgânicos.
Cuidados nutricionais para anemia:
1.Consumir alimentos frescos, integrais e orgânicos.
2. Evitar: chá preto, café, excesso de açúcar, doces concentrados e farinhas refinadas (pães, bolachas, tortas, pizzas).
3. Alimentos especialmente indicados: sementes de girassol, linhaça, gergelim e abóbora são excelente fontes de ferro e podem ser utilizadas em saladas, pães, granolas.
Outros alimentos ricos em ferro, folatos e vitaminas B17, e C: caqui, verduras verde- escuras (agrião, brócolis, folhas de beterraba, espinafre, aspargos, salsinha, agrião, couve, dente-de- leão em saladas ou em sucos verdes), alfafa, raízes (beterraba, cenoura, aipo, nabo), açaí, melado, leite integral, cereais, flocos e pães integrais (especialmente centeio e trigo), quinoa, frutas secas (passas, ameixas, damasco, banana-seca), além das frutas cítricas (acerola, morango, abacaxi), tomate, pimentão, manga, goiaba e melão.
4. Durante o tratamento, incluir diariamente na dieta uma fonte de carne vermelha, ovos caipira ou leguminosas.
5. Chá indicado: chá por decocção das raízes de genciana (Gentzana lútea).
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6 - DOENÇAS RENAIS E DAS VIAS URINÁRIAS
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6. DOENÇAS RENAIS E DAS VIAS URINÁRIAS
Os rins mantêm a homeostase química de todos os fluidos do organismo.
Sua função principal é regular e conservar nutrientes e água e excretar os produtos do metabolismo.

O sangue que entra nos rins atinge as arteríola e alcança os néfrons. Aproximadamente 1 litro e 200 ml de sangue total passam pelos rins a cada minuto e um quinto da água do plasma é filtrada pelo néfron diariamente.


Ao longo dos túbulos renais elementos são reabsorvidos ou secretados e tal processo é controlado pelo hormônio antidiurético (ADH), produzido no hipotálamo.
O fluido final que sai do néfron é água com um conteúdo concentrado de produtos do metabolismo.
Ao final, os produtos de excreção chegam a uma área afunilada, a pélvis renal, e podem ser levados à bexiga para acumulação e eliminados sob a forma de urina.
Um volume mínimo de 600 ml é necessário para excretar a carga média diária de sólidos.
A urina é formada de 95% de água e 5% de solutos na forma de produtos nitrogenados - uréia, creatinina, ácido úrico e amônia - e sais inorgânicos.
Se estes produtos não são eliminados normalmente, eles se acumulam em quantidades anômalas no sangue.
Uma dieta com alto teor de proteína aumenta a excreção de uréia. Através desse processo de eliminação, os rins mantêm a homeostase química do organismo, o balanço eletrolítico e o pH normal dos fluidos orgânicos, mantendo assim o equilíbrio ácido-básico (Krause; Mahan, 2005).
Os autores acima afirmam que além da função excretora, existem outras atividades do rim.
Os rins controlam a pressão arterial por um mecanismo (renina-angiotensina) que regula o volume e a absorção de sódio no organismo e também produzem eritropoietina, um fator determinante da atividade eritrocítica da medula
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óssea, cuja deficiência na insuficiência renal crônica pode levar a um tipo de anemia severa.
Os rins mantêm a homeostase da relação cálcio-fósforo ósseo através da vitamina D3 e o desequilíbrio dessa relação está relacionado ao aparecimento de osteodistrofias em muitas doenças renais.
Por fim, dentro da visão da Medicina Antroposófica os rins têm uma atividade, não menos importante que a excreção, que consiste em receber a proteína provinda da alimentação e transformá-la, durante a reabsorção nos túbulos renais, em substância própria e individual.
Os rins são relacionados ao sistema nervoso e às emoções humanas.
Por seu grande consumo de oxigênio, sua sensibilidade à anoxia e sua incapacidade de regeneração, o rim aparenta-se com o sistema nervoso, conexão que aparece no plano embriológico no primeiro esboço renal.
O medo e as emoções incontidas ressoam sobre o rim provocando a polaciúria.
Na Medicina Antroposófica o rim é chamado de órgão-ar, contrariando a relação que comumente se faz com os processos de excreção da água (Bott, 1981).
As doenças renais, agudas ou crónicas, têm muitas causas e especificidades.
A origem da doença e a porção do néfron que ela afeta determinam os sintomas e o tratamento.
Este capítulo vai explorar somente a nefrolitíase (cálculos renais) com foco nos alimentos que estimulam a função renal e atuam na expulsão dos cálculos.
Ressaltam-se aqui pesquisas com o aspargo, que contém asparagina, estimulante da atividade renal e com o arroz, a salsa e cebola, de ação diurética (Ferro, 2006).
A bardana, pela presença de inulina e ácidos ubicados, é indicada por Delaveau (1987) para estimular a diurese e a eliminação de cálculos.
As recomendações para as infecções urinárias também serão apresentadas a seguir.
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6.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM NEFROLITÍASE E INFECÇÕES URINÁRIAS
6.1.1. Nefrolitíase (litíases ou cálculos renais)
A nefrolitíase é uma condição caracterizada pela presença de cálculos renais que podem se formar tanto nos rins quanto na bexiga.
Eles se parecem com pedregulhos, alguns lisos, outros rugosos, e sua aparência depende de seus constituintes.
Variam consideravelmente de tamanho e podem ocupar toda a pélvis renal.
Certas disfunções como os distúrbios da secreção da paratireóide, com perda de fosfato e cálcio pela urina, infecções sistêmicas, desequilíbrios hormonais, ingestão inadequada de líquidos e lesões que obstruem o fluxo e produzem estase de urina são fatores etiológicos das litíases renais.
Em Krause e Mahan (2005) os cálculos podem ser de três tipos:
Cálculos orgânicos, como os de ácido úrico, cistina e xantina, formados por alterações metabólicas. Nesse caso a urina tende a ser ácida e a dieta deve conter alto teor de produtos alcalinizantes do meio interno, evitando-se as proteínas, como nas recomendações para hiperuricemia (ver item 3.1.5).
Cálculos de material alcalino, como por exemplo, de cálcio ou magnésio, sob a forma de carbonatos ou fosfatos de amônio, que são decorrentes de infecções no trato urinário. Nesse caso, recomenda-se a dieta dissociativa (apresentada no item 4.2.2) para iniciar o tratamento que segue depois com os cuidados nutricionais abaixo apresentados.
Cálculos à base de cálcio, que habitualmente não são associados à infecção. Eles constituem a maioria
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dos cálculos renais; o cálcio também pode ser encontrado na forma de oxalato ou fosfato de cálcio e carbonato de cálcio.
As condições que favorecem a formação de cálculos são a ingestão excessiva de alimentos ricos em cálcio, como o leite; de antiácidos que contenham cálcio e de vitamina D, que mobiliza o cálcio e aumenta a excreção urinária; a imobilização geral do organismo por repouso no leito prolongado; e o hiperparatireoidismo (a disfunção dos paratormônios eleva o nível de cálcio no sangue, tanto pelo aumento de reabsorção de cálcio renal, quanto pela absorção de cálcio dos intestinos).
Alguns alimentos já foram pesquisados com função de dissolução dos cálculos como as laranjas doces que tem terpenos ed-limoneno, fitoquímicos que estimulam tal ação.
Marczal e colaboradores (1997) apontam a salsinha como uma planta com ação estimulante da função renal por causa da ação diurética de substâncias como o apiol e a miristicina.
A abóbora também é indicada como diurético e outros vegetais com tal ação são: agrião, alho-poró, pêra, cebola, erva-doce, melão, pepino, melancia, chuchu e acelga (Ferro, 2006).
Cuidados nutricionais para litíases e para estimular a função renal:
1. A dieta do paciente com propensão à formação de cálculos de cálcio pode ser normal, à base de frutas (especialmente as doces), verduras, cereais integrais e consumo moderado de ovos caipira, carnes, peixes e sal marinho integral (evitar o refinado).
2. Alimentos especialmente indicados para estimular a função renal: alho-poró, cebola, erva-doce, bardana, melão, pepino, melancia, chuchu, acelga,
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pêra, caldo de verduras, lima-da-pérsia, laranjas doces, suco de maçã, arroz integral, sucos de folhas verdes (especialmente de agrião e salsinha, que podem ser preparados com pepino em vez de água e o de salsão) e aspargo.
3. Chás por infusão indicados: quebra-pedra (Phylhantus niruri), assa-peixe (Vernonia polyanthes), cavalinha (Equisetum arvense) e cabelo de milho (Zea mays).
4. Ingerir, pelo menos, 1, 5 litros de água por dia, pura ou na forma de sucos e chás. Evitar refeições muito condimentadas e ingerir, antes do almoço, as saladas cruas e no jantar, caldos e sopas de verduras.
5. Para cálculos de origem não especificada evitar alimentos ricos em cálcio e sal em geral como o leite integral e derivados, frutos do mar (ostras, mariscos), sardinha, repolho, brócolis, carnes, leguminosas, soja, coco, frios e defumados, sopas industrializadas, salgadinhos e conservas.
6. No caso de diagnóstico específico de cálculos de oxalato de cálcio evitar alimentos como beterraba, ruibarbo, espinafre, canela, dente-de-leão, figos, ameixas, chá preto, chocolate, cacau, café, gelatina, pimenta, abacaxi, morango, feijão, batata, tomate (principalmente as sementes) e couve-de-bruxelas.
7. No caso de diagnóstico especifico de cálculos de fosfatos de cálcio evitar alimentos ricos em fosfatos como leite e derivados, ovos, vísceras, sardinha, castanhas, soja não-fermentada, carnes em geral, gérmen de trigo.
8. No caso de diagnóstico específico de cálculos de ácido úrico, cistina e xantina seguir a dieta para hiperuricemia (item 3.1.5).
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6.1.2. Infecções urinárias
São infecções bacterianas do canal urinário causadas, na maioria das vezes, pela bactéria Escherichia coli.
A mulher está muito mais sujeita a esse tipo de infecção do que o homem por ter a uretra mais curta. A uretra é o canal que leva a urina da bexiga para fora do corpo.
Estima-se que metade das mulheres desenvolve infecção urinária ao menos uma vez na vida.
Freqüentemente a infecção atinge a bexiga e, se não tratada rapidamente, pode também pode afetar os rins.
A atividade sexual intensa aumenta a chance de uma mulher contrair infecção do trato urinário, bem como o uso de diafragma e a gravidez.
Outros fatores de risco são infecções anteriores, idade avançada, menopausa, pedra nos rins, diabetes, complicações imunológicas e tendência genética.

Casos epidêmicos de inflamação do trato urinário pela bactéria E.coli em mulheres são relacionados à resistência aos antibióticos.


O estudo de Manges e colaboradores (2001) sinaliza que essa resistência tem relação com a contaminação por elevado índice de antibióticos de algum tipo de alimento distribuído nacionalmente, como ovos e carnes de frango de granja e leite de origem convencional.
A baixa resistência à infecções tem íntima relação com uma dieta desvitalizada, desequilibrada em micronutrientes e fitoquímicos, à base de alimentos industrializados de origem convencional, pobre em frutas, verduras e alimentos frescos. Fatores emocionais, estresse, depressão e ritmo desequilibrado entre sono e vigília também contribuem para aumentar a predisposição à infecções em geral.
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Entre os alimentos ressaltam-se o alho e limão, que estimulam o sistema imunológico, o suco de caule de salsão, de ação desintoxicante, diurética e anti-séptica e chás de plantas como as flores e folhas de equinácea (Echinacea angustifólia), as sementes de salsão (Apium graveolens) e as folhas de uvá-ursi (Arctostaphylos uva ursi) (Chevalier, 2005).
Cuidados nutricionais para infecção urinária:
1. Manter uma dieta à base de alimentos frescos, integrais e orgânicos.
2. Aumentar o consumo de líquidos em geral. Alimentos especialmente indicados: sopas de verduras, chás indicados, sucos verdes, suco de uva orgânico, suco de goiaba (em jejum), brotos, mel, frutas, verduras cruas em geral, geléia real e pólen.
3. Chás indicados: infusão das folhas de uva-ursi (Arctostaphylos uva ursi), das flores e folhas de equinácea (Echinacea angus tifótia) e das sementes de salsão (Apiura graveolens)

4. Restringir o consumo de carnes, ovos, queijos e leguminosas. Preferir leites acidificados na forma de iogurte, kefir, coalhada e ricota.


5. Em casos de infecções recorrentes, iniciar o tratamento com a dieta dissociativa (item 2.2.2).
Tal dieta, seguida por seis dias consecutivos, pode amenizar significativamente os sintomas e acelerar o processo de cura. Após a mesma, manter por mais dois ou três dias uma dieta alcalinizante do meio interno, lactovegetariana (sem a proteína das leguminosas), à base de iogurte, ricota, frutas, verduras e cereais integrais e temperos como o missô, o shoyo e o gersal, além da ameixa umeboshi.
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7 - ALERGIAS E DOENÇAS DA PELE
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7. ALERGIAS E DOENÇAS DA PELE
7.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM ALERGIAS ALIMENTARES
Krause e Mahan (2005) definem alergia como uma reação imunológica adversa a uma substância que é inócua, em quantidade similar, para a maioria das pessoas.
Para os autores, a alergia alimentar é considerada uma hipersensibilidade adquirida do sistema imunológico, uma reação da imunidade e deve ser diferenciada da intolerância alimentar, que pode ser decorrente de uma deficiência enzimática, de um problema digestivo ou de uma reação psicológica.
A substância agressora, chamada alérgeno ou antígeno, pode entrar no organismo por ingestão, inalação, contato direto ou infecção. No caso da alergia alimentar o alérgeno, geralmente uma proteína, passa através da mucosa gastrointestinal e é percebido pelo sistema imune quando entra na circulação. Na primeira vez que o antígeno aparece não há resposta alérgica, mas ele estimula a produção de anticorpos, pertencentes a uma ou mais classes de imunoglobulinas.
Os anticorpos permanecem ligados às células, ou circulam pelo organismo. Na próxima vez em que o antígeno aparecer na circulação, haverá a formação de um complexo com o seu anticorpo específico e estes complexos poderão agir no soro ou nas células, produzindo os efeitos biológicos de uma reação alérgica.
A alergia, no contexto da medicina científica, se desenvolveu a partir da visão biológica da medicina moderna, sob o enfoque de cura a partir da eliminação dos agentes externos, sejam eles microorganismos ou agentes ambientais. Dentro dessa visão, o tratamento da alergia se concentra na eliminação dos agentes “agressores”
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contra os quais o sistema imunológico se torna hipersensível ou na supressão deste estado de hiperatividade.
Para iniciar a discussão sobre alergias ressalta-se que o enfoque do tratamento aqui apresentado não é a eliminação dos agentes externos patogênicos nem a supressão da hipersensibilidade do sistema imunológico, mas a promoção de uma resposta adequada de tal sistema no organismo estimulando a imunidade natural.
No campo da imunologia já se discute que a melhor maneira de evitar as doenças é equilibrar o sistema imunológico, através da conquista da imunidade natural.
Imunização natural é o processo de resistência que se adquire contra bióticos patogênicos depois que esses atravessaram uma série de barreiras de defesa natural do organismo - nariz, garganta, pulmões e trato gastrointestinal.
Os que conseguem alcançar a corrente sangüínea são ainda combatidos por outras células do sistema imunológico. Todos os eventos biológicos que acontecem ao longo dessa trajetória são fundamentais à construção da verdadeira imunidade do organismo, que só é alcançada após a total recuperação da doença, quando todo o processo é então gravado na memória das células que dele participaram.
Não há dúvida que por alguns dias durante esse processo o indivíduo sofre um mal-estar.
Porém, é possível rapidamente superar tal estado, desde que o paciente esteja sob cuidados e possa se desenvolver em um organismo bem nutrido.
Se a saúde for cultivada através de uma boa alimentação e de hábitos de vida saudáveis, o organismo se torna imune à sobrevivência de grande parte dos bióticos patogênicos ou reage a eles de forma mais efetiva. Esta é a base da medicina dos terrenos. Claude Bernard (1813-1878), fisiologista francês, afirmou que “o terreno é tudo”.
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Os microorganismos se fortalecem quando recebem sinais de deterioração do “terreno - organismo”. Foi baseado nessa premissa que Alexis Carrel (1873-1944), prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1912, enfatizou que o terreno equilibrado é base para uma vida saudável (Carrel apud Camargo, 2004).
A Medicina moderna priorizou a visão biológica e a ação das drogas, negligenciando o potencial do terreno biológico. O potencial de uma boa nutrição - matéria-prima do “terreno” - foi menosprezado e o sistema imunológico tornou-se um desconhecido (Schwitters, 2000; Camargo, 2004).
A tecnologia dos alimentos, por sua vez, também foca sua ação na destruição dos bióticos patogênicos, através de processos tecnológicos agressivos, cujo objetivo central é tornar os alimentos “inócuos e seguros”. Com tal afirmação, não se deseja minimizar a importância da higienização correta de alimentos e o estudo de microorganismos alimentares patogênicos.
Porém, é importante ressaltar que a tecnologia dos alimentos voltada enfaticamente ao controle dos contaminantes biológicos em detrimento da qualidade dos alimentos e do seu valor nutricional precisa ser questionada e não pode colocar em risco a maior fonte de promoção de saúde que nós temos disponível, ou seja, alimentos frescos, integrais e de origem orgânica.
Muitos alimentos são relacionados à alergias, mas pouco se questiona o processamento e a origem desses alimentos como possíveis causas de alergias. Um exemplo de tal afirmação é o leite.
Antes de pensar nele como um alimento alergênico é importante considerar a desnaturação de suas enzimas e proteínas, a oxidação das gorduras e a perda de vitaminas que ocorrem durante os processos de pasteurização e esterilização.
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Isso sem mencionar os resíduos de hormônios e drogas veterinárias provenientes da criação animal convencional. Todas essas modificações contribuem para tornar o leite um alimento antinatural, cada vez mais difícil de digerir. Experiências clínicas demonstram que pacientes com intolerância leve a lactose toleram o leite no seu estado in natura integral, rico em enzimas digestivas e equilibrado em nutrientes, mas não toleram os leites termicamente processados.
Abaixo serão tecidas outras considerações sobre a alergenicidade do leite.
De modo geral, as alergias alimentares têm aumentado nos últimos anos e cabe aqui uma discussão que abarque as diversas facetas dos processos chamados de alergênicos, visíveis especialmente em crianças. Primeiramente pode-se afirmar que não existem alimentos ou substâncias alergênicos, mas pacientes alérgicos.
É o paciente que deve ser tratado na sua dificuldade de digerir ou “receber” o que é “de fora e estranho” e metabolizá-lo em “substância própria”.
Muitos aspectos, inclusive pedagógicos, devem ser levados em consideração na abordagem das alergias. Traumas emocionais e situações de estresse tornam vulnerável o sistema imunológico das crianças, tornando-as mais suscetíveis às doenças.
Práticas de consultório indicam que crianças separadas de suas mães ou precocemente exigidas no seu desenvolvimento intelectual têm maior predisposição à alergias e doenças respiratórias. Suspeita-se que crianças que têm que lidar com situações emocionais estressantes ficam mais vulneráveis e sensíveis às proteínas externas.
Pesquisa de Floistrup e colaboradores (2006), que acompanharam mais de seis mil crianças européias, analisa a relação alergia e estilo de vida e mostra que aspectos
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como o uso de antibióticos e antipiréticos na infância, e a vacinação contra sarampo, rubéola e caxumba estão associados a um aumento no risco de doenças alérgicas nesta fase da vida, Ou seja, medicamentos e vacinas que impedem o organismo de exercitar seu mecanismo de defesa também influenciam na propensão à alergias.
Outro fato a ser considerado é que a exposição precoce aos xenobióticos da dieta pode levar à predisposição à alergias, enzimas que desintoxicam tais contaminantes e os sistemas homeostáticos em bebês demoram a alcançar níveis de maturidade e, por isso, eles são mais vulneráveis à ação externa dessas substâncias, que podem exaurir seus sistemas imunológicos protetores, predispondo à alergias (Walker, 1998; Schilter, 1998).
Além disso, as doses recomendadas desses xenobióticos são baseadas em peso corporal; isso significa que uma criança de seis meses não pode ingerir a mesma quantidade de xenobióticos do que uma criança de três anos ou um adulto. As Igas (imunoglobulinas ou anticorpos presentes no soro) intestinais são formadas em torno dos 7 meses.

Antes dessa idade, o trato gastrointestinal da criança é mais permeável às substâncias alergênicas (e também às proteínas) da dieta, que podem entrar na circulação e estimular a produção de anticorpos.


Simplificando, a ação dos agrotóxicos aditivos químicos e drogas veterinárias no sistema imunológico imaturo dos bebês pode torná-los mais vulneráveis a processos alergênicos futuros.
Seguindo a lógica acima, a introdução precoce de leites em pó maternizados na dieta da criança, em substituição ao leite materno, pode aumentar a probabilidade de alergias.
O aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses, extensivo até um ano de idade, ajuda a formar um sistema imunológico equilibrado.
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Esse fortalecimento garante a imunidade diante de diversos tipos de doenças e disfunções no organismo.
A acelerada introdução de alguns alimentos como as carnes, os ovos e as leguminosas no primeiro ano de vida também deve ser questionada como prática dietética que visa o suprimento de ferro e proteínas para o desenvolvimento da criança.
Como já mencionado, o bebê ainda não apresenta todos os mecanismos imunológicos maduros para se contrapor às proteínas estranhas.
A dieta da criança no primeiro ano de vida deveria ser preferencialmente lactovegetariana, de origem integral orgânica.
Apesar de o leite materno ser um alimento pobre em ferro, a sua combinação com os cereais integrais, as folhas verde-escuras, as raízes e os alimentos orgânicos de origem vegetal pode suprir as necessidades dietéticas do bebê durante o primeiro ano de vida.
Outra questão é que uma dieta antialérgica deve ser equilibrada na quantidade de alimentos estimulantes como chocolate, café, refrigerantes, cereais e açúcar refinados, gorduras hidrogenadas e óleos refinados.
Esses produtos exaurem a função da adrenal, essencial para a correta digestão de carboidratos, além de estimular um meio propício para a proliferação de Candida albicans.
Esse fungo interfere na permeabilidade intestinal, propiciando maior absorção de toxinas e produtos alergênicos.
O fato é que retirar os agentes alergênicos passa a ser somente uma solução paliativa do problema.
Muitas crianças hoje vivem em “bolhas” de proteção, morando em ambientes sem carpetes, com móveis de plástico e cortinas antialérgicas e comendo alimentos inócuos e desvitalizados. Essas crianças acabam se fragilizando e tornando-se cada vez mais vulneráveis aos agentes alergênicos externos.
De forma geral, é mais fácil prevenir do que curar as alergias.
O tratamento sistêmico das alergias consiste em fortalecer esse “terreno-organismo” através de uma alimentação viva, balanceada e rica em alimentos de qualidade, de origem integral orgânica, além da importância de considerar os aspectos emocionais das crianças de hoje, sobrecarregadas com atividades intelectuais e privadas da presença dos pais, do contato com a natureza e do brincar criativo.
Tais ações podem promover uma resposta adequada do sistema imunológico.
Qualquer alimento pode produzir uma reação alérgica. Entretanto, a proteína é o nutriente mais problemático na alergia alimentar.

Entre os alimentos mais comuns que causam reação alérgica estão o trigo, o leite, os ovos, os peixes, os crustáceos, o morango, o tomate e o chocolate.


Outros a se considerar são a carne de porco, as especiarias, os condimentos, o espinafre, a laranja, os grãos e as oleaginosas.
Observa-se nas práticas clínicas que cada vez mais pessoas apresentam dificuldades em digerir o leite, seja seu açúcar (a lactose) ou sua proteína (a caseína).
Sintomas variados como dermatites, cefaléias, aumento de secreções e tendência à rinites alérgicas são encontrados em adultos e crianças que não conseguem digerir bem o leite de vaca.
7.1.1. Intolerância à lactose e rinite alérgica
A intolerância à lactose, distúrbio que pode ser geneticamente determinado, implica em uma baixa atividade da lactase, enzima que hidrolisa a lactose. É uma disfunção que atinge entre 60 e 70% de pessoas adultas nos Estados Unidos (Fallon; Enig, 1999). A intolerância mais prevalente aparece entre os negros, asiáticos, orientais e sul-americanos do que entre os caucasianos norte-americanos, indicando uma relação antropológica importante.
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As crianças são freqüentemente afetadas pela disfunção e o contexto do estilo de vida contemporâneo ao qual as crianças são expostas pode explicar tal suscetibilidade.
Abordando-se as questões culturais e geográficas percebe-se que o papel do leite na dieta de indianos e suíços não permite generalizar as restrições dietéticas que os japoneses e chineses preconizam.
Esses últimos não consumiram regularmente leite na sua dieta tradicional.

Os chineses, por exemplo, recebiam as fontes de proteína animal a partir dos frutos do mar, das algas, dos suínos e das aves, dependendo da sua localização, mais perto da costa ou mais no interior do país.


Por outro lado, na Índia e na Suíça, o leite é um alimento base da cultura local e a intolerância ao leite é rara nesses países.
A partir dessa perspectiva, não se pode dizer que o leite é um alimento inadequado ou alergênico para todos os seres humanos.
Percebem-se tendências restritivas do leite nas linhas de alimentação e Medicina Tradicional provenientes do Japão e China, como a macrobiótica e a medicina chinesa.
Já a Medicina Ayurvédica, com base no Hinduísmo, não restringe o leite na sua abordagem curativa.
Percebe-se também que o idoso naturalmente desenvolve um tipo fisiológico de intolerância à lactose, que pode ser indicativa da necessidade de restrição ao leite à medida que envelhecemos, como um processo natural.
A lactose não absorvida age drenando água para dentro dos intestinos.
Sua presença estimula o crescimento de bactérias que a fermentam gerando dióxido de carbono e hidrogênio.
O resultado é a distensão abdominal, diarréia e cólicas, além de cefaléias e aumento de secreção nasal. Práticas de consultórios comprovam, em muitos casos, a melhora dos sintomas mencionados com a retirada do leite.
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O problema é mais complicado quando atinge crianças nos primeiros anos de vida, quando o leite é um alimento essencial.

Nesses casos a atuação conjunta da pediatria e da nutrição é fundamental.


Normalmente a criança melhora após o terceiro ano de vida quando então é possível reintroduzir o leite e derivados, gradativamente.
Os pacientes em geral toleram bem a proteína, a gordura, as vitaminas e minerais do leite.
Em alguns casos de intolerância leve à lactose é possível manter os derivados acidificados do leite, pois durante a acidificação a lactose se transforma em ácido lático.
A nata ou creme de leite podem ser utilizados para enriquecer os alimentos e mingaus, molhos bechamel, sorvetes e preparações, pois são fontes de gordura.
No início do tratamento o leite integral é totalmente restrito; a restrição inicial ocorre por três a quatro semanas, até ocorrer a melhora dos sintomas e comprovar-se o diagnóstico.
O tofu pode ser um substituto do queijo em algumas preparações e os “leites” ou extratos de cereais (33), amêndoas ou castanhas (34) podem ser utilizados, bem como, eventualmente, o extrato de soja.
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(33) Receita de extrato de cereais: Misturar 1 colher de sopa de cada alimento a seguir em 1,5 litros de água fria: farinha de arroz integral torrado; farinha de aveia torrada; farinha de milho torrada; farinha de centeio torrado; farinha de feijão azuki ou soja torrada; sementes de gergelim torrado. Levar para ferver em panela grossa, mexendo sempre e depois de 40 minutos de fervura adicionar novamente água até obter a quantidade de 1,5 litros. Coar e adicionar frutas, baunilha ou açúcar mascavo. Existem outras receitas de extrato de aveia, de gergelim e de girassol que recomendam apenas hidratar os grãos, batê-los no liquidificador e coar.

(34) Receita de extrato de amêndoas ou castanhas-do-pará: deixar l50g de amêndoas doces em água fria, de doze a vinte e quatro horas. Após esse tempo, retirar a pele e passar as amêndoas no liquidificador. Adicionar 1 litro de água com uma pitada de sal. Finalmente, filtra-se tudo em um pano de algodão fino. Juntar 1 colher de sopa de farinha de arroz ou de aveia pré-cozida em água e duas colheres de açúcar integral. Ferver a bebida e usar como substituto do leite.


Final da nota de rodapé
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Tais extratos de cereais, amêndoas ou castanhas são uma opção cara e trabalhosa, mas qualitativamente superiores ao extrato de soja. A dieta deve ser rica em alimentos frescos, integrais e orgânicos para estimular o sistema imunológico e prepará-lo para a reintrodução gradativa do leite. Em muitos casos há reversão do quadro e o paciente pode voltar a ingerir leite e derivados.
Nas rinites alérgicas, a retirada do leite e derivados por um determinado período pode surtir um efeito positivo no controle da doença e na freqüência das crises. Nesse caso, a reintrodução do leite deve ser feita após um período de desintoxicação e o paciente pode voltar a ingerir o leite e derivados eventualmente, sem exageros.
Cuidados nutricionais para intolerância à lactose (a partir do primeiro ano de vida):
1.Nos casos de intolerância moderada à lactose, é possível manter os derivados acidificados do leite (iogurte, coalhada, ricota). O leite integral deve ser restrito por no mínimo um ano, mas o uso de manteiga e nata é permitido.
2.Usar tofu, extrato de amêndoas, castanhas e cereais e eventualmente, o extrato de soja.
3.Preferir alimentos frescos, integrais e orgânicos.

4.Após um ano de restrição, sob tratamento sistêmico que considera os diferentes aspectos das alergias, pode-se tentar introduzir o leite de cabra, de preferência acidificado (iogurte), depois meio de leite integral, meio de água, um terço de água, dois terços de leite, até a forma integral, em pequenas quantidades. Manter tal leite durante 6 meses.


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5. Após a introdução de leite de cabra, tentar reintroduzir o leite de vaca; inicia-se também com os derivados acidificados, depois diluído como o de cabra, e finalmente o integral, sempre em pequenas doses.
6. Nos casos de alergia à proteína do leite a restrição dos leites de cabra ou de vaca pode se manter indeterminadamente.
Cuidados nutricionais para rinite alérgica:
1. Estimular o consumo de alimentos frescos, integrais e orgânicos.
2. Durante dois a três meses, retirar o leite e todos os derivados da dieta e substituí-los por extrato de cereais, amêndoas, castanhas ou soja.
3. Os derivados de trigo refinado (pães, massas, farinhas) também devem ser evitados ao máximo durante o primeiro mês do tratamento e reintroduzidos lentamente. Depois da reintrodução do trigo, variar sempre que possível todos os cereais evitando o consumo excessivo de pães, massas, bolos e bolachas. Carnes, ovos e leguminosas podem ser consumidos normalmente.
4. Passado três meses (ou quando houver melhora do quadro), iniciar lentamente com o leite de cabra na forma acidificada, depois diluída a metade, depois a dois terços até a forma de leite integral. Depois, pode-se tentar reintroduzir o leite de vaca da mesma maneira e manter uma ingestão eventual do mesmo, sempre atento ao retorno dos sintomas.

5. Chás indicadas: infusão de equinácea (Echinacea angustifolia) e flores de camomila (Matricaria recutita) e decocção das raízes de escutelária (Scutellaria baicalensis).


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7.1.2. Alergia à proteína

As dietas mais utilizadas para detectar alergias alimentares são as dietas de eliminação. São dietas que permitem alimentos que raramente produzem sensibilidade aos seres humanos, levando o paciente a um “estado basal”, a partir do qual começará a tentativa de determinar os alérgenos alimentares. A dieta deve ser seguida rigidamente durante, pelo menos, quatro semanas e, gradualmente, ocorre a introdução dos novos alimentos. Apoio, encorajamento e orientação minuciosa devem ser oferecidos ao paciente e a sua família para que a dieta seja bem sucedida. Ressalta-se que as orientações abaixo são gerais e que cada caso deve ser avaliado individualmente.


No caso das alergias à proteína, o leite e todos os derivados, carnes, ovos e leguminosas devem ser totalmente retirados da dieta para oferecer um inicial “repouso” ao aparelho imunológico. A dieta é estritamente vegetariana e a qualidade integral orgânica dos alimentos é igualmente essencial. As práticas complementares e o restabelecimento do ritmo são de grande importância no tratamento, como já enfatizado anteriormente.
Exames de laboratório podem auxiliar para fechar o diagnóstico e assegurar os alimentos que devem ser retirados.
Cuidados nutricionais nos casos de alergia à proteína:
1.Excluir o leite e todos os seus derivados, bem como os ovos, as carnes e leguminosas. Retirar também o trigo e derivados, as nozes, castanhas e os condimentos fortes (pimenta, alho, cebola, curry, canela, cravo, noz-moscada) nesse período. Observar rótulos de produtos industrializados bolachas, chocolate, pães, sopas, etc.
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2. Toda introdução deve acontecer aos poucos, em pequenas quantidades e somente um novo alimento a cada dia. Anotar todas as reações adversas.
3. A dieta no primeiro mês é vegetariana, à base de frutas e verduras (com exceção de morango, laranja, frutas muito ácidas, tomate, espinafre), fontes de gordura (manteiga, óleos vegetais), ervas frescas, féculas, cereais (com exceção do trigo e derivados), tofu e produtos de soja fermentados (shoyo e missô).
4.Oferecer, nesse primeiro mês, no máximo, 200ml de extrato de soja por dia em preparações ou como vitaminas de frutas enriquecidas de farinha de aveia ou arroz integral pré-cozidas em água. O ideal é variar diariamente o extrato de soja com o de cereais, amêndoas e castanhas.
5.Depois de um mês, introduzir a nata ou creme de leite, o tahine e o leite de coco, bem como as leguminosas (feijões, ervilha, lentilha, grão-de-bico); introduzir um alimento de cada vez e observar atentamente a reação do organismo. Após a introdução, o uso das leguminosas não deve exceder três vezes na semana.
6. As carnes, ovos, leite integral e derivados são alimentos totalmente excluídos do cardápio nos casos de alergia à proteína. Depois de três meses de isenção os alimentos proibidos inicialmente (trigo, condimentos, etc) podem ser reintroduzidos lentamente e usados sempre com moderação.
7.1.3. Intolerância aos cereais
As intolerâncias aos cereais são cada vez mais conhecidas. Parte da população tem dificuldade em digerir
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cereais e a forma mais comum dessa disfunção é a intolerância ao glúten, proteína encontrada no trigo.
Essa intolerância é denominada de doença celíaca, também conhecida como “espru celíaco”.
É uma condição inflamatória do intestino delgado, de origem genética, precipitada pela ingestão de uma proteína insolúvel, o glúten, encontrada no trigo. Uma teoria explica que a doença ocorre devido a uma anormalidade enzimática nas células mucosas que falham na digestão do peptídeo tóxico contido na fração gliadina do glúten.
Outras teorias estabelecem que a reação ao glúten é um defeito na imunidade ou na membrana das células da mucosa e permite a ação do glúten como agente citotóxico.
A aveia, o centeio e a cevada também são retirados da dieta do celíaco (Krause; Mahan, 2005).
O paciente com doença celíaca pode ter sintomas severos, tais como fraqueza, anemia, diarréia e perda de peso.
A perda de peso indica um comprometimento importante da superfície da absorção intestinal, envolvendo grande parte do intestino delgado. Outras manifestações da doença celíaca incluem osteoporose, tetania e, raramente, desordens neurológicas.
A sensibilidade ao glúten também pode manifestar-se como bolhas, vermelhidão ou estrias avermelhadas nas superfícies extensoras do corpo (dermatite herpetiforme).
A remoção do glúten da dieta dos indivíduos com doença celíaca ou sensibilidade ao glúten resulta em regeneração da superfície absortiva intestinal, além de resolução dos sintomas na maioria dos pacientes.
Como em todo tipo de alergia ou intolerância é essencial considerar os fatores culturais, geográficos e étnicos. No caso da doença celíaca, sabe-se que povos ocidentais apresentam maior índice de intolerância ao glúten do que os asiáticos.
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Parece que estes últimos apresentam melhor funcionamento do pâncreas e das glândulas salivares, indicando uma maior adaptação do organismo para digerir grãos.
A intolerância ao glúten tem sido associada à deficiência de vitamina B6, bem como ao mau funcionamento da adrenal.
De qualquer forma, não se conhece alternativa do cura a não ser a isenção de fontes de glúten na dieta, substituindo esses produtos pela farinha de milho e de mandioca e por outras féculas.
Outra possibilidade de consumo de carboidratos são os grãos como o painço, a quinoa e o amaranto.
Ressalta-se que os sintomas da intolerância ao trigo (não ao glúten) - cereal cujo consumo é preponderante no Ocidente - não se restringem aos gastrintestinais.
Dores articulares, enxaqueca (ver recomendações no item 10.3) e eczemas podem ser o resultado de uma dieta desequilibrada no consumo de trigo. Percebe-se hoje que a preponderância desse cereal ocorre em muitas culturas.
No Brasil ele aparece como ingrediente sob várias formas de alimentos (e quase sempre refinado): pizza, macarrão, nhoques, lasanhas, bolachas, pães, barras de cereais, flocos, empanada, tortas, bolos.
A variação dos cereais, bem como o correto preparo dos mesmos é essencial para prevenir sintomas de intolerância ao trigo.
Os cereais, assim como as leguminosas, contêm fatores antinutricionais, como os fitatos.
O ácido fítico (fitatos) dos grãos se combina com o ferro, o cálcio, o magnésio, o cobre e o zinco no trato intestinal, impedindo a absorção destes minerais.
Outros fatores presentes nos grãos também podem interferir na digestão e é por isso que muitos povos fermentam ou deixam de molho os cereais em meio ácido, antes de cozinhá-los.
A fermentação e a prática de deixar de molho em meio ácido inibem esses
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fatores antinutricionais, tornando os grãos mais digeríveis e permitindo a correta absorção dos minerais.
A melhor maneira de preparar os cereais é na forma de grãos inteiros ou partidos, fermentados ou deixados de molho - usar vinagre de maçã ou vinho ou ácido lático na água.
Os grãos devem ser refogados, cozidos lentamente em panelas grossas, como as de barro ou pedra-sabão, e devem “inchar” em local aquecido, pelo menos uma hora após o cozimento.
Esses procedimentos deixam os cereais com maior digestibilidade.
Cuidados nutricionais para a intolerância ao glúten:
1.Retirar totalmente da dieta os produtos(farinhas, pães, grãos) à base de trigo, aveia, centeio e cevada. Salsichas, almôndegas, embutidos, conservas, produtos à milanesa, sorvetes e outros produtos industrializados podem conter glúten. Ler atentamente os rótulos.

2.Utilizar nas preparações principais: a fécula de batata, farinha de tapioca, de polvilho, amaranto, quinoa, farinha de arroz, farinha de mandioca, fécula de milho (maisena), macarrão de arroz, arroz integral, painço, milho em grãos (quirera), farinha de milho, fubá, canjica, batatas em geral (mandioca, batata-inglesa, cará, inhame, batata-salsa).


3.Pães podem ser substituídos por bolachas de arroz, pães de queijo, roscas e biscoitos à base de polvilho, broas de milho e bolinhos de tapioca. Já existem pães e macarrão à base de farinha de soja, arroz, milho e batatas. Inserir flocos de arroz e milho nos lanches e desjejuns.
4.Pizzas e massas à base de farinha de soja e outras farinhas podem ser preparadas.
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O período de cozimento para essas massas é mais longo e não se deve esperar o mesmo processo de fermentação que ocorre nos produtos à base de trigo.
5.Estimular o consumo de frutas, verduras, doces de boa qualidade (sorvetes de frutas, pudins e manjares de fruta e maisena, compotas), fontes de gorduras saudáveis (manteiga, nata, ovos caipira, oleaginosas e nozes, óleos processados a frio), leguminosas.
6.Não existem restrições para o consumo de carnes e peixes. Buscar sempre alimentos frescos, integrais e orgânicos
7.2. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM DOENÇAS DE PELE
A pele é o maior órgão do corpo humano, afetado pelo maior número de doenças.
A conexão entre a pele, o sistema psíquico e as doenças psicossomáticas é abordada pela dermatologia integrativa.

A pele e o sistema nervoso originam-se da mais externa das três camadas de células embriônicas, a ectoderme.


A mente e o corpo estão em interação permanente por meio de alterações elétricas do córtex cerebral, geradas por pensamentos e por comunicadores químicos do sistema neuroendócrino, do sistema imunológico e dos órgãos e seus receptores celulares.
A pele participa desse grande sistema integrado como órgão de imunovigilância, produzindo seus próprios mensageiros químicos, bem como recebendo informações do sistema nervoso central pelas terminações nervosas livres.
Portanto, o ser humano, em sua unicidade, desregula-se ou se auto-regula, por influência de aspectos fisiológicos e psíquicos, em sua maneira particular de lidar com a vida,
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em questões conjugais, familiares, profissionais, sociais, espirituais e várias outras demandas pessoais (Rocha, 2003).
O desequilíbrio da pele, como de qualquer outro órgão, expressa o desequilíbrio sofrido pelo indivíduo em todas essas esferas.
As manifestações de algumas doenças de pele podem ser simples e são até menosprezadas, mas as causas são múltiplas e a terapêutica mais efetiva é aquela que vai ao encontro dessa complexidade.
A alimentação pode auxiliar na melhora dos casos de algumas disfunções, com foco na melhora das funções digestivas e na oferta de alimentos saudáveis e equilibrados nutricionalmente.
Estimular as funções do fígado e o metabolismo dos nutrientes - especialmente das gorduras e do álcool - é o foco do tratamento.

7.2.1. Psoríase


A psoríase é uma doença inflamatória da pele, crônica, não contagiosa, multigênica (vários genes envolvidos), com incidência genética em cerca de 30% dos casos.
Caracteriza-se por lesões avermelhadas e descamativas, normalmente em placas, que aparecem, em geral, no couro cabeludo, cotovelos e joelhos.
Surge principalmente antes dos 30 e após os 50 anos, mas pode parecer também na infância.
Além da genética, outros aspectos estão envolvidos no aparecimento e evolução da doença, como os fatores psicológicos e o estresse. Além disso, a exposição ao frio, o uso de certos medicamentos e a ingestão alcoólica pioram o quadro (Varella, 2006).
A dieta tem por objetivo estimular as reações adequadas do sistema imunológico e retirar alimentos que prejudiquem a ação de desintoxicação do fígado.
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7.2.2. Acne
A acne é uma doença de predisposição genética cujas manifestações dependem da presença dos hormônios sexuais.
Devido a isso, as lesões começam a surgir na puberdade, época em que inicia a produção destes hormônios no organismo, atingindo a maioria dos jovens de ambos os sexos.
A doença não atinge apenas adolescentes e pode persistir na idade adulta.
As manifestações da doença (cravos e espinhas) ocorrem devido ao aumento da secreção sebácea associada ao estreitamento e obstrução da abertura do folículo pilosebáceo, dando origem aos comedões abertos (cravos pretos) e fechados (cravos brancos). Estas condições favorecem a proliferação de microorganismos que provocam a inflamação característica das espinhas (Lima, 2006).
O lado emocional dos pacientes não deve ser menosprezado. A desfiguração causada pela acne pode agir sobre a sua auto-estima e a abordagem terapêutica deve considerar um suporte psicológico.
Apesar de não ter participação na causa da doença, a dieta pode ter influência no curso da acne em algumas pessoas.
Alimentos como chocolates, gorduras animais, leite e derivados, crustáceos, condimentos fortes e amendoins devem ser evitados pelos pacientes que apresentem acne e percebam agravação dos sintomas após a ingestão destas substâncias.
Plantas com ação depurativa como morango, maçã, bardana, inhame, chicória, cenoura, figo, agrião e dente-de-leão são indicadas para o tratamento da pele por diversos autores que pesquisam os alimentos com função terapêutica (Salle,1996; Teske, Trentini, 2001; Ferro, 2006).
A vitamina A desempenha um papel importante na saúde da pele e na prevenção da acne e suas fontes
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alimentares devem estar presentes diariamente na dieta.
A vitamina A é encontrada em legumes de cor laranja- escuro como cenouras e abóboras, em batatas-doces, urucum e em vegetais de folhas verde-escuras.
Cuidados nutricionais para psoríase e acne (e doenças da pele em geral):
1.Restringir ao máximo os alimentos industrializados e de origem convencional. Evitar carnes gordas, frituras em geral, excesso de carnes, leite integral e ovos fritos, margarina, gordura hidrogenada, embutidos, açúcar, geléias e doces concentrados, cogumelos, cebola, pães frescos, aspargo, espinafre, vinagre, mostarda, curry, catchup, molho inglês, pimenta, defumados, batata-inglesa, berinjela, pimentão, leguminosas, frutas ácidas, cravo, mostarda, cominho, anis, páprica, nozes, chocolates, farinhas brancas e queijos condimentados.
2.Orienta-se restringir o trigo e derivados no primeiro mês do tratamento e após a reintrodução, procurar variar os cereais da dieta.
3.Restringir totalmente o uso do álcool durante o tratamento.
4.Alimentos especialmente indicados: água com mel (pelo menos 1 litro por dia), painço, suco de uva, água-de-coco suco de folhas verdes, bardana, arroz integral, aipo, beterraba, cenoura, abóbora, urucum, batata-doce, figo, inhame, folhas amargas e verde- escuras em geral (especialmente agrião, chicória e dente-de-leão), alcachofra, brotos em geral, repolho (chucrute) e pepino na salmoura (inclusive a água das conservas, rica em ácido lático), iogurte, coalhada
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e kefir, suco de morango orgânico, maçã, mingau de aveia salgado, gersal, chás amargos.
5. Para iniciar o tratamento, pode-se prescrever a dieta de desintoxicação de sete dias substituindo o arroz integral por painço (ver item 2.1,1).
6. Utilizar chás depurativos: por infusão das folhas de salsaparrilha (Smilax sp), bardana, folhas e flores de sete-sangrias (Cuphea balsamona) e decocção das raízes de bardana (Arctium lappa).
7. No caso específico da psoríase, além das plantas citadas acima, inserir curcuma ou açafrão (Curcunta Longa) como tempero e na forma de chá por decocção das raízes.
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8 - CÂNCER
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8. CÂNCER
Simplificadamente o câncer pode ser definido como uma multiplicação celular progressiva e incontrolada.
Segundo o Informe Mundial sobre Câncer de Genebra em 2003, a incidência da doença pode aumentar em 50% até 2020, ano para o qual são projetados 15 milhões de novos casos (OMS, 2003).
Esse aumento deve-se principalmente ao envelhecimento da população mundial, ao tabagismo, aos hábitos alimentares e estilo de vida poucos saudáveis. Epidemiologistas que estudam o câncer têm observado que o aumento da sua prevalência no mundo está relacionado, entre outros aspectos, com a industrialização e a urbanização ocorridas nos últimos anos.
De fato, a mortalidade associada ao câncer, observada em paises desenvolvidos é maior do que em países em desenvolvimento.
Além disso, algumas formas específicas de câncer, como o de cólon e reto, próstata e mama feminina, são mais freqüentes em países desenvolvidos, enquanto outras, como de estômago, esôfago e colo de útero têm maior incidência nos países em desenvolvimento.
As ações estratégicas de prevenção devem centrar-se nos seguintes focos: exercício físico, tabagismo e alimentação.
Estudos já demonstram uma associação significativa entre câncer, estresse e traumas anímicos e tais fatores também são considerados na prevenção e no tratamento da doença.
8.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DO CÂNCER
A dieta é um foco central na abordagem de prevenção e cura de vários tipos de câncer. As mais recentes recomendações alimentares visam facilitar a adoção de uma
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alimentação saudável pela população e indicam o consumo de refeições compostas por dois terços (ou mais) de vegetais, frutas, grãos integrais, sementes e leguminosas e um terço (ou menos) de proteína animal.
A base da dieta deve ser os alimentos de origem vegetal, ricos em vitaminas, minerais, fibras e fitoquímicos, que minimizam os riscos do câncer.
Há controvérsias sobre a restrição de gorduras animais e carnes, bem como ao estímulo do consumo da soja no tratamento da doença.
Os estudos científicos ainda não apresentam um consenso que oriente restringir totalmente as carnes e gorduras animais e substituí-las por soja (mesmo que essa contenha a isoflavona, um fitohormônio que vem sendo objeto de estudo por sua ação anticancerigena).
De qualquer maneira as formas fermentadas de soja (shoyo, missô, tempeh, nattoh) são as mais indicadas.

Com certeza o equilíbrio quantitativo de todos os alimentos e a origem dos mesmos são os fatores mais pertinentes na prevenção do câncer.


Já no tratamento da doença pode-se pensar numa dieta mais restritiva.
Por exemplo, apesar de a ingestão de carne e gordura animal não poder ser considerada responsável pelo aparecimento do câncer (desde que o consumo seja equilibrado), na fase de tratamento a sua retirada pode ajudar.
A terapia alimentar para tratamento da enfermidade, desenvolvida pelo médico Max B. Gerson (1881- 1959) é baseada no conceito de que os pacientes com câncer apresentam baixa reação imunológica, desequilíbrio na relação sódio e potássio no organismo e danos tissulares generalizados.
Gerson (2006) também considera que quando o tumor e as células cancerígenas são destruídos, produtos tóxicos circulam na corrente sanguínea podendo levar à falência hepática.
A terapia consiste em algumas práticas de desintoxicação, enemas e uma dieta com alto teor de enzimas alimentares, potássio, vitamina A e C e pobre em sódio e sal.
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Produtos à base de leite e gordura são excluídos durante quatro a seis semanas iniciais tratamento, que continua com o mínimo de consumo proteína animal e açúcar e o incentivo ao consumo de proteína animal e açúcar e o incentivo ao consumo de suco de frutas e verduras e alimentos crus.
Alimentos defumados e em conserva são desaconselhados, assim como o consumo de álcool.
A qualidade do solo onde os vegetais são cultivados é essencial no tratamento, e Gerson refere-se ao solo como o nosso metabolismo externo.

Tais recomendações foram igualmente prescritas para tratamento de artrite e tuberculose.


Os xenobióticos e nitritos presentes na alimentação convencional, bem como os estrógenos ambientais, são fatores ambientais relacionados à carcinogênese.
A dieta de origem integral orgânica, bem como a utilização de alimentos frescos e equilibrados na quantidade dê micronutrientes e fitoquímicos, se constituem numa poderosa arma contra o câncer.
Em 1992, uma revisão de 200 estudos epidemiológicos mostrou que o risco de câncer em pessoas que consumiam dietas ricas em frutas e vegetais foi somente a metade daquelas que consumiam pouco destes alimentos (Block et al., 1992).
Sabe-se hoje que existem componentes em uma dieta baseada em plantas que são diferentes dos nutrientes tradicionais e que podem reduzir o risco de câncer (35).
Início da Nota de rodapé
(35) Seguem alguns desses estudos para início de pesquisa: Vegetable and fruit consumption and cancer risk. [Int J Cancer. 1991]; Fruit, vegetables, and cancer prevention: a review of the epidemiological evidence. [Nutr Cancer. 1992]; Vegetables, fruit, and cancer. II. Mechanisms. [Cancer Causes Control. 1991]; Epidemiologic evidence of the protective effect of fruit and vegetables on cancer risk. [Am J Clin Nutr. 2003]; Fruit and vegetable consumption and cancer risk in a Mediterranean population [J Clin Nutr. 1995].
Final da nota de rodapé
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Steinmetz e Potter (1991) identificaram mais de uma dezena de classes dessas substâncias químicas de origem vegetal e que são ativas biologicamente.
Elas são conhecidas como fitoquímicos.
Os fitoquímicos, presentes principalmente em frutas e verduras, são substâncias com propriedades específicas como, por exemplo, proporcionar equilíbrio ao funcionamento celular, proteger células contra radicais livres, diminuir a quantidade de LDL e aumentar a quantidade de HDL, ajudar na síntese de enzimas anticancerígenas naturais, neutralizar substâncias tóxicas para o corpo e inibir processos inflamatórios e formação de coágulos.
Sabe-se que os alimentos vegetais de origem orgânica apresentam maior quantidade de fitoquímicos, pois essas substâncias têm um papel de proteção das plantas.
Nos alimentos de origem convencional, tal ação protetora é realizada pelos herbicidas, nematicidas, fungicidas, entre outros agrotóxicos (Asami et al, 2003).

Alguns fitoquímicos abaixo relacionados parecem ter uma relação muito próxima com a prevenção do câncer:


Terpenos: aumentam a produção de enzimas anticarcinogênicas e são encontrados nas frutas cítricas em geral.
Gingerol: substância que dá ao gengibre seu sabor característico - pode tornar mais lento o crescimento de tumores humanos em cobaias.
Isoflavonas: encontrados nos grãos de soja e ervilha, podem diminuir o risco de tumores malignos relacionados a hormônios, como o câncer de mama, de ovário e de próstata, além de proteger contra osteoporose. Para desativar a ação dos fatores antinutricionais naturalmente encontrados na soja recomenda-se que seu consumo seja feito de forma fermentada (shoyo, missô, tempeh, nattoh).
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Ácido P-cumárico e ácidos clorogênicos: fitoquímicos com ação na prevenção de leucemia, encontrados na cenoura; no pimentão encontra-se somente o ácido P-cumárico

Clorofila: além de conferir a cor verde aos vegetais, estimula a produção de glóbulos vermelhos do sangue e ajuda a proteger contra o câncer. Algas, plantas marinhas e vegetais verdes são as principais fontes de clorofila.


Licopenos: possuem efeito antioxidante, neutralizam os efeitos danosos dos radicais livres e atuam na prevenção de alguns tipos de câncer e doenças do coração. A maior fonte de licopeno é o tomate (que também contém o ácido gama-aminobutírico de ação antitumoral). Outras fontes de licopeno são a melancia e o grapefruit rosa.
Lignanas: são fitoestrógenos encontrados na linhaça e cevada que atuam na prevenção e cura do câncer de mama e próstata.
Catequinas: são polifenóis predominantes no chá verde; a maior parte das pesquisas sobre os benefícios do chá verde focalizam seus efeitos quimiopreventivos contra o câncer.
Compostos sulfurosos: vegetais como o alho, a cebola, o alho-poró e a cebolinha contêm sufidos, que podem estimular enzimas que inibem o crescimento bacteriano. Além disso, alguns estudos sugerem que o alho tem propriedades hipotensoras e aumenta a defesa imunológica por causa da alicina.
Isocianatos e índoles: compostos presentes em vegetais como brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas, repolho, além de agrião, nabo e rabanete.
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Além de antioxidantes, acredita-se que esses compostos inibem a danificação do DNA, que dispara algumas formas de câncer. Estudos indicam que o indol pode diminuir o risco de câncer de bexiga nos homens.
Saponinas: apresentam atividade antioxidante e anticarciflogênica e estão presentes nas leguminosas.
Luteolina: ação antioxidante, encontrada na alcachofra.
Ácido cafeico: ação anticancerígena em animais. Presente no suco de uva escura e na alcachofra.
A bardana tem ação depurativa e a abóbora e o grapefruit ação anticancerígena; essa última fruta é especialmente indicada nos casos de câncer de pâncreas (DerMarderosian; Beutler, 2002; Ferro, 2006).
Ferro (2006) ressalta que o organismo converte a gliconasturcina presente no agrião em fenetil-isotiocianato, um poderoso inibidor da nitrosamina-4-metilnitrosamina-1-3 piridil-1-butanona, um dos agentes carcinogênicos do tabaco.
Essa ação estimula o consumo diário de suco do agrião para o tratamento e prevenção de câncer de pulmão.
As azeitonas e o óleo de oliva contém ácidos oléico, linoléico, palmítico, e esteárico e também são alimentos relacionados com a prevenção de diversos tipos de tumores (Lipworth et al, 1997; Martin-Moreno et ai, 1994).
A bromelina do abacaxi também é fonte de pesquisas no tratamento de câncer de pulmão e no crescimento de células tumorais in vitro (Batkin et al, 1988; Taussig et ai, 1985).
Apesar de a maioria dos alimentos com propriedades anticancerígenas serem de origem vegetal, é bom ressaltar que substâncias encontradas em alimentos de origem animal
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também podem ter tal efeito, como o ácido linoléico conjugado, encontrado no leite e carnes de ruminantes (Dhiman, 2001).
Também os probióticos presentes nos lacticínios fermentados podem ter uma ação benéfica no tratamento do câncer.
Estudos sugerem que as bactérias e o ácido lático presentes no iogurte apresentam atividade antineoplásica, inibem a proliferação de tumores e impulsionam a imunocompetência do organismo, potencializando as respostas das células do sistema imunológico (Bartram et al, 1994; Kampman et al, 1994).
Ressalta-se que as recomendações abaixo são gerais e que o nível de comprometimento de cada paciente, bem como o estágio da doença, devem ser avaliados individualmente.
Cuidados nutricionais para tratamento e prevenção de câncer:
1. Para a prevenção de câncer evitar excesso de alimentos industrializados e carnes e gorduras em geral, margarina, gordura hidrogenada, embutidos, iogurtes e balas com corantes, açúcar e doces concentrados, chocolate, frituras, ovos de granja, verduras e frutas de origem convencional (especialmente batata, cebola, tomate, berinjela, pepino, pimentão, abobrinha, morango, goiaba, uva, maçã, pêssego, mamão papaia, melão, nectarina, pêra). No tratamento do câncer tais alimentos são totalmente contra-indicados.
2.Alimentos especialmente indicados na prevenção e cura do câncer: ameixa umeboshi, abacaxi, açafrão, gergelim, alho, romã, grapefruit, abóbora (preferencialmente crua), alcachofra, agrião, suco de uva escura, semente de linhaça, gengibre, cebola,
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brócolis, repolho, couves, pimentão, tomate, cenoura, chá verde, grãos integrais, laranja, leites e produtos fermentados (iogurte, ricota, kefir nabos, pepinos e chucrute, shoyo, missô e tofú), sucos verdes de verduras (acelga, agrião, couve, aipo, alface, salsinha, dente-de-leão), alimentos crus, mel escuro, bardana, azeitonas, azeite de oliva e brotos de todas as espécies. Ingerir pelo menos três fontes desses alimentos diariamente.
3.Durante o tratamento ingerir diariamente duas a três xícaras de chá verde (Camelia Sinensis), um copo de suco de folhas verde-escuras e uma colher de sopa de semente de linhaça, deixada de molho por cerca de três horas.
4. Durante todo o tratamento do câncer, recomenda- se uma dieta mais restritiva, de origem lactovegetariana integral orgânica (sem leite, somente acidificados como coalhada, ricota, iogurte e kefir), rica em alimentos de origem vegetal, verduras e frutas cruas com base nos alimentos indicados no item 2.
5. Plantas especialmente indicadas para equilibrar o sistema imunológico: chá por decocção das raízes de ginseng coreano (Panax ginseng) e astrágalo (Astragalus membranaceus) e da casca de unha-de-gato (Uncaria tomentosa) e chá por infusão das folhas de ginkgo (Ginkgo biloba), graviola (Annona muricata) e equinácea (Echinacea angustifolia).
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9 - DOENÇAS PULMONARES
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9. DOENÇAS PULMONARES
9.CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM DOENÇAS PULMONARES
O pulmão é um órgão esponjoso que executa a respiração e está situado na cavidade torácica.
O pulmão direito é ligeiramente maior que o esquerdo e está dividido em três lóbulos; já o pulmão esquerdo tem apenas dois lóbulos.
Na face interna de ambos existe uma abertura por onde passam os brônquios, as artérias pulmonares e as veias pulmonares.
Os brônquios são os tubos que levam o ar da boca até os alvéolos, estruturas pulmonares onde será feita a oxigenação do sangue.
O pulmão, por sua função respiratória, é freqüentemente relacionado ao elemento ar, mas a Medicina Antroposófica relaciona não somente a substância que atravessa o órgão, mas o papel assumido por tal órgão no organismo.
O pulmão é um órgão que nos coloca em relação com o mundo físico exterior (através do ar inspirado), sem transformações prévias (como ocorre durante a digestão dos alimentos).
Através da respiração o ser humano se mantém numa relação íntima com o ambiente; a primeira inspiração e a última expiração são expressões de vida e morte, ligação e desligamento da terra, elemento ao qual o pulmão é vinculado.
O pulmão, como a terra, é frio (35° C) e a partir do elemento aéreo, o oxigênio, o pulmão produz a terra, o elemento carbono, no dióxido de carbono.
Como o coração, o pulmão é um órgão relacionado ao ritmo e tal elemento deve ser levado em consideração na dieta para doenças pulmonares (Bott, 1981).
As doenças pulmonares exaurem consideravelmente o estado clínico do paciente e são acompanhadas de anorexia e fadiga intensa.
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Várias enfermidades que afetam os pulmões destroem os alvéolos de forma direta e deterioram a capacidade dos alvéolos para trocar gases. As doenças mais comuns dos pulmões são pneumonia, tuberculose, bronquite e asma brônquica.
A Medicina Antroposófica distingue dois tipos de disfunções pulmonares.
O tipo inflamatório, exudativo e febril, como na pneumonia e na tuberculose, nas quais o pulmão é invadido por processos metabólicos, e o tipo esclerotizante crônico, como no caso da asma e bronquite crônica, quando existe um processo de “mineralização” dos pulmões. São conhecidas abordagens dietoterápicas para duas doenças pulmonares, a tuberculose e a asma.
9.1.1. Tuberculose
É uma doença infecciosa, contagiosa, que acomete principalmente o pulmão, podendo ocorrer em qualquer estrutura do corpo humano.
Embora seja mais comum em países em desenvolvimento, a doença não foi erradicada em nenhum país do mundo.
Atualmente existe uma estreita relação da doença com a AIDS, o que sugere que a o bacilo da tuberculose age melhor em um sistema imunológico suscetível.
Considerando essa hipótese e a fraqueza generalizada do paciente, Gerson (2006) recomenda uma dieta com os mesmos princípios da dieta para o câncer, enfocando especialmente a isenção completa de sal.
A magreza é um processo natural que acompanha a evolução da doença e à medida que o tratamento evolui volta o apetite e o equilíbrio de peso se restabelece.

Cuidados nutricionais para tuberculose:


Com base em Burkhard (1984) e Gerson (2006), recomendam-se alguns alimentos específicos:

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1.Durante o tratamento indica-se uma dieta ovolactovegetariana, de origem integral orgânica, com base em sucos verdes, alimentos frescos e crus. Retiram-se também as gorduras animais e leites integrais, preferindo-se os acidificados. Os ovos, somente caipira.
2. Estimular o consumo regular de cereais integrais em geral, especialmente a cevada, rica em silício. O mel, principalmente os tipos mais escuros, é também um excelente alimento e deve ser ingerido diariamente.

3. Alimentos especialmente indicados: folhas verde-escuras cruas (especialmente o agrião e a mastruz; três a quatro porções ao dia), brotos na forma de sucos verdes, saladas e sopas, frutas doces (especialmente o caqui) e sucos frescos, sem adição de açúcar.


4. Ingerir chá por infusão de folhas de sálvia (Salvia officinalis).
9.1.2. Asma
A asma é uma doença alérgica das vias aéreas, mais precisamente dos brônquios. É uma enfermidade crônica, caracterizada pela inflamação contínua da parede dos brônquios e uma tendência ao fechamento temporário dos mesmos, ocasionando a crise de asma.
Os leucócitos dos pacientes asmáticos costumam liberar com facilidade certas substâncias que acabam produzindo a broncoconstrição em resposta a estímulos (adversos ao paciente) específicos, como por exemplo, odores, mudanças de temperatura, fumo, inalantes ambientais, poluição, pêlos de animais, drogas, pólen, poeira, ácaros, alimentos, exercícios físicos e situações de ansiedade e estresse (Balione, 2003).
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Para o autor, a sugestionabilidade do paciente asmático é bastante conhecida, explicando assim o desenvolvimento de crises até por estímulo visual (alguns pacientes vêem a fumaça de longe e já tem bronco-espasmos), bem como as curas por procedimentos “milagrosos”.
Não obstante, como em tantos outros quadros psicossomáticos, há a necessidade da presença simultânea de fatores de ordem psicológica e biológica (sensibilidade alérgica) para o desenvolvimento da asma brônquica.
Esse tema é bastante propício à reflexões sobre a possibilidade de tal “hipersensibilidade” ser tanto física quanto afetiva nos pacientes asmáticos.
A abordagem dos aspectos emocionais - ansiedade, hiperatividade, dificuldade de ajustamento e transtornos comportamentais - que envolvem o paciente é central no tratamento.
Como todo processo alérgico a asma deve ter a mesma abordagem dietética das alergias, no sentido de equilibrar o sistema imunológico do paciente através de uma dieta de boa qualidade. Se um dos pais for asmático aumenta a chance de a criança nascer com o distúrbio e a alimentação equilibrada no primeiro ano de vida é fundamental para prevenir crises futuras.
Como a doença é crônica, as restrições não são permanentes. Orienta-se aliar a dieta ao tratamento com base nas terapias complementares e nos medicamentos homeopáticos. A dieta é mais rígida no primeiro mês e deve seguir com as restrições por mais dois meses.
Cuidados nutricionais para asma:
1. Consumir alimentos frescos, integrais e orgânicos.
2. Durante o primeiro mês de tratamento priorizar uma dieta ovolactovegetariana, com produtos lácteos acidificados (ricota, iogurte e coalhada), cereais integrais,
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ovos caipira (no máximo duas vezes na semana) e leguminosas (duas vezes na semana), produtos de soja fermentados (shoyo e missô), frutas doces e verduras. Depois de um mês introduzir carnes e peixes, não mais de duas vezes na semana.
3. Ingerir diariamente três a quatro porções de verduras cruas (especialmente alface) e brotos na forma de sucos, saladas e sopas e de frutas doces e sucos frescos, sem adição de açúcar. Alimentos especialmente indicados: suco de folhas de capuchinha, maçã, figo, framboesa, mamão, suco de folhas verdes, suco de uva orgânico, tomilho como tempero, cevada e arroz integral.
4.Retirar da alimentação todos os alimentos industrializados e evitar chocolate, leite integral, nozes, coco, frutos do mar, café, frutas ácidas, cebola, alho, mostarda e condimentos como pimenta, curry, canela e cravo.
5. Para prevenir ataques de asma noturnos a última refeição deve ser à base de sopas e lanches leves e não ultrapassar das 20 horas.
6. Evitar alimentos gelados ou muito frios.
7. Chás indicados: infusão das folhas de hortelã (Mentha piperita) e das folhas de tomilho (Thyrnus vulgaris) e decocção das sementes do salsão (Apium graveolens).
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10 - ARTRITE, OSTEOARTROSE, OSTEOPOROSE, FEBRE, PROCESSOS

INFLAMATÓRIOS AGUDOS E ENXAQUECA


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10. ARTRITE, OSTEOARTROSE, OSTEOPOROSE, FEBRE, PROCESSOS INFLAMATÓRIOS AGUDOS E ENXAQUECA
10.1. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM ARTRITES, OSTEOARTROSE E OSTEOPOROSE
10.1.1. Artrites e osteoartrose
Artrite e osteoartrose (ou artrose) fazem parte do quadro de reumatismo que engloba inúmeros tipos diferentes de doença.
A artrite pode ser definida como uma inflamação das articulações.
O termo artrite é o nome genérico dessas inflamações, que podem ser agudas ou crônicas.
As artrites reumatóides e as degenerativas (osteoartrose) são as formas mais comuns. A artrite pode também ser uma manifestação secundária de outras enfermidades como o lupus eritomatoso sistêmico, a colite ulcerativa e a gota. A artrite não está vinculada com a idade, pois pode aparecer na juventude (Resende, 2006).
Já a osteoartrose afeta freqüentemente as pessoas a partir da meia-idade e, envolve pescoço, coluna lombar, joelhos, quadris e articulações dos dedos, principalmente das mãos.
Quase 70% das pessoas acima de 70 anos, têm evidência radiográfica desta doença, mas só a metade delas desenvolve sintomas.
Alguns tipos de artrose são reconhecidamente hereditários, sendo inclusive a nodal a forma mais comum - aquela que apresenta alargamento ou aumento das articulações dos dedos.
Essa anormalidade genética causa um distúrbio na formação das proteínas (aminoácidos), provocando uma degeneração precoce na cartilagem (Resende, 2006).

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O controle do peso é um importante aspecto da dietoterapia para aliviar as dores, pois o excesso de peso implica em sobrecarga para as articulações.
Segundo Wihelmi (1993), o óleo de oliva tem uma ação positiva no controle e desenvolvimento da artrite.
Alimentos ricos em minerais e vitaminas C e B6 são igualmente indicados, além de uma dieta alcalinizante do meio interno, rica em alimentos crus, frutas e verduras, para controlar a inflamação.
O distúrbio protéico associado a artrites e osteoartrose indica uma restrição das fontes desse nutriente.
Cuidados nutricionais para artrites e osteoartroses:
1.Evitar alimentos industrializados, produtos à base de gordura hidrogenada, açúcar e farinhas refinadas, pães e massas brancas, frituras, queijos maturados, consumo diário de carnes, ovos e leguminosas, bebidas alcoólicas, chá preto, café e cacau.
2. Alimentos especialmente indicados: óleo de oliva, cereais integrais, raízes cruas em geral (cenoura, beterraba, aipo, rabanete), folhas verde-escuras, ameixa umeboshi, kefir, abóbora, aipo, nabo, melão, melancia, suco de limão e de morango orgânico, arroz integral, painço, aveia e nozes.
3. Dieta de cinco dias para crises agudas (ver Anexo 2): A dieta é eminentemente crua e vegetariana. Iniciar o dia com o suco de um limão em jejum até chegar a cinco limões (diluídos em água) durante os cinco dias seguidos.
Pode-se ingerir junto uma ameixa umeboshi.
No primeiro dia deve-se oferecer somente sucos de raízes, folhas, frutas e flocos de aveia e trigo para kibe deixados de molho.
Do segundo ao quinto dia manter esses alimentos crus somente nos desjejuns e lanches.
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As refeições principais são à base de saladas cruas, sopas de verduras sem gordura, verduras refogadas, arroz integral, painço ou aveia em grão cozidos em água, féculas e gersal.
4. Chás indicados: chá por decocção da casca ou raiz de unha-de-gato (Uncaria tomentosa), dos tubérculos de garra-do-diabo (Harpagophytum procurnbens), da casca de salgueiro branco ou chorão (Salix alba) e das sementes de aipo (Apium graveolens).
10.1.2. Osteoporose
Krause e Mahan (2005) definem a osteoporose como uma disfunção que ocorre quando a ingestão de cálcio é baixa durante um período extenso de tempo ou quando as necessidades dietéticas estão anormalmente elevadas, devido à má-absorção.
A reabsorção óssea ocorre numa taxa acelerada, para manter normais os níveis séricos de cálcio.
E uma doença crônica e atinge preferencialmente pacientes idosos. Porém, cada vez mais freqüentemente mulheres adultas apresentam os sintomas da doença, uma vez que a eficiência da absorção de cálcio diminui com a idade e têm influência hormonal.
A prevenção através de uma dieta equilibrada e práticas saudáveis é mais eficiente do que o tratamento da doença já estabelecida, que se propõe somente a amenizar os sintomas e oferecer cálcio e vitamina D. Quando aparecem os primeiros sintomas da doença não se aconselha a ingestão elevada de cálcio de origem animal (como o leite) e vitamina D, o que pode levar à disseminação excessiva de cálcio não somente nos ossos como também em tecidos moles, como os rins.
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Neste momento a dieta deve ser equilibrada e as fontes vegetais do mineral, bem como baixas doses de suplementos de cálcio mineral (36), podem ser oferecidos.
A relação entre ingestão de leite e prevenção de osteoporose é enfatizada na abordagem dietética atual.
Porém, em observações clínicas, percebe-se o alto índice de osteoporose em mulheres que sempre consumiram leite e derivados na dieta.
Feldman (2005) menciona estudos da Universidade de Harvard que comprovam que mulheres que ingerem leite regularmente não estão livres de osteoporose.
Vários aspectos merecem ser analisados num contexto amplo de compreensão do desequilíbrio.
Primeiro, ressalta-se que os leites esterilizados (longa vida) apresentam 50% a menos de conteúdo de cálcio do que o integral cru e os nutrientes de leites processados termicamente têm menor biodisponibilidade para o organismo humano (Panneta, 1995).
Esse fator é importante na hora de escolher um leite de qualidade que ofereça o cálcio que necessitamos para prevenir a osteoporose, opção que deve iniciar na infância.
Além disto, uma dieta pobre em zinco, magnésio, vitamina D, frutas e verduras e rica em alimentos acidificantes do meio interno (com excesso de cereais e açúcar refinados e proteína animal como carne, embutidos e ovos) mobiliza o cálcio dos ossos para equilibrar o meio interno. Oferecer cálcio sem mudar a qualidade da dieta não previne nem trata a disfunção.
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(36) Complemento de cálcio mineral feito com cascas de ovos caipira: lavar muito bem as cascas dos ovos; quebrar as mesmas e colocar numa frigideira até “estalar” Deixar esfriar e bater no liquidificador até virar um pó fino que pode ser acrescido a alimentos de consistência líquida como mingaus, iogurtes e sopas.
Utilizar diariamente uma colher de sobremesa dessa mistura.
Final da nota de rodapé
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Outros fatores, como o excesso de sódio e a presença de metais pesados e fosfato, provenientes da poluição ambiental e da agricultura convencional, também interferem na absorção de cálcio.
O solo adubado organicamente é mais rico em minerais do que o adubado sinteticamente e, mais uma vez, a procedência dos alimentos deve ser considerada.

Por fim, as disfunções hormonais, a falta de exercícios físicos e de contato com a luz solar podem agravar o problema de absorção do cálcio pelo organismo humano.


O cálcio presente nos vegetais verde-escuros, apesar de não ser de tão fácil absorção como o de origem animal, é uma excelente fonte mineral para o ser humano e deve ser amplamente utilizado na dieta para prevenção e tratamento da osteoporose.
Cuidados nutricionais para osteoporose:
1. Evitar produtos à base de gordura hidrogenada, margarina, açúcar e farinhas refinadas, pães e massas brancas, frituras, queijos maturados, consumo diário de carnes e ovos, bebidas alcoólicas, chá preto, café e cacau.
2. Alimentos especialmente indicados: shoyo, missô, tofu, eventualmente extrato de soja, sucos verdes, algas, cereais integrais, quinoa, frutas secas, nozes, coco, caqui, gergelim, peixes, abóbora, leite acidificado (iogurte, kefir, ricota), suco de limão, ameixa umehoshi, leguminosas, chás e líquidos, iogurte natural batido com abacaxi fresco.
10.2. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM FEBRE E PROCESSOS INFLAMATÓRIOS AGUDOS
Febre ou pirexia é um sintoma descrito como um aumento na temperatura corporal para níveis acima de 37°C.
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Sendo um mecanismo adaptativo, a febre é uma reação do corpo contra patógenos e é a medida mais eficaz que o organismo pode tomar para superar uma doença. A elevação da temperatura corporal faz com que os processos metabólicos se acelerem e ocorra a estimulação do sistema imunológico.
Todas as formas de Medicinas Tradicional e Complementar, bem como a Homeopatia e a Medicina Antroposófica propõem métodos para o controle da febre, sem a ação interventiva de antitérmicos, a não ser em casos mais extremos, com temperaturas elevadas, acima de 39°.C, associadas a sintomas como manchas avermelhadas na pele, confusão mental, convulsões ou rigidez na nuca, falta de ar, hemorragias, dor abdominal intensa, urina escura e turva, entre outros. Nestes casos a orientação médica é indispensável.
É importante ressaltar a necessidade de o paciente descansar em ambiente calmo e fresco, assim como a utilização de compressas frias e banhos mornos aliados à ingestão de grande quantidade de líquidos e dieta leve hipoprotéica.

Todas estas práticas permitem que o paciente possa superar os sintomas e desvendar a verdadeira causa do desequilíbrio.


A falta de apetite deve ser respeitada e não se deve forçar o paciente a comer.
A eventual perda de peso será depois compensada com a superação da enfermidade.
As recomendações abaixo para febre não substituem o tratamento para a doença específica que está por trás da febre.
Tais recomendações poderão também ser oferecidas para pacientes com gripes, resfriados e processos inflamatórios agudos da garganta (amidalite, faringite), ouvido (otite) e mucosas do seio da face (sinusite).
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No caso dos processos crônicos (amidalite e oitite de repetição e Sinusite) uma dieta de origem vegetariana integral, orgânica, sem cereais e açúcar refinados, isenta de leite e derivados, ovos e carne deve ser considerada durante duas semanas.
Em caso de secreções abundantes a retirada do leite integral e derivados pode acelerar o processo de cura.
O gengibre é uma planta de ação antiinflamatória e analgésica por causa da presença do fitoquímico gingerol e deve estar presente na dieta para gripe, resfriado, amidalite, otite e sinusite agudas (Botsaris, 1997).
O chá verde tem catequininas, fitoquímicos de ação bactericida, e pode ser consumido pelo menos duas vezes por dia.
O abacaxi e o mamão têm ação sobre o muco por causa da presença das enzimas proteolíticas bromelina e papaína respectivamente e por isso são indicados nessas enfermidades.
Outros alimentos como maçã, amora, romã, goiaba, agrião e capuchinha são igualmente indicados em caso de secreção abundante.
A acerola é rica em vitamina C, importante antioxidante e estimulante do sistema imunológico e seu consumo, entre outras frutas ácidas e plantas como a capuchinha, é estimulado no quadro de gripes e processos inflamatórios.
A linhaça contém linamarina, eficaz contra tosse e gripe (Chevailier, 2005).
Cuidados nutricionais para febre, gripes, resfriados, tonsilite (amidalite), otite e sinusite agudas:
1. Oferecer a cada quinze minutos chás de hortelã ou camomila ou capim-limão ou sabugueiro ou tília, água-de-coco ou suco de frutas doces diluídos, como a laranja lima e o suco de uva orgânico, sempre em temperatura ambiente.
2. Retirar queijos, carnes, peixes, ovos, leguminosas, chocolate, café, leite integral, nozes e castanhas,
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gorduras, cebola, alho, brócolis, couve-flor, couve mineira, espinafre, curry, pimenta, aveia, milho, fubá, polvilho e bebidas geladas ou muito quentes.
3. A dieta deve ser à base líquidos, caldos ralos de verduras (37), arroz integral, inhame, batata-salsa e batata-inglesa de origem orgânica.
4. Pode-se usar um pouco de mel para adoçar; no máximo uma colher de sobremesa por dia.
5. A introdução de alimentos deve ser gradual iniciando com leite acidificado, mingaus de farinha de arroz e semolina com leite diluído a metade, canjas e os outros cereais. Os alimentos restritos do item 2 só devem ser introduzidos depois do restabelecimento do paciente.
6. Para amidalites, sinusites, otites e gripes preparar uma colher de sopa de suco de gengibre, meio dente de alho amassado, suco de meio limão, uma pitada de sal e uma colher de chá de mel três vezes ao dia. Maçãs, amoras, caju, mamão, suco de abacaxi, acerola, romã, goiaba, suco de capuchinha, cebola e alho são especialmente indicados. Durante duas semanas, retirar o leite e derivados, ovos e carnes.
7. Especificamente para estimular a expectoração indica-se o consumo de capuchinha, agrião, morango, maçã, limão, pitanga, abacaxi e rabanete. Para tosse usar linhaça deixada de molho.
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(37) Para fazer os caldos refogue com muito pouco óleo as verduras (aipo, quiabo, erva-doce, cenoura, batata-salsa, inhame, abóbora, beterraba, chuchu, abobrinha). Cubra com água. Leve ao fogo baixo por quarenta minutos. Acrescente depois as folhas em geral (folhas de beterraba, de cenoura, acelga), e ervas frescas como salsinha, cebolinha, manjericão. Deixe cozinhar por mais dez minutos e sirva somente o caldo.
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8. Oferecer infusão de chá verde (Carnctia Sinensis), de menta ou hortelã (Mentha piperita) e por decocção de canela (Cinnamonium verum).
Em Caso de febre usar chá por infusão das flores de sabugueiro (Sarnbucus nigra).
10.3. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM ENXAQUECA

A enxaqueca não é uma doença, mas uma síndrome neurológica caracterizada por dor recorrente, pulsátil ou latejante, nas regiões da fronte e têmpora, de intensidade moderada a severa, que se inicia leve e é progressiva.


As dores pioram com esforços ou atividades e duram, em média, de quatro a setenta e duas horas quando não tratadas e geralmente terminam de forma gradual.
A síndrome é freqüentemente acompanhada de vômitos, náuseas, tonturas, dores abdominais, fotofobia e fonofobia.
Tem caráter hereditário e as crises podem ser desencadeadas pela ingestão de alguns alimentos, desequilíbrio no ritmo do sono, estresse físico ou emocional e alterações hormonais, como no caso do período menstrual em mulheres (Feldman, 2005).
O tratamento foca o equilíbrio do ritmo de sono e vigília, os aspectos emocionais e as práticas saudáveis de exercício físico, lazer e alimentação saudável.
A dieta cumpre papel fundamental na prevenção das crises e a restrição de alguns alimentos parece contribuir de forma significativa no tratamento.
A retirada do leite integral e derivados e do trigo e derivados é uma prática que tem tido bons resultados clínicos para alguns pacientes.
Sugere-se retirar um alimento de cada vez e manter durante um mês a restrição
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de cada um dos alimentos para avaliar o impacto da retirada sobre a freqüência das crises.
O gengibre é um alimento que bloqueia a ação da prostaglandina, um hormônio responsável por sensações dolorosas e pode ser utilizado nas crises (Chevalier, 2005).

Cuidados nutricionais para enxaqueca:


1. Para a prevenção das crises, evitar na alimentação cotidiana os queijos maturados, os embutidos, as bebidas alcoólicas, amendoim e nozes em geral, as conservas e alimentos gordurosos e industrializados.
2. Aumentar a ingestão de frutas, verduras, cereais integrais e alimentos frescos. Observar recomendações gerais do capítulo 1.
3. A substituição do leite integral pode ser feita por extrato de soja (eventualmente), cereais ou amêndoas, suco de frutas frescas, leite de coco e nata fresca. Após um mês de restrição, introduzir os acidificados do leite (coalhada, iogurte e a ricota).
4. Se não houver melhora do quadro, manter a restrição de leite e retirar também o trigo e derivados.
Ler com atenção os rótulos dos alimentos industrializados.
Substituir o trigo por fécula de batata, farinha de tapioca, de polvilho, amaranto, quinoa, farinha de arroz, farinha de mandioca, fécula de milho (maisena), macarrão de arroz, arroz integral, painço, milho em grãos (quirera), farinha de milho, fubá, tortilhas de milho, canjica, batatas em geral (mandioca, batata-inglesa, cará, inhame, batata-salsa), grãos e flocos de aveia, farinhas de aveia, centeio e cevada.
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5. Pães de trigo podem ser substituídos por bolachas de arroz, roscas, panquecas de farinhas de milho e biscoitos à base de aveia, polvilho, broas de milho e bolinhos de tapioca. Já existem pães à base de farinha de soja, aveia, centeio, cevada, arroz, milho e batata. Inserir flocos de arroz, aveia e milho nos lanches e desjejuns.
6. Dentro do tratamento da enxaqueca mencionado acima, que envolve vários aspectos, as restrições sugeridas devem surtir efeito positivo sobre a síndrome. Depois de manter a restrição do leite (por dois meses) e de trigo (por um mês), esses alimentos podem ser reintroduzidos na dieta lentamente, de forma eventual, não ultrapassando duas vezes na semana, até que as crises se tornem raras ou desapareçam.
7. Não ingerir alimentos depois das 20 horas e fazer a última refeição à base de sopas e alimentos de fácil digestão.
8. Chás hepáticos e digestivos, infusão de alcachofra (Cynara scolyraus) e dente-de-leão (Taraxacum officinale) e decocção de sementes de tansagem (Plantago major) são indicados para estimular a função hepática e intestinal.
Outras indicações: chá de tanaceto (Tanaceto vulgare), chá por infusão das folhas e ramos de mil-folhas ou aquiléia (Achillea millefolium), folhas de alecrim (Rosmarinus officinalis) e flores de maracujá (Passiflora incarnata).
9. Nos dias de crise de enxaqueca seguir dieta leve, à base de sucos de frutas e verduras, sopas de verduras, arroz e painço.
Orienta-se também mastigar mínimas porções de gengibre cru durante as crises.
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10.4. CUIDADOS NUTRICIONAIS PARA PACIENTES COM DEPRESSÃO
Depressão é um transtorno afetivo (ou do humor), caracterizado por uma alteração psíquica e orgânica global, com conseqüentes alterações na maneira de valorizar a realidade e a vida.
Explorar o tratamento da depressão (e suas manifestações paralelas, ansiedade, insônia, instabilidade emocional) foge do objetivo deste livro, mas durante o seu tratamento recomenda-se uma dieta com o perfil da dieta hepática, enfocando os alimentos vitalizantes e estimulantes do sistema imunológico como morango, mel, guaraná e suco de uva.

A ação tônica da aveia é indicada para pacientes depressivos que sofrem de insônia. O maracujá tem ação calmante e sedativa, assim como a laranja doce e o alface (devido à lactucina presente nas folhas dessa hortaliça).


A maçã é um poderoso tônico cerebral e pode auxiliar nos casos de perda de memória e desvitalização geral do organismo.
A linhaça e o gengibre têm uma ação sobre o sistema nervoso, estimulam a sensação de bem-estar e regulam o sono.
A lecitina, presente nos produtos fermentados à base de soja, no tofu e no gergelim, é tônico do sistema nervoso e estimula as células nervosas, promovendo a capacidade de concentração (Ferro, 2006).
Em caso de anorexia e inapetência associadas à depressão, iniciar a refeição com meio copo de suco de chicória, de gengibre ou capuchinha, conhecidos por suas propriedades estimulantes do apetite.
Ressalta-se que o paciente depressivo não deve se alimentar após as 20 horas nem consumir frituras, ovos, carnes, leguminosas e refeições indigestas no jantar, para estimular o processo de revitalização do organismo que ocorre durante o sono.
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Cuidados nutricionais para depressão:
1. Alimentos especialmente indicados: mel (na forma de hidromel), suco de uva escura, painco, arroz integral, linhaça, flocos de aveia cozidos ou deixados de molho, sucos de folhas verdes (especialmente alface), aipo, beterraba, folhas amargas em geral, gergelim, missô, shoyo, tofu, alcachofra, xarope de guaraná, brotos em geral, repolho (chucrute) e pepino na salmoura (inclusive a água das conservas, rica em ácido lático), maçã, maracujá, ricota, iogurte, coalhada e kefir, suco de morango orgânico, água de coco, geléia real e pólen.

2. As refeições mais ricas em gorduras e de difícil digestão devem ser ingeridas, de preferência, antes das 15 horas. Após esse horário dar preferência para alimentos cozidos, frutas secas, doces caseiros, sopas, lanches e refeições leves. Não fazer refeições depois das 20 horas.


3. Em caso de anorexia e inapetência, iniciar a refeição com meio copo de suco de chicória, gengibre ou capuchinha.
4. Plantas especialmente indicadas para equilibrar o sistema imunológico: infusão de equinácea (Echinacea angustifólia) e decocção de casca de unha-de-gato (Uncaria tomentosa), raiz de ginseng coreano (Panax ginseng) e astrágalo (Astragalus merrtbranaceus). Plantas indicadas para a depressão em geral: chá por infusão de folhas de alecrim (Rosinarinus officinalis) e erva-de-São-João ou hipérico (Hipericum perforatum).
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11 - MONODIETAS
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11. MONODIETAS
As chamadas monodietas propõem a cura através do poder terapêutico das frutas e verduras, utilizando-se somente um alimento durante alguns dias.
A proposta não deixa de ser uma intervenção de desintoxicação e uma oportunidade de “descanso digestivo” para o organismo.
Esse é um campo vasto de estudos para a ciência da Nutrição, pois existem poucas pesquisas que comprovem os efeitos aclamados, apesar de tais dietas serem utilizadas há muito tempo por algumas correntes das Medicinas Tradicionais.
Muitas delas são utilizadas em clínicas e SPAs naturistas, mas são difíceis de serem seguidas devido à sensação de monotonia que podem gerar e a conseqüente aversão do paciente ao alimento.
Uma opção é a utilização das monodietas, por curto período - 2 a 7 dias, em regime de internação, em que a ação conjunta da dieta e das práticas complementares acelera o processo de cura e estimula o paciente a manter as orientações.
Outra forma de se beneficiar da ação terapêutica das monodietas e obter alguns dos efeitos terapêuticos apontados por autores como Balbach (1980), Scheneider (2006) e Rottman (1998), é orientar que o paciente opte por um dia na semana para fazer a dieta e siga tal restrição durante três a quatro meses, dentro do contexto dietético para as diferentes patologias apresentado no livro.
Por exemplo, durante o tratamento do câncer, uma vez na semana, o paciente pode seguir a monodieta do suco de uva; no caso da gastrite, a monodieta de suco de cenoura e na asma, um dia à base de mamão.
O espaço entre as refeições deve ser de pelo menos duas horas e não passar de três horas de intervalo. Para iniciar uma monodieta deve-se seguir dieta lactovegetariana,
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à base de iogurte, coalhada, kefir, frutas, verduras e cereais integrais, três dias antes e três dias depois da intervenção.
Dessa forma é possível receber igualmente os benefícios de uma proposta de desintoxicação no organismo.
Os vegetais das monodietas devem ser orgânicos, maturados naturalmente, frescos ou desidratados (nunca congelados ou industrializados) e devem seguir a sazonalidade.

A seguir seguem algumas monodietas cujos alimentos devem ser ingeridos crus (com exceção da batata e cereais), sempre que possível na forma in natura ou sob a forma de sucos (preferencialmente preparados na centrífuga):


Dieta da banana nas colites (banana- maçã) e gastrites (banana-prata, fruta inteira);
Dieta do figo seco (rehidratado) para cálculos biliares e doenças hepáticas (fruta inteira);
Dieta da manga para bronquite (fruta inteira ou suco);
Dieta da ameixa seca rehidratada para constipação (fruta inteira ou suco);
Dieta da melancia para edemas, cálculos renais e para estimular a diurese (fruta inteira ou suco);
Dieta de batata-inglesa cozida (OU pequenas doses de suco coado da batata crua) para gastrite, desintoxicação, gota e artrite;
Dieta do caqui para tratar as dispepsias agudas (fruta inteira);
Dieta do limão para tratar as artrites, gota e doenças inflamatórias crônicas (na forma de suco);
Dieta da uva para casos de câncer e para doenças cardiovasculares (fruta inteira ou suco);
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Dieta da maçã para controle da diarréia, acnes, eczemas, gastrite e úlceras (fruta inteira ou suco);
Dieta do morango para gota, doenças hepáticas e cálculos renais (fruta inteira ou suco);
Dieta da cenoura atua como vermífugo (inteira ou suco);
Dieta do suco de cenoura ou sopa de cenoura para gastrite;
Dieta do arroz integral nas doenças inflamatórias, edemas, gota e reumatismo;
Dieta do painço para acne, psoríase e eczemas;
Dieta da água-de-coco para teníase, edemas, acne e eczemas;
Dieta do abacate para constipação, litíase, reumatismo e gota (fruta inteira);
Dieta do mamão para asma (fruta inteira ou sucos);
Dieta do suco de couve para esofagite e gastrite (na forma de suco);
Dieta da abóbora cozida para constipação e edema (isoprenóides, ácidos aminados, alcalóides);
Dieta da beterraba para gota e edemas (na forma de suco);
Dieta de maçãs e amoras para afonia e para estimular a qualidade da voz (fruta inteira ou suco).
Dieta de suco concentrado de goiaba para hiperglicemia.
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12 - ALIMENTAÇÃO NAS FASES DA VIDA
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12. ALIMENTAÇÃO NAS FASES DA VIDA
Este capítulo foge do contexto dos anteriores porque não aborda doenças, mas fases especiais da vida humana e as mudanças físicas, bioquímicas e comportamentais que influenciam na alimentação do indivíduo.
Compreender as fases da vida possibilita compreender as tendências de cada momento da vida e o que se pode esperar dos indivíduos em termos de mudança de hábitos alimentares. Uma gestante, lactante ou mãe de urna criança pequena, diante da responsabilidade de criar um ser saudável, acaba se tornando muito mais receptiva às mudanças alimentares do que um adolescente, que é reativo à mudanças, precisa comer como “todo mundo”, pois vive um momento de crise de identidade e necessidade de aceitação.
O presente capítulo não tem o objetivo de explorar todas as nuanças dos diferentes momentos da vida. Para aprofundar essas questões, indicam-se os estudos sobre a biografia humana que autores como Burkhard (2001) e Lievegoed (1999) oferecem como valiosas contribuições para todos os terapeutas que queiram conhecer melhor seu paciente e ajuda-lo a agir conforme a sua fase de vida.
O enfoque deste capítulo é descrever algumas das mudanças que ocorrem nessas fases e sugerir uma alimentação saudável e equilibrada para cada uma delas.
12.1. GRAVIDEZ E LACTAÇÃO
A má nutrição durante o crescimento fetal ou infantil afeta o desenvolvimento do cérebro e, neste período, isto pode ter conseqüências graves. Após a fertilização começa no organismo materno um ajuste necessário para dar suporte à vida, ao crescimento do feto e à lactação.
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É o período de maior crescimento e desenvolvimento no ciclo da vida. As necessidades dietéticas são aumentadas para suprir a demanda adicional da mãe e do feto.
Quanto mais equilibrada a dieta da gestante, melhores as condições físicas do bebê.
O estado nutricional da mãe anterior à concepção é importante e fatores genéticos, biológicos, sócio-econômicos e psicológicos também estão envolvidos na qualidade da gestação.
Muitas mudanças físicas e bioquímicas ocorrem na gravidez normal: aumento do volume sanguíneo; redução da concentração de hemoglobina e da albumina plasmática; excreção de aminoácidos e folatos pela urina; retenção hídrica (edema) e mudanças nas funções cardíaca e pulmonar; aumento do tamanho da glândula tireóide devido à perda de iodo pela urina; depressão funcional do estômago por causa da secreção reduzida do ácido clorídrico; redução da motilidade intestinal (com conseqüente tendência à constipação); aumento do apetite e da sede; ocorrência de náusea matinal, desejos ou aversões aos alimentos.
O baixo peso do recém-nascido e as taxas de mortalidade estão associados a diversos fatores: imaturidade biológica do feto, uso de fumo por parte da gestante, baixo peso gestacional, baixa estatura, doença crônica ou mau estado nutricional da mãe, situação sócio-econômico dos pais e ansiedade ou estresse durante a gravidez.
O ganho de peso recomendado durante a gravidez é em torno de 12,5kg. Mulheres jovens tendem a ganhar mais peso do que as mais velhas, as primigestas mais do que plurigestas e mulheres magras mais do que as obesas.
Uma gestante equilibrada em seu estado geral de saúde vai escolher, instintivamente, suas necessidades quantitativas. Durante o primeiro trimestre há um pequeno ganho de peso, que aumenta no segundo e tende a se equilibrar no terceiro trimestre.
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O padrão do ganho de peso mensal é mais importante do que o total ganho; uma média de 1kg por mês é o desejável.
Uma mulher com sobrepeso não deve seguir dietas durante a gravidez (ou no período da lactação), mas sim aumentar a freqüência do exercício físico e focar o equilíbrio emocional para trabalhar a ansiedade que freqüentemente acompanha tal estado.
As fontes de proteína, ácido fólico, cálcio, fósforo, vitamina D e ferro são particularmente importantes para o crescimento dos tecidos, sistema nervoso e esqueleto do feto e para evitar carências na mãe e no bebê. Algumas vezes a suplementação de cálcio e ferro mineral é necessária, a partir do 4°. mês de gravidez, sob orientação médica.
Cuidados nutricionais para gestantes e lactantes:
1. A dieta básica da gestante consiste em cereais, pães e massas integrais, leite e derivados (ricota, queijos brancos, iogurte), mel, frutas e hortaliças. Pode-se utilizar frango e ovos caipira, carnes e peixe de três a quatro vezes na semana. As fontes de fibras são muito importantes para manter um bom funcionamento intestinal. O cardápio básico oferece tudo o que a gestante precisa.
2. Os alimentos devem ter a melhor qualidade integral e orgânica possível para minimizar o contato do feto com os xenobióticos provenientes da alimentação industrializada de origem convencional.
3. Ingerir diariamente uma ou mais porções dos seguintes alimentos: sementes de girassol, linhaça, gergelim e de abóbora (fontes de ferro que podem ser utilizadas em saladas, pães, granolas, etc).
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Outros alimentos ricos em ferro, vitamina B12, C e ácido fólico: caqui, verduras verde-escuras (brócolis, folhas de beterraba, espinafre, aspargos, salsinha, agrião, couve, dente-de-leão em saladas ou em sucos verdes), raízes (beterraba, cenoura, aipo, nabo), açaí, melado, leite integral, frutas cítricas (acerola, morango, abacaxi), goiaba, melão, cereais, flocos e pães integrais (especialmente centeio e trigo), quinoa, frutas secas (passas, ameixas, damasco, banana-seca), além das carnes vermelhas, ovos caipira e leguminosas.
5. Ingerir diariamente pela manhã os sucos de raiz (beterraba e cenoura) durante o primeiro trimestre; os sucos de folhas verdes (couve, salsinha, acelga, dente-de-leão) no segundo trimestre e os sucos de frutas da época no terceiro trimestre.

6. Evitar açúcar e farinhas brancas, comidas gordurosas, embutidos, doces concentrados, margarina, álcool, refrigerantes, café e chá preto.


7. Restringir o uso das solanáceas (batata-inglesa, tomate, jiló, pimentão, berinjela) e carnes, ovos e leguminosas no jantar.
8. Fazer refeições fracionadas ao longo do dia, em porções menores, para evitar distensão abdominal. Evitar refeições de difícil digestão após as 20 horas.
9. No nono mês, retirar o leite e derivados da dieta para evitar as cólicas do bebê. Consumir com moderação o iogurte e a ricota. Aumentar o consumo de carnes, ovos, leguminosas e utilizar missô e shoyo como aporte protéico.
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10. Durante a lactação, para que o bebê não tenha cólicas, evitar, nos seis primeiros meses, a ingestão de leite integral e derivados (os acidificados podem ser introduzidos no terceiro mês), excesso de leguminosas, verduras e condimentos ricos em enxofre (couves, cebola, alho) e condimentos picantes como curry, pimenta, cravo e canela. Ingerir chá de funcho (Poenicutum vulgare) para estimular a produção de leite.

11. Em casos de acidez estomacal ingerir suco de couve no intervalo das refeições. Para os enjôos matinais pode-se usar bolachas de água, gengibre e sal integrais e ameixa umeboshi.


12.Restringir o uso de sal e açúcar e utilizar condimentos no preparo dos pratos. Beber água mineral de boa qualidade e evitar líquidos muitos gelados ou muito quentes. Evitar também líquidos junto às refeições mais copiosas.
13. Mastigar devagar, sem pressa e fazer as refeições em ambientes calmos.
14.Em caso de constipação usar chá de semente da tansagem (Plantago major) (maceração, 10 horas na água de molho) e para eventuais edemas, chá por infusão de cabelo de milho (Zea mays).
12.2. PRIMEIRA INFÂNCIA
Em termos de nutrição, os dois primeiros anos de vida são como uma continuação da condição fetal; é um estagio de transição que pode definir a manutenção de um instinto alimentar sadio permanente do indivíduo.
A qualidade integral orgânica da alimentação, assim como alimentos na forma mais natural possível são condições fundamentais para assegurar a saúde da criança e do futuro adulto.
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A introdução de novos alimentos para o bebê alimentado exclusivamente com leite materno deve ser gradual e progressiva. A introdução incorreta de alimentos pode ser considerada como um dos aspectos relacionados à aceleração da infância. Além disso, uma dieta hiperprotéica, à base de leites de outras espécies (soja, vaca ou cabra), com excesso de açúcar, caldos de carnes, ovos, leguminosas e alimentos industrializados e aditivados são responsáveis pela sobrecarga dos órgãos de desintoxicação das crianças. Tal dieta é uma das causas de disfunções cada vez mais comuns nas crianças como obesidade, hiperlipidemias, diabetes e alergias. Rever tais considerações apresentadas no capítulo das alergias (item 7.1).
Durante os primeiros dias de vida a criança perde alguns gramas. O ganho de peso será retomado durante os sete (até dez) dias seguintes, sem grandes conseqüências para o bebê.
O melhor leite é sem dúvida o leite materno, que pode ser mantido exclusivo por até 6 meses.
O leite materno, livre de contaminação bacteriana, é também mais econômico; não necessita ser preparado com águas (às vezes de qualidade duvidosa); ajuda a estreitar a relação afetiva entre a mãe e a criança; não é alergênico e imuniza o bebê contra certas doenças infecciosas, através da ação dos anticorpos. Além disso, a proteína do leite humano é mais facilmente digerida que a do leite de vaca, O leite materno contém menor quantidade de proteína e minerais, necessários para o correto padrão de crescimento da espécie humana, sem causar sobrecarga renal para a criança e respeitando seu sistema imunológico em formação.
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A amamentação define o futuro da dieta da criança. O líquido amniótico representa a primeira exposição aos sabores (tanto odores como gostos) que serão subseqüentemente transmitidos primeiro pelo leite materno e depois, por outros alimentos.
A herança cultural age sobre o individuo muito precocemente, uma vez que o desenvolvimento do feto é influenciado pelos padrões dietéticos de sua mãe, os quais são produtos de sua cultura (Garine, 1995). Beauchmam e Mennella (1995) relacionam a maior aceitação de vegetais pelos lactentes em desmame quando amamentados com leite materno do que com fórmulas lácteas.
A amamentação tem a função primordial de alimentar o bebê (em vários níveis de nutrição) e o seio não deve ser oferecido para ninar ou confortar a criança. O desmame deve ocorrer em torno do 10° até 12°. mês de vida, pois esse é o momento de o bebê experimentar novos alimentos e se desvincular gradativamente da mãe.
Esta indicação vai ao encontro da necessidade de individualização e independência psicológica das crianças de hoje, ao contrário dos bebês das culturas tradicionais que chegavam a mamar até o segundo ou terceiro ano de vida.
Essas sociedades mantinham uma interdependência entre os indivíduos dentro da condição tribal, muito diferente das exigências do mundo contemporâneo.
Na perspectiva mais natural, dentro da Medicina Antroposófica, em caso de introdução de outro tipo de leite maternizado, o ideal seria o leite de cabra ou vaca fresco, diluído de forma correta. Há diferentes julgamentos para tal orientação e muitos aspectos a considerar, por isso o pediatra e o nutricionista devem interagir conjuntamente com os pais.
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Para Schmidt (1975), médico antroposófico,o leite é considerado o alimento arquetípico da infância e proporciona o desenvolvimento adequado em todos os níveis, físico-biológico, emocional e espiritual.
Em casos de impossibilidade de amamentação, de alergias e intolerâncias ao leite de vaca, os leites de cereais, de amêndoas e o de soja merecem abordagens específicas que fogem do contexto deste capítulo, que foca a criança saudável.
Caso o leite materno não possa ser mantido exclusivo até os seis meses, a introdução de alimentos ocorre antes, em torno do terceiro ou quarto mês de vida, sob orientação médica.
Essa orientação deve estar em sintonia com os ritmos de sono e vigília do bebê e com um ritmo de vida e de intervalo de refeições saudáveis.

A introdução dos alimentos deve ser aliada à necessidade de se impor limites amorosos para a criança.


É o adulto que deve sugerir o que a criança pequena vai comer; e ela não deve ter acesso livre aos alimentos. Desde a primeira introdução dos alimentos, a postura do adulto, sua certeza e tranqüilidade devem permear as refeições.
Se a criança não quer comer, retirar o prato, sem traumas ou discussões e reapresentá-lo um pouco mais tarde; é importante que a criança sinta um pouco de fome para compreender que é hora de comer; se pular uma refeição, a criança deve saber que vai comer só na próxima refeição, sem o seio, o leite ou a bolachinha no intervalo. Claro que se pode adiantar a próxima refeição sem sofrimentos extremos.
O bebê também deve aprender dessa forma a se abrir a novas propostas. Se todas as vezes que ele rejeitar as sopas ou sucos, receber o leite logo em seguida, ele nunca vai aprender a comer outros alimentos. É importante persistir porque a aceitação de um novo sabor ocorre, em média, após dez tentativas.
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No início da introdução de alimentos, nunca oferecer alimento fora dos horários. A manutenção do intervalo entre as refeições e o completo esvaziamento gástrico são elementos essenciais para uma alimentação sadia.
Firmeza, tranqüilidade e confiança por parte dos adultos são qualidades essenciais durante a introdução dos alimentos e fundamentais para a aquisição de hábitos alimentares saudáveis pelas crianças.
Toda introdução de novos alimentos requer calma até se perceber os limites e as verdadeiras tendências individuais de cada criança.
Ao final, será possível verificar se a criança não suporta mesmo esta verdura ou aquele cereal, lembrando porém, que não é possível adaptar-se totalmente aos gostos individuais, pois assim a dieta ficaria sempre muito restrita e desequilibrada.

Também é importante perceber o temperamento de cada criança: as sanguíneas e melancólicas vão ter menos interesse em comer do que as fleumáticas e coléricas. Nos bêbes percebe-se apenas duas tendências de comportamento (Goebel; Glücker 1988).


Os bebês neurossensoriais, mais ativos, sensíveis, irritáveis, que dormem pouco, de “cabeça pequena” e os bebês metabólicos, de “cabeça grande”, sonhadores, que dormem mais tempo e são mais calmos.
Para os primeiros, uma simples bolacha fora do horário pode interferir na próxima refeição e o intervalo entre elas deve ser rigidamente observado.
Eles não se interessam por comer, pois tudo ao redor é demasiado estimulante.
Precisam de ambiente calmo e pequenas porções de alimentos de alta qualidade.
Evitar distrair o bebê com brinquedos, televisão ou objetos para que ele se alimente.
Para o segundo tipo de bebê o processo de introdução de alimentos é mais fácil, pois ele é menos exigente e tem mais apetite.
Deve-se se ter cuidado para não oferecer excesso de alimentos, e é preciso restringir doces e gorduras desde a mais tenra idade para evitar problemas futuros com excesso de peso.
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Por fim, os pais devem perceber a criança como urna grande possibilidade de auto-educação. É preciso primeiro mudar os hábitos alimentares dos adultos para depois propor as mudanças para as crianças. Só assim será verdadeiro para elas

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Seguem as orientações para o primeiro ano de vida considerando crianças saudáveis, com aleitamento materno exclusivo até seis meses e extensivo a doze meses. Toda introdução deve ser feita de forma gradual; observar as reações do bebê e variar aos poucos os tipos de cada grupo de alimentos. A qualidade integral orgânica dos alimentos introduzidos é uma premissa importante e também a certeza de estar cultivando um terreno fértil onde vai crescer um adulto saudável.


ORIENTAÇÃO ALIMENTAR DOS 6 MESES ATÉ O PRIMEIRO ANO DE VIDA
Sexto Mês: Introdução do primeiro suco de vegetais às 10 horas ou meio da manhã. A introdução é lenta, na colher ou no copo normal ou de “bico duro”, iniciando com frutas e hortaliças doces e da época como: laranja lima, maçã, caqui, mamão, pêra, cenoura, alface, raiz da erva-doce e beterraba.
O suco de folhas verde-escuras (couve, salsinha, folhas de beterraba e de cenoura) é rico em ferro e deve ser adicionado ao suco de frutas assim que o bebê se acostumar com essa nova refeição. Bater as folhas no liquidificador.
Ao final deste mês a fruta pode ser dada na forma de “papinha”, amassada com garfo ou passada na peneira grossa.
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Sétimo Mês: Introdução da segunda porção de fruta ou suco no meio da tarde nos primeiros dez dias e, a seguir, a primeira sopa de verduras ao meio-dia, depois do suco da manhã.
Esta sopa pode ser à base de uma verdura somente (sopa de beterraba, de batata-salsa, de abóbora) ou variada nas três partes da planta: uma raiz (cenoura, erva-doce, aipo, beterraba); uma flor ou fruto (brócolis, abóbora, abobrinha, chuchu) acrescida ao final de uma folha (espinafre, couve, acelga, folhas de cenoura). Colocar sempre no final os condimentos verdes (salsinha, coentro, cebolinha, hortelã), 1 colher de chá de manteiga ou óleo de oliva.
Pode-se dar preferência para as verduras mais doces (cenoura, abóbora, beterraba) nas primeiras sopas.
Também água mineral ou de mina podem ser oferecidas nos intervalos.
A mamada continua preenchendo as outras refeições.
Para coçar os dentinhos e acostumar o bebê com o sabor das verduras, oferecer talos de brócolis, de couve-flor, de pepino ou de cenoura, enquanto ele aguarda sua sopinha.
Evitar batata, cebola, tomate, berinjela, pepino, pimentão, abobrinha, morango, goiaba, uva, maçã, pêssego, mamão papaia, melão, nectarina e pêra de origem convencional, pela grande quantidade de agrotóxicos utilizados no seu plantio.
Oitavo Mês: Introduzir na sopa de verduras um cereal integral (iniciar com grão bem cozido ou farinha de arroz integral ou aveia; depois de três semanas, introduzir o trigo para kibe, painco e cevadinha e por último o milho (quebradinho ou fubá). Todos os cereais devem ser pré-cozidos em água e acrescidos no final de erva-doce, cominho, cebolinha ou salsinha, para aumentar sua digestibilidade.
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Introduzir um tipo e observar por dois, três dias, O uso do sal é mínimo no começo (uma pitada no final da preparação). Use o sal marinho integral de preferência. Eventualmente o cereal pode ser substituído por uma fécula (batata-doce, batata-salsa, inhame, taioba, mandioca).
A sopa é amassada com garfo ou passada na peneira grossa. Na última semana do oitavo mês, poderá ser acrescida uma segunda sopa, ao jantar, em torno das 17h30, também à base de cereais ou féculas e verduras.
Quando entra uma nova refeição, a mamada é então substituída. O bebê já estará agora com quatro refeições: fruta de manhã e à tarde e almoço e jantar à base de cereais e verduras.

Com o nascimento dos dentes e introdução dos cereais pode-se oferecer pão integral seco ou biscoitos integrais para roer sempre com um adulto por perto para evitar que o bebê se engasgue).


Nono Mês: A partir do Nono mês o jantar à base de sopa poderá ser variado com um mingau de cereais pré-cozidos com água, acrescido de uma colher de chá de melado, uma fruta fresca da época ou seca, cozida em água (pêra, maçã, banana, uva-passa, ameixa) acrescida de iogurte natural ou ricota fresca sem sal.
Dá-se continuidade aos meses anteriores, tentando tornar um hábito as quatro refeições: papa de frutas, almoço (um copinho de suco de verduras verde-escuras ou de raízes antes do almoço pode também se tornar um hábito), lanche e jantar.
As sopas são somente amassadas com garfo. No lanche da tarde pode-se também acrescentar um cereal: tipo uma fruta com flocos de aveia ou milho (deixados de molho).
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Décimo e décimo primeiro Mês: pode-se introduzir missô e shoyo nas sopas do almoço, duas ou três vezes na semana.
Enriquecer a papinha doce ou as frutas da tarde com nozes raladas, coco ralado ou leite de coco, nata, tahine, castanhas e germe de trigo em pequenas quantidades.
Variar as sopinhas com quinoa, um grão muito saudável.
Pode-se variar a papa doce servindo ricota temperada com frutas e mel, arroz doce ou canjica bem cozidos com frutas e nata e/ ou leite de coco.
Também no Décimo mês podemos iniciar o desmame (começando pela mamadas noturnas, se o bebê ainda mama à noite).
Décimo segundo Mês: Introduzir, uma vez por semana, as leguminosas (lentilha, grão-de-bico, ervilha e feijão) nas refeições do almoço.
Pode-se chegar gradualmente a três vezes na semana no máximo. Evitar as leguminosas no horário do jantar.
Os legumes são dados sem amassar muito e junto à leguminosas com arroz integral, painço, cevada ou trigo para kibe, bem cozidos. O leite de vaca in natura e integral poderá ser introduzido com uma diluição inicial de metade água, metade leite, depois a dois terços de leite e um terço água e após três semanas pode se chegar ao leite integral.
Os preparados com leite devem iniciar lentamente, a cada dia, com 1 colher de sobremesa até configurarem uma refeição completa.
O lanche da tarde pode ser um copo de leite ou iogurte com frutas (tipo vitamina) e bolachas ou pão integral.
No final do primeiro ano a criança começa a participar mais da mesa do adulto (evitando sempre os condimentos fortes, conservas, carnes e frituras). Os ovos caipira devem ser introduzidos somente no final do Décimo segundo mês, no máximo1 vez na semana ou em preparações.
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Iniciar gradativamente com metade da gema (sem a clara), depois a gema toda e somente após certificar-se que não houve reação alérgica, oferecer o ovo inteiro.

Introduzir o café da manhã com leite no copinho de bico, pão integral com queijo branco, ricota ou manteiga, frutas ou cereais (tipo granola, musli ou flocos de aveia deixados de molho), iogurte e frutas.


O almoço é a base de cereais integrais bem cozidos (arroz, polenta, triguilho, macarrão integral, painço, aveia, cevadinha), verduras e, duas a três vezes por semana, oferecer leguminosas ou suflê de ricota e verduras ou molho branco.

No lanche da tarde pode-se oferecer leite ou iogurte com cereais e frutas de formas variadas: mingaus, vitaminas, bolachas (com mel, tahine, ricota, manteiga, geléia) ou gelatinas vegetais (agar-agar) com suco de frutas e papas doces.


O jantar pode ser uma sopa de verduras e cereais com pães ou torradas integrais ou a papa de cereais. Gradualmente a criança vai se interessar por tortas de verduras, pizzas integrais ou o lanche do adulto à base de pães, queijos e leite no copo. Evitar leguminosas, ovos, carnes e refeições “pesadas” no jantar. Pode-se oferecer uma sobremesa após o jantar como compota de frutas, arroz-doce, canjica, gelatinas, paçoca, bolos integrais e tortas de frutas.
Indica-se introduzir as carnes frescas e o frango caipira, bem como o peixe somente depois do décimo oitavo mês (ideal depois do segundo aniversário), de forma gradativa, se for do hábito alimentar da família.
E essencial que os pais se sintam seguros com a proposta indicada para não criar sentimentos de angústia que podem afetar a criança.
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Tais sentimentos de insegurança, assim como o estado geral do bebê, sua resistência à doenças e seu desenvolvimento pôndero-estatural é que devem determinar mudanças no cardápio proposto.
No caso de pais que questionam as orientações de introdução da proteína animal, sugere-se que persistam na proposta lactovegetariana, pelo menos, no primeiro ano de vida.
Depois do Décimo segundo mês, acelera-se o processo de introdução dos ovos e carnes.
12.3. VELHICE
A cada idade formam-se novos sentidos capazes de desenvolver uma maior consciência em detrimento do corpo físico e da vitalidade.
Na verdade, as bases do desenvolvimento espiritual são exatamente as forças de vitalidade, que não se “perdem”, mas se tornam disponíveis para o trabalho espiritual.
Para envelhecer com sabedoria e saúde é preciso transformar essas forças através da meditação e de processos terapêuticos que permitam o auto-conhecimento e a auto-percepção.
O envelhecimento é um processo normal que se inicia já na concepção e deve ser respeitado pela sociedade.
O idoso deve ser encorajado a exercer atividades mentais e físicas ajustadas à sua condição e necessita se sentir útil e querido.
Com o avanço da ciência, o número de idosos está aumentando na sociedade e é preciso modificar nossa atitude frente à chamada “melhor idade”.
Apesar de acontecer todo um processo de degradação corporal, o homem é o único animal que não é totalmente entregue às leis biológicas e pode continuar a se desenvolver mental e espiritualmente até o final de sua vida, se for corretamente preparado e aprender, gradativamente, a envelhecer com sabedoria e com o apoio das pessoas ao seu redor.
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Exercícios físicos que incentivem uma respiração profunda e atividades artísticas (música, canto, pintura) devem fazer parte da rotina do idoso, assim como uma alimentação adequada.
Segundo Burkhard (1994), a partir dos 42 anos, a força muscular e a capacidade reprodutora diminuem, assim como os processos digestivos e rítmicos (do coração e pulmão) se retraem gradativamente. A respiração torna-se mais superficial e a insuficiência cardíaca e circulatória leva a uma oxigenação menor dos tecidos.
O metabolismo reduz sua atividade junto com as glândulas de secreção externa e os sucos digestivos diminuem.
Devido à mastigação inadequada e perda de tonicidade intestinal ocorrem freqüentemente a constipação e a fermentação com formação de gazes.
Assim as fibras abrandadas, os condimentos e chá de ervas diuréticas, calmantes e digestivas podem auxiliar a digestão do idoso.
É importante manter a calma às refeições para que ele possa acompanhar o ritmo próprio, que é mais lento. As necessidades calóricas diminuem, assim como a disposição para a atividade física e o idoso passa a comer menores quantidades.
Os alimentos acidificados, por causa da ação do ácido lático, ajudam também nas deficiências digestivas que se instalam. O fracionamento das refeições e um correto tempo de esvaziamento gástrico devem ser observados nesta fase.
Recomenda-se equilibrar a ingestão de alimentos crus e cozidos, bem como de fibras abrandadas.
As folhas verdes, ricas em ferro, cálcio e minerais, na forma de sucos e saladas são boas fontes de minerais e vitalidade e ajudam a equilibrar o acúmulo de líquido no tecido extracelular e o equilíbrio hídrico no organismo.
Já os sucos de raízes e as nozes são excelentes fontes de minerais para ativar a memória.
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Por fim, deve-se considerar urna ingestão alta de líquidos para ajudar na hidratação do idoso e estimular a diurese.

Uma alimentação lactovegetariana, leve, é ideal para o idoso, utilizando-se somente os acidificados do leite (sem leite integral) e restringindo-se as carnes, os ovos e as leguminosas.


Durante a velhice aumenta a incidência de intolerância à lactose e, mesmo com os processos de deficiência de cálcio que se instalam - osteopenia, osteoporose - o leite não é o alimento mais indicado para repor cálcio na velhice.
O cálcio de origem vegetal e, eventualmente, os complementos à base de cálcio mineral podem equilibrar as necessidades deste mineral nesta fase (ver orientações para tais deficiências no item 10.1.2).
O idoso pode prescindir da proteína animal e a dieta vegetariana pode colaborar para uma vida espiritual sadia (38).
De forma geral, o idoso deve considerar a ingestão de uma dieta integral orgânica como a indicada para os adultos, equilibrada qualitativa e quantitativamente.
O mel deve substituir o açúcar e é uma excelente fonte de força e vitalidade para o idoso. Para Rudolf Steiner, assim como o leite é considerado o alimento arquetípico da infância e o cereal tem a mesma conotação na idade adulta, o mel age no idoso no sentido de trazer as forças espirituais e de contraposição ao processo da esclerose na velhice: “o mel habilita a organização do Eu a manter o seu domínio sobre o corpo astral, o qual tem a tendência de se manter indiferente no processo da esclerose” (Steiner; Wegman, 2001).
Início da Nota de rodapé
(38) Para uma discussão mais aprofundada sobre o vegetarianismo consultar Azevedo (2005).
Fim da Nota de rodapé
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Para esses autores, as forças formativas do mel ajudam a diminuir o impacto da esclerose na velhice.
Para o idoso, orienta-se preparar o “hidromel” (ver item 4.3.1) e ingeri-lo em pequenos goles diariamente, após as 14 horas. De forma geral, o consumo de líquidos deve ser de, pelo menos, 1,5 litros de água por dia, na forma de chás, sucos e água pura.
Os fitoestrógenos, como as isoflavonas e lignanas, são um grupo de compostos não esteróides encontrados em diversos vegetais, que apresentam na maioria das vezes um anel fenólico em sua estrutura, o que lhes confere capacidade de adesão aos receptores hormonais, podendo agir como agonista ou antagonista do estrógeno, dependendo do sítio de atuação.
Portanto, possuem ação de modulação e podem ser utilizados por mulheres durante o período da menopausa (ao redor dos 50 anos) para aliviar os sintomas dessa fase, entre eles ondas de calor, suores noturnos, insônia, mucosa vaginal ressecada e mais delgada, envelhecimento notável da pele, diminuição da libido, diminuição da memória, perda óssea, depressão e outras alterações de humor.
Existem muitas plantas que podem ser utilizadas na forma de chás para aliviar tais sintomas.
Os fitoestrógenos aparecem em pequenas quantidades em alguns alimentos como linhaça e cevada (na forma de lignanas), soja fermentada (na forma de isoflavonas), alfafa (na forma de cumestrol e isoflavonas) e brotos em geral.
Cuidados nutricionais para o idoso:
1. De forma geral, o idoso pode se beneficiar muito de uma dieta lactovegetariana com pequenas porções de queijo branco, ricota, iogurte e coalhada, isenta ou com o mínimo de leite integral.
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2. Evitar refeições indigestas, chá preto, café, álcool, alimentos gordurosos, condimentos como curry e pimenta, leite integral, carnes, ovos, leguminosas e açúcar em excesso.
3. Usar condimentos à base de ervas frescas; chás digestivos (chá por infusão de flores de camomila (Matricaria recutita), de sementes de erva-doce ou anis (Pimpineila anisuni), folhas de funcho (Foeniculum vulgare), flores de macela (Achyrociine satureoides), menta ou hortelã (Mentha piperita), dente-de-leão (Taraxacuvn officinale); ervas diuréticas (cabelo de milho (Zea mays)) e chás para eventuais problemas de insônia (decocção da raiz de valeriana (Valeriana officinatis)), infusão das folhas de melissa (Melissa officinalis) ou de capim-limão (Cymbopogon citratus).
4. Focar o consumo diário de alimentos acidificados (iogurte, coalhada, ricota, pepino e chucrute em conserva), sucos de uva e morango, sucos verdes e de raízes (cenoura, beterraba, aipo), nozes e cereais como aveia, arroz integral e painço.
5. O uso de mel (na forma de hidromel) e o consumo de, pelo menos, 1,5 litros de líquido por dia, na forma de chás, sucos e água pura, é recomendado.
6. Evitar se alimentar depois das 20 horas (no máximo, um chá com mel e bolachas integrais doces às 21 horas). Fazer, pelo menos, cinco refeições fracionadas ao longo do dia e não cultivar o hábito de beliscar entre as refeições.
7. Durante a época do climatério, estimular o consumo regular de soja fermentada, linhaça, cevada, brotos em geral (especialmente de alfafa). Chás indicados para esse período: decocção dos rizomas de angélica
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ou dong quai (Angelica sinensis), da raiz do inhame mexicano (Dioscorea villosa), da raiz de alcaçuz ou glicirriza (Glycynhiza gtabra), da raiz de cimicifuga (Cimicifuga racemosa) e dos frutos de vitex ou agnocasto (Vitex agnus-castus).
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Página em branco
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ANEXOS
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ANEXO 1
EXEMPLO DE CARDÁPIO BÁSICO - OPÇÃO 1 AO ACORDAR
1 copo de água morna ou a temperatura ambiente

DESJEJUM
Mamão com flocos de arroz e iogurte natural

LANCHE
Suco de cenoura

ANTES DO ALMOÇO


Meio copo de suco verde

ALMOÇO
Salada de alface americana, beterraba e pepino. Molho de azeite de oliva, limão, alho, 1 pitada de casca de laranja, sal marinho e talo de aipo

Tabule de forno (trigo para kibe deixado de molho com verduras variadas (cenoura, pimentão, tomate, couve-flor, alho-poró), queijo mussarela em cubos

temperado com sal marinho, azeite de oliva e hortelã

Após 20 minutos: chá digestivo

LANCHE
Torradas de arroz integral com tahine e mel e chá de maçã

JANTAR
Sopa de abóbora com tomate e alho com torradas com ricota temperada

Sobremesa: maçã ao forno com canela e calda de açúcar mascavo e flor de laranjeira

Após 20 minutos: chá digestivo
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EXEMPLO DE CARDÁPIO BÁSICO - OPÇÃO 2 AO ACORDAR

1 copo de água morna ou a temperatura ambiente

DESJEJUM
Vitamina de leite com banana e flocos de aveia

Torrada de arroz com queijo branco e manteiga

LANCHE
Suco de laranja com beterraba

ANTES DO ALMOÇO


Meio copo de suco verde

ALMOÇO
Salada de alface e abobrinha ralada, tomate e azeitonas pretas temnperadas com alho, azeite de oliva, limão e sal marinho

Arroz integral

Feijoada vegetariana (feijão preto ou branco temperado com abóbora, cebola e pequenos pedaços de ricota defumada)

Couve mineira refogada

Após 20 minutos: chá digestivo

LANCHE
Torta integral de maçã com nozes e chá de frutas

JANTAR
Sanduíche de pão de centeio com berinjela, abobrinha, cebola, pimentão, tomate e broto de alfafa


Sobremesa: gelatina de ágar-ágar com frutas e nata fresca

Após 20 minutos: chá digestivo


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EXEMPLO DE CARDÁPIO BÁSICO OPÇÃO 3 AO ACORDAR

1 copo de água morna ou a temperatura ambient

DESJEJUM
Suco de melão

Tapioca recheada com queijo branco

LANCHE
1 porção de manga fresca

ANTES DO ALMOÇO


Meio copo de suco verde

ALMOÇO
Salada de couve flor, cenoura, broto de feijão temperado com alho, azeite de oliva, vinagre balsâmico e sal marinho

Batata inglesa

Peixe grelhado

Brócolis refogado com alho

Após 20 minutos: chá digestivo

LANCHE
Creme de abacate

JANTAR
Torta integral de trigo e aveia recheada com ricota e alho porá

Sobremesa: musse de coco

Após 20 minutos: chá digestivo


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OUTROS EXEMPLOS DE CARDÁPIO PARA ALMOÇO
Salada de agrião, rabanete e pepino. Molho de óleo de girassol, gersal e limão.

Polenta mole com molho de tomate, pimentão e alho poró coberta de queijo mussarela ao forno


Salada de alface crespa, cenoura em palitos finos, tomate cereja e nozes picadas. Molho de óleo de gergelim, mostarda escura, vinagre de vinho, sal marinho e cebola.
Macarrão integral ao milho de verduras variadas (cenoura, couve-flor, cebola, acelga, gengibre) e molho de shoyo. Pode acompanhar peito de frango em cubos (opcional)
Salada de folhas verdes variadas, milho verde, aipo ralado com sementes de girassol. Molho de azeite de oliva, limão, sal marinho e tomilho.

Painço


Carne de panela com verduras variadas (aipim, abobrinha, couve flor, ceboola, tomate)
Salada de acelga, beterraba ralada com maçã verde e passas.
Molho de azeite de oliva, limão, sal marinho e mel.

Nhoque de mandioca com molho branco e queijo Couve flor e abobrinha refogadas com óleo de gergelim e alho


Salada de repolho roxo, abóbora ralada e rabanete. Molho de iogurte, queijo ralado, azeite de oliva e sal marinho.
Panqueca de trigo integral e flocos de aveia
Recheio: carne moída com cenoura OU ricota temperada com brócolis
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Salada de folhas verdes com nozes, cenoura e queijo parmesão picado. Molho de azeite de oliva, vinagre balsâmico, sal marinho e orégano.
Cuscus marroquino.
Molho de grão de bico pré cozido, abobrinha, berinjela, pimentão, cebola, cenoura e couve flor temperado com molho de tomate, orégano, tomilho e curry
Salada de agrião, tomate e couve-flor ralada. Molho de iogurte, maionese, sal marinho limão, salsinha e cebolinha verde.
Cevadinha

Ervilha OU Lentilha

Refogado de repolho
Salada de alface, pimentão e cenoura

Omelete de queijo com batata ralada e cebola

Couve flor e abobrinha refogada
Salada de folhas verdes, chuchu e beterraba. Molho de azeite de oliva, limão e shoyo.

Farofa de farinha de mandioca, flocos de aveia e castanha do pará picada

Carne grelhada

Milho verde refogado


Salada de espinafre, cenoura e pepino. Molho de azeite de oliva, limão, sal marinho e alho.
Couve flor gratinada com molho branco e queijo

Arroz integral


Salada de palmito, rúcula e tomate cereja. Molho de azeite de oliva, shoyo, limão e alho.
Batata suíça (batata pré-cozida, ralada e frita, como uma panqueca) recheada de queijo catupiry e milho verde
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OUTROS EXEMPLOS DE Cardápio PARA O JANTAR
Sopa creme de cebola, beterraba com batata inglesa (servir com nata)
Torradas com alho
Sobremesa: banana ao forno com canela
Quiche de trigo integral, aveia, linhaça, sementes na massa, queijo e cebola
Sobremesa: pudim de cacau
Empadão de massa integral de palmito
Sobremesa: gelatina de ágar- agar com suco de abacaxi
Pão de batata recheado de tomate seco e ricota Sobremesa: goiabada com nata
Sopa de batata salsa e milho verde
Torradas de arroz integral com ricota
Sobremesa: bolacha de mel
Sanduíche de pão árabe com patê de grão de bico, broto de alfafa, tomate e pepino em conserva
Sobremesa: compota de frutas
Caldo de frango caipira com arroz integral e verduras variadas
Sobremesa: bolo de fubá com goiabada
Sopa creme de ervilhas OU feijão OU lentilha Sobremesa: torta de maçã
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Sanduíche de pão de centeio de patê de ricota com cenoura, alface picadinha e cebolinha
Sobremesa: canjica com leite de coco
Sopa de verduras com missô

Pão integral de linhaça com manteiga, queijo branco ou ricota


Sobremesa: doce de leite
Sanduíche de pão de milho com patê de ricota defumada, iogurte e azeitonas pretas com folhas de agrião
Sobremesa: creme de mamão com iogurte
Mingau de flocos de aveia (cozido com água) com frutas (maçã, banana) enriquecido de leite integral, leite de coco, de cereais, nata ou iogurte

Sobremesa: paçoca com açúcar mascavo


Tapioca com queijo

Saladas de folhas verdes


Sobremesa: mingau de baunilha com frutas
Pão de queijo

Salada de cenoura ralada e pepino


Sobremesa: bolo integral de frutas secas ou nozes
Milho verde (espiga)

Sopa de aveia com cenoura


Sobremesa: arroz doce com nata e canela
Página 237
ANEXO 2
EXEMPLO DE DIETA DE 5 DIAS PARA CRISE AGUDA DE HIPERURICEMIA E ARTRITE
Beber chás indicados para gota, em pequenos goles, entre as refeições.
Usar o mínimo de azeite de oliva no final do cozimento dos alimentos

Primeiro DIA (pode se estender a dois dias)


Tomar grande quantidade de água pura entre as refeições

Ao acordar: suco de um limão em jejum até chegar a cinco limões (diluídos em água) durante os cinco dias seguidos e uma ameixa umeboshi


8h00: Suco de folhas verdes
10h00: Suco de cenoura, beterraba ou aipo
12h00: Saladas de folhas e tabule (trigo para kibe deixado de molho, cenoura, cebola, tomate, pimentão, couve-flor; todos crus)
14h00: Suco de melancia ou melão
16h00: Morango com awia deixada de molho e pouco mel.
18h00: Idem almoço
Segundo ao quinto DIA
Manter consumo aumentado de água entre as refeições

Ao acordar: suco de dois limões em jejum até chegar a cinco limões (diluídos em água) durante os cinco dias seguidos e uma ameixa umeboshi


8h00: Suco de folhas verdes
10h00: Suco de cenoura, beterraba ou aipo
12h00: Saladas de folhas e raízes cruas (aipo, nabo, beterraba, rabanete)

Porção de arroz, painço ou aveia em grão. Refogados de verduras (abóbora, cenoura, chuchu)


14h00: Suco de melancia ou melão
Página 238
16h00: Morango com aveia deixada de molho ou cozida e pouco mel
18h00: Sopa de verduras variadas com porção de arroz, painço ou aveia em grão ou féculas (batata salsa, doce, aipim, batata inglesa)
Sobremesa: frutas secas
Página 239
ANEXO 3
EXEMPLO DE DIETA PARA GASTRITE AGUDA (5 A 7 DIAS)
Ao acordar: meio copo de suco de couve em jejum Entre as refeições: chás indicados
8h00: Mingau de flocos de aveia com gersal
10h00: Suco de cenoura
12h00: Batatas cozidas na água com cenoura e chuchu na manteiga e salsinha

(Introduzir ovo pochê, carne moída ou frango caipira a partir do 5°. dia)


14h00: Suco de maçã OU Leite de amêndoa
16h00: Mingau de flocos de aveia com mamão e pouca nata
18h00: Sopa de verduras (cenoura, abobrinha, chuchu, salsinha) com batata ou flocos de aveia ou arroz integral pré cozidos

(introduzir torradas com ricota a partir do quinto dia)


20h00: Torrada de arroz integral
Página 240

ANEXO 4
EXEMPLO DE DIETA PARA CONSTIPAÇÂO (INÍCIO DO TRATAMENTO)


Ao acordar: 1 copo de água e uma colher de sobremesa de azeite de oliva OU vitamina para constipação (39).
09h00: Suco de folhas verde escuras com gotas de limão
11h00: Suco de raízes (cenoura ou beterraba) feitos com água de aveia deixada de molho
12h00: Salada de chucrute, alface e cenoura ralada. Molho de iogurte.
Arroz integral, painço ou cevadinha com gersal e abobrinha com ricota gratinada ao forno OU Tabule de forno com ricota 15h00: Flocos de aveia deixados de molho com ameixa preta (ou mamão)e iogurte natural
17h00: Suco de uva (água de aveia) ou laranja (fruta inteira)
19h00: Sopa creme de abóbora ou de cenoura Torrada de arroz integral com ricota ou manteiga
Sobremesa: Ameixas secas
Início da nota de rodapé
(39) vitamina do jejum: duas ameixas pretas e uma colher de sobremesa de sementes de linhaça de molho a noite toda, em meio copo de água. De manhã bata no liquidificador essa mistura com o suco de duas laranjas ou mamão e um colher de chá de mel.
Final da nota de rodapé
Página 241
ANEXO 5
EXEMPLO DE DIETA PARA DIARRÉIA
Beber líquidos a cada quinze minutos (água, soro, água de coco, chás indicados)

8h00: Torrada de arroz integral (ricota a partir do terceiro dia) e suco de cenoura


10h00: Fruta: maçã (pêra, caqui ou banana maçã a partir do terceiro dia, bem como o iogurte)
12h00: Purê de inhame ou batatas com refogado de cenoura temperado com salsinha (carne moída ou frango caipira a partir do terceiro dia)
14h00: Fruta: maçã (pêra, caqui ou banana maçã a partir do terceiro dia)
16h00: Mingau de arroz integral com maçã ralada (iogurte a partir do terceiro dia)
18h00: Sopa de verduras (cenoura, batata salsa, chuchu, abobrinha temperadas com cebolinha ou salsinha verde) com arroz integral
20h00: Torrada de trigo integral
Página 242
ANEXO 6
EXEMPLO DE DIETA PARA HIPERTENSÂO AGUDA (SEM USO DE MEDICAMENTOS ALOPÁTICOS)
Beber chá de cavalinha, em pequenos goles, entre as refeições. Usar o mínimo de azeite de oliva no final do Cozimento dos alimentos.
8h00: Suco de salsinha
10h00: Suco de folhas verdes
11h45: Chá frio de alho (40)
12h00: Salada de folhas verdes e cenoura crua ralada temperada com mínimo de azeite de oliva, limão, gersal e alho.
Arroz integral temperado com mínimo de gersal. Azeite de oliva no final.

Abóbora e/ou chuchu temperados com mínimo de missô, alho, salsinha e um fio de azeite de oliva


15h00: Suco ou porção de melancia, laranja lima ou melão
17h45: Chá frio de alho
18h00: Sopa de verduras (cenoura, chuchu e abóbora temperada com salsinha verde) ou creme de abóbora. Torradas de arroz integral. Pode se usar patê de cenoura cozida, com mínimo de missô e alho.
Início da nota de rodapé
(40) Esmagar dois dentes de alho em meio copo de água e tomar em seguida.
Final da nota de rodapé
Página 243
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