EducaçÃo permanente e estágio: desafios e reflexões isadora Rocha de Carvalho



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EDUCAÇÃO PERMANENTE E ESTÁGIO: DESAFIOS E REFLEXÕES

  1. Isadora Rocha de Carvalho;

  2. Flávia Freire.

O presente resumo relata a experiência de Estágio no serviço de saúde mental “CAPS” do município de Volta Redonda. O principal objetivo é apresentar as nuances ocorridas em todo o percurso e as mudanças necessárias para que a proposta da Educação Permanente em Saúde pudesse acontecer visando os processos de trabalho envolvidos no serviço.

Por Educação Permanente, entende-se que é uma “prática de ensino-aprendizagem” e uma “política de educação na saúde”, portanto se trata de uma “opção político-pedagógica” que promove a troca, o estranhamento e a desacomodação de saberes, no âmbito do trabalho em saúde. (CECCIM E FERLA, 2009.)

O início do estágio foi marcado pela confecção de uma “carta de intenções”, instrumento produzido pelos alunos que participarão do estágio com suas intenções e expectativas, e a partir dessa carta a escolha do local de atuação seria realizada assim como todo o processo do estágio começaria a tomar forma. A lógica da Educação permanente foi algo que gerou grande afeto, e no momento do estagio, escolher esse tema foi ampliar a visão em relação à atuação da psicologia na saúde mental (saindo do trabalho restrito aos usuários) e possibilitar o contato com os trabalhadores e os processos de trabalho.

Após a confecção da carta de intenções, a escolha de atuar em um CAPS se deu por já existir reuniões de equipe, o que possibilitaria maior aproximação com os trabalhadores, e a ideia inicial foi de atuar juntamente com a equipe a fim de promover reflexões sobre demandas que surgiriam no âmbito do serviço. Tais reflexões seriam realizadas de diferentes formas, a partir das demandas surgidas no serviço.

A primeira demanda surgida foi referente à crise, disparada principalmente pela dificuldade de lidar com um usuário que mesmo após diversas tentativas e trabalhos realizados com ele, este permanecia instável, gerando certa movimentação dentro do serviço. Foi realizada uma discussão baseada no Texto de Giuseppe DeLl'acqua denominado “Resposta à Crise” para que analisar o que era Crise para a equipe e convidá-los a pensar sobre a Crise de uma maneira mais abrangente, a discussão foi bastante significativa, no entanto percebeu-se certa relutância por parte da equipe de falar mais abertamente no grupo, sobre o assunto.

Algumas novas tentativas de discussão foram propostas, e foi-se percebendo certa resistência da equipe em realizar reflexões em conjunto, fazendo com que os espaços macro (reuniões de equipe) não fossem propícios para esse tipo de atuação, enquanto os micros espaços (cozinha, convivência, recepção...) se tornaram produtores de discussões e reflexões muito importantes e que refletiram nas reuniões de equipe.

Ao longo do estágio, observou-se a necessidade de enveredar para discussões no grupo de família que já existia no serviço, e isso possibilitou ampliar os espaços de atuação, por levar em consideração que a família também necessita de cuidado e que a inter-relação entre usuário, serviço e família tem grande peso para que o trabalho seja realizado dentro do serviço.

Dessa forma a lógica da educação permanente se ampliou para novos espaços, que antes não haviam sido pensados e possibilitou uma reflexão ainda mais profunda sobre os processos de trabalho, construindo em conjunto, práticas que geraram troca, desacomodação e alguns estranhamentos dentro do serviço de saúde mental no decorrer do estágio.

Educação Permanente; Formação em Psicologia; Saúde Mental.

1 Estudante de Graduação em Psicologia; UFF- Universidade Federal Fluminense- campus Volta Redonda; Aluno; isadorarochac@gmail.com.

  1. Psicóloga; Doutora; UFF- Universidade Federal Fluminense- campus Volta Redonda; Professora.



Referencial Bibliográfico:
CECCIM & FERLA- Educação Permanente em Saúde, Dicionário da Educação Profissional em Saúde; FIOCRUZ, 2009.
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