E secundária



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A PSICOLOGIA COMUNITÁRIA E O MÉTODO DIALÓGICO VIVENCIAL COMO ESTRATÉGIAS PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE DE PESSOAS COM DORES CRÔNICAS

531.873.853-20, Aline Maria Barbosa Domício Sousa, alinedomicio@unifor.br, Universidade de Fortaleza (UNIFOR)

031.618.473-00, Andrea Chagas Pinheiro, andrea_cp3@hotmail.com, Universidade de Fortaleza (UNIFOR)

600.005.263-47, Juliana Maria Cruz Matos, julianamcmatos@gmail.com, Universidade de Fortaleza (UNIFOR)

046.800.023-28, Mariana Mendes Barreto Alves, marianamba767@gmail.com, Universidade de Fortaleza (UNIFOR)

003.455.693-18, Talita Alves Estrela, talita.estrela1984@gmail.com, Universidade de Fortaleza (UNIFOR)


Este trabalho é resultado parcial das atividades desenvolvidas pela equipe de estagiários de psicologia com pessoas portadoras de dores crônicas cadastradas e atendidas pelo serviço “Escola de Postura”, do Núcleo de Atenção Médico Integrada da Universidade de Fortaleza (NAMI-UNIFOR). Como parte dos estágios curriculares em processos educativos e sociais realizamos em 2015.1 contato com o NAMI para oficializar o início da atuação da psicologia comunitária em interface com a saúde coletiva, tendo em vista uma parte dos usuários do serviço residirem em comunidades próximas à UNIFOR do ponto de vista da localização geográfica, assim como apresentarem aspectos psicossomáticos, tais como: processos de enlutamento, características depressivas e/ou ansiosas, conflitos familiares, além de baixa estima e fragilidades na motivação para enfrentarem os desafios cotidianos, entre outros, que requerem processos de sensibilização e conscientização sobre as influências psicológicas para o bem-estar físico e psicossocial. O serviço é gratuito e oferecido através da parceria NAMI com as políticas públicas locais de saúde seguindo o Sistema Único de Saúde (SUS) nos níveis de complexidade vinculados à atenção primária e secundária. Nosso objetivo foi mediar as relações subjetivas emocionais presentes no processo de promoção da saúde, a partir da criação de um contexto de ensino-aprendizagem capaz de envolver os usuários no processo de apropriação e produção de conhecimentos sobre a saúde, haja vista termos no semestre 2015.1 atuado através da facilitação de grupos socioeducativos que entre outros aspectos potencializaram a autopercepção de si e do(s) outro(s) em cada participante. Nisto consiste a proposta da psicologia no âmbito vivencial, ou seja, a psicologia comunitária na interface com a saúde coletiva utiliza como técnica a cena corporal acreditando que o corpo é fonte viva e reflexo do modo de vida individual e comunitário. De forma mais específica, a visão de homem e de mundo adjunta a esta perspectiva, sendo ativa e transformadora ao mesmo tempo que motiva as pessoas a agirem em busca do fortalecimento da identidade e da consciência de si, propõe o uso de ferramentas de autoconhecimento; sendo assim, a equipe de estagiários de psicologia iniciou suas ações conhecendo a proposta da Escola de Postura e do NAMI-UNIFOR ao invés de iniciar atendimentos quiçá descontextualizados da realidade dos usuários. Para tanto foi utilizado um levantamento documental para coleta de dados relativos aos atendimentos do serviço de fisioterapia como um todo e também visitas aos usuários no momento em que os mesmos estavam sendo acompanhados pelo setor em atividades físicas, tais como: alongamentos, pilates e atividades realizadas na piscina. Isto ocorreu com auxilio da técnica da observação-participante que são eficazes na perspectiva de estudos que pretendem compreender de forma crítica e científica os fenômenos sociais que envolvem a realidade contemporânea atual (Souza & Kantorski, 2011). Em seguida os estagiários de psicologia participaram de algumas reuniões com os docentes e estagiários da fisioterapia para conhecer as demandas e o perfil psicológico dos usuários do serviço que por sua vez foram apresentados à proposta da psicologia e convidados a participarem de entrevistas de ajuda (Benjamin, 2004) que foram mediadas por um roteiro de perguntas semiestruturadas. Esta técnica permite uma aproximação maior entre profissional e usuário, posto que muitas vezes foca nos aspectos que direta ou indiretamente desestabilizam o lado emocional dos indivíduos (re)direcionando-os para a produção de sintomas corporais e notadamente físicos. Daí a importância dos profissionais que atuam com pessoas que são portadoras de dores crônicas compreenderem os achados teóricos da psicossomática como um campo de conhecimento que valoriza os aspectos de desestabilização emocionais como vetores na produção de doenças físicas. Disto obtivemos dois resultados importantes: a continuidade das entrevistas de ajuda individuais de acordo com as demandas de cada usuário e o início do grupo socioeducativo em psicologia, no qual eram debatidos temas decididos em conjunto com os participantes, de acordo com as necessidades apresentadas e com periodicidade semanal. Encerramos o semestre com a participação de 12 usuários, na faixa etária entre 40 a 85 anos, a maioria mulheres com condições econômicas baixas. Iniciamos o semestre 2015.2 com uma segunda estratégia de atividade socioeducativa em interface com a saúde, conhecida como sala de espera, continuidade do serviço de apoio psicológico individual, ampliando-o, ainda, para os familiares. Destacamos que estas etapas iniciais de inserção em campo é conhecida como análise de necessidades, proposta pelas autoras Freitas (1998) e Maritza Montero (2006) e que consiste em perceber as demandas das pessoas que participam do lugar comunidade, no caso, o próprio NAMI-UNIFOR, como prioridade para a estruturação das ações técnicas em psicologia. Outrossim, esta estratégia metodológica foi bastante fortalecida através do Método Dialógico Vivencial (Góis, 1991) que por sua vez enfatiza a importância da vivência no próprio serviço de saúde coletiva para que os profissionais sintam-se sensibilizados no dia-a-dia institucional, mas, principalmente pela apropriação visceral, inclusive, das necessidades dos/as usuários/as tal como os/as mesmos/as as percebem e (re)significam nas esferas da realidade da vida cotidiana (Berger & Luckmann, 1985). Nesse caso, como este trabalho se trata do relato de experiências de ações em psicologia comunitária na assistência à saúde, é importante mencionarmos de forma clara qual o conceito de comunidade que estamos priorizando, ou seja, aquele que efetivamente enfatiza aspectos socioafetivos e de vinculação institucional e interdisciplinar entre usuários e profissionais da psicologia e da fisioterapia (Sawaia, 1993); permitindo-nos uma atuação em comunitária tendo a instituição como via de acesso aos lugares de moradia dos usuários. Este é um diferencial do serviço de psicologia que vai além dos limites geográficos do NAMI-UNIFOR e estabelece maneiras de propiciar/aproximar as vivências comunitárias aos estagiários/as através de visitas ao entorno sociofísico e afetivo onde os/as usuários/as residem. Com este olhar em 2016.1 a equipe efetivamente inicia ações de sondagem nas comunidades (iniciando no Dendê), como uma forma de conhecer o local de moradia dos/as participantes do grupo socioeducativo, buscando assim uma aproximação com os seus modos de vida, conhecendo as diversas realidades que cercam os moradores, bem como para observar possíveis necessidades para serem trabalhadas em projetos futuros. O início desta nova estratégia ocorreu através de contatos face a face com moradores do Dendê, além de pessoas que trabalham nos entornos, possibilitando o conhecimento da realidade dos setores populares e da maneira pela qual estes se organizam face as suas realidades e problemas de saúde física e mental (FREITAS, 1998). Neste momento, alguns participantes do grupo foram interlocutores do modo de vida da comunidade do Dendê. Além disto, a equipe da psicologia visitou a unidade básica de saúde que assiste a população local, além de ter realizado conversas a dois (GÓIS, 1991) não somente com moradores, mas também com profissionais de saúde, com objetivo de levantar dados que proporcionassem a vivência da atividade comunitária. No nosso caso, a entrada na comunidade do Dendê se deu por meio da instituição de saúde (NAMI-UNIFOR) ação que se configura inédita, na medida em que se desloca do modelo de inserção comunitária tradicional em direção a uma estratégia que engloba a atenção primária em saúde. Por sua vez, as ações propostas como "sala de espera" ocorreram com o objetivo principal de integrar a ação interdisciplinar entre os serviços de psicologia e fisioterapia, fora a disseminação do serviço oferecido por estes, tendo em vista uma maior interrelação entre os setores da clinica escola. Os/as usuários/as, por algumas vezes serem atendidos/as apenas por um dos serviços, percebem que o atendimento em saúde acontece de modo fragmentado e estes possuem a perspectiva de usufruirem de múltiplos setores da clínica escola, mas acabam desconhecendo o que possuem ao alcance. Na sala de espera foram realizadas discussões com temáticas pré-estabelecidas, com duração em torno de 30 minutos, através do uso de metodologias ativas como cartazes, bonecos, teatro, música. A atividade foi realizada em duplas de estagiários profissionalizantes do curso de Psicologia. As principais temáticas debatidas foram: serviços oferecidos no NAMI, dores emocionais, medos, somatizações e consequências da tristeza, sendo realizadas uma vez por semana. Percebendo a importância e a necessidade de extensão das atividades uma segunda dupla realizou a estratégia das salas de espera em outros setores do NAMI, também uma vez por semana, tendo como temáticas: os serviços oferecidos pelo NAMI e uma série de estudos sobre os sentimentos (medo, raiva e tristeza). Os principais resultados destas experiências (salas de espera, grupo socioeducativo, visitas comunitárias e/ou institucionais, entrevistas de ajuda) apontam para uma ação eficaz com maior satisfação e bem-estar mental e físico dos/as usuários/as, além do fortalecimento de um serviço inédito em psicologia comunitária no âmbito da assistência à saúde igualmente relevante no cenário acadêmico cearense. Um segundo fator refere-se a possibilidade de maior proximidade das relações entre usuários e profissionais, tornando a acesso à saúde mais acolhedor e promovendo a humanização. As demandas e necessidades percebidas nesta caminhada apontam para a necessidade de fortalecimento das ações de psicologia comunitária via instituição de saúde, sensibilizando os/as estagiários/as na area da assistência à saúde para a perspectiva de contato com os modos de vida dos lugares que os usuários habitam, vinculando as dores crônicas ao viés não só do modelo biomédico, mas especialmente às dificuldades e aos desafios próprios da vida cotidiana. Neste sentido, a perspectiva de continuidade do serviço em 2016.2 envolve o aumento da quantidade de estagiários em psicologia comunitária e o fortalecimento da ação desta equipe no eixo interdisciplinar, além da ampliação das estratégias para inserção e/ou vivências comunitárias, oferta de serviços de capacitação para estudantes da area de saúde coletiva sobre o Método Dialógico-Vivencial e técnicas corporais voltadas à psicossomática e temáticas afins, além da ampliação dos grupos socioeducativos e abordagens individuais a partir das entrevistas de ajuda.
Descritores: Dor Crônica. Saúde Coletiva. Educação em Saúde Comunitária.
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