Do Estigma à Humanização: práticas, dinâmicas e vivências No caminho da reinserção social



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7.4. Movimento de Doentes

Na Biblioteca do CHPC estão disponíveis os Boletins Estatísticos Anuais desde o ano 1985, em papel e com possibilidade de consulta.

Nesta secção sobre o Movimento de Doentes, optei por agrupar os dados desde 1991 até 2008, com intervalos de quatro anos (1991-1996-2000-2004-2008). Decidi por iniciar em 1991, pois a organização dos dados anterior a esta data estava por sectores, o que dificultava a compreensão dos mesmos. A impossibilidade de tratar todos os anos também me levou a escolher estes intervalos.

Até ao ano 1995 os serviços de internamento do Hospital denominavam-se A, B, C, D. Na passagem para o ano 1996, o Hospital Sobral Cid reestruturou os serviços, passando a Serviço 1 e 2.

Só no segundo semestre do ano 2004, o HSC voltou a reestruturar os serviços, passando de 1 e 2 para clínica masculina e clínica feminina agudos. O serviço dos doentes residentes também foi reorganizado, passando o pavilhão 2 e 14 a ser clínica masculina; e o pavilhão 13 a ser clínica feminina. Com a última reforma para CHPC os dados passam a englobar a Unidade do Lorvão e de Arnes.

A elaboração dos próximos gráficos teve como objectivo mostrar algumas tendências de evolução ao longo dos anos.



Gráfico II – Lotação Agudos (Masc. e Fem.), 1991-2008



Fonte: Boletim Estatístico Anual (disponível na Biblioteca do CHPC).

Ao analisarmos a linha de evolução da lotação no internamento de agudos verificamos que é em 1991 que os internamentos atingem o seu pico. Até este ano o serviço hospitalar era o único que funcionava correctamente no apoio aos doentes do foro mental, pelo que recorrer a este meio de tratamento era a única solução. Com a entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 127/92 nota-se uma descida acentuada na lotação de internamentos. Entre 1996 e 2004 a linha manteve-se estagnada, mais uma vez fruto das políticas sociais. Retoma-se a reestruturação e desenvolve-se a rede de serviços comunitários. No segundo semestre de 2004 os números aumentaram ligeiramente como resultado de uma reformulação dos serviços dentro do hospital, voltando depois a atingir os valores desejados. As novas políticas procuram diminuir o número de camas no hospital, privilegiando o tratamento no meio de origem do utente. A criação no primeiro semestre de 2009 de uma unidade de curto internamento visa, precisamente, avaliar num curto espaço de tempo a necessidade ou não de um internamento hospitalar, sendo decidido nesse tempo o seu tratamento em ambulatório ou o internamento na clínica de agudos. No Anexo II estão disponíveis os dados mais recentes (2009) referentes à lotação dos serviços no CHPC.

O Gráfico III, referente à lotação de crónicos, é igualmente o reflexo das políticas sociais que atrás referi. No semestre de 2004 a lotação de mulheres sofreu uma descida acentuada. Isto acontece porque até ao primeiro semestre deste ano os dados referentes a estes doentes de evolução prolongada estavam agrupados por dois serviços, pelo que, com a reorganização, a diferença de doentes femininas que se verifica no Gráfico possa ser explicada com a deslocação destas para outros serviços. Neste momento, a lotação da clínica feminina de crónicos está em 36 doentes e a masculina com 45 doentes. As políticas de desinstitucionalização visam diminuir cada vez mais este número, com o objectivo de, tal com refere a Comissão Nacional Para a Reestruturação dos Serviços de Saúde Mental (2007: 93), “[Até 2016] completar o processo de desinstitucionalização em todos os HP’s”.



Gráfico III – Lotação Crónicos (Masc. e Fem.), 1991-2008



Fonte: Boletim Estatístico Anual (disponível na Biblioteca do CHPC).



Gráfico IV – Movimento de Doentes Agudos, 1991-2008

Fonte: Boletim Estatístico Anual (disponível na Biblioteca do CHPC).

O Gráfico IV refere-se ao Movimento de Doentes Agudos, desde o ano 1991 até ao ano 2008, em relação ao número de doentes existentes, entrados, saídos, transitados e tratados9. Podemos verificar que o número de doentes existentes diminui substancialmente de um período para o outro, sendo nulo desde o segundo semestre de 2004. A linha de tendência de doentes entrados, no sentido descendente, revela uma resistência ao internamento, pelo que se pode admitir a eficácia do tratamento em ambulatório. Por outro lado, nos últimos anos, o número de doentes saídos é inferior ao número de doentes entrados, o que pode sugerir uma propensão para internamentos mais longos, aumentando o número de doentes transitados. Mais uma vez, a criação da unidade de curto internamento vem permitir a diminuição de internamentos e, nalguns casos, vem prevenir os reinternamentos. O fenómeno da ‘porta giratória’ é uma realidade que a equipa multidisciplinar procura reduzir através de um acompanhamento ao doente desde o primeiro momento sempre numa perspectiva humanizante.

Gráfico V – Movimento de Doentes Crónicos, 1991-2008



Fonte: Boletim Estatístico Anual (disponível na Biblioteca do CHPC).

No que diz respeito ao Movimento de Doentes Crónicos podemos aferir que há uma certa estagnação. Ao longo dos tempos os doentes vão transitando de período em período. Não saem, daí a necessidade de se promover a desinstitucionalização. Estes doentes adaptaram-se ao meio hospitalar, as suas famílias foram acomodando-se a esta situação, e hoje não há estruturas na sociedade para os receber.

O pico de doentes entrados a partir do segundo semestre de 2004 é meramente indicativo, isto é, como tanto em 2004 como em 2008 houve uma reestruturação do serviço no CHPC, a nível estatístico não foi considerada a existência destes doentes, mas sim a sua entrada.

Os Gráficos VI e VII mostram a evolução da Taxa de Ocupação de Doentes Agudos e Crónicos, respectivamente.

Através da linha de tendência podemos verificar que a taxa de ocupação média está na ordem dos 80%, sendo a tendência descendente. Podemos apurar, também, que a taxa de ocupação feminina é tendencialmente superior que a masculina. Este facto pode significar que são as mulheres que recorrem com maior frequência ao internamento como solução da crise.



Gráfico VI – Taxa de Ocupação Doentes Agudos (Masc. e Fem.), 1991-2008



Fonte: Boletim Estatístico Anual (disponível na Biblioteca do CHPC).



Relativamente aos doentes crónicos, a linha de ocupação média encontra-se, igualmente, na ordem dos 80%, no sentido ascendente. A tendência da ocupação dos doentes crónicos evolui para os 100% pois ao não serem recebidos mais doentes e ao diminuírem o número de camas, a lotação aproxima-se da totalidade. Se um doente crónico falecer, a sua cama não será novamente ocupada, naquele serviço a lotação irá reduzir para menos uma cama. Logo, a relação camas ocupadas-lotação andará par a par.
Gráfico VII – Taxa de Ocupação de Doentes Crónicos (Masc. e Fem.), 1991-2008



Fonte: Boletim Estatístico Anual (disponível na Biblioteca do CHPC).

III Parte

Descrição e Avaliação das Actividades de Estágio






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