Do Estigma à Humanização: práticas, dinâmicas e vivências No caminho da reinserção social


O Serviço Social e a Doença Mental



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7.1. O Serviço Social e a Doença Mental

Foi na década de 60 que se começou a sentir a necessidade da intervenção do serviço Social junto dos utentes no Hospital Psiquiátrico. Então, em 1968, o Hospital Sobral Cid contratou as primeiras Assistentes Sociais. Esta inserção urgente do Serviço Social surgiu, pois nessa altura existia um elevado número de doentes com internamentos prolongados, o que dificultava a sua reinserção social.

Nos anos 70, com o aparecimento de novas respostas terapêuticas, o Serviço Social começou a trabalhar numa óptica multidisciplinar o que permitiu uma abordagem integrada e, de acordo com os princípios da O.M.S., investiu na reinserção sócio-familiar dos doentes.

Como refere o livro do Ministério da Saúde (1999), Hospital Sobral Cid, o Serviço Social tem prestado relevantes serviços técnicos, integrando em equipas multidisciplinares no campo assistencial directo e também no relacionamento do hospital com a comunidade, assegurando a correcta ligação quer entre os doentes e seus familiares, quer com instituições públicas e privadas no que se refere à reinserção dos doentes. Mais recentemente, o Serviço Social tem vindo a intervir mais intensamente no domínio da humanização e qualidade da resposta hospitalar, participando em todas as decisões que envolvam os doentes no seu meio e vivência quotidiana.

O Serviço Social está implementado em todos os serviços do hospital e compete-lhe, para além das suas funções específicas, garantir o funcionamento do Gabinete do Utente, que coordena e organiza a resposta do hospital a todas as exposições, reclamações e elogios apresentados pelos utentes.

O Gabinete do Utente foi criado no Hospital Sobral Cid em 1987, em cumprimento do Despacho 26/86 de 24 de Julho do Ministério da Saúde, sendo da responsabilidade do Serviço Social. É através do Gabinete do Utente que os doentes, familiares, amigos e qualquer outra pessoa poderão informar-se dos seus direitos e deveres, bem como apresentar exposições que contribuirão para a melhoria do funcionamento dos Serviços e qualidade na prestação de cuidados. Tem um regulamento próprio, onde estão normalizados os objectivos, organização e funcionamento. O Gabinete do Utente é responsável pelo tratamento das exposições do Livro de Reclamações, pelas Caixas de Sugestões/Reclamações colocadas em todos os serviços do CHPC, pela informação aos utentes (nomeadamente na Consulta Externa). O Gabinete do Utente procura tratar com a maior brevidade todas as exposições que lhe chegam, quer pela caixa de Sugestões/Reclamações, quer pelo Livro Amarelo, quer por correio.

No internamento de doentes agudos, o Serviço Social desenvolve o seu trabalho tendo por base sempre o modelo sistémico6 e a dinâmica da equipa. Deste modo, participa na reunião semanal da equipa terapêutica, cooperando na definição de estratégias de intervenção e preparação da alta; realiza entrevistas psicossociais de avaliação do doente, isto é, elabora um estudo e caracterização sócio-familiar do doente; realiza entrevistas de apoio psicossocial, de ajuda e de aconselhamento; promove reuniões com os doentes e os seus familiares directos ou pessoas de referência, visando a reinserção social e o apuramento de mais dados relativamente ao utente que permitam uma melhor reabilitação do mesmo; articula com o local de trabalho dos utentes sempre que necessário, e com os serviços da comunidade, com vista a facilitar a sua reintegração.

O serviço social contribui estrategicamente com os seus métodos e técnicas na implicação dos vários sectores sociais que extrapolam o clínico e contribuem para a reabilitação do doente, envolvendo famílias, entidades particulares, associações, entre outros grupos da sociedade onde o indivíduo se insere desde o tratamento à reabilitação. Envolve a procura de soluções e apoios de acordo com as competências pessoais e sociais da pessoa doente, o qual visa a autonomia pela construção de um plano individual de cuidados, onde os vários actores são motivados a participar de forma dinâmica e voluntária na redução dos factores de stress susceptíveis de gerarem sintomatologia, diminuição das capacidades funcionais e isolamento social” (Ent. nº 5, lin. 17-25).





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