Do Estigma à Humanização: práticas, dinâmicas e vivências No caminho da reinserção social



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5.2.2. Formação Profissional

Em 1991 o Serviço de Reabilitação juntou à TO uma vertente fundamental de Formação Profissional, através da realização de cursos de formação.

Para a Formação Profissional são excluídos os doentes internados4. Apenas são aceites doentes compensados, que sejam acompanhados em consultas e com idade mínima legal para trabalhar.

O Serviço de Reabilitação propôs seis cursos para o CHPC: cinco para a unidade Sobral Cid e um para a unidade Lorvão. No hospital Sobral Cid estão os cursos de artes gráficas, carpintaria, floricultura e jardinagem, manutenção de espaços e cozinha, secretariado e trabalho administrativo. No Lorvão estão os cursos de cerâmica criativa e manutenção de espaços e cozinha. Os cursos estão no âmbito do POPH (Plano Operacional de Potencial Humano).

Para poder frequentar um curso de Formação Profissional, o doente pode ser utente do hospital ou de qualquer outra instituição de saúde. Através de um documento de encaminhamento, o utente é proposto para a formação. É solicitada uma entrevista para avaliar a sua assertividade, compensação e motivação. Tem que haver uma aprovação da candidatura por parte da equipa. Posteriormente, a situação é comunicada ao IEFP que também realiza uma entrevista e, posteriormente, autoriza a formação. Se o serviço não considerar o doente apto para as formações de que dispõe, pode propor outras instituições de formação.

Os utentes da Psiquiatria Forense são o grosso da população que frequenta a formação. Como são considerados doentes residentes (permanecem no CHPC por um período mínimo de três anos), podem candidatar-se a formação.

Quando aprovada a candidatura, o utente passa por duas fases: avaliação e qualificação/estágio. Na 1ª fase os doentes passam por uma avaliação. No máximo esta fase dura quatro meses (em geral, não ultrapassa os dois meses). Os utentes recebem um subsídio de acidentes pessoais e de transporte. Se o utente não desistir e se na avaliação for considerado apto, assina o contrato de formação.

Na 2ª fase os utentes passam por duas etapas. A primeira, de qualificação, corresponde à parte lectiva. Tem a duração de um ano e realiza-se no serviço. Os utentes estão ocupados das 9h às 17h com aulas (mais práticas do que teóricas, com turmas pequenas). Têm uma hora de almoço. Podem fazer a refeição no refeitório pagando o prato ou trazendo de casa. Uma vez por mês há uma reunião de avaliação. O objectivo é formar para qualificar e não só para ocupar.

A segunda etapa corresponde a práticas em contexto de trabalho (estágio), tem a duração de nove meses. Os utentes recebem um subsídio de alimentação e de transporte e, nos casos de agregados mais carenciados, recebem uma bolsa de profissionalização. Durante a segunda etapa, alguém do grupo técnico vai ao local de estágio fazer o acompanhamento, juntamente com o supervisor da empresa, uma vez por semana. Os formandos vão ao serviço para uma reunião comum, uma vez por mês, a fim de falarem da sua experiência de estágio.

Muitas vezes, quando o período de estágio corre bem, os utentes conseguem um contrato de trabalho nesse local. Se a empresa não tiver capacidade para empregar, após o estágio o serviço continua a apoiar os formandos encaminhando-os para outras empresas (até conseguir um contrato de trabalho).

A Formação Profissional tem como recursos humanos uma coordenadora (assistente social), dois psicólogos, um terapeuta ocupacional, uma técnica de acompanhamento (licenciada em Ciências da Educação) e doze professores.

O director do Serviço de Reabilitação é médico, não estando muito presente no serviço. As equipas são autónomas na realização das actividades: gerem da melhor maneira o seu serviço, estando o director ao corrente de tudo.

Contudo, há uma certa primazia da Formação Profissional em relação à Terapia Ocupacional. A Formação tem prioridade na ocupação das salas e ateliers, estando a Terapia condicionada a alguma sala que esteja vaga. O mesmo acontece com os monitores, que apenas fazem trabalho com a Terapia após estarem livres da Formação. Isto acontece porque a Formação Profissional necessita de mais meios físicos e humanos para a realização do seu trabalho. Desenvolvendo-se a descentralização da Terapia Ocupacional, a questão do espaço e dos monitores ficaria resolvida, pois o trabalho seria realizado também na comunidade.

As condições físicas do Serviço não são as melhores. As salas são pequenas e desconfortáveis, os corredores são sombrios e frios. Na minha opinião, poderiam ser aproveitados mais os trabalhos que os utentes realizam. Utensílios práticos como mesas e cadeiras; ou mesmo decorativos, como quadros e esculturas. Ver o seu trabalho apreciado e valorizado poderia ser um incentivo para a reabilitação destes utentes.







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