Do Estigma à Humanização: práticas, dinâmicas e vivências No caminho da reinserção social



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Segunda

Terça

Quarta

Quinta

Sexta

9h30

Caminhada

Caminhada

Consulta de Avaliação



Caminhada

Psicoterapia Individual



Caminhada

Psicoterapia Individual



Cinematerapia

Discussão de Tema



10h30

Partilhar Conhecimentos/Habilidades

Reunião de Equipa

História de Vida

Treinos de Autonomia Doméstica

Educação para a Saúde

11h30

Programação da Semana

Construção em grupo

Ginástica

Reunião de Famílias (mensal)




14h30

Almoço

15h30

Ginástica

Terapia Familiar



Avaliação de Actividade

Reunião Comunitária

Psicoterapia Individual


Psicodrama

Modelação de Ansiedade



Psicoeducação

Formação da Equipa (mensal)



Relaxamento

Actividades no Exterior





5.2. Serviço de Reabilitação

O Serviço de Reabilitação situa-se no Pavilhão 18 e oferece duas respostas para utentes com problemas de saúde mental: a Terapia Ocupacional e a Formação Profissional.


5.2.1. Terapia Ocupacional

A Terapia Ocupacional (TO) está integrada na área de acção médica, é responsável pela programação, orientação, coordenação e prestação de cuidados a doentes internados, residentes e de ambulatório. A TO é exercida por técnicos com qualificação profissional para o exercício das funções (Terapeutas Ocupacionais). É um complemento do tratamento clínico. Os Terapeutas Ocupacionais estão integrados em equipas multidisciplinares dos diferentes serviços da Unidade Sobral Cid (Psiquiatria Forense, Serviço de Adições, Clínica Masculina e Clínica Feminina).

Na reunião de equipa são sinalizados os casos para a Terapia Ocupacional e preenche-se uma ficha de encaminhamento. É solicitada uma terapia que será aceite mediante a disponibilidade dos terapeutas. Nem sempre os terapeutas conseguem dar resposta às solicitações da equipa. Faltam os recursos humanos (profissionais) e os recursos espaciais (poucas salas disponíveis). A admissão obedece a critérios estabelecidos em protocolos que especificam as condições de admissão, as informações a prestar pelos serviços e os mecanismos de controlo dos resultados. Cada utente proposto pelas equipas terapêuticas é avaliado (orientação, condições físicas, capacidade para se integrar num grupo) pela Terapia Ocupacional, que em colaboração com as referidas equipas dos serviços estabelece um programa de Terapia Ocupacional individualizado e adequado à situação do utente. O sucesso da terapia depende da adesão do doente. Com a Terapia Ocupacional pretende-se, também, combater o isolamento do utente. Para isso, encontrar sempre uma motivação para manter a estabilidade e fazer uma vida normal é um objectivo sempre presente. O programa é baseado na motivação do utente.

A Terapia Ocupacional visa avaliar e intervir, procura desenvolver/reaprender as capacidades e a integração do utente. O objectivo é reorganizar a funcionalidade da vida do indivíduo, para que este mantenha ou adquira um maior grau de autonomia possível em todas as áreas de desempenho (actividades da vida diária, actividades produtivas e actividades recreativas e de lazer) para uma melhoria da sua qualidade de vida. As actividades podem ser executadas individualmente ou em contexto de grupo (as actividades de grupo não devem exceder a lotação de 10 utentes).

Para atingir esse objectivo, o Terapeuta Ocupacional procede à avaliação de cada doente de forma a identificar a sua disfunção ocupacional e assim proceder à elaboração do programa individual de actividades em Terapia Ocupacional. Este programa procura ter em conta a motivação do doente para que participe com empenho nas diversas actividades propostas. Ao nível individual, os objectivos são conseguir que o doente consiga realizar as actividades da vida diária, e depois integrar uma profissão. Quando o doente está internado dificilmente se consegue atingir a fase da profissão. Grosso modo, o internamento é curto, os objectivos prendem-se com o tratamento, de maneira que o terapeuta não consegue passar da avaliação (das capacidades, das limitações). Com os utentes que estão em ambulatório ou na Psiquiatria Forense, os terapeutas obtêm um plano mais completo: avaliação, intervenção e programação.

O terapeuta ocupacional tem uma autonomia técnica inserida nos objectivos da equipa. Relativamente aos doentes internados, a autonomia é limitada devido a algumas restrições: nem todos os doentes têm permissão para saírem do pavilhão; alguns doentes, por opção própria, mantêm-se de pijama o dia inteiro, condicionando a saída do pavilhão; nem sempre as condições meteorológicas são favoráveis, etc. No caso do Serviço de Adições estas condicionantes foram resolvidas pois o Serviço cedeu uma sala para a Terapia Ocupacional. No caso da Clínica Masculina e da Clínica Feminina essa limitação não foi contornada. Os utentes residentes, da Psiquiatria Forense e em ambulatório dirigem-se ao Serviço de Reabilitação.

Alguns doentes internados após receberem a alta iniciam ou continuam uma Terapia Ocupacional no hospital. Tal acontece porque há falta de respostas na comunidade para esta população. Para facilitar esta fase de transição é proposto ao utente um programa terapêutico em ambulatório. A questão da distância geográfica aplica-se, igualmente, para a Terapia Ocupacional. Os utentes que residem longe do CHPC têm dificuldades em cumprir este programa terapêutico, pelo que seria fundamental aplicar esta Terapia nas várias áreas de influência do CHPC. Como se pode verificar no Anexo II, o CHPC abrange uma área muito vasta e nem todos os utentes têm possibilidades, nomeadamente económicas, para frequentarem a Terapia Ocupacional.

Na entrevista individual é explicado ao utente o que é a Terapia Ocupacional, quais são os objectivos e elabora-se o programa terapêutico. As primeiras actividades realizadas com os utentes funcionam com o terapeuta e servem para conhecer e avaliar o doente. Depois, terapeuta e utente, em conjunto, elaboram o programa terapêutico ocupacional. A realização do programa está a cargo, sobretudo, de monitores (de áreas produtivas, ateliers, hortofloricultura). No entanto, há alguns programas que os utentes podem realizar de uma forma autónoma (por exemplo, fazer flores para os carros do cortejo da Queima das Fitas), não necessitando de uma supervisão permanente.

As actividades visam que o utente não perca competências (continuação e manutenção de hábitos da vida diária). A Terapia Ocupacional promove quatro tipos de actividades concomitantes:


  • Terapias criativas (pinturas, colagens, escrita, música, movimentos);

  • Orientações na realidade (espácio-temporal: jornal de parede, dias temáticos, temas do mês);

  • Actividades produtivas (ateliers de cerâmica, de olaria, encadernação, hortofloricultura, actividades artesanais, actividades da vida doméstica);

  • Treino de competências sociais (andar de transportes públicos, ir às compras, informática).

O objectivo final é a reinserção na comunidade.

Relativamente ao horário das actividades, no Serviço das Adições realizam-se das 10h30 às 12h e das 14h30 às 16h; em ambulatório são 4h de manhã e 4h de tarde (das 10h às 10h30 é feita uma supervisão por parte do terapeuta). Uma vez por semana realizam uma actividade exterior, por exemplo ir a uma feira. Todas as 6ª feiras realiza-se uma reunião com utentes residentes e em ambulatório.

Cada terapeuta tem a sua forma de trabalhar, não existe um procedimento fixo. Com a reestruturação juntaram-se técnicos com formas de trabalhar diferentes. Antes no hospital Sobral Cid os profissionais tinham um método e os do hospital do Lorvão outro. Como cada terapeuta tem a autonomia dos seus casos, o conflito é muito ténue pois baseia-se na discordância do método de trabalho: um terapeuta trabalha com o apoio de incentivos, isto é, motiva os seus utentes com incentivos financeiros; o outro terapeuta discorda com este método, pois na sua opinião a Terapia Ocupacional é uma fase do tratamento, não fazendo sentido o incentivo monetário. A Administração do CHPC prevê estes incentivos, ficando ao critério dos terapeutas a sua aplicação. O trabalho da Terapia Ocupacional também depende do trabalho e da disponibilidade dos monitores, pois estes também estão afectos à Formação Profissional.

Para um tratamento eficaz do doente, os fármacos só por si não são suficientes; da mesma maneira, a Terapia Ocupacional sozinha também vale pouco. Assim, é necessário que os diferentes técnicos trabalhem em equipa para que o tratamento tenha um resultado positivo.

A Terapia Ocupacional existe no hospital desde 1981. A integração do serviço sofreu algumas resistências, estando a consolidar-se.

Segundo uma terapeuta, para um maior sucesso da TO, seria necessária uma maior articulação com o serviço de enfermagem. Por exemplo, nas actividades de ‘educação para a saúde’, a enfermagem ensina alguma teoria aos utentes, a Terapia Ocupacional ensina a prática. Seria importante um trabalho conjunto. A enfermagem pode ensinar o quanto as vitaminas são importantes, no entanto, se os doentes experimentassem espremer as laranjas, fazer um sumo e bebê-lo (actividade da Terapia Ocupacional), aprenderiam na prática a importância das vitaminas.





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