Do Estigma à Humanização: práticas, dinâmicas e vivências No caminho da reinserção social



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Capítulo IV – Consulta Externa
4. Caracterização e Funcionamento da Consulta Externa

A consulta externa funciona no Pavilhão 15 do CHPC, está dividida por dois pisos e destina-se ao tratamento em ambulatório.

No andar de baixo está localizada a secretaria, o serviço de doentes, uma sala de espera, um gabinete do serviço social, e vários gabinetes ocupados pelos médicos assistentes e psicólogos. Este piso está destinado a patologias de psiquiatria geral, adições e gerontopsiquiatria. No 1º andar faz-se todos os tipos de consulta de especialidade, com um gabinete destinado ao Serviço Social e vários gabinetes para os médicos assistentes.

Quando os utentes chegam à consulta dirigem-se à secretaria para formalizarem a sua inscrição. Devem fornecer os seus dados pessoais (nome, morada, telefone, bilhete de identidade e cartão de utente) e pagar a taxa moderadora. Após a inscrição aguardam na sala de espera pela consulta. Neste tempo são acolhidos pela enfermagem que lhes faz uma pequena entrevista ao nível da saúde, depois aguardam na sala pela chamada do médico para a consulta. Em seguida, o psiquiatra encaminha o utente para uma entrevista com o serviço social. Muitas vezes os técnicos de serviço social acolhem os utentes antes do médico afim de não ficarem muito tempo sozinhos na sala de espera.

Os utentes que vêm pela primeira vez, por norma, têm prioridade. Os médicos avaliam estes utentes antes das segundas consultas (ou de seguimento), pois já têm conhecimento da situação.

A cada dia da semana, de segunda a sexta-feira, está afecta uma equipa multidisciplinar constituída por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais.

Durante o período de estágio acompanhei de perto o serviço social também na consulta externa. Na entrevista de acolhimento, o serviço social procura saber quem encaminhou o utente para a consulta (normalmente vêm através do serviço de urgência ou do médico de família) e quem o acompanha (por norma é um familiar directo ou uma pessoa próxima). Nesta entrevista são, ainda, questionados sobre a sua idade e relações sócio-familiares e profissionais. Todos os dados retirados desta entrevista são registados no processo do utente. A entrevista de acolhimento visa conhecer em breves linhas a história do doente. Os utentes são, também, informados acerca do funcionamento do serviço e estimulados a dirigirem-se ao serviço social sempre que sintam necessidade. Estas entrevistas são curtas, não devendo demorar mais do que 15 minutos, para não atrasarem o utente para a consulta médica. O seu objectivo é criar uma relação de proximidade com o utente, este não fica sozinho durante o tempo de espera.

Nem sempre a informação circula da melhor maneira na consulta externa. Muitas vezes, os doentes acabam por ficar na sala de espera do andar de baixo e não se apercebem que estão a ser chamados no andar de cima. Por vezes sobem e descem as escadas até alguém lhes explicar onde devem permanecer à espera. Outro ponto que não funciona bem na consulta externa prende-se com o facto de os utentes que estão para segundas consultas não serem informados que serão atendidos apenas após as primeiras, que, como já referi, têm prioridade.

Das entrevistas que assisti pude constatar algumas ideias, por exemplo, verifiquei que recorrem mais mulheres do que homens às consultas de psiquiatria, são sobretudo factores familiares e económicos que estão na origem do recurso à consulta, e as idades dos utentes agrupam-se num intervalo entre os 30 e os 60 anos.

A reestruturação para CHPC ao nível da consulta externa trouxe uma consequência negativa: a centralização. Muitos utentes pertencem a regiões bem distantes e necessitam de muitos recursos para se dirigirem ao hospital. Alguns têm, por exemplo, de alugar um táxi para o dia inteiro para não faltarem à consulta. Se tivermos em conta, que grande parte destes utentes tem poucos recursos económicos, esta centralização das consultas causa um grande transtorno a estes doentes. É importante, então que se considere melhore esta situação a fim de evitar o abandono das consultas. Uma solução será, então, o apoio da equipa multidisciplinar no meio envolvente do utente.

Não assisti a consultas médicas, de enfermagem e de psicologia, pelo que não poderei desenvolver neste capítulo mais informação acerca das consultas externas.

O próximo ponto deste trabalho descreve outras formas de tratamento do doente mental para além do tratamento médico e farmacológico. Decidi denominar estas outras formas de tratamento de terapias complementares, pois, aplicadas em conjunto com o tratamento médico, oferecem ao doente uma reabilitação mais completa, ao nível bio-psico-social.





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