Do Estigma à Humanização: práticas, dinâmicas e vivências No caminho da reinserção social



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Entrando em Saúde Mental

Do Estigma à Humanização: práticas, dinâmicas e vivências

No caminho da reinserção social







Introdução
Saúde e doença passam pela avaliação do homem ou da mulher e do lugar que ocupam na sociedade. (…) De facto, as sociedades modernas, submetidas mais do que nunca a mutações culturais, e já não possuindo as crenças e a sacralidade que existiam nas sociedades tradicionais, estão sujeitas a uma «desmoralização social» que resulta da incerteza e das contradições na aplicação das regras sociais e dos valores que guiavam as condutas e legitimavam as aspirações dos indivíduos” (Cabral, 1991: 99).
Os estudos sociológicos específicos sobre a problemática da Saúde Mental e sobre as instituições de assistência psiquiátrica são quase inexistentes no nosso país. O interesse pela pesquisa nesta área surgiu por todo o envolto que existe em torno desta problemática. Nos últimos anos começaram a emergir preocupações com a questão da doença mental: a vulnerabilidade dos doentes mentais, a insuficiência de apoios na comunidade, a importância do trabalho multidisciplinar, a reestruturação dos Serviços de Saúde Mental.

Essa questão começa nas próprias representações e juízos sociais sobre a doença mental. “A doença mental não se limita a um dos extremos do espectro de racionalidade. Ela reside frequentemente num comportamento cujo sentido imediato é perfeitamente evidente, mas que apesar disso é considerado «perverso», «irrealista», «despropositado», etc.; trata-se de juízos que ocupam uma espécie de território interior entre a razão e a moralidade” (Ingleby, 1982: 100).

Toda a acção em Saúde Mental gira em torno do indivíduo, dos grupos e da comunidade. A doença como fonte de perturbação e desequilíbrio do ser humano na sua totalidade bio-psico-social assume uma grande importância em todas as culturas e sociedades e todas elas criam sistemas de protecção contra a doença. Estes sistemas permitem determinar quais os indivíduos doentes, qual a origem da doença e qual a terapêutica adequada para os restituir à vida normal.

Na nossa sociedade o papel de doente implica um certo grau de isenção das responsabilidades habituais. Ao doente não é conferida responsabilidade pelo seu estado, porém, é-lhe exigido que faça todos os esforços para melhorar, nomeadamente, que procure a ajuda adequada junto dos profissionais de saúde. No entanto, no caso dos doentes mentais mesmo isso se torna difícil.

Nesta perspectiva, de entre as múltiplas realidades passíveis de análise no domínio da doença mental, optei por mostrar, através do meu trabalho, a realidade vivida para lá dos «portões» de um hospital psiquiátrico. Tratando-se de uma organização que concentra um número elevado de doentes com necessidade de cuidados muito especiais, importa perceber como está organizado o hospital para esse efeito, que género de terapias são aplicadas, quem são os profissionais que trabalham junto dos doentes, que tipo de apoio é prestado a estes doentes, que formas assume a humanização dentro do hospital.

Deste modo, o meu estágio ocorreu na Unidade Sobral Cid do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, tendo sido desenvolvido no serviço de internamento da clínica feminina de agudos, psiquiatria geral. O estágio realizou-se de Janeiro a Maio de 2009.

A apresentação dos resultados do meu trabalho que a seguir se fará está organizada em três partes. Na primeira parte reúnem-se os capítulos nos quais é feito o enquadramento do objecto da pesquisa. Assim, no Capítulo I pretendo fazer a caracterização histórica do hospital desde as origens até à fase actual de reestruturação. No Capítulo II é feito o enquadramento social da doença mental; e no Capítulo III são explicitados os procedimentos analíticos e metodológicos utilizados para a realização do presente trabalho.

Na segunda parte sistematizam-se em vários capítulos os dados referentes ao percurso do estágio no hospital. No Capítulo IV está retratada a consulta externa; o Capítulo V desenvolve a questão das terapêuticas utilizadas; o Capítulo VI mostra como vivem os doentes institucionalizados no seu dia-a-dia; no capítulo VII aborda-se a problemática da exclusão e da reinserção social.

Na terceira parte procuro descrever as actividades de estágio. No Capítulo VIII caracterizo o serviço no qual estive os quatro meses e, apresento três histórias com percursos e resultados bem diferentes que acompanhei de perto (Anexo V).

Por fim, na Conclusão, evidenciam-se os resultados do trabalho realizado, tendo em conta as questões de investigação formuladas.

Para concluir o meu trabalho apresento algumas considerações finais que me parecem pertinentes para a problemática em questão.

I Parte


Problemática Teórica e Perspectiva Analítica




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