Distimia Adalberto Tripicchio md phd resumo


Sistemas de classificação



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Sistemas de classificação

A partir dos anos 60, o DSM-II norte-americano incluiu a "Depressão Neurótica" na qual a ênfase recaiu mais sobre os aspectos de personalidade, do que sobre a sintomatologia. Neste sistema diagnóstico, os transtornos psicopatológicos foram descritos como "reações", entendidos como secundárias a mecanismos psicológicos não identificados. Estados crônicos de depressão foram qualificados ou como "Personalidade ciclotímica", ou "Neurose depressiva", tendo sido classificados no interior das secções dos distúrbios de personalidade e/ou neuroses.

Àquela época, a Psiquiatria Norte-Americana ainda era influenciada, predominantemente, tanto pelas teorias "meyerianas" como pelas "psicodinâmicas". Em decorrência, considerava-se que o melhor tratamento para a assim chamada depressão neurótica fosse a psicoterapia. A tentativa de equivaler transtornos de humor crônicos das personalidades anormais com os distúrbios afetivos persistentes não foi suficientemente reconhecida. A visão de que os transtornos de personalidade não eram tratáveis representou um problema conceitual insuperável tornando-se mais complexo pelo fato de que a existência de personalidades normais, com traços anormais variantes de personalidade não representavam necessariamente transtorno psicopatológico, um ponto que é agora convalidado pela CID-10.

A CID-9 (WHO) de 1978 incluiu Neurose Depressiva a qual comportou episódios depressivos curtos e sem cronicidade como no DSM-II. Foi um conceito diagnóstico fortemente influenciado pela psicanálise. Em 1978, Akiskal relatou um estudo de seguimento de neuróticos depressivos: 40% foram diagnosticados como tendo Transtorno Depressivo Maior (unipolar e bipolar), enquanto muitos dos remanescentes foram considerados pelo autor como sendo quadros distímicos. Isto representou um suporte importante para se estabelecer as bases empíricas da Distimia no seu sentido atual.

No DSM-IIl (APA) de 1980, todas as depressões crônicas que duravam mais de 2 anos foram definidas como ''Transtornos Distímicos". Esta nova categoria incorporou muitos estados depressivos que tinham sido previamente considerados como distúrbios classificados quer como uma forma de neurose (inclusive as neuroses depressivas), quer como um Transtorno de Personalidade (por exemplo, a ciclotimia). A Personalidade Depressiva, um conceito derivado da tradição da psicopatologia alemã, foi incluída sob esta rubrica pelo fato de não responder aos tratamentos somáticos, embora os Transtornos Distímicos também não fossem considerados responsivos nem à psico e nem à farmacoterapia.

Para o diagnóstico de Distimia o DSM-IIl requeria um mínimo de 2 anos de história de períodos contínuos ou de múltiplos episódios de sintomas depressivos os quais eram característicos de Depressão Maior mas não reuniam a alta gravidade e/ou duração que são critérios para Transtorno Depressivo Maior. Os distímicos não deveriam ter mais do que poucos meses livres de sintomas e se a perturbação era superposta a um transtorno mental preexistente, o humor deprimido deveria ser claramente distinguível de um estado de tristeza habitual do indivíduo. Este foi o primeiro trabalho sistemático para construir um espectro de distúrbios depressivos leves e crônicos sob uma única denominação para fins de diagnóstico e de pesquisa.

Assim sendo, foi uma seqüência da concepção original da Distimia como um transtorno neurótico de personalidade, o que conferiu a este termo relação de equivalência ao "temperamento depressivo" e à "neurose depressiva", até chegarmos, na atualidade, ao conceito de Distimia como um Transtorno Afetivo ou do Humor, caracterizado pela evolução crônica e pelo baixo grau de sintomatologia depressiva. Esta redefinição do transtorno vem conduzindo a uma mudança gradual dos clínicos psi no que concerne ao seu tratamento. A posição de que os casos de duração prolongada são "intratáveis", porque se estaria diante de depressões atípicas que têm como base, acentuadas anormalidades de personalidade, é agora menos aceita.

Portanto, Distimia não é sinônimo de Depressão Neurótica como inicialmente se admitia. Depressão Neurótica seria um transtorno depressivo leve. As não-neuróticas foram reclassificadas como Episódios Maiores não-melancólicos ou atípicos. Portanto, só uma parcela das "Depressões Neuróticas" é diagnosticada como Distimia, após o advento deste sistema nosográfico. Distimia, naquele sistema classificatório, se define como uma condição crônica, mais propriamente considerada no contexto dos Transtornos Depressivos Crônicos.

O DSM-IIl-R (APA) de 1988, reuniu condições afetivas leves e severas no subgrupo dos outros distúrbios afetivos (Distimia e ciclotimia), sem estarem necessariamente fundamentadas em transtornos de personalidade - mas tendo como traço comum sua evolução relativamente prolongada. Neste manual as características-chave da Distimia são:

(a) ela não é uma condição residual do Transtorno Depressivo Maior;

(b) tem um curso crônico de mais de 2 anos de sintomatologia persistente ou intermitente;

(c) tem um baixo grau de severidade;

(d) é compatível com um desempenho social equilibrado;

(e) não é imprescindível concomitância com patologia de caráter;

(f) tem início insidioso.

Em comparação com o DSM-IIl, houve uma mudança na qual a distinção entre a Depressão Maior Crônica e o Transtorno Distímico baseou-se primariamente na forma como o episódio começou: seja diretamente como Episódio Depressivo Maior ou, insidiosamente, como na Distimia. Para Akiskal, em 1993, o conceito de Distimia do DSM-IIl-R, embora seja mais restrito que o do DSM-IIl, ainda é muito amplo, comportando um grupo heterogêneo de Transtornos Depressivos de baixa intensidade.

Angst, em 1992, descreveu a "Depressão Breve Recorrente" que pode representar uma ponte entre a Distimia e o Transtorno Depressivo Maior. Embora o elenco de critérios sintomáticos para a Distimia permaneça basicamente inalterado no DSM-IV existe um novo espaço para a Distimia. Os critérios de classificação se concentram principalmente sobre os aspectos cognitivos da Distimia e seus padrões diversos de evolução.

A CID-10 (WHO) de 1992 define Distimia como uma depressão de humor crônica a qual não satisfaz atualmente os critérios para o Transtorno Depressivo Recorrente (mesmo os de leve ou moderada intensidade) em termos de severidade ou de duração dos episódios individuais. A CID-10 não conseguiu ainda estabelecer um conceito de Distimia que seja essencialmente diferente da Neurose depressiva ou da

Depressão neurótica. A Distimia da CID-10 inclui neurose depressiva, transtorno depressivo de personalidade, depressão neurótica (de mais que 2 anos de duração) e síndrome depressivo-ansiosa persistente. Estão excluídas síndromes depressivo-ansiosas leves, porém, não-persistentes, reações de luto que durem menos que 2 anos e depressão pós-esquizofrênica.



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