Distimia Adalberto Tripicchio md phd resumo


Considerações nosológicas



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Considerações nosológicas

As nosologias são tentativas de integração do conhecimento disponível em uma construção teórica que leve em conta determinadas hipóteses. O valor de cada sistema nosológico será aferido com base naquilo que ele permita predizer. Os sistemas nosológicos mais recentes vêm tendo o mérito de procurarem ser etiologicamente neutros. Assim, eles possibilitam uma avaliação independente dos tipos e da severidade dos sintomas, dos eventos precipitantes, do prejuízo funcional causado pelo transtorno, das características de personalidade dos indivíduos e da co-morbidade com outros diagnósticos psicopatológicos. Devido às limitações do conhecimento atual sobre etiologia, vem sendo aceito que os nomes das doenças simplesmente se refiram ao ponto final do processo diagnóstico. Como se pode perceber, nas nosologias atuais, são incluídas categorias definidas por uma variedade de diferentes caminhos os quais não podem ser ordenados hierarquicamente.

A classificação dos transtornos afetivos no sentido moderno deriva principalmente da Escola Canadense do fim do século XIX. A primeira descrição clínica da Distimia foi feita por Karl Ludwig Kahlbaum em 1863. Kahlbaum enquadrou a Distimia como uma forma crônica de melancolia que contrastava da ciclotimia, por ser esta última um transtorno caracterizado pela flutuação do humor. Na descrição daquele autor, os distímicos não vivenciavam simplesmente a fase depressiva de um transtorno circular nem tinham história de mania. Além disso, as evidências de que os pacientes sofriam de alterações crônicas de funções psíquicas não eram muito claras.

No século XX, Kraepelin, em 1921, dando seqüência à ênfase no curso evolutivo dos transtornos, inaugurada por Kahlbaum, referia-se a "Temperamento depressivo". Kraepelin defendeu fundamentalmente uma classificação de doenças mentais calcada na história natural dos pacientes ou no curso evolutivo dos seus transtornos ao longo dos anos, antes de terem se estabelecido os atuais sintomas psicopatológicos. Enfocando a depressão crônica, Kraepelin acreditava que o temperamento prévio dos pacientes fosse o substrato do qual ela se desenvolveria. Estes tipos de depressão freqüentemente se caracterizavam por uma fase depressiva protraída, precedida por um episódio mais agudo, fazendo, porém, essencialmente, parte do mesmo processo mórbido e passível de reagudização.

Embora Adolf Meyer tivesse introduzido a classificação de Kraepelin nos USA, ele e sua Escola Psicobiológica, já assinalavam que muitos transtornos depressivos não apresentavam o feitio clínico descrito como "loucura maníaco-depressiva". Em sua monografia de 1956, sobre as Personalidades Psicopáticas, Kurt Schneider descreveu a "Psicopatia Depressiva", um termo que não teve a conotação anti-social ulterior que o conceito de Personalidade Psicopática adquiriu no pensamento schneideriano. Àquela época, Schneider concebia estas condições mórbidas como variações da normalidade com traços de temperamento acentuados. O tempo e a evolução do conhecimento psicopatológico se encarregaram de demonstrar que a sua definição de Personalidade Psicopática era limitada, idealmente pura e unicamente psicológica, não sendo hoje mais levada em conta como uma concepção relevante.

O sistema kretschmeriano de 1930 incluiu a "Constituição Depressiva". Acreditava Kretschrner, em 1950, que tais pessoas eram dotadas de uma predisposição para a doença maníaco-depressiva, partindo da evidência de que hipomanias transitórias não eram raras naqueles casos. No decorrer do século XX, expressivos psicopatologistas europeus formularam e consolidaram a concepção da existência de um espectro depressivo. Akiskal, em 1990, situou bem a dificuldade de se estabelecer a diferença entre um modo de ser habitualmente depressivo em pequeno grau ou a "personalidade depressiva" de Schneider, da Distimia, por ele considerada basicamente como um Transtorno Subafetivo duradouro.





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