Disciplina: psicologia da educaçÃo II



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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ – UFPI

CENTRO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO

DEPARTAMENTO DE FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO

DISCIPLINA: PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO II

MINISTRANTE: PROFESSORA ANTÔNIA ALVES

ALUNO: CLÁUDIO CARVALHO FERNANDES

PRODUÇÃO DE TEXTO

TERESINA

DEZ / 1998

TEXTO DE REFERÊNCIA:
Sete Coisas Que Os Pais Inteligentes Calam

In: Seleções do Reader’s Digest - Junho de 1996

Sete coisas que os pais inteligentes calam
Observações assim, tão comuns, podem magoar fundo seus filhos e minar a autoconfiança
Minha mão tremia quando olhei para a longa lista de notas 2 e 1 na caderneta de meu filho, aluno do 9 grau. "Não lhe avisei que isso ia acontecer?", perguntei acusadoramente.

De pé, de costas voltadas para mim, ele se mantinha silencioso. Insisti. "Seu problema é ser pura e simplesmente um preguiçoso."


Depois, enfurecida por seu silêncio, continuei: "Nem sequer vale a pena tentar falar com você. Não vai jamais chegar a ser coisa nenhuma!".
Tinha acabado de atacar meu filho com três tipos de observação que, segundo os especialistas, são dos mais prejudiciais para eles; uma afirmação onipotente do tipo "Eu não lhe disse?", um rótulo negativo e uma condenação cega de seu futuro. Envolvida em minha própria zanga e frustração, rebaixei-o e malquistei-me com ele, fazendo que uma situação já por si ruim se tornasse ainda pior.
De vez em quando, qualquer um diz coisas infelizes aos filhos, e eles normalmente sobrevivem intatos. Mas um padrão persistente de observações desse gênero pode provocar danos para toda a vida. "É em casa que as crianças aprendem a maior parte de suas aptidões de comunicação", alerta Michael Beatty, professor de Comunicação da Universidade de Estadual de Cleveland, em Ohio. "As que são alvos crônicos de insultos e crítica transformam-se em adultos com tendência para recorrerem à mesma linguagem negativa." Isso pode provocar-lhes dificuldades no emprego e com seus cônjuges e filhos.
Psicólogos, educadores e outros especialistas identificaram os comentários mais destrutivos que os pais podem dirigir a seus filhos. Se você costuma fazer esse tipo de comentário que aparentemente não são tão prejudiciais, pode estar minando a sensação de bem estar dele, tanto hoje como no futuro. Eis aqui sete das coisas mais comuns e destrutivas que os pais podem dizer aos seus filhos:
Você devia tê-lo feito desta forma. Em seu livro The Self-Confident Child (A Criança Auto-confiante), a Dra. Jean Yoder e William Proctor descrevem uma criança em idade pré-escolar que, depois de muito esforço, aprende a dar o nó nos cordões de seus sapatos. Orgulhosa, ela exibe seu feito ao pai. "Ótimo", responde ele. "Mas você devia antes ter visto se os sapatos estavam calçados nos pés certos."
Kevin Leman, psicólogo de Tucson, Arizona, e um dos apresentadores de "Parent Talk" (Conversa com os Pais), um programa nacional de rádio, avisa que nunca se deve usar esses "você devia" ao dirigir-se a uma criança. "Não fique sempre corrigindo-a", ensina ele. Quando os elogios são misturados com críticas, os mais jovens tendem a se concentrar no lado negativo. "Se sua filha de 5 anos fizer a cama e você imediatamente ajeitar melhor o travesseiro, ao mesmo tempo que lhe diz que a cama está muito bem feita, ela pensará: 'A mamãe está me dizendo que fiz bem a cama, mas eu acho que podia ter feito melhor.' "
Um pai de cinco filhos, em Lowell, Massachussetts, recorda um incidente passado quando estava treinando o time de beisebol de seu filho de 12 anos. "Perto do fim do jogo, estando o escore muito aproximado, tocou a meu filho ser o rebatedor", conta o pai. "Ele falhou. Não parei de falar enquanto ele voltava a banco. Mostrei-lhe como é que devia ter segurado o bastão. Disse também: 'Uma criança de 9 anos teria conseguido acertar aquela bola.' "O menino se sentiu arrasado.
Magoado pela constante depreciação do pai, ele passou a andar taciturno e a se dar pouco com os outros. Por fim, o homem percebeu que a culpa era das palavras duras que lhe dirigia. "Aprendi que, em vez de engrossar, faz mais sentido conversar com o filho sobre o que se passou de errado e como agir para ele não voltar a repetir o erro."
Até as críticas construtivas podem magoar se enunciadas no momento errado. Por exemplo, logo a seguir a uma criança ter estragado algo em que ela trabalhava. É nesse momento que ela está mais vulnerável. Como nem você nem ela podem alterar um resultado desanimador, por vezes é melhor evitar discutir logo o assunto. "Mais tarde, empenhe-se em discutir os sentimentos dela e em encontrarem juntos formas de melhorar seu desempenho", sugere Anita Vangelisti, assistente de Comunicação Oral na Universidade do Texas, em Austin.
Isso aí na sua cabeça é cabelo ou esfregão de assoalho? A zombaria dos pais é a mais dolorosa de todas, avisa a Dra. Carole Lieberman, psiquiatra de Beverly Hills, Califórnia. "As crianças olham para os pais como para um espelho que lhes diz quem são neste mundo", explica ela. A troça cria insegurança, porque a criança nunca sabe se os pais estão falando a sério ou não. E é frequente essa insegurança persistir depois. "Eu era uma criança gordinha" recorda Vangelisti, "e mamãe passava a vida me dizendo que eu tinha a constituição de uma sólida casinha de tijolo. Eu sabia que ela não estava tentando me magoar. Estava era dizendo: 'Esta é a nossa filhinha robusta e saudável'. Apesar disso, aquilo me feria. Só adulta foi que perdi a sensibilidade à troça."
Num estudo clínico levado a efeito no Centro Yale de Doenças Alimentares e do Peso, em New Haven, Connecticut, com 40 mulheres com excesso de peso, os pesquisadores examinaram as relações entre o amor-próprio e o fato de ser objeto de gozação por causa de excesso de peso ou do volume que se tem. As analisandas que reportaram uma frequência maior da troça em motivo de seu peso quando estavam em idade de crescimento tinham uma ideia mais negativa de sua aparência quando adultas.
Você não está falando a sério! Mãe e educadora, Adele Faber, coautora de How To Talk So Kids Can Learn at Home and at School (Como Falar com Crianças de Modo que Possam Aprender em Casa e na Escola), recorda o dia em que sua filha anunciou: "Odeio a vovó". Instintivamente, Adele começou a defendê-la. "Isso é uma coisa terrível de dizer. Você não está falando a sério!"
Depois, deu-se conta de que tinha afirmado à sua filha que seus sentimentos não eram tomados em consideração. Quando se nega constantemente seus sentimentos, nossos filhos depreendem que o melhor é não exprimi-los. Pensam que devem guardar a zanga e outras emoções dentro de si.
Uma higienista dental de San Antonio ainda hoje se sente aterrorizada por um método que adotava frequentemente quando estava educando seus três filhos. "Eu tinha uma solução para cada problema", recorda ela. "Quando minha filha não entrou para o grupo de animadoras da torcida, eu lhe disse: 'Podia ser pior. A outra menina provavelmente precisava muito mais disso que você.' Quando uma garota desmarcou um encontro com um de meus filhos, eu disse para ele: 'Provavelmente, ela teve de sair com a família.' "
Pensando sobre o assunto, ela percebe que não deveria ter tentado minimizar os desapontamentos dos filhos, dando a entender que seus sentimentos não eram importantes. "Quando seu filho exprimir um desapontamento intenso ou uma emoção negativa", aconselha Adele, "não o contradiga. Em vez disso, ouça o que ele tem para contar e acate com respeito seu sentimento."
"Depois da aflição de uma criança ser reconhecida e aceita, é-lhe mais fácil lidar com seus sentimentos, e talvez até encontrar uma solução para eles", esclarece Adele. A higienista poderia ter respondido à filha: "Custa muito quando se é rejeitado numa coisa que se queria realmente fazer." E ao filho poderia ter dito: "Pode ser mesmo terrível quando alguém desmarca um encontro conosco."
É o desenho mais bonito que já vi! Marilyn Gootman, professora de Educação da Universidade de Geórgia, em Athens, especializada em maternal e autora do livro The Loving Parents Guide to Discipline (O Guia de Disciplina dos Pais Carinhosos), relembra um dos comentários favoritos de seu pai quando ela estava crescendo: "Você é tão inteligente, tão esperta". Sua efusividade era tanta nos elogios que Marilyn acabou por deixar de acreditar nele.
As crianças que são alvo de um fluxo constante de elogios paternais são capazes de sentir um enorme abandono quando entram num mundo mais vasto. "Quando eu era uma jovem adulta, tive dificuldades em aceitar elogios feitos em minha presença", conta Marilyn. "Por um lado, estava sempre à espera de aplausos, e ficava preocupada quando não os recebia. Por outro, mantinha uma atitude cética quando era elogiada, por ter-me habituado a não confiar em todo o incenso que havia recebido em criança."
Embora os jovens necessitem de reações positivas quando fazem coisas bem feitas, os pais devem temperar os elogios com honestidade. Quando uma menina ouve sempre em casa que ela é "a mais linda princesinha de todo o mundo", mas os meninos da escola a gozam por seu nariz, ela identifica imediatamente a inconsistência da coisa. As crianças que são constantemente elogiadas "não raro concluem que seus pais estão fora da realidade e que não as compreendem", explica Michael Beatty. Ou, pior ainda, podem se convencer que os pais realmente não esperam grande coisa delas.
Evite escorregadelas do gênero: "Finalmente você executou esse trecho musical bem" ou "Nunca pensei que você fosse capaz de aprender este jogo". A primeira afirmação transmite a mensagem de que a criança foi lenta na aprendizagem. A segunda comunica-lhe que você desconfia de suas capacidades. Seja como for, perdeu uma oportunidade de realçar a capacidade da criança.
Você é um autêntico selvagem. Janet Christie, assistente social de Boca Raton, na Flórida, recorda-se de uma pessoa conhecida que se referia constantemente a seu filho de 2 anos, um menino cheio de energia, como "um verdadeiro capeta".
"Ele se comportava como qualquer outra criança normal de 2 anos, correndo de um lado para o outro e mexendo em tudo", recorda Janet. Quando o menino atingiu a idade escolar, seu comportamento não evoluiu. Continuou a adotar sempre o mesmo proceder, tentando viver de acordo com o rótulo que a mãe lhe tinha posto.
"A maior parte dos filhos acredita no que os pais lhe dizem", alerta Michael Beatty. "Se um pai chama seu filho de fracassado, ele se vê como um fracassado. Se lhe acontecem coisas más, ele afirmará para si próprio que as merece por ser um fracassado. Quando as coisas boas acontecem", acrescenta, "pensa que teve sorte".
Pam Ancowitz, diretora da Parents Place, Inc., em White Plains, Nova York, caiu nessa armadilha dos rótulos. Lembra-se bem de ter posto um em seu filho do meio quando ele tinha 4 anos. "Abri a geladeira e vi que ele havia dado uma dentada em cada um de seis sorvetes", conta ela. "Perguntei-lhe se o tinha feito, e ele, sentindo-se subitamente ameaçado, disse que não. Chamei-o de mentiroso."
Ela sabe agora que, ao enfrentar o filho daquela maneira, o tinha pressionado a dizer uma mentira sem importância, e que depois ainda havia coroado o incidente insultando-o. Preferia mil vezes ter-lhe dito: "Você mordeu os sorvetes. Não quero que volte a fazer isso, senão ninguém vai poder comê-los. Da próxima vez, escolha um só."
Para que expressem sua zanga sem magoarem, Janet Christie sugere aos pais que critiquem o comportamento da criança em vez de criticarem a própria criança. Não diga: "Você é um desmazelado". Tente antes: "Seu quarto está uma bagunça. Você tem de apanhar a roupa suja do chão."
Evite igualmente rótulos que tenham que ver como sexo. Por exemplo, chamar de "bebê chorão" ou de "mariquinhas" um garoto reforça estereótipos sexuais prejudiciais. Ele aprende que não é apropriado exprimir sua zanga e agressividade e que deve suprimir sentimentos de tristeza ou de medo. "Um padrão constante de aplicação de estereótipos sexuais pode tornar difícil aos meninos virem a lidar com sua intimidade mais tarde", avisa ela.
Cuidado, você está pedindo um castigo. Fran Litman, diretora do Centro de Estudos sobre Pais, do Wheelock College, de Boston, recorda um pai de dois meninos, um de 3 e outro de 5 anos, nos workshops por ela dirigidos sobre aquele tema. "Ele admitiu afirmar constantemente coisas como: 'Se você não puser isso imediatamente no lugar, apanha' ", conta ela. "Mas sabia que nunca cumpriria a ameaça." Os filhos provavelmente também o sabiam. Tal como os falsos elogios, as falsas ameaças também podem minar a credibilidade dos pais.
Tente substituir a ameaça por uma promessa. Em vez de ameaçar deixar seu filho para trás quando ele se perde em admiração pelas prateleiras do supermercado, diga-lhe, de preferência: "Vamos andar rápido, para ainda termos tempo de brincar em casa." A idéia é criar uma motivação e encorajar o comportamento desejado. Dar bastante ênfase aos aspectos positivos, oferecendo à criança uma razão lógica para fazer qualquer coisa, é um ótimo esquema que pode funcionar com as crianças de praticamente todas as idades.
Agora não. Laura Stafford, professora-associada de Comunicação da Universidade Estadual de Ohio, lembra-se de que, sempre que ia buscar seus três filhos no jardim da infância, "via pais enfiando os seus apressadamente nos carros para conseguirem fugir ao trânsito e chegar mais cedo em casa."
Como era normal, cada criança saudava a mãe com sua peça de arte orgulhosamente na mão. "Mamãe", diriam por exemplo, "olha o que eu fiz na escola hoje". E a resposta da mãe era: "Agora não. Eu vejo quando chegarmos em casa". Isso, para a criança equivale a: "Você e seu trabalho não merecem que eu perca tempo."
É óbvio que na vida dura dos pais há momentos em que qualquer um tem que dizer ao filho para esperar até mais tarde. O padrão persistente de adiamentos é que pode ter impacto duradouro.
Ao tentarmos decidir quais as observações que magoam nossos filhos, será proveitoso não nos esquecermos do conselho de Shirley Gould, psicoterapeuta aposentada e autora do livro How to Raise an Independent Child (Como Criar uma Criança Independente): "As crianças respondem melhor aos atos e palavras que reconhecem como sendo de encorajamento, reagindo pior aos castigos e comentários degradantes, que os desencorajam. O encorajamento torna-os mais capazes. O desencorajamento, menos."

Texto Divulgado in Seleções do Reader’s Digest, junho de 1996.



ANÁLISE DO TEXTO

A leitura do texto "Sete coisas que os pais inteligentes calam" evidencia a importância das considerações a respeito das dificuldades de aprendizagem no que tange aos aspectos mais diretamente relacionados ao percurso educativo das crianças em idade escolar.


O ambiente da família com os seus múltiplos fatores psicológicos e pedagógicos geralmente comporta atitudes que resultam numa interação problemática, por vezes, além do próprio meio familiar, influenciando negativamente a autoconfiança e desvalorizando a autoestima da criança educanda.
As expectativas geradas em torno mesmo do processo de educação, desde as suas fontes primeiras, requerem cuidado de encaminhamento quanto aos possíveis problemas que se venham a apresentar por conta da inabilidade de uma das partes mais próximas (pais e/ou professores) na construção de padrões contínuos de observações demasiadamente críticas para a educação do indivíduo.
Se a maior parte das aptidões de comunicação das crianças provém da aprendizagem doméstica (familiar) é igualmente indubitável que a aprendizagem total, enquanto aspecto fundamental do processo educativo, encontra-se sujeita à ação deletéria de componentes provindos a esta (à aprendizagem) como resultantes das diferentes intermediações por que passa o indivíduo no viver em sociedade.
Complementares, famílias e escola são também responsáveis pela construção quer de expectativas positivas quer de negatividades representacionais que se associam ao indivíduo-aluno. Sobremaneira, o rótulo (negativo) aparece como fator interveniente no comportamento que se estende sobre o fazer educativo.
O que vai implícito desde a aprendizagem familiar cotidiana continua perpassando a atividade escolar como uma representação social existente no contexto interativo em que se insere a criança segundo, no caso do texto abordado, a variável sócio-afetiva, dentre outras (orgânica, cognitiva e, principalmente, pedagógica).
A ênfase aos aspectos positivos do comportamento estabelece um fluxo positivamente crítico de desvio das atitudes e práticas repressoras e autoritárias ou ainda daquelas supostamente positivas mas que venham a redundar-nos mesmos efeitos das primeiras.

BIBLIOGRAFIA

FERREIRA, Manuela S. e SANTOS, M. R. Aprender a ensinar, ensinar a aprender. Polígno. Ed. Afrontamento.


COUTINHO, Mª Teresa da Cunha e MOREIRA, Mércia. Psicologia da educação. Rio de Janeiro, Editora Lê. Cap. V.
PISANI, Elaine Mª B. Psicologia geral. 9ª ed. Porto Alegre, Editora Vozes, 1990.

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