Dirección de investigacióN / artículo académico violência escolar: apontamentos sobre as relacoes socias na escola


VIOLÊNCIA E A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO



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VIOLÊNCIA E A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO

A comunidade educativa se organiza mesmo que minimamente e em conjunto para discutir e analisar frequentemente as diversas temáticas que permeiam o ambiente educacional nos casos de violência, vitimando na maioria das ocorrências os professores. O cotidiano escolar aponta para inúmeras situações que vão dos atos de indisciplina a violência verbal, psicológica e física.

Durante muito tempo o professor foi visto como “uma máquina de ensinar, mas também de vigiar, de hierarquizar, de recompensar” (Foucault, 2001, p. 126). Refletir sobre a presença dessa sensação de frustração por parte dos alunos corresponde a importância do entendimento do processo de idealização e da formação das representações aversivas dos alunos para com os professores.

Adorno (1995) argumenta que a imagem que os alunos possuem do professor torna-se extremamente pejorativa, sobretudo quando há o descompasso entre os ideais de ego que são projetados na figura do mestre e suas atitudes que desmentem suas promessas de respeitar as opiniões dos alunos. Aponta, ainda, para uma afirmação em que “a educação seria muito mais produtiva se não intermediasse a todo instante a exigência de modelos ideais preestabelecidos” (Adorno, 1995, p. 141). Entretanto, é relevante esclarecer que a crítica de adorno ao modelo ideal não é encarada aqui como uma observação filosófica, sobretudo o que se questiona é a prerrogativa daquele que se sente no direito de decidir a respeito da orientação da educação dos outros.

Talvez não fosse equivocado afirmar que o educador que discute com seus alunos sobre o fato de que é um ser humano, sujeito a falhas e acertos, possa contribuir para que os alunos não se subordinem tanto em relação aos modelos idealizados promovendo o processo de superação de uma autoridade que também se educa durante o processo educacional.

Para Adorno é importante, “a disposição aberta, a capacidade de se abrir a elementos do espírito, apropriando-os de modo produtivo na consciência, em vez de se ocupar com os mesmos unicamente para aprender” (Adorno, 1995, p.151). Dessa forma, a presença dessa carga afetiva e a necessidade de atrair a si o olhar amoroso do mestre e de receber a aprovação origina um prazer difícil de ser descrito, mas necessário.

Portanto, o efeito devastador de ações ou indagações no processo formativo do aluno pode estimular de forma significativa atos violentos. O educando precisa identificar-se com o professor, assim como o educador com seu alunado e as reformas pedagógicas na educação preveem a falha nessa mediação quanto às promessas dos conteúdos fornecidos pelos educadores e suas efetivas realizações muitas vezes não concretizadas. Infelizmente, se a natureza da virtude ética visar somente a condenação desses jovens, então, só nos restará a valorização da sobrevivência do mais forte e a perpetuação desse comportamento anômico.




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