Dirección de investigacióN / artículo académico violência escolar: apontamentos sobre as relacoes socias na escola



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VIOLÊNCIA NA ESCOLA

A violência sempre esteve presente nas relações humanas. Esse comportamento assume, no entanto, dimensões diversas conforme a situação econômico-social atravessada pela humanidade. Acompanhamos pelos meios de comunicação de massa surtos de violência em muitos setores da sociedade e o campo educacional não tem sido exceção. A violência faz-se presente por velhos e novos expedientes. Trata-se, na realidade, de uma sociedade fundamentada em relações de dominação que intensificam cada vez mais as diferenças entre as classes sociais.

No âmbito escolar tem sido muito comum relatos de casos de violência que consistem e são mensurados pelos autos índices de ocorrências. Sendo assim, podemos dizer que os inúmeros fatores que tem levado nossos jovens estudantes a cometer atos de violência contribuindo para o aumento dos conflitos nas escolas podem ser pensados na perspectiva da desigualdade social que consiste na carência de condições básicas de sobrevivência e ascensão social do indivíduo, na referência de valores, crenças e formas de comportamento que lhes são introjetados pelo meio em que vivem nas ofertas de oportunidades facilitadoras no uso de drogas, dentre outros.

Assim, faz-se necessário estarmos cientes desses fatores sociais e as falhas do próprio sistema de ensino que contribuem para isso. Mas se essa é a realidade social, o que fazer para modificá-la? A questão tem que ser enfrentada com medidas a curto, médio e longo prazo. É preciso promover as mudanças sociais necessárias nas instituições de ensino, na orientação do planejamento familiar, promovendo ações afirmativas.

Enfim, diminuir o desequilíbrio entre as metas e os meios sociais compreendendo as relações interpessoais nas ações da comunidade escolar nos casos de violência na escola identificando as ações efetivas referente a instituição como um todo e como estas se mostram eficazes na promoção de uma conscientização na manutenção de um ambiente pacífico e favorável a aprendizagem e ao exercimento da cidadania bem como o conhecimento pleno do seu significado.

As escolas estão vivendo momentos críticos, principalmente na questão da (in)disciplina e da violência. Tal situação já persiste, e vem se agravando, há várias décadas, como se pode acompanhar pelos estudos e pesquisas realizadas por diversos autores. Pode-se dizer que é na escola, onde há uma grande diversidade de classes, culturas, raças, religiões etc., que a maioria dos problemas são vividos e agravados, principalmente em decorrência da turbulência das constantes transformações que a sociedade vêm sofrendo.

Histórias de crianças com dramas de vida profundos, como pais que as espancam e brigam entre si, alcoolismo, fome, batidas policiais, ou são muito permissivos, e os filhos se tornam tiranos, egoístas, impopulares e voluntariosos, ou são excessivamente autoritários e punidores, gerando assim indivíduos submissos, obedientes demais e sem personalidade, dentre outras, povoam o universo das escolas. (AQUINO, 1996, p. 34)

Os alunos que hoje ingressam nas escolas são filhos das novas famílias, aquelas que estão submetidas à desunião e à recomposição, que vivem em um ambiente de tensão e dificuldade. E os educadores, a escola e a comunidade acabam vivendo diretamente os conflitos gerados a partir dessa desestruturação.

Estamos diante de novos desafios na vida em sociedade e na educação especificamente, e a violência, tanto na família, quanto nas instituições educativas e na própria comunidade é uma constante. Vivemos numa sociedade submetida a mudanças vertiginosas, em que diversas situações contrapõem às regras familiares que facilmente produzem grandes instabilidades, gerando, sobretudo, novos contextos e conflitos. E as escolas não ficam de fora, ao contrário. Nem sempre a violência do aluno tem origens na família ou apenas nela. Às vezes ela está na própria escola.

Alguns focos de violência já são conhecidos: a reprovação, os rótulos, os preconceitos, a indiferença dos adultos frente aos problemas, a desvalorização de suas experiências sociais e culturais, a não confiança em seu potencial, dentre outras, são causas de indisciplina e violência geradas em instituições educacionais. (KUPSTAS, 2001, p. 27)

Acredita-se que a escola tem um papel educativo junto às famílias, pois confiança, igualdade e trabalho coletivo devem permear o trabalho do professor na superação dos problemas de indisciplina na escola. Como instituição formadora, a escola precisa rever sua organização e juntamente com a família e outras instituições sociais responsáveis pela formação do cidadão, construir novas alternativas que minimizem os problemas sociais que vem causando violência e outros problemas em sociedade.

O mal da educação atual não seria apenas um mas dois, pois acrescenta aos problemas de aprendizagem a denominada indisciplina escolar. Questão que se apresenta com uma série de produtos bastante díspares que vão desde os desentendimentos mais corriqueiros a extremas agressões físicas. Em várias situações, vários lugares e por fatores diversos presencia-se atos de violência e indisciplina. (Lajonquière, 1996 p. 25)

Impor limites não é uma tarefa fácil, principalmente se levarmos em consideração o atual momento de profundas e rápidas transformações. Porém é de extrema importância para o aluno reconhecer e aceitar as regras e os limites, apesar de se constituir numa das mais difíceis, não pode ser encarada como impossível. A ausência de limites acarreta desrespeito, violência e indisciplina.

A indisciplina produz efeitos negativos no aproveitamento escolar e na socialização dos alunos. Esses efeitos negativos exercem também sobre o professor, provocando desgastes físico, psicológico, ansiedade, fadiga, tensão, perda de eficácia educativa, diminuição de auto estima, sentimento de frustração e desânimo e stress. (KUPSTAS, 2001, p.31

A disciplina é importante em todos os tipos de organização. Na escola, tendo em vista suas finalidades educativas e sociais, torna-se importante que pais e educadores saibam exatamente o que consideram fundamental para seus filhos/ alunos, com diálogo, respeito e companheirismo, também outras formas essenciais para o desenvolvimento satisfatório tanto disciplinar quanto educativo.

A questão da disciplina é bastante complexa, uma vez que um grande número de variáveis influenciam o processo de ensino-aprendizagem. No entanto, apesar dessa complexidade, a verdade é que há um consenso sobre o fato de que sem disciplina não se pode fazer nenhum trabalho pedagógico significativo. (Cortez, 2003, p. 52)

Torna-se importante ressaltar que educar implica sempre a necessidade de limitar, de dizer não, de negar, e o ponto de partida para essa ação deve se basear em respeito, tolerância, solidariedade, atitudes que estão cada vez mais perdendo a credibilidade, devido à busca incessante pelo poder e pelo individualismo.

A qualidade do ensino depende, em grande parte, do modo pelo qual é enfocado o processo de condução das atividades que se desenvolvem em sala de aula, pois ali não é somente o lugar onde se realiza o processo de ensino-aprendizagem, é também o lugar que traz sempre o momento oportuno para se desenvolver e promover valores humanos. E como se trata de pessoas em formação, é preciso estabelecer relações que estimulem e favoreçam o desenvolvimento dos alunos. A primeira e mais fundamental norma para o professor é tratar seus alunos com estima e respeito, conhecendo-os, valorizando-os e partindo de suas realidades visto que assim o profissional da educação poderá obter mais sucesso em seu trabalho.

Para estar em condições de educar, o professor precisa estabelecer relações cordiais e afetuosas com seus alunos; criar um ambiente estimulante de compreensão e colaboração, usando atitudes amistosas e pacientes com todos os alunos sem distinção. (LIBÂNEO, 1993, p. 21)

Neste ambiente de cordialidade que deve envolver as relações professor-aluno, não deve haver espaço para palavras ou mesmo gestos pejorativos; nem que se ridicularize um aluno perante seus companheiros, ou haja impaciência com relação ao seu “erro”; nem para ameaças ou concessão de privilégios; ou para a ação que não aceita que os alunos tenham direitos a justificativas, ou ainda a utilização de sanções para estimular aprendizagens. Diante da indisciplina, muitas vezes a família e os educadores deixam de aproveitar a oportunidade para conhecer e orientar os alunos, para puni-los.

A punição não educa. Ela apenas reprime a manifestação de uma conduta considerada indesejável, mas não a modifica. Pelo contrário, pode até agravá-la. Assim os limites necessários à formação de uma criança devem acontecer com a intenção de educá-la e não puni-la. E para isso é preciso ser justos, firmes e amorosos. E é importante que ela compreenda o motivo pelo qual está sendo repreendida. (Cortez, 2003, p.55)

O dilema atual não é educar com punição, mas realizar uma educação em que o aluno aprenda com amor, com respeito a si próprio e à autoridade do professor que o educa. E isso é fundamental, principalmente nos dias de hoje, em que a violência interfere em grande parte na aprendizagem formal dos alunos. A disciplina e as regras são fundamentais em todo o desenvolvimento da criança e assim essenciais na escola e na comunidade na qual a criança está inserida. A família e a escola devem desenvolver condições que propiciem a formação integral do aluno, com vistas ao seu desenvolvimento harmônico e íntegro.

A convivência é hoje uma das maiores preocupações de todos e é provavelmente um dos desafios mais importantes para a humanidade. As dificuldades para o entendimento e para a resolução de conflitos de convivência são sinais preocupantes para que um desenvolvimento social com base na justiça e no respeito mútuo aconteça de forma satisfatória e tranquila.

A escola não é mais considerada como um lugar seguro de integração social. Ela não representa mais um espaço resguardado, pois o espaço escolar tornou-se um cenário de ocorrências violentas e indisciplinares. Toda a sociedade, inclusive a comunidade educacional, precisa reconhecer a necessidade urgente de prevenção e erradicação da violência nas escolas para que a aprendizagem ocorra de forma tranquila e satisfatória. Os professores, também, precisam dispor de uma convivência agradável e de paz. Fazer campanhas, criar projetos e demonstrar sempre muito prazer em estar participando da construção do conhecimento do outro.

Faz-se necessário que a sala de aula se firme como espaço público, lugar de produção das realizações coletivas e exercício permanente de si próprio. A educação é essa atividade formadora de si mesmo e campo de inscrição de novas formas de existências. Portanto não se pode pensar a educação fora do domínio da ética, da moral, da disciplina, pois é dentro delas que devemos viver, conviver e criar um mundo novo, onde todos têm direitos e deveres iguais.

É preciso que as escolas revejam seus métodos e suas organizações, construindo regras simples e claras de procedimentos e convivência, para que a tranquilidade, a paz e as condições de aprender e de ensinar sejam realmente efetivadas.






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