Dirección de investigacióN / artículo académico violência escolar: apontamentos sobre as relacoes socias na escola



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Encontro02.03.2019
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Palabras clave: Relaciones sociales; Escuela y violencia; Actuación pedagógica.

INTRODUÇÃO

Há no ser humano uma tendencia muito forte no que diz respeito a convivência. O nosso modelo de sociedade determina que para o sujeito se desenvolver de forma equilibrada, ele necessita se comprometer, se adaptar, ceder, tudo pelo coletivo. Considerando que relação social, de acordo com COHN (1997, p.30) refere-se ao “relacionamento entre dois ou mais indivíduos no interior de um grupo social”, tudo isso não parece ser muito fácil, pois sempre haverá conflitos entre o eu e o outro, entre o querer tudo para si e precisar fazer algo para o outro. No entanto, percebemos com o passar do tempo que a vida em sociedade fica mais fácil quando entendemos que dependemos uns dos outros para viver melhor.

Estudos sociológicos consideram que a capacidade humana de distinguir o certo do errado é algo aprendido nas relações interpessoais. Émile Durkheim (1991) nos diz que a única maneira de obtermos indivíduos morais seria educa-los e condicioná-los socialmente. Assim, caberia à sociedade e à cultura estabelecer, ao longo de toda vida, o que os indivíduos podem ou não fazer. Não há como negar que muitas das regras sociais direcionadas ao certo e ao errado precisam ser aprendidas. É impossível nascer sabendo determinadas convenções sociais que possuem forte apelo cultural.

É fundamental não confundir a nossa capacidade inata de distinguirmos o certo do errado com a capacidade de tomarmos as atitudes corretas ao invés das erradas. Uma coisa é saber o que deve ser feito, a outra é agir de acordo com esse preceito, afinal somos dotados não só do senso inato de moralidade, mas também de inteligência para análise estratégica. Dessa forma, podemos, infelizmente, usar nossa capacidade racional para tapear a moral inata e, com isso, tirar proveito de determinadas situações.

A cultura influencia diretamente os valores morais de uma sociedade e cria também os parâmetros que estabelecem o status hierárquico de cada membro social. Sem dúvida alguma, a posse de bens materiais sempre foi algo valorizado nas vitrines sociais. Mas já existiram tempos em que o status intelectual e a retidão de caráter também eram características bastante valoradas entre os membros de nossa sociedade.

Bauman (2003), nos diz que o saber e o ser já foram bens de alto valor moral social. Hoje, vivemos os tempos de ter, em que não importa o que uma pessoa saiba ou faça, mas sim que ela tenha dinheiro para pagar por sua ignorância e por suas falhas de caráter. Nesse cenário, o pior é que seus membros sociais não se contentam apenas com o ter, é necessário exibir, ostentar. E é exatamente essa cultura que faz com que determinados jovens, até mesmo os bem nascidos, por assim dizer, optem por caminhos rápidos, embora incertos e ilegais, a fim de obter o status social dos considerados bem-sucedidos. Para esses rapazes e moças, o caminho dos estudos, do saber e o ser, é longo demais.

Na atual conjuntura da violência em nossa sociedade, impressionam a força e a continuidade do mito sobre a função social das escolas como instituição salvadora, cuja missão é tirar das ruas crianças e jovens, ensinar-lhes princípios de moral e fornecer-lhes um diploma que é capaz de garantir-lhes um lugar no mercado de trabalho em tempos de desemprego estrutural e de formas produtivas flexibilizadas e desregulamentadas. No entanto, Pino (2000, p. 782), nos convida a uma reflexão dizendo que, “se a educação não é a solução para acabar com a violência, sem a educação a violência não tem solução, nem a curto nem a longo prazo”.

Assim, considerando que o fenômeno da violência está intimamente ligado as condições econômicas, sociais, políticas e culturais de determinada sociedade que sustenta a lógica da globalização, das concepções neoliberais, que possui um Estado opressor e facilitador das realizações da classe dominante, indiferente as mazelas sociais, é premente investir em um sistema de educação pública que possa garantir a todos a instrumentalização teórica necessária para que ocorram possibilidades concretas de transformação.

Nas instituições de ensino sempre se prezou por relações de respeito ao próximo que se referem diretamente no convívio social a sentimentos de amizade, harmonia, ética, integração das pessoas, visando atingir os objetivos propostos pelo projeto pedagógico da escola. No entanto, as constatações ao longo do tempo quanto a este comportamento idealizado nunca foram vividos em sua plenitude.

Entretanto, o mau uso da força física, linguagem ultrajante e ofensiva tem se tornado cada vez mais banal na nossa sociedade. As várias formas de violência, tanto físicas como psicológicas, acompanham as relações sociais em todos os níveis, envolvendo a família, a escola e a comunidade. A história tem mostrado que durante a evolução do ser humano, em meio à ambição, a sede de poder, a violência sempre esteve presente.

Outra considerações giram em da intolerância, a não aceitação das diferenças, a rejeição ao outro são comportamentos cada vez mais explícitos e hostis que estão ameaçando a sobrevivência e boa convivência de toda sociedade. Embora diferenças, insatisfações, façam parte da convivência social podemos dizer que estas se caracterizam e originam de uma cultura competitiva que leva os jovens à utilização de atos violentos como a forma mais fácil de resolver suas contendas, de ganhar prestígio e aceitação entre seus pares e de reforçar suas características indenitárias.

Assim, na busca de maior compreensão e cooperação no esforço continuo e conjunto da família e da comunidade escolar em busca de novas relações nesse contexto, é relevante refletir e discutir a temática a fim de consolidarmos novas relações estabelecendo alternativas para a atual sociedade corrompida pelos moldes impostos. E visando refletir a cerca dessas situações relacionais entre os membros da comunidade escolar focaremos a princípio nos tratos entre aluno-professor, bem como na interferência da equipe gestora e da família.






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