De dieta em dieta. O que a ciência diz sobre as soluções milagrosas?



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http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=85&id=1050 (acesso em 24/02/2013) explorar o cardápio da escola.

Reportagem




De dieta em dieta. O que a ciência diz sobre as soluções milagrosas?

Por Marina Gomes







Estética, vaidade, saúde, padrão. Não importa a razão, mas é crescente a angústia pelo controle de calorias e a perda de peso. Segundo o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças do Ministério da Saúde (Vigitel), 48% dos brasileiros enfrentam o sobrepeso e 16% estão na faixa da obesidade. Para atender aos anseios da população, há uma crescente oferta de livros e produtos que prometem sucesso em metas ambiciosas e o cardápio de dietas mais populares muda a cada estação: South Beach, Atkins, Meta Real, Vigilantes do Peso, de pontos, da USP, de sopas, do tipo sanguíneo. Em comum, as dietas compartilham de pequena discrepância nos resultados obtidos, mas o sucesso pode ser apenas um ponto fugaz na luta contra a balança. Nesse cenário, as comprovações científicas parecem ser apenas atores coadjuvantes.

“Crenças falsas e cientificamente não suportadas sobre obesidade estão presentes tanto na literatura científica como na imprensa popular”, enfatizam os autores de um artigo recém publicado no New England Journal of Medicine (Vol.368, 2013) que apontou sete mitos do emagrecimento. Segundo o estudo de revisão, há pouca comprovação científica por trás de algumas receitas “infalíveis” repassadas por especialistas. Entre elas, os pesquisadores citam a recomendação de não pular o café da manhã, comer frutas e verduras e evitar petiscos e lanches.

Mesmo com tanta falácia arraigada às crenças populares sobre dieta, um dos maiores desafios enfrentados por quem decide emagrecer, entretanto, não é livrrar-se de alguns quilos indesejados, mas mantê-los à distância. A constatação de que os quilos perdidos na dieta podem retornar rapidamente a partir do momento que ela termina está longe de ser uma novidade e infelizmente não se trata de mais um dos mitos. Há 30 anos foi lançado o livro com o sugestivo título A dieta te deixou gordo? (Dieting makes you fat, de Geoffrey Cannon,1983), apontando que a restrição do consumo de calorias por um determinado tempo leva ao ganho de ainda mais peso ao longo dos anos. Assim é comum que se percorra, de dieta em dieta, uma via crucis desequilibrada esperando uma nova solução mágica – e permanente.

Há uma complexidade, que merece estudos aprofundados, na questão dos efeitos da dieta. Uma investigação em gêmeos uni e bivitelinos entre 16 e 25 anos avaliou se a genética é predominante no insucesso de longo prazo. O estudo finlandês (International Journal of Obesity, Vol.36, 2012) concluiu que a resposta é parcial. “O fator genético é fundamental, mas a questão das dietas merece mais estudo, pois uma parte dos gêmeos monozigóticos ganhou mais peso após a dieta que seu par que não fez dieta”, afirmam os autores. Sim, fazer dieta engorda, ao menos para uma parte da população. Algumas explicações volteiam esse paradoxo, entre elas a que a restrição de calorias e nutrientes pode acionar o gatilho do exagero e desencadear uma ação de defesa do organismo para restaurar o peso perdido.

Parte dessa complexidade apareceu em pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Melbourne, na Austrália, em que 50 homens e mulheres obesos foram acompanhados durante dez semanas. Ao final do período, houve uma perda média de 14 quilos, mas um ano depois o grupo já havia recuperado, em média, 5 quilos. A investigação dos reguladores hormonais de apetite indicou que os níveis de grelina, uma das responsáveis pela sensação de fome, eram 20% maior que no começo do estudo, os resultados foram publicados no New England Journal of Medicine (Vol. 365, 2011).

“Não adianta fazer uma dieta eficaz para perda de peso por um período limitado, o controle calórico da alimentação tem que ser para a vida toda”, afirma a nutricionista Luciana Sales Purcino, do Centro de Saúde da Comunidade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). De acordo com ela, s e o hábito não for modificado o peso não será mantido. “Isso fica bem claro no caso de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, em que uma parcela continua com hábitos inadequados e não consegue um bom resultado a médio ou longo prazo. Algumas dietas com restrição excessiva de alimentos fontes de carboidrato como a dieta do médico francês Pierre Dukan ou Dieta de South Beach podem levar à perda de massa muscular, o que, por sua vez, reduz o metabolismo basal. Assim, com o metabolismo mais baixo, a dificuldade em perder peso só aumenta”, explica a nutricionista.

“ Embora muitas dietas sejam eficazes na redução ponderal em curto prazo, a avaliação qualitativa dessas dietas muitas vezes não é conhecida. De fato, a análise mais detalhada da composição nutricional dos planos alimentares propostos de dietas populares mostrou que nenhum deles alcança um adequado índice de alimentação saudável”, ponderam Jussara Almeida, Ticiana Rodrigues, Flávia Silva e Mirela Azevedo, pesquisadoras do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e dos departamentos de Nutrição e Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em artigo de revisão de dietas de emagrecimento.

As pesquisadoras da UFRGS buscaram na literatura estudos de dietas com pelo menos um ano de acompanhamento e excluíram os que avaliaram o efeito de medicações e cirurgias para obesidade. Foram encontrados 545 estudos, dos quais apenas 23 dispunham de critérios válidos, compondo um total de 53 dietas analisadas. O veredicto dos autores é que a modificação nos componentes da dieta resultou em discreta perda ponderal, sendo a perda de peso geralmente consequente à restrição energética e não à modificação dos componentes da dieta. Entre as alterações nos componentes os resultados mais promissores pareceram estar relacionados à restrição de carboidratos e ao seguimento de uma dieta do tipo mediterrânea, composta por peixes, frutas, legumes, cereais, azeite, laticínios, ovos e vinho.





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