Danielle carvalho ramos


De Narciso, a primordial tendência suicida



Baixar 0,74 Mb.
Página5/36
Encontro05.12.2019
Tamanho0,74 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   36
4.1.1 De Narciso, a primordial tendência suicida 59

4.1.2 O que nada reflete 63

4.2 GOZO, ANGÚSTIA E VORACIDADES 68

4.2.1 Bela maternidade 69

4.2.2 Em um paraíso tenebroso 71

4.3 NO INTERSTÍCIO, UM OBJETO-RESTO 74

4.3.1 O lugar fronteiriço 74

4.3.2 A presa indigesta 79

4.3.3 A essa fronteira, que alternativa? 82

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 87

REFERÊNCIAS 94

INTRODUÇÃO
É com ela, capturado em seu olhar, que ele se olhará, é carregado por suas palavras que pensará. Beberá seu leite para crescer, tanto quanto suas falas, e seu sorriso ou sua tristeza refletirão para ele os estados de ânimo do mundo inteiro. A ela estará totalmente assujeitado e se humanizará docemente ao preço dessa alienação. Durante muito tempo terá o sentimento de que ambos fazem apenas um. Sem nenhum limite, tudo lhe pertencerá. Ele será ela, ela será ele [...]”
Catherine Mathelin, 1999
Um tempo que, frequentemente, marca o apaixonante encontro no qual ela se fascina pelo pequeno ser, e este, inebriado, rende-se aos seus encantos, onde o deleite e a descoberta se imbricam em um diálogo no qual realmente parecem existir, enquanto um, apenas os dois: mãe e bebê. A isto remete esse texto de Mathelin (1999), parecendo quase tocar o cerne desse sublime encontro entre a mãe e seu bebê, que tão maravilhados contemplamos. E ante tal “quê” poético, ao lê-lo, como não nos causar ele o enternecimento de que a autora nos fala?

Por certo, isto, em algum ou em muitos tons, se faz presente. Mas, se por mais um pouco fitarmos nosso olhar e nos permitirmos escutar também os outros sons que daí emanam, o que mais encontraríamos para além do primeiro vislumbre?

Winnicott (1975), ao discorrer sobre a maternidade, entre outras contribuições, trouxe a concepção da “mãe suficientemente boa”, ou seja, aquela que se adapta de modo ativo às necessidades do bebê. Iniciando com uma quase total adaptação a essas necessidades, com o passar do tempo, esta mãe passaria a adaptar-se de modo menos completo conforme a crescente capacidade do bebê de lidar com o fracasso materno. Mas, a despeito da regulação quanto a esse adaptar-se, o que Winnicott (1975, p. 25) parece enfatizar é justamente a necessidade de que essa inicial adaptação seja “quase completa”, indicando que, é, sobretudo, da “devoção” materna que depende o sucesso no cuidado infantil.

Esta devoção e a justa medida que a expressão “suficientemente boa” denota, parecem impor-se enquanto algo inerente à maternidade – mesmo que, na própria definição, haja a indicação de que a adaptação não será sempre bem-sucedida, de que, em algum momento, haverá fracasso. Apontando para esta boa maternidade, Lacan (1954-1955/1985, p. 318-319) diz: “supõe-se, com efeito, que, em sua função natural, a mãe não seja, em caso algum, um objeto rejeitador – no estado de natureza a mãe só pode ser boa [...]”.

Sobre tal suposta natureza, vale então considerar a discussão trazida por Elizabeth Badinter. Em uma retomada história acerca do amor materno, Badinter (1985) problematiza essa concepção de maternidade em que toda mulher estaria destinada não apenas a ser mãe, mas a ser uma boa mãe, nisso consistindo a “natureza feminina”, “o amor materno”. Tudo que disso se desviasse fatalmente seria tomado por exceção patológica. Afinal, “como pode o melhor dos mundos incluir, além do mal físico, moral e metafísico, a ausência possível do amor da mãe?”; é com essa questão que Badinter (1985, p. 18) nos provoca.

Para tanto, a autora reporta-se à figura da mãe na Europa do século XVIII, particularmente na França1, questionando o porquê desta mãe “indiferente” ter se transformado na então “mãe coruja dos séculos XIX e XX” (BADINTER, 1985, p. 19). Na discussão, aponta para uma relação entre essa tão radical mudança e a função nutridora da mãe, dizendo que, nos séculos XVII e XVIII, é elevado o índice de mortalidade infantil na França, sendo estabelecida uma correlação entre o índice e o modo de alimentação das crianças (se amamentadas ou não pelas mães). A entrega dos filhos às amas, especialmente até o primeiro ano de vida, teria sido então “um infanticídio disfarçado” (BADINTER, 1985, p. 141). Diante disto,


Veremos que se tornará necessário, no final do século XVIII, lançar mão de muitos argumentos para convocar a mãe para sua atividade ‘instintiva’. Será preciso apelar ao seu senso do dever, culpá-la e até ameaçá-la para reconduzi-la à sua função nutritícia e maternante, dita natural e espontânea (BADINTER, 1985, p. 144).
Seguindo na explanação, Badinter (1985, p. 145) fala da “revolução das mentalidades” iniciada a partir do último terço do século XVIII, incutindo a ideia de que as mães deveriam cuidar pessoalmente dos filhos, ordenando à amamentação. Findando o século XVIII, com relação aos dois séculos anteriores, o “amor materno” pareceria um conceito novo, no que refere à exaltação que lhe é conferida enquanto um valor natural e social. A novidade estaria também na própria junção dos dois termos (amor e maternidade), implicando a promoção do sentimento e da imagem da mulher-mãe. Com isso, o amor materno passaria a impor-se como “uma constante transistórica”, onde a nobre função da maternidade, “impregnada de ideal”, traz também a advertência de que não amar os filhos é um crime, e sem perdão (BADINTER, 1985, p. 86). Como lembra Badinter (1985, p. 211), a premissa é: “a boa mãe é terna, ou não é uma boa mãe”. No entanto,
Se é indiscutível que uma criança não pode sobreviver e desenvolver-se sem uma atenção e cuidados maternais, não é certo que todas as mães humanas sejam predestinadas a oferecer-lhe esse amor de que ela necessita. Não parece existir nenhuma harmonia preestabelecida nem interação necessária entre as exigências da criança e as respostas da mãe. Nesse domínio, cada mulher é um caso particular (BADINTER, 1985, p. 18).
Assim, discorrendo sobre a boa mãe, menos como uma predestinação universal a toda mulher do que como uma realidade entre outras, em seu livro, a autora aposta na existência de diferentes faces da maternidade, dentre elas, aquelas que amedrontam.

Após alguns questionamentos, convocando-nos a não nos esquecermos do desejo, da falta pela qual a mãe é marcada, Mathelin (1999, p. 11, grifo nosso) diz-nos que, na pretensa completude materna, “em matéria de felicidade a dois, é uma loucura a dois que estaria de fato em questão, o filho tornando-se inexoravelmente o objeto de sua mãe, destruída por ele da mesma forma que ela o destruiria”.

Ainda que diante de uma experiência de satisfação e contentamento, os dissabores da maternidade também ocupam seu lugar. Assim, não ignoremos o quão radical seria supor um amor materno sem ambivalência, visto que
As mães falam às vezes do medo de serem destruídas, desse sentimento de serem ‘esvaziadas’ por seu bebê [...]. Esses bebês vividos como vampiros estão para elas numa demanda sem fim que elas não conseguem saciar; e o amor apaixonado e exclusivo desse lactente por elas lhes dá o sentimento de serem devoradas por ele. Como se essa ‘goela aberta da vida’, essa violenta força libidinal do filho se tornasse para elas insuportável (BOUKOBZA, 1977 apud MATHELIN, 1999, p. 15).
Sobre a ambivalência, Lacan (1972-1973/2008, p. 97, grifo do autor) diz que a “[...] hainamoration, uma enamoração feita de ódio (haine) e de amor, um amódio, é o relevo que a psicanálise soube introduzir para nele inscrever a zona de sua experiência”. Não esqueçamos, então, o que a psicanálise nos lembra: “[...] não se conhece nenhum amor sem ódio” (LACAN, 1972-1973/2008, p. 97).

Remetendo-se à ambivalência típica das relações na satisfação das necessidades próprias aos primeiros meses de vida, Lacan (1938/2002, p. 26) afirma que “as sensações proprioceptivas da sucção e da preensão constituem, evidentemente, a base dessa ambivalência da vivência, que decorre da própria situação: o ser que absorve é inteiramente absorvido e o complexo arcaico lhe responde no abraço materno”. E como ressalta Benhaïm,


A ambivalência materna não é um acidente da relação da mãe com o filho, mas uma necessidade estruturante cuja falta induz uma patologia e que pode evoluir para uma patologia. A iniciativa clínica não tem o objetivo de ‘suprimir’ a ambivalência, mas sim permitir um certo reconhecimento desta, como uma elaboração que faz com que ela se exerça de modo estruturante para a mãe e para a criança (BENHAÏM, 2007, p. 11).

Vemos então como a vivência mesma da maternidade, assim como as experiências de amamentação2, não é somente da ordem do sublime, do fascinante, mas também comporta suas agruras. Mas como falar a mãe de um mal-estar na amamentação se, em uma unidade de saúde, como um hospital-maternidade, parece só haver lugar para o que vai ao encontro de tudo aquilo que reforça o tão desejável aleitamento materno? Qual a possibilidade ou as condições dadas para que esse desconforto apareça se, nesses espaços, mediante uma série de recomendações sobre a importância da amamentação, a tendência mais notória é a de suprimir de fato qualquer manifestação da ambivalência materna?

Foi a partir de uma experiência de estágio acadêmico em um hospital-maternidade em Belém-PA que, a mim, se destacou que algo destoava em meio ao tão aclamado incentivo à amamentação, o que, tempos depois, acabou por dar origem ao presente trabalho. Mas para melhor contextualizar o problema de pesquisa, vale, antes, retroceder brevemente há alguns anos, trazendo de lá os principais elementos desse contexto. Então ao começo.

O ano era 2007. O cenário era o denominado Programa de Aleitamento Materno Exclusivo (PROAME) da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMPA)3, cujo público eram mulheres e seus filhos, estes, no mundo, recém-chegados. O enredo era a amamentação – ou, mais especificamente, o termo que, ao próprio programa, denominava: aleitamento materno exclusivo4.

Ali, no PROAME, os bebês eram matriculados pelas mães entre os seus 15 e 31 dias de vida. Este ato, a partir de então, garantia a elas o acompanhamento pediátrico mensal de seu bebê até o sexto mês. No diálogo com este programa, funcionava, por sua vez, o serviço de Psicologia5 – a despeito de o programa não prever, em sua estrutura, o profissional desta área.

Deste modo, era ofertado um atendimento psicológico às mães ingressas, assim como um acompanhamento do desenvolvimento psíquico de seus bebês, oferta essa que, se por elas aceita, compreendia atendimentos mensais concomitantes aos dias da consulta pediátrica. Neles, além da escuta às mães e intervenções junto ao bebê, utilizávamos alguns instrumentos de entrevista cuja aplicação integrava o referido projeto. Contávamos, ainda, eventualmente, com alguns encaminhamentos feitos pelas pediatras do programa.

Assim, foram ouvidas diversas mães nesse contexto institucional, no âmbito de um programa que, essencialmente, preconizava a importância da amamentação. Apesar das especificidades do próprio contexto, as quais propiciavam uma configuração do serviço ofertado pela equipe de Psicologia no PROAME mais nos moldes de um serviço ambulatorial6, foi justamente a partir dessa escuta ofertada, na qual se supunha a emergência de uma fala que para outro lugar apontava – para o que remete a conteúdos inconscientes –, que, notoriamente, foi possível apreender que, na experiência de amamentação de muitas daquelas mães, algo insistentemente destoava. Havia, ali, algum importante e recorrente impasse. Havia algum silencioso mal-estar evocado diante do aleitamento materno exclusivo. A ambivalência materna parecia mais sonora, ainda que pouco dela aparecesse em palavras. Em relances, algum desconforto quanto à amamentação emergia, para logo em seguida ser encoberto por uma fala do tipo: “mas não... amamentar é muito bom”.

Esse foi ponto de partida. Mas, se, por um lado, falo do contexto de um programa de aleitamento de um hospital-maternidade como local privilegiado para a difusão da importância da amamentação, necessário, por outro, desde já marcar que o incentivo a ela não se restringe aos serviços de puericultura. Não se limitando ao âmbito institucional, a força do incentivo à amamentação extrapola os muros, desbrava espaços e até mesmo confere títulos. Quanto a isso, trago um exemplo que nos é bem próximo.

Em maio de 2008, precedendo um encontro nacional sobre aleitamento materno, Belém tornou-se palco e plateia para “Mil mães amamentando às margens da Baía do Guajará” – enunciado convidativo às mães belenenses para um ato representativo do aleitamento materno. Foi com este evento que Belém, ocupando, segundo o Governo Federal, o primeiro lugar no ranking nacional das capitais brasileiras onde mais se amamenta, além da sua tão notória nomeação – “Cidade das Mangueiras” (ou de outras não menos conhecidas, como: “Metrópole da Amazônia”, “Cidade Morena”, “Capital Cultural do Norte”), passou a ser também publicamente nomeada como a “Capital do Aleitamento”7. Será que um importante título como esse não traria implicações para a prática da amamentação? Do ponto de vista psíquico, quais seriam elas?

Assim, originalmente acendeu-se a fagulha desta pesquisa, diante de uma experiência que despertou em mim grande interesse pela clínica mãe-bebê, proporcionando-me, ainda que de modo bem incipiente, a possibilidade de experimentar uma escuta e um fazer alicerçados pela psicanálise em um hospital-maternidade. Foi também diante de questionamentos que surgiram sobre a amamentação e sobre o que dela era favorecido nessa “Capital do Aleitamento” que, aos poucos, um problema de pesquisa se desenhava.

Posteriormente, passando a me interessar cada vez mais pela inserção da psicanálise em espaços institucionais8, pareceu-me pertinente refletir sobre esta implicação. Afinal, o que pode a intervenção da psicanálise em uma instituição de saúde (em especial aquela que faz ecoar o dizer sobre a exclusividade do aleitamento), para que uma escuta seja possível e que alguma fala apareça, afim de que, a despeito daquilo que é recomendado e orientado pela pediatria e nutrição, o sujeito (mãe) possa falar sobre o seu mal-estar e nisso possa ser acolhido? O que marcaria a diferença entre um fazer desde a psicanálise e as demais práticas institucionais que parecem se harmonizar em torno da importância da amamentação?

É também acerca dessas possibilidades de atravessamento da psicanálise na instituição de saúde e os efeitos que promove com sua peculiar forma de operar que discuto aqui, na sua interseção com o contexto do aleitamento exclusivo – sem desconsiderar o quanto tais recomendações acerca da importância da amamentação incontestavelmente extrapolam os espaços institucionais de saúde.

Neste trabalho, ressalto que não me volto a um caso em especial ou a fragmentos dele, mas àquilo que, de um modo geral, pude escutar desse contexto; às sonoridades em desarmonia que a mim se destacaram e que me fizeram pensar e questionar o que pudesse estar, ali, operando. Hora ou outra trago no texto algumas falas, algumas destas que supus reveladoras de tais impasses e que me pareceram apontar para outro lugar. Trata-se, pois, de um estudo teórico suscitado por questões que me surgiram de uma prática acadêmica em um hospital-maternidade.

Foi, então, diante desta problemática que nasceu a presente proposta de pesquisa: realizar um estudo psicanalítico acerca do aleitamento exclusivo e suas implicações sobre o exercício da maternidade, sobre a relação mãe-bebê9. Assim, no atravessamento deste caminho10, levando em conta o recorte que faço da temática sobre a qual, aqui, me debruço – portanto, meu objeto de estudo –, assim como considerando os objetivos que ele comporta, apresento um estudo teórico em psicanálise11 acerca do fenômeno do aleitamento materno exclusivo e suas implicações. Priorizando as obras de Sigmund Freud e de Jacques Lacan, tomo os conceitos de gozo e angústia como os principais eixos da discussão. Nela, dialogo tais conceitos com os tantos questionamentos suscitados a partir da escuta de mães inseridas em um programa de aleitamento exclusivo.

Deste modo, articulando amamentação, maternidade e instituição, a partir do saber psicanalítico, assim como refletindo acerca do discurso normalizador do aleitamento exclusivo e seus efeitos sobre o sujeito, faço uma revisão da literatura pertinente, trazendo textos que fundamentam e possibilitam tal articulação, assim como tecendo algumas discussões e formulações sobre a temática. Trata-se, portanto, de uma escuta e uma leitura de um dado contexto – o do aleitamento materno exclusivo – a partir da psicanálise, problematizando, daí, possíveis implicações.

Diante disto, apresento, nesta dissertação, os seguintes capítulos:

No primeiro capítulo, denominado Maternidade, psicanálise e instituição: a quantos passos da “mãe suficientemente boa”?, apresento uma discussão sobre a psicanálise enquanto um lugar discursivo que dá condições ao aparecimento do sujeito, independentemente do espaço onde se dê o trabalho. Trago então uma introdutória descrição das diretrizes que regem o aleitamento exclusivo, tendo como enfoque a contrapartida da ética psicanalítica e a operatividade do seu saber-fazer.

No segundo capítulo, Amamentação e gozo: um campo ruidoso, porém encoberto, discuto o conceito de gozo, articulando-o à amamentação e às diretrizes da exclusividade do aleitamento materno, abordando o excesso, a satisfação e o desprazer que o gozo implica, além da transgressão da Lei como fundante desse “mal”. Ao fim desta discussão, trago a proposta de uma amamentação como sintoma diante de um imperativo de gozo ao aleitamento.

No capítulo seguinte, Amamentação e angústia: às voltas com o cenário de um sobejo amamentar, abordo o aleitamento exclusivo a partir da angústia ante a falta positiva, diante da emergência do objeto, remetendo-me à tendência a uma permanência na alienação que seria favorecida por essas normas. Em meio a uma relação permeada por excessos, angústia para a mãe e para o bebê.

Já no quarto e último capítulo, que chamo O ponto de fronteira, retomando discussões sinalizadas nos capítulos anteriores, ao tecer algumas articulações entre os conceitos de gozo e angústia, naquilo que a amamentação, especialmente sob a égide do aleitamento exclusivo, comporta de ambos, proponho a definição de um lugar fronteiriço, lugar onde algo “a mais” surge e onde ambos, mãe e filho, nesse contexto, parecem se situar.




Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   36


©psicod.org 2019
enviar mensagem

    Página principal