Danielle carvalho ramos



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4 O PONTO DE FRONTEIRA
Bebês saudáveis e mães também menos suscetíveis a certas doenças. Mais acessível, mais prático e menos custoso, o leite materno funciona como uma notória vacina por ser um verdadeiro “alimento completo”. Tais são os benefícios que o aleitamento materno traz, não sendo poupadas vozes para dar, ao coro que os declama, uma ainda maior sonoridade. E penso serem exatamente esses os termos, os significantes que tão precisamente demarcam e reafirmam, no poder e na excelência de tal substância, as promessas de um feliz encontro entre mãe e bebê, porquanto é ela, a mãe, a detentora desse bem, dessa quase poção mágica através da qual pode ela tudo doar ao pequeno ser. Termos que deslindam então a presença daquilo que lhes vela por detrás e em silêncio.
4.1 EM ESPELHO: O DUAL E O MORTAL DO IMAGINÁRIO
Lembremos que as “orientações” ao aleitamento exclusivo concernem a um período que vai dos primeiros dias de vida do bebê até, pelo menos, o seu sexto mês. Mas quanto a esse tempo em particular, para o que Lacan nos chama atenção? Não é a partir desse sexto mês que se dá uma peculiar fase na vida da criança e na sua relação com o Outro materno?

Para os fins dessa discussão, retomando as considerações sobre a alienação – portanto, sobre a dependência (e impotência) do bebê ao Outro materno –, e no que ela alimenta de gozo e angústia, creio ainda ser preciso abordá-la por essa outra via: o chamado “estádio do espelho”. De que modo ele pode nos ajudar a discutir sobre a relação mãe-bebê quando sob a égide do aleitamento materno exclusivo? O que concerne ao estádio do espelho que se coaduna com as implicações da exclusividade do aleitamento sobre o funcionamento materno?

Acerca do plano imaginário, Lacan (1956-1957/1995, 1957-1958/1999, 1962-1963/2005) trouxe uma importante equivalência: estádio do espelho = narcisismo. É, portanto, em uma retomada crítica do conceito de narcisismo em Freud, que Lacan propõe essa curiosa fase enquanto formadora de uma função do eu. Tal proposição é feita a partir da referência ao emblemático evento da criança diante do espelho. Mas, se na origem dessas considerações está o narcisismo, é dele que parto.





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