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Sistema orientador e sistema preferido



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Sistema orientador e sistema preferido

É bom lembrar, entretanto, que nenhuma emoção vem à tona sem uma representação interna do estado que lhe corresponde seja formada internamente em nossa mente. Se estou triste ou alegre, deprimido ou entusiasmado, é porque existe uma imagem dentro da meu cérebro gerando esses estados.

Essa imagem pode ser visual, auditiva ou sinestésica. Não lhe ocorre ficar triste ou alegre quando se lembra de determinadas coisas que lhe aconteceram. Ou quando ouve uma música, ou se lembra de uma voz, em particular? Ou ainda, quando um determinado aroma é captado pelo seu olfato, ou quando alguém lhe toca de certa maneira?

Ocorre que, às vezes, a representação mental de um estado interno é feita de maneira tão rápida em nossa mente, que nós não nos apercebemos de suas características neurolingüísticas. Não captamos, conscientemente, quais as submodalidades ( visuais, auditivas e sinestésicas) que predominam na estrutura daquele estado.

Na verdade, existem dois filtros mentais que trabalham na composição do processo que resulta nas nossas emoções: um filtro que seleciona as submodalidades sensoriais com as quais elas são construídas e outro que

orienta essa estruturação. Ao filtro selecionador chamamos de sistema orientador e ao filtro que organiza a ordem e o grau de utilização das submodalidades, chamamos de sistema preferido.

Pelo sistema orientador nós recebemos as informações que o mundo nos envia. É a forma pela qual os nossos sentidos “prestam” atenção às coisas. Em PNL , esse sistema é comparado aos inputs, mediante os quais um programa de computador é alimentado. Já pelo sistema preferido, nós organizamos os inputs recebidos e os transformamos em “programas” (pensamentos, sentimentos), que gerarão os outputs, ou seja, comunicação e comportamento.

Isso significa que eu posso preferir recepcionar o mundo através da visão e da audição, mas só conseguirei entendê-lo e organizar as respostas que darei, se puder “sentir” a informação.

Da mesma forma, posso ter um sistema preferido centrado nos estímulos sinestésicos, ou seja, posso preferir recepcionar as informações através do toque, do paladar ou do aroma, mas para poder entender o que elas me trazem, talvez eu precise transformá-las em sinais visuais ou auditivos.

Nesse caso, o meu sistema orientador, aquele pelo qual o mundo entra em minha mente é o sinestésico, mas o sistema que o organiza para que eu possa entendê-lo é o visual ou o auditivo, conforme o caso.

Podemos perceber a importância dessa distinção quando se trata de comunicação. Se uma pessoa se orienta por audição, mas organiza as informações de forma visual, a melhor maneira de se comunicar com ela é falando primeiro e mostrando depois. Se por outro lado, ela recepciona de forma visual e organiza as informações auditivamente, mostrar primeiro e falar depois será muito mais eficiente. Da mesma forma, se ela precisar tocar, degustar ou cheirar uma coisa para que ela mereça a sua atenção, mas ao mesmo tempo, precisar visualizá-la ou identificá-la através de um som, então não vai adiantar muito mostrar ou falar com ela sobre isso. Primeiro ela vai precisar senti-la, para só depois querer vê-la ou ouvir falar a respeito.
As sinestesias – sentimentos, emoções – são uma espécie de ligação direta entre os nossos sistemas de representação. Dificilmente deixamos de sentir alguma coisa em face do que vemos ou ouvimos. As cores, via de regra, estão ligadas a reações sinestésicas variadas, como por exemplo, o azul (sentimento de relaxamento, paz); o vermelho (sentimento de raiva, de agitação); o amarelo (a cobiça); o negro (angústia, tristeza) etc. Com os sons é a mesma coisa: sons agudos, estridentes (irritação, estresse, agitação); sons modulados, pautados, ( paz, tranqüilidade) etc.

O estudo dessas ligações e sua utilização nas ciências da saúde fundamentam a prática da musicoterapia e da cromoterapia como terapias alternativas no tratamento de doenças relacionadas com o sistema nervoso. Mas, para nós, o interesse reside principalmente na área da aprendizagem (aprender a “escolher” a informação que nos interessa) e da comunicação, pois essa sabedoria nos ajuda a construir pontes e descobrir caminhos para nos orientar dentro dos “mapas” alheios, evitando assim os conflitos que as diferentes orientações neurológicas costumam provocar entre as pessoas em interação.





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