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Acompanhamento
Não esqueça que o oposto da empatia é a antipatia. E entre as duas existe a indiferença. Entre antipatia e indiferença eu não sei o que aborrece mais uma pessoa que está tentando se comunicar com alguém.

Uma importante regra de comunicação, que ajuda a criar empatia entre partes em um circuito de comunicação é a técnica conhecida como acompanhamento.

Acompanhar significa seguir a pessoa nos caminhos neurológicos que ela trilha para construir sua comunicação, durante algum tempo, até estabelecer com ela um vínculo de empatia e confiança mútua. A regra aqui é não contradizê-la nem interromper o processo neurológico que ela está desenvolvendo, fazendo com ela se retraia e comece opor resistência à comunicação.

Palavras como; mas, contudo, todavia, entretanto, que indicam adversidade, devem ser evitadas no processo de acompanhamento, da mesma forma que posturas que indicam indiferença, enfado, discordância, cinismo, incredulidade etc. As vezes, um simples menear de cabeça, um franzir de testa, um simulacro de sorriso com o canto da boca, um cochicho com a pessoa que está ao lado, posturas essas até inconscientes para emissor, pode quebrar o “rapport”. E uma vez quebrado é muito difícil restabelecê-lo.

Aqui estamos falando de empatia no caso específico da comunicação, mas é sempre bom lembrar que a empatia está na raiz das mais profundas questões psicológicas e morais, como bem observou John Stuart Mill, ao descrever os sentimentos das pessoas quando estabelecem suas interações econômicas sociais e afetivas. Essa constatação não é estranha se pensarmos que a empatia nada mais é que a capacidade de “sentir o sentimento alheio”; e nessa condição ela é uma qualidade que está na base da piedade, da solidariedade, da caridade, da aceitação mútua e da compreensão, que, por sua vez, são elementos imprescindíveis da liga moral que resulta no perdão.

Por fim, é importante não esquecer o seguinte: as pessoas não se guiam pelo mesmo mapa do mundo que nós. E elas, por mais errado que nos pareçam ser os seus caminhos, sempre estarão, em princípio, dispostas a defender com unhas e dentes as suas próprias escolhas.

Cada pessoa tem sua forma própria de orientar o processo neurológico que está na raiz de suas respostas e estas são dadas conforme a montagem interna que elas fazem desse processo. Principalmente, não devemos nos esquecer que as escolhas de uma pessoa geralmente estão fundamentadas em crenças, convicções e valores que ela adquiriu em suas experiências de vida e adotou como critérios para “julgar” a informação que recebe. Contrariá-los, logo de início, é eliciar a sua resistência, pois a mente tende sempre a defender o “eu” que se hospeda em seu mapa de mundo. Afinal, esse “eu” é a sua personalidade e ninguém gosta de vê-la agredida.

Ao acompanhar uma pessoa em sua comunicação você está procurando ver o mundo da forma que ela vê, caminhando com ela pelos caminhos internos da sua mente. Acompanhar uma pessoa neurologicamente é uma estratégia extremamente refinada em comunicação.

Não se consegue conduzir ninguém se primeiro não formos capazes de acompanhá-los por um bom pedaço de caminho. Talvez por isso Jesus tivesse dado aos seus discípulos aquele genial conselho: “Se qualquer te obrigar a andar com ele uma milha, vai com ele duas”. Acompanhar, acompanhar, para, em certo momento, passar a conduzir, eis uma regra básica para a boa comunicação.




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