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Metáforas
Não obstante as metáforas sejam um produto da generalização, da o-

missão e do cancelamento que a mente faz ao transportar a linguagem de fundo para a linguagem de superfície, elas são um recurso de linguagem muito eficaz para trabalharmos a programação neurolingüística, pois mensagens metafóricas são dirigidas mais ao inconsciente do que à consciência, propriamente dito.

Metáforas são formas de linguagem que usamos para comparar uma informação que já temos com algo que procuramos saber ou entender. Em outras palavras, usamos uma representação mental de uma experiência, aplicando-a em outra experiência.

Metáforas são construídas com analogias, similaridades, extensões, integração, derivação de termos e muitas outras formas de linguagem figurativa. Mais conota do que denota. 44Ao mesmo tempo em que torna vaga e imprecisa a comunicação, é capaz de dar-lhe maior conteúdo emocional. Por isso está mais para o poeta do que para o cientista, embora este último muito se socorra desse recurso como meio de transmitir suas idéias.

A linguagem jurídica, por exemplo, é carregada de metáforas: “ O que o reclamante reivindica é indefensável”; “ O defendente ataca o que julga ser os pontos fracos da defesa”; “Este detalhe, na verdade, é o ponto capital da questão”. “ Estes argumentos não tem a menor condição de prosperar”. Etc.

Metáforas operam como pressuposições processadas em meta-níveis neurológicos (níveis mais profundos de pensamentos e sentimentos). Isso faz com que suas mensagens trabalhem de forma quase inconsciente. É uma linguagem entendida facilmente por ele.

O bom comunicador sabe utilizar de forma eficiente as metáforas, provocando na platéia uma espécie de transe, que acontece quando a mente do ouvinte é levada a acompanhar e integrar os elementos da mensagem com suas próprias experiências internas.

Elas são utilizadas principalmente para comunicar assuntos cujas referências simbólicas geralmente não se encontram no nosso consciente, razão pela qual os escritos religiosos estão carregados de metáforas, bem como os que tratam de assuntos esotéricos. Eis alguns exemplos extraídos do Novo Testamento: “ Deixai que os mortos enterrem seus mortos.” O céu se alegra mais por uma ovelha desgarrada que é recuperada do que pelas noventa e nove que não se desgarraram.” É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus.”

Toda profecia é construída com metáforas. É uma qualidade da mente que permite fazer projeções de acontecimentos futuros a partir de informações que já estão implícitas nos acontecimentos presentes. Não é, como é óbvio, uma antevisão de fatos futuros, porquanto o futuro, como realidade factual, ainda não existe no presente. Mas a mente, com as informações que têm no presente e com as tendências que nelas se observa, pode projetar visões muito aproximadas do porvir.

Em PNL costuma-se usar a metáfora para fazer uma pessoa associar-se com seu problema ou dissociar-se dele; descobrir suas fontes de recursos e

associá-lo a essas fontes; ajudá-lo a associar os recursos aos problemas e mostrar como usar esses recursos no futuro.

Eis alguns conselhos úteis para a formulação de uma boa metáfora:


Identifique a seqüência de comportamentos e os eventos que se relacionam ao problema.

Identifique as novas metas desejadas e as escolhas que você quer que a pessoa descubra.

Identifique os índices referenciais que usará para compor a metáfo-

ra.


Estabeleça isoformismo entre a situação e o comportamento do cliente e a situação e o comportamento dos “atores” da estória. Mapeie os verbos que estabelecem relações e interações.

Acesse caracteres e eventos que possam funcionar como fontes de recursos para a pessoa.

Use ambigüidades e citações diretas para quebrar a seqüência, se você notar resistência à estória.

Mantenha a ambigüidade o quanto for necessário para que você possa seguir o processo inconsciente da pessoa e no momento certo fazer as mudanças necessárias.

Projete uma ponte ao futuro se for necessário.
Exemplo. Suponha que uma pessoa lhe coloca o seguinte problema: “ Não consigo perdoar as pessoas que me enganam.” Você pode construir para ele metáforas assim:
Metáfora 1.
“Um lobo faminto procurava alimento quando viu uma cabra que pastava em cima de um rochedo bem escarpado. Percebendo que lhe era impossível subir até onde estava a cabra, gritou para ela, dizendo: “ Ó dona cabra, toma cuidado. Aí onde estás é muito perigoso. Basta um escorregão e Babau-Nicoláu. Porque não desces até aqui, onde é mais seguro e há capim bem mais farto e macio?”

A cabra respondeu: “ Te conheço, ó lobo malandro: a festa para a qual me convidas só a ti interessa.” E ficou lá, segura, em cima do rochedo, saboreando seu almoço, enquanto o lobo, lá em baixo, continuou faminto.”


Metáfora 2.
“ Uma raposa malandra vivia tentando invadir um galinheiro sem conseguir, pois as galinhas que ali viviam eram muito espertas. Um dia, ao saber que uma delas ficara doente, ela se vestiu de médico e bateu à porta do galinheiro pensando em se oferecer para medicá-la. As galinhas, enganadas pela aparência dela, abriram a porta e deixaram que ela entrasse.

Quando ele ia saltar sobre a mais próxima para devorá-la, o galo, que havia se escondido atrás da porta vibrou-lhe uma bela cacetada na nuca e ela caiu estatelada no chão. “Podes enganar os mais desavisados, disse ele, mas a quem está sempre alerta, não enganas não”.

A mensagem que se quer passar com essas metáforas é a seguinte: ninguém nos engana quando estamos bem informados a respeito das pessoas com quem estamos nos envolvendo. Se caímos em enganos, a culpa é nossa por não termos tomado as devidas precauções. Assim, quando tais experiências acontecem, devemos tomá-las como lições e não ficar ruminando o ódio por ter sido enganado.

Esse ódio pode ser um “programa” limitador de respostas eficientes, pois pode nos levar a generalizar a idéia de que todas as pessoas não merecem confiança.

Eu mesmo já tive uma amarga experiência desse tipo. Certa vez entreguei a direção de alguns empreendimentos meus a indivíduos sem a qualificação adequada e acabei tomando um prejuízo de mais de quinhentos mil reais.

Confesso que, em princípio, não pude deixar de sentir uma profunda raiva de quem me causou tão vultoso prejuízo, me fazendo perder, em menos de um ano, o que levara uma vida inteira para economizar. Mas logo me dei conta que a culpa não era das pessoas que eu contratara como gerentes, mas sim minha, pois fui eu que não soube escolher gestores competentes para o negócio. Em outras palavras, fui eu que fiz uma péssima escolha, por isso não tinha que ficar odiando ninguém. Tinha sim, que aprender a me informar melhor. Os tais sujeitos ainda freqüentam as minhas relações, mas hoje eu sei que não posso fazer determinados negócios com eles.

Ainda sobre a técnica da metáfora como recurso para ancorar “programas” de comportamento, é bom lembrar que o comunicador mais eficiente nessa técnica foi Jesus Cristo. A forma como ele construía metáforas, ou parábolas, como se costuma chamar as ilustrações que fazia de seus ensinamentos, se tornaram verdadeiros clássicos. Provavelmente foi essa forma de ensinar o principal segredo do seu magistério. Essa técnica o fez estimado até por aqueles que não acreditam na personalidade divina que lhe foi atribuída por seus seguidores. Ele é respeitado como um dos maiores mestres de todos os tempos por todas as pessoas, independente das crenças religiosas que professem.




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