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Transe hipnótico
Quando a mente consciente se ocupa inteiramente de um assunto, dize-

mos que ela está em transe.

Entramos em transe muitas vezes no dia. Ele nos ajuda na conservação da saúde mental, pois evita que a consciência se ocupe de várias coisas ao mesmo tempo, o que provocaria o descalabro da mente.

Na estrada, dirigindo o automóvel, muitas vezes entramos em um estado leve de transe. Nossa atenção está focada no que fazemos naquele momento. Por isso é que uma pessoa ao lado do motorista, tentando “comandá-lo”, pode lhe ser extremamente perigosa, pois um desses comandos pode tirá-lo abruptamente do transe e fazê-lo perder o controle.

No escritório, na oficina, executando um trabalho que nos envolve, estamos em transe, pois tudo que vemos, naquele momento é o que fazemos. O artista, quando mergulha na sua arte, entra em transe. Sua performance é tão mais perfeita, quanto mais fundo ele concentra sua atenção na obra que está executando.

Assim ocorre com todos nós. Melhor é o resultado do nosso trabalho quanto mais nos envolvemos nele. O verdadeiro poema é o espírito do poeta e verdadeiro barco é o seu construtor, disse com muita inspiração Ralph Valdo Emerson. E é verdade. Quando estamos fazendo alguma coisa que nos motiva intensamente, é comum esquecermos a fome, a dor, o cansaço, enfim, todos os “programas” operados pelo nosso sistema nervoso autônomo.

Todo sentimento experimentado de uma forma intensa, capaz de canalizar toda a nossa atenção para ele é transe. Medo, paixão, ódio, qualquer estado interno de violenta emoção é transe, ou seja, um estado hipnótico em que a atenção da mente consciente foi tomada por uma experiência interna mais envolvente. Isso explica inclusive a ausência de dor em estado hipnótico.

Em PNL a palavra transe designa uma mudança de estado de consciência. Podemos, nesses momentos de mudança, entrar em um circuito informativo de bio-feedback, para implantar, modificar ou atualizar “programas” que já não estão dando os resultados desejados ou melhorá-los, tornando-os mais eficientes.

Com essa técnica podemos, inclusive, se concentrar em funções do nosso corpo, especialmente as funções autônomas, para controlá-las. A redução do estresse, por exemplo, pode ser conseguida com a sua aplicação.

O transe é um estado de consciência receptivo que facilita em muito a comunicação. Bons comunicadores sabem como provocá-lo na platéia para facilitar a entrada de suas mensagens.

Ele afasta a mente da sua função argumentativa e crítica e a prepara para um estado de receptividade. Em estado normal a nossa mente opera de forma muito egoística. Normalmente, ela está centrada na noção do “eu”. Dessa forma procura sempre impor a sua própria tábua de valores no julgamento das informações que recebe. E quando ela não consegue se impor, quando a informação não está conforme o seu próprio “mapa”, existe sempre a possibilidade de instalação de um conflito na comunicação.

O transe hipnótico abre as portas da mente consciente, reduzindo a oposição que os preconceitos, o cinismo, o medo, o egoísmo, enfim todas as barreiras que o nosso ego costuma colocar como suposta defesa dos nossos “valores”, para impedir a entrada de outros que ele “julga” prejudiciais ao sistema como um todo.

Neste estado ficamos livres para “ouvir” a sabedoria do inconsciente sem a rígida censura da consciência. A entrada de informações, ou seja, a programação através da linguagem, fica mais fácil quando o ouvinte está em estado de transe. Isso é o que fazem as igrejas com as parábolas evocadas pelos padres e pastores, os terreiros de umbanda com seus tambores de percussão, as seitas esotéricas com seus mantras, os programas de relaxamento com suas músicas etc.

O transe hipnótico é uma técnica utilizada pela PNL para facilitar o trabalho de comunicação do programador com o inconsciente. Foi adaptada pelos praticantes de PNL a partir do trabalho do grande terapeuta Milton Erickson, que a utilizava para penetrar nos níveis mais profundos das experiências de seus clientes e ressignificá-las através de mensagens neurolingüísticas.

Dessa forma ele operava uma modificação no comportamento deles, trabalhando no mesmo nível em que eles eram gerados (geralmente o nível das crenças).

Hipnose
A palavra hipnose costuma despertar no público leigo uma desconfiança imerecida. Geralmente pensa-se que a hipnose coloca a mente do paciente sob o controle do hipnotizador. Mas isso não é verdade. A pessoa hipnotizada não perde o controle sobre sua mente, nem pode ser induzida a fazer nada que seja contrário às suas crenças e valores.

Em PNL não se utiliza o hipnotismo formal, mas apenas indução a transe para que se possa fazer a chamada pesquisa transderivacional, ou seja, penetrar no processo utilizado pela mente humana para transformar o significado de uma experiência sensitiva.

Como já dissemos anteriormente, todos os nossos “programas” neurológicos nos são implantados pela linguagem neurológica. Nesse processo, a mente, ao recepcionar uma mensagem, “interna-se” e busca no seu estoque de informações já processadas o necessário conhecimento para entender a nova informação. Nesse momento é possível “modificar o programa”, retirando, adicionando ou alterando a informação ali contida.

Os praticantes de PNL mais experientes e bem treinados costumam realizar um exercício chamado “reimprintig’ para realizar essa operação. O “reimprinting” é um exercício que oferece ao indivíduo a possibilidade de acessar uma experiência significativa no seu passado, na qual ele adquiriu uma crença, ou um conjunto de crenças, que no presente constitui limitação para ele. Através do “reimprinting”, o indivíduo acessa os recursos neurológicos necessários para mudar essas crenças e reorganizar a experiência de uma forma que ela se transforme em um recurso, ao invés de uma limitação.

A hipnose não opera em contradição à razão nem arrefece o controle da vontade do ouvinte. Pelo contrário, ajuda-o a acessar estados ricos de recursos, necessários para que ele possa aproveitar a nova informação e formatar “programas” mais eficientes.

Em termos neurológicos, ela ocorre no nível teta de sono, quando o nosso aparelho neurotransmissor está dominado pela química da acetilcholine, ao invés da norepinefrine, que são as duas substâncias produzidas pelo cérebro quando estamos imersos no mundo interior, ou com a atenção intensamente focada em algum acontecimento do mundo exterior, respectivamente.


Isso significa que hipnose não pode controlar a mente humana; ela apenas nos leva a focar a atenção, em determinado momento, em um só ponto, esquecendo todo o resto. Isso acontece muitas vezes conosco, automaticamente, quando estamos muito absorvidos em um determinado assunto ou atividade. Esquecemos do mundo, como diz popularmente.

Em outras palavras, podemos dizer que a capacidade de entrar em transe hipnótico é igual à nossa capacidade de abstração. Podemos usar vários estados de transe hipnótico para ativar nossos sentidos e fortalecer mente e corpo, pois a experiência hipnótica facilita a concentração de forças (mentais e físicas) em pontos localizados do organismo. Essa é, inclusive, a técnica utilizada pelos praticantes de ioga e outros exercícios de concentração mental para canalizar energias para um determinado local do organismo para fortalecê-lo.





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