Dados internacionais de Catalogação na Publicação (cip)



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O que modelar é uma questão de escolha comportamental. O que é necessário para resolver determinada questão que a vida nos coloca? Coragem, determinação, confiança, sensatez? Do que realmente precisamos?

A quem modelar envolve uma questão de crença. Se quisermos descobrir o que leva uma pessoa a fazer bem determinada coisa, daquela forma, precisamos saber no que ela acredita. Quais são seus elementos de convicção? Por que ela faz as coisas daquele modo?

Como modelar é uma questão de saber a forma de utilização dos recursos que ela tem à sua disposição, e o quanto consiste em saber em que quantidades utilizá-los.

Já o onde é o momento e o local certo de utilizá-los, pois não podemos desprezar o contexto e o ambiente em que as ações são realizadas. Por fim, a ordem denuncia a organização das etapas do processo. Tudo tem que ser meticulosamente estudado e seguido, para que o resultado possa ser obtido.

É como uma receita culinária. Certa vez fui morar em um apartamento com alguns colegas de trabalho. Um deles era um gaúcho que gostava de cozinhar nos fins de semana. Sua especialidade era o arroz de carreteiro. O arroz que ele fazia era tão bom, que um dia resolvi tentar aprender comoera feito. Anotei todos os ingredientes, as quantidades, o tempo de cocção, etc. Só não anotei a ordem em que ele levava os ingredientes ao fogo. Assim, nas primeiras tentativas de produzir o mesmo resultado que ele obtinha, falhei. Depois, ao assisti-lo cozinhar mais uma vez, verifiquei que a ordem em que ele dourava primeiro o bacon, depois o charque, depois acrescentava a cebola e os demais ingredientes, era de vital importância para que a mistura adquirisse aquele sabor tão agradável. Depois que consegui assimilar o ritual todo consegui, finalmente, produzir um arroz de carreteiro tão bom quanto o dele.

Aliás, todo ritual tem exatamente essa função. Trata-se de captar, através dos gestos medidos, da ordem estabelecida de comportamentos, a mágica do processo que produz um determinado resultado. Sucede que, às vezes, mesmo copiando à risca determinada receita, o resultado buscado não é conseguido.

Alguém poderá dizer que o que funciona para umas pessoas pode não funcionar com outras, ou então que não existe receita padrão que atenda a todas as pessoas, em todos os lugares e tempos. É verdade. Só que, nesse caso, não é a receita que falha, mas o executor. Foi ele que não escolheu o momento certo, ou calculou mal a quantidade dos ingredientes, ou os selecionou equivocadamente, ou então, se fez tudo isso certo, trabalhou com a pessoa errada, no lugar errado e no momento errado. Assim, se a receita pedir sal grosso não o substitua por sal refinado. Se pedir bacon não o troque por toucinho. Se a carne deve ser dourada durante 20 minutos, não o faça por quinze nem a deixe no fogo durante meia hora.

Aí, você poderá dizer: bem, “isso pode funcionar para fazer comida, mas quando se trata de assuntos mais complexos, como relacionar-se com as pessoas, administrar negócios ou mesmo lidar com as próprias emoções, a coisa é diferente”.

Claro que é. Mas não é por que sejam pessoas ou negócios, nem tem a ver com a complexidade da tarefa. A questão tem a ver com todos os processos cujas relações entre as ações precisem ser concatenadas em todos os níveis do sistema neurológico, para se obter um bom resultado. No meu caso, por exemplo, mesmo depois de conseguir reproduzir o arroz do meu amigo gaúcho, esse resultado teria sido inútil se eu o oferecesse a pessoas que não apreciam esse tipo de prato ou a quem eu o servisse já tivessem almoçado, (relação de tempo e espaço), ou ainda se elas tivessem alguma

Crença limitadora a respeito desse prato. ( engorda muito, por exemplo).

É a mesma coisa com relacionamentos, por exemplo: se você sabe que uma determinada moça gosta de rapazes atléticos ( porque acredita que esse é o tipo que pode fazê-la feliz), que resultado você conseguiria com ela modelando o tipo intelectual?
Todo comportamento é uma mensagem que pode ser expressa de várias formas: escrita, falada, através de um gráfico, uma gravura, um quadro, ou ainda de um gesto, uma postura, um movimento qualquer do corpo, etc. Dessa forma, um exercício de modelagem implica na observação atenta do modelo e na interpretação das pistas que ele oferece no seu comportamento quando está atuando. Através do mapeamento dessas pistas é possível compor uma rota do processo neural que o leva a fazer as coisas daquele modo e atingir aquele resultado.

Assim sendo, o exercício da modelagem compreende um conjunto de atitudes a ser tomada pelo modelador, E exige também um grande poder de observação, pois que ele precisa obrigatoriamente:



  1. Saber muito bem o que quer e o contexto em que se está;

  2. Não alimentar crenças que possam enfraquecer as ações;

  3. Pesquisar com muito cuidado e critério a história de vida do modelo;

  4. Descobrir quais são as crenças-chave dele; .

  5. Identificar as estratégias utilizadas por ele. ( que transparecem na linguagem e nas posturas que ele utiliza.)

  6. Verificar se tem recursos suficientes para ser capaz de reproduzir o comportamento.

É fácil perceber a importância desses detalhes. Afinal, de nada adiantará saber como uma pessoa altamente eficiente em alguma habilidade faz o que faz, se nós não tivermos confiança em nós mesmos, se não pudermos acreditar que também podemos atingir aquele resultado. Por outro lado, se nos pusermos a destacar as diferenças existentes entre nós e o modelo, acabaremos alimentando crenças que irão enfraquecer a nossa motivação para agir. Se ficarmos pensando que fulano fez determinada coisa, que obteve determinado resultado porque tinha certos atributos que nós não temos, então jamais conseguiremos motivação até mesmo para começar.

Da mesma forma é preciso não se enganar com o modelo escolhido. Muitas vezes o resultado que uma determinada pessoa obteve é um estrondoso sucesso no contexto em que ele vive, mas não serve para o nosso. A habilidade que fez de Pelé um semideus no Brasil e em boa parte do mundo, não é valorada da mesma forma na América do Norte onde o futebol não é o esporte mais popular; da mesma forma, um extraordinário jogador de basquetebol, como Magic Johnson ou Michael Jordan, não teriam feito no Brasil o mesmo sucesso que fizeram nos Estados Unidos, já que aqui o basquetebol não é tão apreciado quanto lá. (veja-se o caso do nosso Oscar, por exemplo).

É claro que a modelagem, por si só, não é uma técnica capaz de realizar milagres. Mas pode ser um veículo rápido e seguro para levar-nos a resultados que jamais pensaríamos ser capazes de produzir. Ela não pode fazer um paralítico andar, nem restituir a visão a um cego ou transformar um pobre diabo em milionário de uma hora para outra, mas pode nos ajudar a atingir um alto nível de eficiência na arte de produzir bons resultados.

E também de nada adianta treinar a mente se não tivermos uma fisiologia em condições de cumprir os comandos que ela nos dá. Os planos que a mente faz precisa de um corpo em condições físicas adequadas para realizar. Então é preciso treinar sempre, a mente e o corpo, de uma forma integrada e consciente, para que evoluam juntos e alimentem um ao outro, de forma concomitante.

Devemos ter em mente que os resultados dependerão sempre dos recursos que tivermos à nossa disposição e do contexto em que vivemos. Você não vai conseguir nunca se transformar num Pelé se nunca jogou futebol na vida, ou em um Michael Jordan se a sua altura é de apenas 1,60 metros. Também jamais será um Einstein, se o grande amor da sua vida nunca foi a física.

Ninguém repetirá, na íntegra, o sucesso do Bill Gates, ou Walt Disney, atuando no Brasil. Isso não será possível pela falta de um ambiente e de um contexto onde esse resultado possa ser reproduzido. No entanto, é possível para qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, maximizar os resultados nos seus próprios negócios, utilizando as estratégias que eles usaram. E

acho que é isso mesmo que todos nós queremos: sermos pessoas tão eficientes quanto eles, dentro dos nossos próprios parâmetros e contexto, e não um clone de nossos modelos. Até porque nossas necessidades e desejos podem não ser os mesmos.

Um bom programa de modelagem deve incluir vídeos, filmes, reportagens, enfim, todas as informações que se puder obter sobre a pessoa que se pretende modelar. Esses recursos são particularmente úteis, principalmente quando o modelo é uma pessoa a qual não temos acesso.

Será interessante verificar que a maioria das pessoas muito eficientes em qualquer modalidade, muitas vezes apresentará posturas semelhantes em face de situações idênticas. Não será comum vermos um Ermírio de Moraes, um Dalai Lama, um Steve Spielberg, um Bill Gates desesperado, descabelado, andando de um lado para outro em sua sala, reclamando, vociferando, com o cenho crispado; ou enterrado em sua cadeira, culpando Deus e o mundo, em face de um problema de difícil solução, de uma experiência que não deu certo, ou de uma decisão muito importante que tenham que tomar.

Assim sendo, congruência entre o estado interno que gera a resposta e a fisiologia que se requere para a execução do comportamento é essencial para ele atinja o resultamos que buscamos.




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