Dados internacionais de Catalogação na Publicação (cip)



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d- Os bons exemplos
Uma das mais interessantes características que notei nas pessoas que estavam progredindo na vida foi o fato de elas estarem constantemente comprometidas com alguma coisa.

Essas coisas eram valores que elas elegiam como objetivos que precisavam ser alcançados. Fosse um aumento de salário, ou uma escola melhor para os filhos, uma casa mais confortável para a família, ou um carro novo, eles estavam sempre comprometidos com algum resultado que pudesse ser medido em termos de progresso.

Assim, através das experiências diretas de vida ou por meio do conhecimento já codificado, eles iam aprendendo a vencer. E superavam os ambientes limitadores em que nasceram, construindo para si, suas famílias e para a sociedade, um mundo de bons valores, capaz de trazer melhor qualidade de vida, para si mesmos e para os seus. E, como vimos, quando se assume esse compromisso, a pessoa ingressa no nível mais sutil do processamento neurológico, pois suas respostas já não são emitidas apenas em função de uma necessidade singular de bem estar, mas também pelo sentimento de pertencer a um sistema maior que ele próprio. Além da sua própria crença e da personalidade forte que desenvolve, ele agora é guiado pelo sentimento de missão.

Na própria limitação do meu ambiente eu percebia que algumas pessoas melhoravam de vida e outras não. E todas, praticamente, tinham os mesmos recursos. Trabalhando como operário em uma fábrica, por exemplo, vi como alguns dos meus companheiros, ao cabo de algum tempo, já tinham obtido posições mais altas e ganhavam salários melhores. Com isso podiam fazer cursos de capacitação profissional e cada vez galgavam posições mais importantes nas empresas.

Muitos se tornavam supervisores de grupos e mais tarde chefes de seção. Outros acabavam saindo para montar as próprias empresas.

Vi também que não eram muitos os que assim faziam. A maioria preferia fazer só aquilo que o chefe ou o patrão mandava, e muitas vezes, com uma tremenda má vontade. Aguardavam ansiosamente o apito que encerrava a jornada diária de trabalho, como se ele fosse o som mais agradável que conheciam. Saiam correndo para marcar o cartão de ponto, como se estivessem sendo libertados de uma prisão. Viviam sonhando com o fim de semana para poder dormir um pouco mais, ou então poder “bater aquela bolinha” ou tomar aquela “cervejinha,” sem precisar se preocupar com o horário de levantar para trabalhar no dia seguinte. Para eles, o colega promovido era sempre um “puxa-saco”, um “dedo duro”, capacho do patrão. Não conseguiam aceitar a idéia de que uma promoção pudesse ser conquistada por alguma qualidade pessoal demonstrada pelos resultados obtidos, mas sim por alguma forma de bajulação praticada.

Comecei a perceber o quanto se pode fazer com a adoção de exemplos encorajadores, com a modelagem de comportamentos bem sucedidos. O quanto podia encurtar o caminho, o quanto menos erraria se não adotasse a filosofia dos meus amigos de que “só se aprende fazendo, ainda que fosse fazendo errado”.

Se alguém estava fazendo certo, por que não aprender com eles? Foi então que percebi que os bons resultados que eles obtinham era fruto demuita determinação, muita vontade, muita disciplina e principalmente, estudo e trabalho.

Mas as coisas não acontecem de um dia para o outro. Quando se começa do nada, a escalada é longa e árdua. A minha auto-estima só começou a crescer quando algumas coisas na minha vida começaram a dar resultado. Depois de fazer o primeiro curso profissionalizante, por exemplo, e obter uma colocação melhor; depois de conseguir um salário maior; depois de começar a me vestir com mais apuro; depois de conseguir atrair a atenção de alguma garota; depois de notar que eu conquistara algum respeito por parte das outras pessoas.

Notei, que à medida que eu ia fazendo as coisas e conseguia obter resultados bons, eu ia adquirindo confiança, e os mitos limitadores que infernizaram a minha infância e adolescência, pouco a pouco, estavam sendo derrubados. Quem diria que eu seria capaz de falar em público, por exemplo? Eu, cuja vergonha de abrir a boca até para perguntar alguma coisa em classe me fez passar noites em claro, tentando entender sozinho o que o professor tinha dito... Eu, cujo temor de parecer ridículo me afastou da maioria das garotas que sonhei namorar quando adolescente.... No entanto, ao cabo de algum tempo, lá estava eu dando aulas a rapazes e moças, praticamente da minha idade, em classes com mais de cem alunos. E logo encontrei a garota com quem me casaria e manteria um maravilhoso relacionamento por quase vinte e cinco anos, que só terminou com o falecimento dela.

O desenvolvimento neurológico que conduz ao sucesso acaba se tornando um processo que gera sua própria energia e alimenta a si mesmo. Quando esse processo se torna automático, isto é, quando o ser humano entra no círculo virtuoso que lhe garante respostas cada vez mais eficientes, ele atinge obrigatoriamente a fase mais sutil do processamento, que é aquela na qual transcendemos para algo mais que um organismo em busca da melhor resposta. É a fase da superação, pura e simples, das nossas faculdades psíquicas, para o desenvolvimento do nosso ser em uma esfera de interesses sublimados, que podemos chamar de espiritual.

Acredito que é pelo processamento da informação na esfera mais sutil do sistema neurológico que o ser humano “gera” um espírito, transcendendo a sua condição de mero ser biológico para algo maior, tornando-se, na bela expressão de Teilhard de Chardin um “obreiro do universo”, passando de criatura a criador. Esse desenvolvimento se dá através da sublimação da nossa personalidade, quando a ela se integram os componentes transcendentais da espiritualidade.

Por isso é que eu entendo que personalidade, missão e espírito são níveis de transcendência nos quais a experiência neurológica do ser humano se desenvolve e se completa, para.dar a ele a noção inteira do “ser”. É a partir desse nível que ele transcende da condição de mero organismo que luta para superar os desafios da vida, para algo maior, que podemos chamar de espiritualidade.
Crenças são pressupostos que admitimos como verdades incontestes. Geralmente são “programas” que são induzidos pela cultura em que somos educados.

Há crenças que nos ajudam a encontrar respostas eficientes para os problemas da vida e outras que nos prejudicam nessa escolha.





Aprendizagem, memória. Processamento secundário de informações - habilidade/ capacidade




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