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A educação

Talvez a minha sorte, além de ter conhecido o senhor Álvaro de Campos Carneiro, autor de uma das mais meritórias obras humanas de Mogi das Cruzes, foi o fato de ter ido, aos doze anos, trabalhar como “office-boy” de outra figura ímpar em nossa cidade, o Professor Franz Steiner. Ele nunca me falou diretamente sobre suas crenças, nem me deu qualquer conselho ou lição de vida diretamente. No entanto, como eu ficava numa salinha ao lado da dele, sempre ouvia suas conversas com seus amigos e clientes.

O Professor Steiner era membro atuante da maçonaria e realmente acreditava nos postulados éticos e morais que aquela fraternidade propaga. Não é o momento aqui para falar nesses assuntos, mas posso dizer que eu nunca me esqueci de alguns enunciados que ouvi do velho professor alemão. Eram coisas como “estudar sempre para não ter que acreditar em besteiras, procurar ser justo e perfeito em todos os nossos atos”, “evitar preconceitos, manter a mente aberta para as novidades”, etc.

Muitas vezes ouvi o Professor Steiner dizer que pobreza não era defeito, defeito era se conformar com ela. Um dia, percebendo a minha vontade de estudar, ele me deu alguns livros. Eram livros didáticos, que se referiam a matérias ensinadas nos graus do antigo ginásio, que então eu não tinha condições para freqüentar, e muitos outros que eu não conseguia entender.

Mas ainda assim consegui aprender muita coisa neles. Aprendi geografia, e através deles viajei por todos os países do mundo; conheci os povos da terra e seus costumes, tudo através dos textos e gravuras existentes naqueles livros. Penetrei no mundo da história dos povos. Descobri os rudimentos das leis físicas e químicas que regem a formação do universo. Tornei-me capaz de ler e compreender muita coisa que antes nem sabia que existia. Adquiri capacidade de linguagem.

Como se diz em PNL, saí do estágio da incompetência inconsciente para o estágio de incompetência consciente, mas com um grande desejo de saber o que mais havia naquele território que se apresentava, ainda desorganizado, aos meus olhos de menino.

Eu não sabia disso então, mas essa era uma atitude PNL. Eu passara a olhar o mundo por um prisma de fascinação, humildade e respeito, pressentindo que, para além dos limites da minha pobre visão de garoto, havia um universo muito maior, que um dia eu visitaria na condição de parceiro.

Minha visão das coisas mudou. De repente eu me vi contestando as crenças limitantes da minha mãe, o irritante conformismo dos meus irmãos e a alienação dos meus amigos. Quando a primeira oportunidade de voltar à escola se me apresentou, eu não tive dúvidas Voltei a estudar regularmente. Com vinte e sete anos consegui meu primeiro diploma universitário. Desde então nunca mais parei de tentar aprender alguma coisa.






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