Dados internacionais de Catalogação na Publicação (cip)


CAPÍTULO 10 O PODER DA CRENÇA



Baixar 1,42 Mb.
Página64/126
Encontro06.04.2018
Tamanho1,42 Mb.
1   ...   60   61   62   63   64   65   66   67   ...   126
CAPÍTULO 10
O PODER DA CRENÇA
E eis que uma mulher que havia já doze anos padecia de um fluxo de sangue, chegando por detrás dele, tocou a orla do seu vestido; Porque dizia consigo: Se eu tão somente tocar o seu vestido ficarei sã. E Jesus, voltando-se, disse: Têm ânimo filha, a tua fé te salvou. E imediatamente a mulher ficou sã.”

Mateus, 9:21,22



Os porquês da vida
Por que nos sentimos capazes de realizar determinadas coisas e não outras? Por que nos envolvemos com determinadas pessoas e com outras não? Porque nos motivamos para algumas finalidades e não para outras? A resposta é simples: porque em umas acreditamos, em outras não.

As crenças que desenvolvemos na vida têm o dom de nos impulsionar para a consecução de objetivos grandiosos, ou podem impedir que realizemos até os nossos menores sonhos. Por isso, toda vez que você for traçar algum objetivo, seja ele qual for, verifique primeiro quais são as suas crenças a respeito.

Afinal de contas, que motivação poderá ter alguém para realizar alguma coisa em que não acredita? Seria a mesma coisa que pedir a um iraquiano que lute pelos valores da sociedade ocidental, ou a um americano que morra pelas crenças muçulmanas.

É possível levar uma pessoa egoísta, que só vê o próprio umbigo, a trabalhar por uma causa comunitária? Certamente que não, enquanto essa pessoa não acreditar em tais causas.

As crenças respondem aos porquês da vida. Se quisermos saber a razão de as pessoas fazerem determinadas coisas, perguntemos primeiro no que elas acreditam.

Se não estamos conseguindo obter resultados satisfatórios em nossas vidas, a primeira coisa a fazer é analisar o nosso sistema de crenças. Essa análise nos mostrará a razão de não estarmos atingindo nossos objetivos.

Em toda crença está embutida o efeito placebo, que é o efeito que faz a nossa mente acreditar que uma droga produz resultados, mesmo quando não contém princípio ativo nenhum. O efeito placebo é um dos mais poderosos princípios utilizados pela medicina. Ele diz que “ o remédio pode não fazer efeito, mas a crença de que ele cura, faz”. É a mais pura verdade. O efeito placebo é o grande aliado dos médicos.

Jesus disse que a fé podia mover montanhas. É claro que ele não estava dizendo que bastaria alguém acreditar nisso e dizer: “sai daqui, lança-te ao mar”, para que vários milhões de toneladas de terra e pedra se descolassem da superfície e saíssem voando em direção ao mar. O que ele quis dizer é que o ser humano, a partir das crenças que adotasse, poderia mover montanhas de impossibilidades.

E isso é tão possível quanto mudar o curso de um rio, erguer uma muralha em volta da China ou cavar um túnel sob o Canal da Mancha. Aliás, por centenas de anos franceses e ingleses sonharam com uma ligação terrestre entre os dois países, mas ninguém acreditava que isso fosse possível até que alguém realizou a empreitada.

As nossas crenças podem, e é o seu poder que nos leva a aumentar o leque das nossas possibilidades de sucesso em qualquer empreitada, ou a ampliar o nosso território de limitações.

Não devemos começar nenhuma empreitada se não tivermos uma crença inabalável no sucesso dela. Que soldado teria coragem para entrar em combate, se seu comandante lhe dissesse que a batalha não pode ser ganha? Todo bom político sabe que não deve admitir a derrota antes de o povo começar a votar. Se o fizer desanimará seus possíveis eleitores. Ele sempre tem que acreditar que pode ganhar, mesmo que todas as pesquisas mostrem que ele não tem possibilidade alguma.

Crenças não são conceitos estáticos, que podem ser divorciados do processo dialético que faz nossa mente funcionar. Elas moldam nossos comportamentos à procura de resultados e são formadas como conseqüência desses resultados.

Elas são, na verdade, resultados que produzem resultados. Se alguém, por exemplo, acredita que Deus deu a todos uma medida de capacidade para produzir sucessos, ele sabe que será bem sucedido em algum momento em sua vida. Jamais descorçoará, ainda que os bons resultados demorem para acontecer. Se, ao invés, acreditar que existe um destino já traçado e que tudo na vida está submetido a uma inexorável fatalidade, então que motivação terá para lutar contra as adversidades.
Quanto mais forte for a nossa crença de que temos os recursos necessários para realizar os nossos objetivos, maior será a nossa possibilidade de sucesso. Agora, se acreditarmos que Deus concede apenas a alguns a faculdade de ser bem sucedido, e a outros só resta uma conformidade lastimosa, então quais serão nossos modelos mentais, senão imensos domínios de impossibilidades?

Para quem acredita que Deus é capaz de tal seleção, todos os programas de aperfeiçoamento pessoal, todas as esperanças de progresso, todas as estratégias de luta contra a pobreza e a ignorância, bem como qualquer possibilidade de ascensão social amparada na força do trabalho e do esforço pessoal, não passam de tautologias31 desenvolvidas pelos arautos da chamada filosofia do “self made man32, a serviço do capitalismo selvagem, para enganar as pessoas e fazê-las crer que não existem injustiças no sistema.

Injustiças existem sim, mas estas, como todas as obras humanas, são resultado de “programas” ineficientes, operados por pessoas que deveriam ser mais competentes na administração da coisa pública. E se assim são, também podem ser modificados, cancelados, eliminados. O que não podemos é pensar que nada se pode fazer a respeito. Essa, sim, é uma péssima crença.
As crenças são os filtros que purificam as nossas experiências de vida. Como filtros, elas são úteis e necessárias, pois se elas não exercessem esse controle qualitativo sobre as mensagens que os sentidos enviam ao nosso sistema neurológico, a nossa vida social seria um completo descalabro. Dela seriam banidas a moral, a ética, a religião, a filosofia e toda noção de limites e regras de controle do comportamento humano, colocando-nos, de novo, na categoria de animais inferiores, que agem por puro instinto.

As crenças que adotamos na vida são as bases do nosso poder realizador. São elas que regulam a força das nossas atitudes e a determinação com que nos empenhamos na realização de nossos objetivos.

Uma crença, na verdade, é um princípio que orienta, norteia, dirige um comportamento. Quando a ela é vinculada uma paixão, uma determinação, um sentido de missão na vida, tanto pode conduzir a atos heróicos e comportamentos sublimados como os dos primeiros cristãos, quanto a monstruosidades políticas como as cometidas pelos nazistas ou pelos bôeres33, na África do Sul.




Compartilhe com seus amigos:
1   ...   60   61   62   63   64   65   66   67   ...   126


©psicod.org 2019
enviar mensagem

    Página principal