Dados internacionais de Catalogação na Publicação (cip)



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Primeira camada: correspondente às etapas mais primitivas do cérebro, identificadas com o período do réptil. Aqui as respostas são geradas no nível mais baixo do processamento neurológico (nível de ambiente e comportamento). São, em sua maioria, sinestesias geradas pelos instintos primários, presentes em todas as espécies. Trata-se de ações instintivas como correr, bater, urrar, dormir, cuspir, salivar, morder, excretar, caçar, fugir, etc., cujas informações “programas” já estão presente na própria estrutura neural dos indivíduos como herança biológica da espécie (respostas instintivas).
Segunda camada: corresponde às etapas intermediárias do desenvolvimento cerebral, identificadas com o aparecimento das espécies mamíferas. Quando essas espécies chegaram ao mundo, novas camadas neurais foram adicionadas aos seus cérebros, formando uma orla em torno do tronco cerebral. Essa orla recebeu o nome de “limbus”, ou sistema límbico. Essa camada é identificada como o centro de processamento das emoções. O sistema límbico corresponde ao nível neurológico das habilidades/capa -cidades, pois sendo o centro de processamento da memória e da aprendizagem, é ele que responde pela informação que nos faz mais ou menos eficientes nas respostas que damos à vida.

Na verdade, a aprendizagem e a memória são ferramentas que o sistema límbico desenvolveu quando o cérebro humano cruzou o limite neurológico que distingue um comportamento instintivo de uma resposta preparada.

Foi essa distinção que permitiu ao ser humano ampliar seu arsenal de respostas e aprimorar a qualidade delas.

O sistema límbico possui filtros que permitem identificar as opções de respostas que melhor atendem as nossas finalidades. Esses filtros estão localizados na amígdala cortical e no hipocampo, dois importantes centros de processamento neurológico.

A amígdala é a responsável pelos nossos sentimentos e o hipocampo pela análise que a mente faz deles. Sua remoção pode causar o que ele chama de “cegueira afetiva”, distúrbio que se nota em indivíduos frios, incapazes de se emocionar.
Terceira camada: A terceira camada, identificada com o neocórtex, é a sede do pensamento mais elaborado. Constitui-se de uma tênue capa de neurônios que é responsável pela compreensão dos pensamentos. Ali se processa o que podemos chamar de metalinguagem, ou seja, a linguagem que “explica” o que pensamos e sentimos.25

Essa é uma atividade neurológica de nível superior, que nos faz transcender da atividade psíquica simples para uma esfera mais alta, que se identifica com o nível da espiritualidade. Nessa camada, em sua base, iremos encontrar aquilo que chamamos de filosofia, arte, valores, simbologia, crenças, religião, enfim, todos os elementos que nos dão a qualidade de “ser humano” em sua totalidade.


A adição do neocortéx ao cérebro humano e o desenvolvimento de suas funções correspondem ao que o filósofo Teilhard de Chardin chamou de “segunda emergência descontínua” no processo de evolução da espécie humana, ou seja, o momento mágico em que a natureza resolveu distingui-la das demais espécies, conferindo-lhe a habilidade de refletir.26

Ambiente

A estrutura neurológica do ser humano se forma a partir do ambiente. Neste nível, ele reage aos estímulos do mundo exterior, localizando a si mesmo no tempo e no espaço como criatura pertencente a um sistema, que nele tem um reflexo. Aprender a viver e a evoluir nesse ambiente é a primeira fase da aprendizagem do ser humano. Ou ele aprende a responder com eficiência aos desafios a que é submetido no ambiente em que vive, ou dele é expulso em conseqüência da aplicação da lei dos revesamentos.27

Começa pelo fato de sermos todos produtos de uma mesma matriz geradora: a mãe natureza. A todos nós ela prodigaliza, já de início, um padrão comum de informação que se expressa pela capacidade de sentir e responder aos desafios que a vida lhe coloca. É um padrão que consiste na habilidade inata que toda espécie tem para prover os meios necessários à sua subsistência e adaptar-se às mudanças do ambiente, promovendo em sua estrutura biológica as transformações que esse processo de adaptação requer.

Essa informação nos vem como herança genética, e vai sendo enrique-cida através da experiência realizada pela espécie, em milhões de anos de interação com o meio que a cerca, produzindo respostas aos desafios a que é submetida. Esse enriquecimento funciona como uma adição às suas habilidades, obtida pelo progresso feito por cada organismo em particular, nas respostas que oferece a esses desafios.

Assim, a melhoria constante na qualidade da resposta pode ser considerada como o percentual de qualidade que cada indivíduo, em particular, acrescenta à evolução da sua espécie. É esse acréscimo que a socorre nos momentos em que os acontecimentos dela exigem um dispêndio maior de energia, ou seja, nas oportunidades em que ela é ameaçada de extinção.

Os organismos que conseguem obter tais resultados são exatamente aqueles que sobrevivem e se adaptam mais facilmente às mudanças ambientais, prosseguindo em suas escaladas evolutivas, enquanto os que falham são aquele que irão engrossar o rol das espécies extintas.






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