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CAPÍTULO 9 O PLANO MATERIAL



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CAPÍTULO 9
O PLANO MATERIAL
O espírito humano avança, devagar, incansável, desde o princípio, corporificando em acontecimentos apropriados, todas as capacidades, todas as emoções, todos os pensamentos que lhe são inerentes.”

Ralph Waldo Emerson – Ensaios, pg. 43


Níveis de processamento
Na estrutura do sistema neurológico é possível perceber três níveis de processamento nos quais a informação que comanda a atividade humana é gerada, processada e refinada, fazendo de nós o que somos: Nela encontraremos um nível físico – compreendido pelo cérebro e rede neural – um nível psíquico, que compreende os processos mentais que originam os nossos pensamentos e sentimentos e um nível espiritual, camada mais sutil do processamento, na qual o ser humano se integra a uma realidade maior que transcende a sua própria condição de criatura humana.

Nesses três níveis, a informação é organizada em funções hierarquizadas, de forma que cada nível imediatamente acima seja responsável pela organização da informação no nível imediatamente inferior.

Assim, o sistema neurológico é estruturado para emitir respostas numa seqüência lógica que integra uma reação (ambiente), uma ação (comportamento), uma forma (habilidade/capacidade), uma motivação (crença), uma razão psíquica (identidade), e uma razão transcendental (espírito).

Essas respostas também podem ser formuladas lingüisticamente na seguinte seqüência:

– Quando e onde devo responder? (ambiente, contexto)

– O que devo responder ? ( comportamentos, ações)

– Como devo responder? ( capacidades, habilidades)

– Por que devo responder assim? (crenças, valores)

– Para que devo responder assim? ( identidade, missão)

– Para quem faço isso? ( espírito, sistema)

Como se pode notar, essa é uma estrutura que se organiza de baixo para cima, refinando, em cada nível, a informação. É esse processamento que instrui a nossa aprendizagem como seres humanos, fazendo de nós uma presença ativa no universo, não só como algo pertencente a um siste-

ma, mas, principalmente, como um agente de mudanças dentro dele.

Nesses três níveis de processamento neurológico, a informação pode ser classificada por graus de sutileza e refinamento. Assim, em primeiro nível, que chamaríamos de físico, podemos identificar o ambiente, os comportamentos e as capacidades, que constituem a parte visível do processamento neurológico.

Com efeito, a nível de ambiente, podemos observar quando e onde estamos respondendo. Essas respostas são ações comportamentais que praticamos segundo o nosso nível de capacidade para responder. Refletem a qualidade da aprendizagem neurológica que tivemos, e determinam o quanto aprendemos a ser eficientes nessa função.

Por seu turno, a nossa capacidade de resposta é determinada pelo nosso nível de crenças e valores. São estes que fornecem o motivo e o reforço para nossas ações. Por que escolhemos certas respostas e não outras, porque atuamos com mais eficiência em certas ações e menos em outras, enfim, porque fazemos o que fazemos na vida. Este é o segundo nível, que chamamos de psíquico, pois é nele que justificamos o motivo das nossas ações. Neste nível respondemos à pergunta: por que agimos dessa forma?

Nossas crenças e valores são informações que se processam em nível de personalidade. A informação, neste plano, reflete uma grande sutileza de refinamento. É nele que o ser humano se identifica, não mais como mero organismo que reage aos estímulos do ambiente com respostas específicas, lógicas e motivadas, próprias da sua espécie, mas também como ser que tem consciência de um processo que o individualiza e o motiva a responder de certa maneira. Ele aqui sabe o porquê da resposta e o motivo dela ser emitida daquela forma.

Num nível mais acima, que chamaremos de espiritual, o ser humano se interroga do real motivo da sua existência, ou seja, da sua missão, da real relação de pertencialidade22 que ele tem com o sistema. Quando nossas ações atingem essa culminância, quando elas são geradas para atender a um interesse maior que a mera satisfação dos desejos e necessidades do indivíduo, quando realmente nossas motivações se alicerçam em razões que transcendem as necessidades do próprio ego, a atividade psíquica realizada pela nossa mente sublima-se em espírito.

A importância dessa classificação da nossa atividade neurológica, como

bem assinalou Gregory Bateson,23 é saber em que níveis neurológicos as

informações são processadas. Com essa sabedoria, é possível às pessoas atuar conscientemente nessa organização e conseqüentemente, produzir respostas mais qualitativas e eficientes.

Daniel Goleman, ao escrever sobre o funcionamento do cérebro humano, identificou três estruturas de processamento neurológico que podem ser resumidas da seguinte forma:24




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