Dados internacionais de Catalogação na Publicação (cip)


O quanto você está disposto a mudar



Baixar 1,42 Mb.
Página51/126
Encontro06.04.2018
Tamanho1,42 Mb.
1   ...   47   48   49   50   51   52   53   54   ...   126
O quanto você está disposto a mudar?
Eis uma estória para ilustrar
“Há muitos anos atrás, quando não havia shopping-centers e outros meios modernos de comercialização de produtos, tudo era vendido através de mascates. Os mascates eram vendedores que iam de porta em porta, carregando uma mala enorme nas costas, cheia de bugigangas de todos os tipos, oferecendo-as às pessoas.

Houve nesse tempo um velho senhor que andava pelas cidades vendendo suas mercadorias. Todo mundo o conhecia. Carregando uma enorme mala surrada, ele ia batendo de porta em porta, oferecendo seus produtos às pessoas.

De dia divertia as donas de casa com fábulas e promessas, e à noite também era visto pelos bares noturnos, incomodando os bêbados e os boêmios com suas estórias malucas.

O velho mascate tinha uma particularidade muito interessante: costumava dizer a todo mundo que na sua mala as pessoas encontrariam justamente o produto que elas estavam precisando, e que ele sabia exatamente o que cada cliente iria necessitar no momento seguinte.

Na verdade, dentro de sua surrada mala havia de tudo. Vidros de cola, passagens de ônibus, lâminas de barbear, escovas, tesouras, livros, lanternas, etc. Muita gente comprava seus produtos mais por enfado do que por necessidade. Geralmente o faziam só para se livrarem dele, pois o velho mascate era realmente um sujeito muito insistente.

Aconteciam, às vezes, coisas interessantes com as pessoas que compravam seus produtos. Uma delas foi um homem que ele encontrou num bar. Tratava-se de um sujeito que estava desempregado há muito tempo. Já até desistira de procurar trabalho, e agora sua vida se limitava a andar pelos bares, bebendo. Há mais de um ano que ele mandava currículos para todas as empresas do país e nunca recebera resposta.

Então, em uma noite, no bar, ele encontrou o velho mascate que lhe ofereceu uma passagem de ônibus para uma determinada cidade, da qual nunca ouvira falar. E tanto insistiu para que ele ficasse com ela, que o homem acabou comprando-a só para se livrar do velho. Quando chegou em casa, a primeira coisa que notou foi o telegrama que estava em baixo da porta.

Abriu-o e viu que se tratava de uma oferta de trabalho, feita por uma grande empresa. E era uma excelente oferta. Sentou-se na cama e chorou, tal era sua alegria, pois já havia perdido a esperança de voltar ao mercado de trabalho. E foi então que ele lembrou-se da passagem de ônibus que o velho mascate lhe vendera. Quando viu para onde era, surpresa! Pois era exatamente para a cidade onde ficava a empresa que lhe fizera a oferta!

Outro caso estranho foi o de um homem chamado Madoval. Esse era um homem difícil. Brigão, mal humorado, desagradável, um péssimo caráter. Quando o velho mascate ofereceu-lhe uma tesoura, dizendo que esse era exatamente o produto que ele iria precisar naquela noite, o valentão quase o agrediu. “Para que vou querer essa porcaria, seu velho idiota?”, respondeu com mal disfarçada impaciência. E empurrando com violência o ancião, saiu do bar cambaleando.

Madoval morava num antigo prédio quase em ruínas. Há muito tempo que ninguém fazia manutenção nos elevadores. E o seu apartamento ficava no último andar. Cambaleante, entrou no elevador desengonçado e apertou o botão do seu andar. Tão bêbado estava, que não notou que a sua gravata ficara presa num vão da porta.

Quando o elevador começou a subir, ele sentiu que o seu pescoço estava sendo apertado. Tentou desesperadamente desenroscar a gravata, mas ela não se soltou de jeito nenhum. “A última imagem que se formou em sua mente, antes de morrer enforcado, foi a do rosto do velho mascate lhe oferecendo uma tesoura.”
Assim é a vida. Ela é como um velho mascate com sua mala cheia de bugigangas. A cada momento nos oferece as experiências mais variadas. Temos que estar atentos para saber o que elas nos trazem de utilidade. Se desprezarmos os conselhos que nos dão, os avisos que nos fazem, as coisas

que nos são ensinadas, pensando que jamais iremos precisar delas, poderemos, um dia, ficar na situação do sujeito enforcado pela gravata. Por outro lado, se recebermos com respeito, com carinho, com fascinação e interesse todas as informações que nos chegam aos sentidos, mesmo que no momento não estejamos precisando delas, elas sempre estarão à nossa disposição, como recursos que poderão ser utilizados numa situação difícil.

Todas as experiências da vida, sejam quais forem, podem e devem ser transformadas em excelentes oportunidades de aprendizagem. Cada uma delas nos proporciona uma escolha, uma opção de comportamento a mais, em nosso acervo de possibilidades. Todas “informam” o nosso sistema neurológico. Cabe a nós aprender a processar adequadamente essas informações. Portanto, esteja sempre alerta e mantenha todos os sentidos abertos.

Adaptei essa estória de um velho filme que vi quando era criança. Era um filme da série “Além da Imaginação”. Lembro-me de outro filme da série que mostrava um sujeito que só conseguia viver no tempo que ele mesmo criava. A cada dia que acordava, repetia fatalmente as mesmas ações, tinha os mesmos pensamentos e acabava chegando sempre aos mesmos resultados. Não conseguia sair do círculo temporal em que sua mente tinha sido capturada. Vivia o inferno do eterno retorno, idéia que a mente febril do filósofo alemão, Nietzsche, transformou numa curiosa questão filosófica.

Era uma interessante ficção, mas pensando bem, há muitas pessoas assim no mundo, que se deixam aprisionar num determinado tempo e num determinado contexto, sem conseguir escapar deles. São pessoas que só sabem dizer que no seu tempo é que as coisas eram boas, só o seu jeito de fazer as coisas é certo, somente elas marcham corretamente no batalhão, e todos os demais soldados marcham errados. Você é assim? Então este texto é para você.
No seu tempo é que era bom?”

“Você é daqueles que vivem dizendo que no seu tempo é que era bom? Então pense no seguinte. A qualidade de vida de uma pessoa pode estar vinculada à sua capacidade de adaptação às mudanças. Quantos indivíduos você não conhece que passaram a vida inteira fazendo as coisas sempre do mesmo jeito e, um dia, quando perceberam que seus métodos já não funcionavam, caíram em depressão?

É o que acontece com muitos profissionais, por exemplo. Recusam-se a aprender coisas novas, a testar novas fórmulas, a procurar novos caminhos, achando que sabem tudo, que seus métodos jamais serão superados.

Há empresários que pensam assim também. Acham que seus produtos nunca precisam de aperfeiçoamento, que jamais sairão de linha, que sempre terão mercado. Quando descobrem que estão errados, já faliram.

Nós também somos parecidos com produtos. Todos vivemos uma época áurea, em que agimos e pensamos de acordo com as exigências do mercado. Isso acontece entre os vinte e os quarenta anos, geralmente. É durante esse intervalo da vida que fixamos os nossos gostos musicais, as nossas preferências por um determinado estilo de vida, as nossas crenças acerca do que é bom ou ruim. E quando esse tempo passa, quando percebemos que as músicas que gostamos já não são tocadas, as roupas que usamos já saíram da moda, que o “papo” nas rodinhas é outro e as nossas expressões lingüísticas já não são entendidas pela nova geração, o que fica é uma nostalgia que vive a nos dizer que “naquele tempo é que era bom”...

Nosso tempo é aquele em que estamos vivendo. E ele se torna cada vez mais nosso, quanto mais participamos dos acontecimentos, quanto mais fazemos diferença na história que está sendo escrita naquele intervalo. O passado, se foi bom, se foi pródigo em experiências bem sucedidas, pode nos dar pistas seguras para o sucesso; se por outro lado, nossa contabilidade de experiências mostra uma quantidade maior de maus resultados, temos ai um belo exemplo de como não fazer certas coisas.

Se você é uma dessas pessoas que costuma se aborrecer quando não encontra sua pasta de dentes no mesmo lugar de todos os dias; se você é daqueles que acham que a música de antigamente era melhor do que a de hoje; que ontem se jogava melhor futebol do que hoje; que no passado as pessoas tinham mais educação, que a vida era mais fácil, que tudo era melhor em outros tempos, então este conselho é para você. Lembre-se que a terra gira e se movimenta no espaço. Ela nunca está no mesmo lugar em que esteve antes.

As pessoas são diferentes hoje e se você fincar pé nessas opiniões é bem provável que não consiga se entender nem com seus próprios filhos. Eles estão crescendo em ambiente diferente do que aquele que você cresceu. São novas informações, outros valores, outros desejos, expectativas próprias e diversas. Você não pode reproduzir para eles o mesmo ambiente em que você cresceu, não pode fazer com que eles sintam as coisas da mesma forma que você sentiu.

O tempo não muda. Ele se movimenta no espaço e nos carrega junto com ele por um determinado pedaço de caminho. Só que, em cada pedaço desse caminho ele exige um palco, uma peça e atores diferentes. E em cada peça, os atores precisam, às vezes, trocar de roupa e de papéis para realizarem, com eficiência, o seu trabalho.

Até as células do seu corpo mudam constantemente. Enquanto você dorme, uma imensa quantidade delas está sendo eliminada e outras estão sendo repostas. Se biologicamente, você não é a mesma pessoa todos os dias, por que você acha que precisa pensar sempre do mesmo jeito, ter sempre a mesma visão das coisas, praticar os mesmos comportamentos, mesmo quando sabe que eles não produzem mais os mesmos bons resultados de antes?

Não pense que isso é ser coerente. Coerência não significa manter fidelidade a padrões que já não mais produzem resultados. A boa coerência é manter congruência entre o que você pensa e o que você faz. Entre o seu mundo interno e o seu mundo externo.

Então, mexa-se, olhe, pense, veja, sinta os aromas, toque nas coisas, viva o tempo em que você está. Você não pode viver no passado nem no futuro. Tudo muda, todos os dias há alguma coisa nova no ambiente em que você se movimenta. Não deixe que as coisas fiquem completamente estranhas para você se dar conta de que elas mudaram. Acompanhe o ritmo da vida. Não seja como as pessoas que gostam de fazer excursões rápidas por vários países diferentes, em poucos dias. Quando elas aprendem a dizer bom dia em francês, já estão na Inglaterra. Dizem bonjour às pessoas e elas respondem good morning; quando aprendem a dizer good morning, as pessoas lhes respondem buom giorno. Quando aprendem a dizer buom giorno, a resposta que recebem é buenos dias...

Outra coisa: se você é daqueles que costumam acordar de mau humor todos os dias, saiba que isso também é hábito. Você pode mudar isso. Levante cedo como fazem os passarinhos, cantarole ou assobie uma melodia enquanto faz a barba, ou se maquia, ou toma uma ducha. Sente-se à mesa para o café com um largo sorriso nos lábios. Cumprimente as crianças, os irmãos, os pais, quem estiver à mesa, com entusiasmo e alegria. Beije sua esposa (o) com aquela ternura tão antiga, dos primeiros meses de namoro.

Lembre-se: se alguma coisa não está dando certo em sua vida, você não precisa mudar de vida. Precisa mudar o jeito de viver. Não seja incongruente. Se você quer injetar felicidade em seu sistema nervoso, aja como se estivesse realmente feliz. Não deixe o seu corpo estragar o prazer da sua mente. Se você decidiu que doravante se sentirá bem, então proíba seu corpo de dizer que isso não é verdade.

Isso quer dizer que se você não está obtendo bom resultado naquilo que está fazendo, não é que você seja incompetente para fazer isso; simplesmente você ainda não descobriu a forma certa de fazer. Em outros termos, ainda está à procura da melhor resposta. Continue a procurá-la. Ela existe e você certamente a encontrará. Não desanime.

Vá mudando o jeito de fazer até encontrar a combinação correta.





Compartilhe com seus amigos:
1   ...   47   48   49   50   51   52   53   54   ...   126


©psicod.org 2019
enviar mensagem

    Página principal