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Policie os seus hábitos
Vigie seus pensamentos, porque eles se tornarão palavras. Vigie suas palavras, porque elas se tornarão atos. Vigie seus atos, porque eles se tornarão seu caráter. Vigie seu caráter, porque ele será o seu destino.15

Assim escreveu o poeta e ele tinha razão. Todo comportamento é resultado de aprendizagem e o hábito é um aprendizado que foi assumido pelo organismo como uma competência inconsciente. Não precisamos pensar para praticá-los. Ele é detonado automaticamente quando a âncora no qual ele está associado é levantada. 16

Quando uma aprendizagem assume a categoria de hábito, é muito difícil modificá-lo. Mesmo que ele traga os piores resultados para nossa vida, continuamos a praticá-lo. Que usuário de drogas, ou que fumante inveterado não gostaria de abandonar seu vício, sabendo e sentindo no próprio organismo o mal que isso lhe faz? Todavia, não há ato de vontade que lhe dê força suficiente para sustentar uma decisão de mudar isso.

Para mudar um comportamento que se tornou hábito não basta a vontade de querer fazê-lo. É preciso mudar primeiro a forma de gerá-lo internamente, para que o sistema neurológico possa dar-lhe uma nova configuração e partir dessa nova estrutura, uma diferente valoração.

É bonito fumar, é gostoso fumar, é charmoso fumar, é útil fumar? Claro que não, mas as pessoas associadas com esse comportamento, as situações em que elas aparecem, as cores, o som, os sentimentos que provocam em nós, são. E nós não aprendemos a fumar ou a beber pelo prazer do ato em si, mas pela expectativa de nos identificarmos com elas, que são “âncoras” dos estados internos que queremos experimentar.

Só que no caso de comportamentos que já se tornaram competências inconscientes, ou seja, respostas automáticas, a representação que a mente faz da informação é tão rápida que a própria consciência não consegue filtrá-la. Parece que o comando vem direto do inconsciente para o sistema nervoso e nós o executamos sem pensar. Antes de qualquer censura a coisa já está feita. Então vem a velha culpa: você não devia comer aquele docinho,, mas comeu; não queria tomar mais um golinho, mas tomou; não queria responder daquele jeito, mas respondeu, e assim por diante.

Como é que aprendemos a fumar, a tomar bebidas alcoólicas, ou usar outros tipos de drogas, por exemplo? Através de condicionamento neuro-associativo. Não vimos nossos pais, nossos professores, amigos, os artistas mais famosos praticando esses comportamentos?

Até a década de oitenta, todos os galãs e mocinhas do cinema e televisão apareciam fumando ou bebendo em seus filmes. Nos filmes de “cawboy”, principalmente, parecia que a virilidade dos “mocinhos” estava na proporção direta da quantidade de uísque que eles conseguiam tomar. Alguns até mascavam tabaco como se isso fosse muito charmoso e constituísse uma associação obrigatória com o tipo viril. Só muito recentemente é que a mídia e as autoridades da saúde, em geral, parecem ter acordado para esse problema e a ancoragem desses hábitos, através do cinema e da televisão, começou a ser combatido.

Mas para chegarmos a essa atitude levou muito tempo. Foi preciso que a sociedade tomasse consciência do custo social e econômico que o consumo desses produtos acarreta. Eles são maiores que os ingressos fiscais que eles produzem para os cofres públicos.

É sabido que os governos são os maiores sócios das empresas que fabricam esses produtos. Por isso é que os toleram, o que não acontece com os psicotrópicos, pois sobre esse tráfico o governo não arrecada a sua parte. É claro que o tabaco contém nicotina e essa substância atua sobre o nosso sistema nervoso de forma a condicioná-lo. O álcool também vicia, assim como todas as substâncias psicotrópicas. Dessa forma, não vejo muita diferença entre um e outro produto, a não ser o grau de prejuízo que cada um traz para a saúde pública. Mas estou certo de uma coisa: ninguém adquire esses hábitos senão através de um processo de condicionamento neuro-associativo, promovido por estímulos que impressionam a nosso sistema neurológico de tal forma, que sempre sucumbimos a eles por maior que seja a nossa vontade de resistir. E é assim que todos nós adquirimos a crença que fumar ou beber ou usar qualquer tipo de droga pode nos fazer algum bem. Os programadores desse tipo de hábito nos induzem a acreditar que o uso desses produtos provoca relaxamento, nos faz ficar charmosos, atraentes, facilita a sociabilidade, etc., e quando nos damos conta, eis que somos prisioneiros do mais cruel e terrível dos senhores: o vício.

Para mudar esse comportamento é preciso modificar os “programas” nos quais eles estão ancorados em nossa neurologia, inserindo neles informações que modifiquem a crença nos quais eles se amparam, fazendo o sistema neurológico entender que eles são, na verdade, causas de fracasso, tristeza, dor e escravidão. Que, ao invés de levar-nos ao sucesso, esses hábitos nos conduzirão à dor, à doença, à limitação da liberdade, já que os adictos dessas drogas, inclusive o fumante, são hoje pessoas que estão sujeitas à uma incontestável rejeição social.

Como todo hábito é uma competência inconsciente, eles também são instalados através de um processo de aprendizagem. Ninguém nasce alcoólatra ou fumante, sofrendo de anorexia ou bulimia.17 As pessoas adquirem esses comportamentos através de um processo de aprendizagem, que na essência, é igual ao que utilizamos para aprender a ler, escrever, andar de bicicleta, etc. E da mesma forma que um dia aprendemos a fazer essas coisas, também podemos desaprender. Diz-se que quem aprende a nadar ou a andar de bicicleta jamais esquece, mas não é verdade. Tudo que um dia foi aprendido pode ser desaprendido. Mas para isso é preciso mudar a informação neurolingüística que sedimenta o comportamento.

É o que acontece quando um acontecimento traumático nos leva a esquecer como se faz determinada coisa que antes sabíamos fazer muito bem. Certamente, todos nós já ouvimos falar de grandes artistas, excepcionais esportistas e outros profissionais que, de repente, “desaprenderam” sua arte ou sua profissão sem qualquer motivo aparente. Alguma coisa, dentro dos seus sistemas neurológicos desorganizou a informação que os fazia ser competentes inconscientes naquela habilidade e, em conseqüência, o comportamento eficiente não pode ser mais praticado com o mesmo resultado.

Para mexer no “programa” que sedimenta um hábito, precisamos descobrir primeiro como o sistema neurológico estruturou as informações que lhe dá geração. Já vimos que a nossa mente instala nossos “programas” estruturando a informação de certo modo e dando a ela um devido valor; esse valor é fixado através das submodalidades sensoriais que dão subsistência às representações mentais que fazemos da informação. Mais ou menos cor, mais ou menos brilho, maior aproximação ou distância nas imagens, modulação no som, características de temperatura, movimento, foco etc., arranjadas segundo uma determinada seqüência e combinação.

Dessa forma, o aprendizado de um hábito é um tipo de engenharia mental, na qual a mente monta um processo que é executado automaticamente pelo sistema neurológico. Se quisermos reverter esse processo e fazer o organismo “desaprender”, é preciso primeiro desestruturar internamente o “programa” gerador da informação para que o sistema não consiga mais executá-lo automaticamente.




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