Dados internacionais de Catalogação na Publicação (cip)



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Deixe sua mente livre

A nossa capacidade de solucionar problemas depende da liberdade que damos à nossa mente para representar, internamente, as informações que ela tem, combinando-as das mais variadas formas possíveis. Em outras palavras, isso significa capacidade de imaginação, ou se quisermos, podemos chamar isso de processo criativo.

Outra coisa: a flexibilidade com que nos permitimos olhar o mundo pode nos ajudar a enriquecer sobremaneira o nosso arsenal de respostas. Por outro lado, posturas inflexíveis, preconceitos arraigados, pontos de vista extremados, etc. podem reduzir drasticamente o “espaço solução” pois limita a sua capacidade de associação, impedindo que ela entre em territórios inexplorados, proibidos ou restritos por força de crenças, medos e outros tabus que limitam nossos recursos neurológicos.

Se o cérebro fosse um músculo, as dificuldades, as portas fechadas e os problemas mais difíceis seriam como aparelhos onde nós o exercitaríamos.

Desafios, físicos ou mentais, existem para que nós nos fortaleçamos na sua superação. Barreiras de impossibilidades aparecem comumente em nossas vidas. Mas elas só parecem instransponíveis na medida em que o foco da nossa atenção permanece sobre elas. Quanto mais pensamos nelas mais elas se agigantam a nossa frente. Mas se desviarmos delas a nossa atenção, e passarmos a vê-las como algo que precisa ser superado de qualquer maneira, então elas começam a diminuir de tamanho e a mostrar as fendas que existem em suas estruturas. Quando o foco é desviado para o espaço-solução, nenhum obstáculo resiste à horda de idéias que o atacam. E ele acaba ruindo como as muralhas de Jericó frente às trombetas de Josué.

É a mesma coisa quando não exercitamos suficientemente um determinado comportamento: acabamos esquecendo como se faz para atingir o resultado. Isso é comum acontecer com artistas, esportistas e outros profissionais que fazem sucessos meteóricos e depois desaparecem sem deixar rastro. É fácil entender por quê. A certa altura de suas carreiras, eles começam a pensar que, uma vez obtido o sucesso, isso é suficiente para mantê-los no topo. Esquecem da volubilidade do gosto do povo e não procuram renovar seus estilos, buscar outras composições, percorrer outros caminhos. Mantém-se aferrados aos seus modelos como se eles fossem servir eternamente. Lembram o velho palhaço Calvero, do imortal filme de Charles Chaplin, “Luzes da Ribalta”. E acabam morrendo sós e amargurados, culpando o mundo injusto que os esqueceu.




Imagine que atrás deste muro está o tesouro que você procura. Quantas formas de transpô-lo você consegue imaginar?
Figura 4
Sabendo disso, não deixe que a sua mente fique girando somente no “espaço-problema”. Treine-a para trabalhar, de preferência, no “espaço-solução”. Faça com que ela se ocupe ao invés de preocupar-se.

Outra coisa que prejudica a nossa competência para encontrar respostas eficientes aos problemas que a vida nos coloca são os hábitos arraigados. Um dia eles foram “programas” úteis, que foram desenvolvidos para satisfazer uma necessidade do organismo. Todavia, muitas vezes, eles ficam desatualizados e inúteis, mas como as trilhas neurológicas que os sedimentam continuam sendo percorridas pelo sistema nervoso toda vez que o estímulo que provoca o comportamento é ativado, nós continuamos praticando tais atos. Por isso é que é tão difícil dispensar aquela cervejinha no final da tarde, deixar de ver a novela das oito, percorrer os mesmos caminhos para ir ao trabalho ou voltar para casa, etc.

Quantos “micos” não pagamos por causa dessa desatualização de nossos programas! Eu, por exemplo, sempre gostei de fazer poesias. Isso me ajudou na conquista da maior parte das namoradas que eu tive quando jovem. Certa vez, já casado, resolvi homenagear a minha esposa com uma poesia. Passei uma boa parte da noite tentando fazer alguns versos que fossem dignos dela, mas como não consegui encontrar inspiração, acabei adaptando alguns versos antigos que havia escrito para outra garota que eu havia namorado quando solteiro. Quando lhe mostrei minha “obra prima” arrumei a maior briga da nossa história, pois me esqueci de trocar o nome da destinatária. Por isso, um bom conselho é: tome cuidado quando for acionar velhos programas para tentar resolver situações novas.




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