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CAPÍTULO 6 APRENDENDO A PROGRAMAR-SE



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CAPÍTULO 6
APRENDENDO A PROGRAMAR-SE
“ O cérebro é capaz de tudo. Mas é apenas um fabuloso processador de dados. Ele só tem contato com o mundo exterior através dos órgãos dos sentidos, nos quais colhemos as sensações que serão sempre moduladas pelas emoções; afinal, ele vive totalmente à mercê das emoções. Digo que o cérebro é burro para as pessoas perceberem que é apenas um processador, não sendo capaz de fazer nada por si mesmo.”

Nuno Cobra


Vamos falar de sonhos?
Se você quer saber como instalar seus próprios “programas”, a primeira coisa a fazer é aprender a sonhar.

Sonhe à vontade, solte a sua imaginação, transforme sua mente em uma tela de cinema onde você se torna um Indiana Jones, vivendo as mais incríveis aventuras, realizando as mais espetaculares façanhas. Sonhe bastante, aproveite essa faculdade da sua mente, enquanto o governo não acha uma forma de transformar essa atividade num fato gerador de imposto. Não tenha medo de sonhar; afinal é no interior da sua mente que a sua vida será decidida e não nos fatos que ocorrem diariamente.

Um conselho: tenha muito cuidado com o que você sonha, pois os seus sonhos poderão se tornar realidade, mesmo que você não acredite neles. Não se esqueça que o seu inconsciente é uma espécie de lâmpada que abriga um gênio dos mais poderosos. Só que ele é muito burrinho, pois não sabe distinguir o que é sonho e o que é realidade. Para o inconsciente, sonhos, quimeras, fantasias, fatos, raciocínios, tudo é a mesma coisa. Ele não sabe distinguir os processos pelos quais a mente processa uns e outros.

E por que deveria? Afinal de contas, os sonhos, as quimeras as fantasias, as utopias, também são experiências internas. Para pensar uma quimera, para montar uma fantasia em nossa mente, nós temos que imaginá-la da mesma forma que pensamos em um plano de trabalho, na planta de uma casa, um mapa de viagem, um raciocínio matemático ou uma proposição filosófica. Não há diferenças fundamentais no processamento dessas informações.

Isso quer dizer que, em princípio, todo objetivo, toda meta, é mera imaginação fantasiosa. Só deixará de sê-lo no dia em que for transformada em um plano e a sua realização for tentada.Quando nós fundamos a AMOA, uma ONG que se dedica a preparar e promover a capacitação de jovens em risco de exclusão social, ajudando-os a se tornarem bons cidadãos e futuros profissionais bem sucedidos no mercado trabalho e na vida, o nosso objetivo parecia um sonho irrealizável. Não possuíamos um único centavo para aplicar, não recebíamos verbas públicas, não tínhamos conhecimento de organizações de Terceiro Setor, nem experiência administrativa para lidar com a intrincada burocracia que rege esse segmento da economia. Éramos apenas quatro malucos a lutar contra as adversidades de um mercado de trabalho altamente competitivo e preconceituoso, a enfrentar autoridades extremamente desconfiadas e muito pouco colaborativas, a lidar com um público psicologicamente desesperançado, rancoroso e hostil, como costuma ser o grupo dos adolescentes excluídos socialmente.

Três anos após o início do nosso trabalho, já estávamos atendendo mais de mil adolescentes por ano, através de cinco projetos de largo alcance social. Só em nossa cidade, colocamos mais de mil adolescentes no mercado formal de trabalho, com todos os direitos trabalhistas e previdenciários garantidos. Uma boa parte deles já está devidamente inserida na sociedade e com a sua profissionalização a caminho. As metas que o Governo Federal, com seu programa “Primeiro Emprego” ainda não havia conseguido atingir, apesar de todos os recursos aplicados, o Programa Degrau, projeto no qual nos engajamos como parceiro das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, já havia superado em muito. Colocamos como aprendizes, no mercado formal de trabalho, mais de oitenta e cinco mil adolescentes em todo o estado de São Paulo. 12

Citamos o nosso exemplo apenas para mostrar como um sonho que parecia impossível pode se tornar realidade. Assim também ocorreu com as grandes invenções, os grandes impérios econômicos e políticos, as obras primas da literatura, da pintura, da arquitetura e todas as demais fábricas da engenharia humana, bem como as grandes conquistas da medicina e das ciências em geral, as descobertas geográficas e as grandes invenções. Em sã consciência, no século IV a C., quem poderia admitir que um jovem de apenas vinte anos pudesse conquistar metade do mundo, como o fez Alexandre Magno? Quem poderia sonhar que um dia alguém pudesse realizar o sonho do homem, de voar como um pássaro, como o fez Santos Dumont?

Quem poderia, antes de Marconi ter realizado o feito, imaginar que um dia alguém poderia falar lá nos confins da China e ser ouvido nos fundões da Patagônia?





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