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Pinte a própria aquarela
Quando realçamos ou minimizamos certos aspectos da imagem interna que formamos de um evento, estamos fazendo com que esse evento se carregue de emoção para mais ou para menos. Se formos o tipo de pessoa que privilegia a submodalidade auditiva, por exemplo, quando recordamos determinadas palavras que alguém nos disse, o nosso estado emocional se altera. Da mesma forma, recuperar a imagem de uma ocorrência ou experimentar novamente a sensação que nos emocionou, traz de volta o evento como se ele estivesse ocorrendo outra vez.

Quem nunca teve uma experiência auditiva na qual uma determinada palavra que foi proferida não tivesse abalado o seu estado emocional? Que não tivesse despertado a sua ternura, a sua alegria, o seu entusiasmo ou, na contra vertente, a ira, o desprezo, a mágoa? E quando se lembra dela, o quanto ainda não experimenta daquele estado?

Você é do tipo que hospeda um intenso diálogo interno, que não permite que você escute mais nada quando está emocionado? Você pode ser uma pessoa que se orienta mais pelo que ouve do pelo que vê ou sente.

Da mesma forma, isso acontece com imagens ou sensibilidades obtidas através da visão ou dos sentidos cinestésicos. Não o arrepia quando lhe vêm à mente lembranças visuais de um acontecimento infausto? Ou então rever e tocar as marcas de uma violência, recordar uma agressão que sofreu, um acontecimento traumático qualquer que lhe tenha provocado muita dor? Ou um aroma, um paladar, um toque, que você associa com determinadas experiências que o emocionaram? Também não o deixam cheio de alegria e entusiasmo as imagens de um sucesso qualquer que você teve na vida, como por exemplo, a formatura na universidade, o casamento, o nascimento de um filho, uma vitória esportiva, etc?

O quanto de entusiasmo, ou depressão, uma experiência pode levar para o nosso sistema nervoso será determinado pela submodalidade privilegiada pela nossa mente no momento em que organizamos internamente as informações da experiência vivida. Se a nossa orientação neurolinguística, ao representar a experiência, se inclinar pelo sistema visual, é possível que aumentar o brilho da imagem, a intensidade da cor, o seu tamanho, melhorar o foco dela, etc., possa torná-la mais atrativa, mais vigorosa, mais inspiradora. Se, por outro lado, se a orientação auditiva for predominante, poderemos realçar as características sonoras dela para obter esses mesmos resultados. A mesma coisa pode acontecer quando esse processo é orientado por cinestesia. Nesse caso, podemos intensificar ou reduzir a movimentação, aumentar ou diminuir a temperatura, mexer nos componentes de textura, dimensão, ductibilidade etc., fazendo com que a representação mental da experiência assuma uma composição diferente daquela que a mente organizou e codificou anteriormente. É como se estivéssemos mudando os códigos segundo os quais a mente reconhece determinada informação e constrói o estado interno associado a ela. Se antes uma determinada lembrança, visão, som ou qualquer estímulo cinestésico detonava em nós um estado de depressão, de angústia, ansiedade, medo etc., esses sentimentos não serão “encontrados” pela mente quando essa lembrança for evocada, pois simplesmente o “programa” que os continha foi modificado. É como na tela do seu computador, quando você aciona uma informação que está bloqueada ou que foi retirada. Aparecerá aquela mensagem que você conhece bem e que às vezes lhe causa muita irritação: “ a informação que você procura não foi encontrada”. Só que neste caso a mensagem vem para o seu bem.

Quanto de cor você quer em sua vida, quanto de movimento, de suavidade, de aspereza? Quer que sua vida seja uma suave canção de amor, um alegre samba, um estimulante reggae? Ou um taciturno bolero, um daqueles tangos em que o personagem se torna um beberrão maltrapilho, traído pela pessoa amada e desprezado por todos?

Como você quer que seja o seu mundo? A aquarela é sua. Pode pintá-la como quiser. Você pode colorir, aumentar, diminuir, suavizar, estender, encurtar, comprimir, na medida e quantidade que quiser, o seu mundo interno. Na medida em que o fizer, o seu mundo externo também acompanhará as modificações, pois o “que está dentro é igual ao que está fora e o que está fora é igual ao que está dentro”, como diziam os filósofos herméticos.

Isso é como Toquinho exprimiu naquela maravilhosa experiência musical chamada “ Aquarela”. Você a conhece? Tem esse disco, ou CD? Se tiver, suspenda um pouco a leitura e ouça-o;


Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo,

E com cinco ou seis retas eu posso fazer um castelo.

Com um lápis em torno da mão eu me dou uma luva,

E se faço chover num instante eu tenho um guarda-chuva.

Um pinguinho de tinta a boiar no fundo azul do papel,

Num instante eu tenho uma linda gaivota a voar no céu.

Vai voando, contornando a imensa curva,

norte/sul .” ......



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