Da inovaçÃo técnica à inovaçÃo edificante: o ensino de Didática em questão


A Didática e a Metodologia do Ensino Superior nos Planos de Ensino da UFU



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3. A Didática e a Metodologia do Ensino Superior nos Planos de Ensino da UFU

Na UFU, são oferecidos os seguintes cursos de licenciatura, em graduação plena: Pedagogia, Letras, Química, Matemática, Biologia, História, Educação Física, Psicologia, Filosofia, Ciências Sociais, Artes Plásticas, Enfermagem, Geografia, Música, Física, atendendo um total de 19 turmas e 511 alunos. Com exceção dos cursos de Biologia, Educação Física, Psicologia e Enfermagem, os demais são oferecidos nos turnos diurno e noturno. No curso de Pedagogia, a carga horária de Didática é de 120 horas em um ano letivo e, nos demais cursos, a carga horária é ministrada em 60 horas e um semestre letivo.

A disciplina de Metodologia do Ensino Superior é obrigatória nos seis cursos de Especialização oferecidos pela Faculdade de Educação. Na Pós-Graduação stricto sensu – Mestrado em Educação – a disciplina é optativa, admitindo-se matrícula de mestrandos e doutorandos de outros programas da UFU. Nesta pesquisa, foram analisados doze planos de cursos de Licenciatura, seis de cursos de Especialização e dois de Mestrado.
3.1 Evidenciando tendências na condução do ensino

Na grande maioria dos planos de ensino analisados observa-se um repertório variado de técnicas, procedimentos e atividades de ensino notadamente nas licenciaturas e nos cursos de especialização. Num primeiro grupo, estão os procedimentos em que o professor ocupa a centralidade do processo de ensino, tais como: aula expositiva dialogada, aula prática de demonstração, relato de pesquisa, de experiência, videoconferência.

No segundo grupo, figuram os procedimentos individualizados em que o aluno estuda sozinho, com ou sem orientação do professor, a saber: leitura e análise de textos, de artigos, de planos de ensino, de material didático; estudo dirigido, pesquisa bibliográfica e de campo. Há ainda significativa ocorrência de observação de aulas, visitas e entrevistas.

No terceiro grupo, reúnem-se os procedimentos em que os alunos estudam uns com os outros, predominando discussões e seminários. São mencionadas também diversas formas de organizar grupos: painel, painel integrado, debate, GVGO (Grupo de Verbalização e de Observação), palestra, fórum de discussão, bate-papo virtual.

E no último grupo, aparecem atividades individuais ou em grupo – chamadas genericamente de “trabalhos” - e caracterizadas pela produção de textos, principalmente, elaboração e desenvolvimento de planos de aula e de atividades de ensino e fichamento. Com menor incidência são relacionados outros trabalhos: memorial (como atividade avaliativa também), resenha, esboço bibliográfico, trabalho em sala de aula, produção de texto, produção de conhecimento, elaboração e apresentação de atividades diversas, trabalho cooperativo - desenvolvimento de anteprojeto de ambiente de aprendizagem. Para alguns trabalhos desse grupo está prevista a apresentação oral.

Em alguns planos, a metodologia de ensino está mais detalhada no item que trata do processo avaliativo, mencionando: objetivos da avaliação da aprendizagem, sistemática e instrumentos de avaliação, pontuação, critérios. Uma das professoras, por exemplo, explicitou conceito, objetivos e momentos na construção do memorial de formação.

A maioria dos planos contempla somente a relação de técnicas, procedimentos e atividades de ensino. Há descrições genéricas de situações didáticas selecionadas, tais como: problematização e análise da prática pedagógica, priorizando o ensino e o trabalho escolar; relação entre função da escola, paradigmas da educação e realidade social; situações concretas; ações coletivas; relação dialógica, etc. Dois planos descrevem a abordagem teórico-metodológica do conteúdo selecionado e a dinâmica das aulas para enfatizar a convergência dos temas em relação ao “papel do pedagogo enquanto profissional da educação” e o enfoque da disciplina voltado para o “ensino que ocorre na sala de aula e a organização do trabalho escolar”.

Alguns mencionam, de modo genérico, princípios que orientam a ação pedagógica. Um plano do curso de especialização explicita, mais detalhadamente, os seguintes princípios norteadores do tema de estudo ministrado:



(...) valorização dos saberes da experiência dos docentes/discentes; articulação dos saberes práticos com as concepções teórico-metodológicas; adoção do ensino com pesquisa como eixo metodológico; construção/produção coletiva do conhecimento; constituição de comunidade de trabalho e aprendizagem em rede; articulação entre docência e pesquisa; processo de auto-formação contínua do professor reflexivo-investigativo; escola como espaço privilegiado da formação continuada.

Cabe ressaltar que no mundo cheio de tecnologias, os artefatos tecnológicos não aparecem na intermediação didática dos planos de ensino analisados.


3.2 Silenciando recursos didáticos

Apenas dois planos de curso – um da licenciatura e outro da especialização – mencionam os recursos didáticos, tais como: quadro de giz e recursos audiovisuais (retroprojetor, datashow, TV, vídeo e aparelho de som).

Há um silêncio notório em relação às chamadas novas tecnologias ou tecnologias avançadas de comunicação digital. Esse é um novo espaço virtual de construção, desconstrução e reconstrução do saber, na direção do aprender juntos e colaborativamente, oportunizando novas relações com pessoas, materiais tecnológicos, saberes, contextos. Além disso, a mediação tecnológica pelos ambientes virtuais de aprendizagem colaborativa, pode significar a oportunidade adicional de uma formação tecnológica – alfabetização digital – imprescindível à formação do profissional da educação para o tempo/espaço contemporâneo. Essa formação não pode eximir-se desse novo saber que influencia as relações do cidadão com o conhecimento, com as pessoas e com o mundo. O uso de recursos tecnológicos subordina-se a essa meta, estando a serviço do sujeito aprendente e de sua formação como pessoa.

A tela do computador transforma-se num espaço coletivo onde as pessoas ensinam, aprendem, pesquisam e constroem conhecimento. As comunidades virtuais de aprendizagem estabelecem redes integradas de saberes, como reforça Lévy (1999, p. 127): “uma comunidade virtual é construída sobre as afinidades de interesses, de conhecimentos, sobre projetos mútuos, em processo de cooperação ou troca, tudo isso independentemente das proximidades geográficas das filiações institucionais”. A inclusão digital é fundamental para a democratização do acesso às tecnologias avançadas de comunicação digital e ao conhecimento disponibilizado na grande biblioteca virtual – a Internet.

Além disso, os sujeitos, mediatizados pelos ambientes virtuais, podem construir conhecimentos num processo de interlocução horizontal entre aprendizes, professores e as diferentes fontes do saber, aproximando-se do novo paradigma proposto por Santos (1997).
3.3 Produzindo subsídios para construção de propostas pedagógicas inovadoras

Nos planos analisados, percebem-se indícios de superação do paradigma conservador – e, conseqüentemente, da inovação técnica - concretizados pela produção de conhecimento pelo sujeito aprendiz, vivência de memorial, adoção da pesquisa no ensino.

A mediação tecno-pedagógica baseada no diálogo, na pesquisa e na elaboração pessoal, enfatiza o protagonismo do sujeito aprendiz e reconhece a sua autonomia. O protagonismo dos aprendentes resgata a subjetividade humana, encoraja os caminhos pessoais e, conseqüentemente, divergentes, concorrendo para a transgressão paradigmática.

A adoção do memorial, como procedimento didático, objetiva a personalização do saber e valorização da experiência – auto-conhecimento, conhecimento auto-biográfico - na busca de superação da dicotomia entre sujeito e objeto do conhecimento (Santos, 1997).

O uso das narrativas de experiências de vida pode contribuir para a formação de professores reflexivos à medida que esses se habituem a registrar suas práticas, a refletir sobre elas e até partilhar, discutir e tentar gerir angústias e sucessos contidos nas narrativas.

As abordagens metodológicas destacadas procuram recuperar o potencial educativo da metodologia de ensino guiada pelo paradigma emergente - em construção - que contribui para uma prática pedagógica inovadora. Por meio da mediação pedagógica mais participativa, interativa, dialógica, crítica, criadora, humanista “facilita-se a transformação das práticas de ensino em pedagogias mais abertas, ativas, individualizadas, abrindo mais espaço à descoberta, à pesquisa, aos projetos, honrando mais os objetivos de alto nível, tais como aprender a aprender, a criar, a imaginar, a comunicar-se” (Perrenoud, 1999, p. 66) e além disso, pode contribuir para criação das bases de uma sociedade mais democrática, mais humana, voltada para o bem comum – com possibilidades de acrescentar mais vida na sobrevivência das pessoas.



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