Da cultura ao inconsciente cultural



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Da cultura ao inconsciente cultural: psicologia e diversidade étnica no Brasil contemporâneo
Interrogações são feitas a respeito da sobrevivência da psicologia no contexto de mutações desse período a que se convencionou chamar de pós-modernidade. E o essencial é saber se a psicologia conta com recursos que, não só a façam sobreviver, mas, principalmente, contribuir para a compreensão da nova ordem do mundo que nos cerca. Importante para isso é que o olhar psicológico volte-se para as identidades que se re-configuram no novo campo simbólico, [em que], muitas vezes, a tradição interage com a modernidade.
Globalização é a palavra que condensa o semantismo das mudanças, e um dos aspectos mais significativos dessas mutações é a proliferação de imagens. Há uma compressão espacial e temporal gerada pela extrema velocidade da circulação de informações, trazendo alterações ainda não plenamente compreendidas pelo tecido social. O planeta diminui, o tempo se estreita e instala-se um novo regime de ficção que hoje afeta, contamina e penetra a vida social (AUGÉ, 1998:10).
Mas a questão central é a indagação acerca do conteúdo das imagens, sua sustentação, densidade simbólica e as condições de circulação entre o imaginário individual e o imaginário coletivo.
Uma nova perspectiva para se compreender a globalização passa pela articulação das noções de global e de local. É o deslocamento de bens culturais primariamente locais, cruzando fronteiras e movendo-se através das paisagens, o que provoca a percepção da globalidade (SEGATO, 1997). Devido à diversidade cultural, nosso mundo globalizado é constantemente perpassado por um localismo de tradições - e tradição remete a uma identidade, a um sentimento de pertença, a uma comunalidade simbólica. Mostra-se assim nítida a necessidade de haver uma compreensão da diversidade étnica que convive em um determinado espaço simbólico.
Junto com a globalização emerge, portanto, uma questão importante: a identidade e o risco de se perdê-la, pois, em um mundo em mutação acelerada, o fenômeno de globalização atua como um processo de decomposição e recomposição de identidades individuais e coletivas (PACE, 1997:32) e uma equação passa a ligar indissoluvelmente o fenômeno da globalização e a revalorização das identidades.
Walter Boechat indica que a questão da identidade é um problema extremamente complexo, com vertentes sociológicas, antropológicas, econômicas, e, por último, mas não menos importante, componentes psicológicos. Assinala o risco de perda de referência pessoal no mundo globalizado, onde a nacionalidade tem suas fronteiras em mutação, trazendo o perigo de graves problemas sociais (BOECHAT, 1999).
Situando a questão no Brasil, com suas contradições sociais e éticas, Boechat analisa corretamente o papel das religiões na construção da individualidade e aponta para o mecanismo psicológico da projeção – do recalcado, da Sombra – como um padrão recorrente nos conflitos inter-étnicos. Discordamos apenas da afirmativa de que, em nosso país, o problema racial seja muito mais um problema de classes sociais. Na verdade, o racismo ultrapassa as categorias intelectuais do discurso da Política e da Economia, que trabalham prioritariamente com as noções de classes. Uma possível compreensão e superação do racismo surge apenas quando se toca o nível afetivo da questão (SODRÉ, 1999), fazendo uma aproximação simbólica com o ser diferente - no Brasil o homem negro ainda é o outro, pois não o reconhecemos em nós mesmos!
Se o tema do racismo, da alteridade e aceitação do outro transita pelo afeto, está, portanto, imerso em um campo primariamente psicológico. E se o conflito inter-étnico é derivado de um medo da dissociação e da perda de identidade, o verdadeiro trabalho dos psicólogos é examinar os fundamentos de nossa identidade.


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