Curso engenharia de produçÃo química



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O Homem e o Eu Social


Você tem que confiar em você mesmo para encontrar as respostas e seu eu.
O homem não nasceu só para trabalhar, mas o trabalho consome mais da metade de sua existência. O trabalho nos livra do ócio, da preguiça e do vício e nos traz a felicidade.
A felicidade é a forma que o homem encontra para dar solução aos problemas de sua existência: a realização produtiva de suas potencialidades e, assim, conseguir unir-se ao mundo, à sua sociedade e preservar a integridade do seu próprio eu.
Ao desprender produtivamente a sua energia e a sua inteligência aumenta seus poderes e sua participação no contexto social, o que lhe traz alegria e felicidade, que é o critério de excelência da arte de viver.

___________________

2. J. Cruz Costa. Pioneirismo na história da filosofia no Brasil. São Paulo: Cultrix, 1960.

3. J. Cruz Costa. Contribuição à história das idéias no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.

Na Idade Média, o homem sentia-se parte integrante da comunidade onde vivia, no aspecto social e religioso, uma relação com a qual se identificava e concebia seu próprio eu, quando ainda não havia uma classe social plenamente desenvolvida, emergindo apenas o indivíduo ao grupo. A partir da Era Moderna, quando o homem passou a ser uma entidade independente, sua própria identidade acabou se tornando um problema.
A partir dos séculos XVIII e XIX a evolução do trabalho na sociedade trouxe novas concepções e a questão do eu acabou se restringindo mais e mais – “sou o que possuo” para o de “sou como você me quer”4. William James, desenvolveu a concepção de eu com muita sensibilidade e habilidade dizendo:
Para eu ter um eu pelo qual me interesso, é preciso que a natureza ou a sociedade me dê algum objeto suficientemente interessante para fazer-me querer instintivamente possuí-lo por amor a ele....Meu próprio corpo é que presta serviços a ele, dessa forma, o primeiro objeto instintivamente determinado, de meus interesses egoístas. Outros objetos ou produtos podem por intermédio de associação com qualquer dessas coisas, seja como meio, seja como concomitantemente habituais, e dessa forma, de inúmeras maneiras, a esfera primitivista das emoções egoístas pode alargar-se e alterar seus limites. Essa espécie de interesse é realmente o significado da palavra meu.
James mostra em seu trabalho Princípios de Psicologia, publicado em 1890 nos EUA, que é muito difícil traçar a separação entre o que o homem chama eu e o que chama simplesmente meu: sentimos, agimos, trabalhamos acerca de certas coisas que são nossas de maneiras bastante parecida como sentimos e agimos acerca de nós mesmos. Nossa reputação, nossos filhos, o trabalho desenvolvido por nossas próprias mãos podem ser-nos tão caros quanto nossos corpos e podemos desenvolver os mesmos sentimentos e os mesmos atos de represália quando eles são atacados. Para James, o EU de um homem é o grande total de tudo o que ele chama de seu, não apenas seu corpo, suas faculdades psíquicas, mas suas roupas, sua casa, sua esposa e seus filhos, seus ancestrais e seus amigos, sua reputação e suas obras, sua terra e seus cavalos, seus carros, seu iate, sua conta bancária, sua empresa.
Todas essas coisas dão-lhe as mesmas emoções. Se elas crescem e prosperam, sente-se vitorioso, se minguam e desaparecem, sente-se derrotado, falido – não obrigatoriamente com a mesma intensidade para cada um deles, mas de maneira bastante parecida para todos.
Nos dias atuais, sob a crescente influência dos negócios e da globalização social, o conceito do EU passou a ser um produto. Está dissociado de si mesmo, como o vendedor de um produto qualquer está dissociado do que deseja vender.

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4. Pirandelo expressou em suas peças teatrais essa concepção do eu e a incerteza pessoal que daí decorre.

É verdadeiro que ele está interessado em si mesmo, totalmente interessado em seu sucesso no mercado de trabalho, mas “Ele” é o administrador, o empreendedor, o empregador, o empregado, o vendedor, o comunicador e o produto.


Diferentemente da Idade Média, a sociedade contemporânea alterou o interesse próprio de cada um. Seu interesse próprio vem a ser o interesse que “ele” tem com o sujeito que entrega a “si mesmo”, como um produto que precise conseguir o preço ótimo num mercado extremamente competitivo.
O desaparecimento do interesse próprio do homem médio que cedeu lugar ao interesse coletivo nunca foi melhor descrito do que por Ibsen em “Peer Gynt”. Peer Gynt julga que toda sua vida está voltada para a satisfação dos interesses do seu eu. Ele descreve este eu como:


  • Um exército, é o que ele é, de desejos, apetites, vontades!

É um mar de caprichos, reivindicações e aspirações;

De fato é tudo o que arfa em meu peito.

E me faz ser o que sou e viver como vivo.

(Ibsen, “Peer Gynt”, act. V, scene I, Casa das Bonecas)


Ao final da vida ele reconhece que cometeu um engano, pois, embora adotasse o princípio do interesse próprio, deixara de conhecer quais eram os interesses do seu eu real e havia perdido o próprio eu que procurara conservar. Afirma-se que o eu de Gynt nunca havia sido ele próprio e que, por essa razão, seria lançado de volta ao cadinho para ser tratado como matéria-prima.
Ele acabou descobrindo que viveu de acordo com os princípios dos Trolls: “Baste-se a si mesmo” – que é o oposto do princípio humano: “seja fiel a si mesmo”. Confie em si mesmo que encontrará a resposta para o seu “eu”.
Somente através de critérios e métodos científicos é que poderemos conhecer o homem em sociedade e a própria sociedade em que vivemos.



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